quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Serviços de saúde do Estado Novo de Salazar.

 


Serviços de Saúde do Estado Novo.

Começando pelo acesso aos mesmos, sendo que eram universais e gratuitos.
1954-serviam 10% da população.
1960-serviam 16% da população.
1965-serviam 30% da população.
1970-serviam 60% da população.
1975-serviam 78% da população.
(Dados oficiais do INE, atente-se que até lá, grande parte dos cuidados de saúde eram inerentemente prestados pelas Misericórdias e outras instituições perante acordos com o Estado, no caso das Misericórdias e não só havia isenções de impostos exactamente para compensar o serviço público.

Não adianta estar com grandes dissertações, pois a verdade e os factos, a obra falam por si mesmos!!!

Construção do Hospital Escolar de Santa Maria.
Construção do actual Edifício do Instituto Ricardo Jorge.
(Incluindo o arranjo paisagístico da área envolvente).
Construção do Instituto de Oncologia.
Construção do Hospital Egas Moniz.
Construção de centros de saúde por todos os concelhos do país.
Maternidades, entre as quais a Maternidade Alfredo da Costa.
Assistência Nacional aos Tuberculosos.
(Criada ainda na época da Monarquia e com sede em Lisboa foi, durante o Estado Novo muito ampliada, pela instalação de vários Sanatórios e criação de dezenas de Postos de atendimento espalhados por todo o território; alguns feitos de raiz e todos equipados com os meios humanos e materiais adequados; tornaram assim possível, a obrigatoriedade do rastreio anual às populações do Comércio, da Função Pública e Estudantil. Daqui resultou uma forte e efectiva regressão, para valores mínimos, do número de pessoas infectadas pelo bacilo).
Construção do Hospital Escolar de S. João.
(No Porto; Edifício idêntico ao do Hospital Escolar de Santa Maria, em Lisboa).
Criação das Casas do Povo e das Casas dos Pescadores.
(Incluindo a construção de centenas dos respectivos edifícios).
Construção de novos Hospitais e Sanatórios e beneficiação dos antigos.
(Apenas dois exemplos, dos muitos construídos por todo o País: a construção do Hospital Rovisco Pais – Leprosaria - na Tocha com dezenas de edificações espalhadas por uma área total de 110 ha, aproveitando integralmente uma doação do grande benemérito; construção do Hospital Psiquiátrico de Sobral Cid - próximo de Coimbra - com 15 edifícios espalhados por uma área de 10 ha).
Instituição do ABONO DE FAMÍLIA, para todos os filhos de pais assalariados.
Instituição da ADSE.

apenas um exemplo...
"(...)Por conseguinte, era essencial criar e valorizar os organismos indispensáveis a uma
coordenação conjunta e fiscalização acrescida. Deste modo, foi publicado o Decreto-lei
n.º 31666 de 22 de novembro de 1942, que previa a divisão da assistência em três ramos,
a ser:
a) Assistência à vida no seu nascimento e primeira infância (consultas pré-natais, maternidades, lactários, parques e dispensários);
b) Assistência à vida na sua formação e preparação física, intelectual e moral (preventórios, colónias de férias, orfanatos e patronatos);
c) Defesa da vida ameaçada por infeções físicas, mentais ou morais (hospitais, casa de saúde, dispensários, manicómios e casas de regeneração);
d) Assistência à vida diminuída pela miséria económica ou pela incapacidade física, mental ou moral (cozinhas económicas, recolhimentos, hospícios, asilos ou albergues). (Decreto-lei n.º31666, 1941, preâmbulo, ponto 1)
procedeu-se à reorganização dos serviços da Misericórdia de Lisboa,
pelo Decreto-lei n.º 32255, de 12 de Setembro de 1942. Esta entidade era considerada
como a “mãe de todas as outras que há nas cidades e vilas de Portugal” (Decreto-lei n.º32255, 1942, preâmbulo), ou seja, era a entidade de Previdência Social essencial para o
bom funcionamento de todas as outras, sendo, por isso, o modelo de assistência a seguir.
Para o legislador e toda a Assembleia Nacional, estava expresso, nesta organização, todo o espírito cristão, atingindo todas as finalidades propostas e contribuía, todos os dias, para o aperfeiçoamento dos serviços sociais da época."
Perante os factos, nunca se fez tanto, com tão pouco, em tão pouco tempo, infelizmente as cabecinhas pensadoras e empenados mentais apologistas deste regime marxista assim não o entendem, quem sabe sejam ainda hoje eles mesmos apologistas de regimes nos quais todos os inválidos para o trabalho não havia outra alternativa senão ficar empilhado numa vala comum, é triste, mas é a mais pura verdade!!!

Alexandre Sarmento

Mais um episódio da vergonhosa descolonização.

