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“Onde o mundo real se converte em simples imagens, essas simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espectáculo, como tendência para “fazer ver” por diferentes mediações especializadas o mundo que já não é directamente apreensível, encontra normalmente na vista o sentido humano privilegiado que noutras épocas foi o tacto; o sentido mais abstracto, e o mais mistificável, corresponde à abstracção generalizada da sociedade actual. Mas o espectáculo não é identificável com o simples olhar, mesmo combinado com o ouvido. Ele é o que escapa à actividade dos homens, à reconsideração e à correcção da sua obra. É o contrário do diálogo. Onde quer que haja “representação” independente, o espectáculo reconstitui-se.
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A alienação do espectador em proveito do objecto contemplado (que é o resultado da sua própria actividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo. A exterioridade do espectáculo em relação ao homem activo revela-se no facto de os seus próprios gestos já não serem seus, mas de um outro que lhos representa. Eis porque o espectador não se sente em casa em nenhum lugar, porque o espectáculo está em toda a parte.”
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— GUY DEBORD (28 de Dezembro de 1931 – 30 de Novembro de 1994), escritor, cineasta, pensador e teórico libertário francês, in “A Sociedade do Espectáculo”, Antígona, 2012.
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