 




«Em Moçambique, a descolonização dita "exemplar" levou para as cadeias centenas de portugueses, homens, mulheres e crianças. Acusavam-nos de "crimes contra a descolonização". Três meses antes da independência, as forças portuguesas às ordens do comandante Vítor Crespo, Alto-Comissário em Moçambique, entregou um grupo de sete desses prisioneiros à FRELIMO, para serem mortos. Mantiveram-nos, contudo, durante mais de um ano e meio, em campos de "reeducação". As restantes centenas foram sendo progressivamente libertadas e, em Novembro de 1976, ainda havia cerca de vinte prisioneiros brancos».

Pompílio da Cruz («Angola: Os Vivos e os Mortos»).

Mais um verdadeiro português votado ao esquecimento.

 


"Em 1987 falecia em Cascais o Almirante Américo Tomas, que foi Chefe de Estado durante 16 anos, para além de ter tido muitas virtudes cívicas e militares, de que destaco a reconstrução da Armada portuguesa.
O Regime da “tolerância”, confiscou-lhe miseravelmente a Pensão, e os bens, tendo-se visto obrigado a viver, no Brasil, da ajuda de amigos que entenderam provar-lhe a sua gratidão.
Já no fim da vida, permitiram-lhe o regresso a Portugal, tendo-lhe sido atribuída, “por favor”, uma vulgar pensão de militar.
O seu funeral, foi ignorado vilmente pela mediocridade do novo Estado “democrático”, mas não por centenas de portugueses, (eu estive lá), que entenderam acompanha-lo até a sua ultima morada.
Não teve direito a Bandeira Nacional, a que tinha direito, nem que fosse por ter sido militar. Nem a Guarda de Honra a que a sua qualidade de antigo Chefe de Estado lhe dava direito.
Talvez tenha sido uma honra o facto de o nojo que passou a “mandar” em Portugal após abril, na sua canalhice tivesse feito o que fez. A sua dignidade, porem ficou intacta, porque isso não lhe podiam eles roubar.
Com efeito, os medíocres que ocuparam o poder apos 1974, e vilmente humilharam por todos os meios o Almirante, os tais “tolerantes de abril, duvido de que tivessem sido bem recebidos pelos presentes, que o acompanhavam por amizade, e agradecimento.
Hoje assistimos a piroseira do funeral de um jornalista que soube levar a falência um grupo que fundou, que fez politica, e foi fugazmente primeiro-ministro, tendo conspirado contra o anterior regime, do fundo do seu “berço de oiro”, sabendo que nada lhe aconteceria pela maldade de ter contribuído comodamente contra um Regime legitimo, que tinha levado Portugal a uma Gloria, que Abril anulou.
O funeral do jornalista falido, esse sim, teve todas as honras de Estado.
Do Estado que eles transformaram, e que subsiste na sua humilhação internacional, e agonia medíocre.
Ficou provado, hoje, que a qualidade de “menino bem”, playboy participante politica e jornalisticamente na miséria a que fomos conduzidos pela solidariedade dos “camaradas” que há 51 anos pisam indignamente os palácios que foram dos Reis de Portugal, merece Honras de Estado, do Estado ocupado abrilino.
Eles estavam lá todos.
Deus os cria, e eles se juntam!
Que Deus tenha piedade de um homem que viveu bem, fez mal politicamente a Pátria, e deixou centenas de empregados do seu “magnifico” “império financeiro” falido, até com o subsídio de ferias dos seus empregados em atraso.
Os actuais “heróis” da pobre Pátria, são isto.
Pobre Portugal.
Que Deus tenha piedade de nos, e da nossa Pátria aviltada!"

António De Oliveira Martins

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Traições à Pátria.

 





As grandes crises nacionais têm causas e denominadores comuns, que se repetem inexoravelmente, pese a variabilidade do seu contexto, das suas facetas, dos seus efeitos e até de alguns dos seus protagonistas, já que são quase sempre as mesmas e com poucas actualizações, as forças externas que se fazem sentir no país. O pior é que estas crises até são previsíveis e curiosamente os nossos políticos e governantes recusam-se a reagir ou a ver a catástrofe e o naufrágio que temos pela frente.

Alexandre Sarmento 

Hipócritas e subordinados aos interesses hostis a Portugal.

 



Nas grandes crises nacionais defrontam-se sempre duas estratégias: a do envolvimento de Portugal em conflitos europeus situados fora dos seus interesses naturais, não retirando o País desse envolvimento qualquer proveito; e a que procura reforçar ou modular a neutralidade de Portugal nesses mesmos conflitos, de forma a dela retirar o maior número possível de vantagens.
Assim acontece com a nossa participação na União Europeia como na NATO, limitando-se Portugal a seguir e a executar subordinado a uma política externa e de defesa das potências que efectivamente lideram as referidas organizações.
Curiosamente aqueles que dentro de portas defendem o envio de militares e forças de segurança para o exterior, são exactamente aqueles que criticam ou criticavam a acção militar portuguesa nos territórios sob administração portuguesa, em território português, neste caso apenas defendíamos a nossa soberania e a Nação portuguesa, aquém e além mar, absolutamente legítimo e justo, apenas pugnámos por manter a nossa integridade nacional.

Alexandre Sarmento 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Kaúlza de Arriaga, um dos últimos bravos do Império.

 


FACTO IMPORTANTE QUE É UMA CHAVE PARA ENTENDER A HISTÓRIA DE ABRIL

Descendente de uma família açoriana, General, professor e publicista, Kaúlza de Arriaga nasceu em 1915 no Porto e morreu em 2004 na cidade de Lisboa com a doença de Alzheimer.

Sob ordens de António de Oliveira Salazar e Marcello Alves Caetano, foi comandante das Forças Terrestres em Moçambique de 1969 a 1970 e Comandante em Chefe das Forças Armadas em Moçambique de 1970 a 1973.

Como militar, esforçou-se na reforma dos sistemas de recrutamento e de treino, preocupou-se com a modernização dos transportes aéreos militares e incentivou o Corpo de Tropas Paraquedistas e a sua integração na Força Aérea. Ficou conhecido principalmente pelas campanhas militares que comandou em Moçambique, sobretudo pela grandiosa Operação Nó Górdio (1970), que resultou num enorme sucesso militar que chegou a ser publicamente admitido pela FRELIMO que como consequência dessa operação moveu o seu esforço de guerra para a zona de Tete.

Preso a 28 de Setembro de 1974, não encontraram culpa nos 16 meses em que esteve preso e o tempo que durou a prisão explica tudo. Ele foi encarcerado durante justamente o período da descolonização. Após consumada a entrega do Ultramar Português foi solto pois já não constituía perigo pela sua radical oposição ao processo.

Claro que Kaulza tinha razões de sobra para processar o Estado e não se isentou de o fazer. E venceu a causa.
Mas o mais surpreendente foi o recurso que o Ministério Público interpôs logo que o Estado foi condenado.
Ora vejamos a transcrição que aqui deixo a seguir:

《 O Delegado do Ministério Público, no seu recurso - 1985/1986 - considera ter sido dado como provado que o General Kaúlza de Arriaga tinha realmente capacidade, vontade e prestígio para liderar um movimento contra a descolonização de Angola e Moçambique.

O SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO 4 de Junho de 1987》- in "Guerra e Politica", pag.11

Colaborador fiel de António de Oliveira Salazar, chegando a ser decisivo no fracasso do Golpe de Estado de Botelho Moniz de 1961, Kaúlza de Arriaga tinha capacidade, autoridade e prestígio para liderar e reverter a descolonização, tendo sido imobilizado pelo recente regime.

Nota: O único digno representante da direita em Portugal no pós 25/4, por isso mesmo anulado pela cambada do regime. 

Suaves Cavaleiros - Orlando Vitorino

 


Suaves

Cavaleiros

1 - O que os governos idolatram

O governo das sociedades contemporâneas é orientado segundo um princípio absolutizado e universalizado, a que tudo se deve subordinar: o princípio da economia.

O predomínio absoluto deste princípio começou por constituir a arma que conquistou para a burguesia o domínio das sociedades. Conquistado esse domínio, logo o princípio da economia se revelou instrumento da mais flagrante e dolorosa injustiça. Multiplicaram-se as suas vítimas vertiginosamente, até abrangerem a quase totalidade dos homens.

Quando essa injustiça, assim estabelecida, ficou patente e adquiriu as proporções de escândalo, procurou-se atribuir às modalidades e processos de aplicação do princípio, não ao próprio princípio, a sua origem e causa. Mantendo-se assim, no seu pedestal, esse princípio absoluto e único, reforçando-o e elevando-o até mais alto, dividiram-se em duas correntes principais os adoradores do ídolo - chamaram-se uns socialistas, chamaram-se outros capitalistas. O que os distingue é apenas a modalidade, o processo daquilo que ambos os grupos designam por «distribuição da riqueza», designação sarcástica pois do que efectivamente se trata é da «distribuição da pobreza». De qualquer modo, o ídolo é o mesmo, o princípio fica intocável e sua soberania continua a ser total.

2 - O contrário das revoluções inúteis

Ora o que nos anos mais recentes começou a ser posto em causa foi o próprio princípio. Não apenas a sua soberania, mas ele mesmo, como príncipio ordenador de classes, hierarquias e possibilidades de vida dos homens integrados nas organizações sociais.

Quem o põe em causa, sejam personalidades ou grupos que se vão manifestando aqui e além, sem propósito coordenado e prévio, logo sofre o ferrete social do réprobo, imediatamente se vê segregado. Como os cristãos refugiados nas catacumbas, como tudo o que os cristãos representaram na fase final declínio de uma civilização e início de outra. E, ao contrário das revoluções inúteis - as que se destinam a mudar «o que isto é por aquilo que isto tem sido, ou as que se destinam a convencer-nos a todos de que «é preciso que todos mudem para que tudo fique na mesma» - ao contrário dessas espalhafatosas revoluções inúteis, os que põem agora em causa o princípio soberano da ordem e da injustiça fazem-no silenciosamente. Sem ruído, sem escândalo. Suaves cavaleiros.

3 - O regresso à natureza

Uma das manifestações é o regresso à natureza. O princípio soberano da economia abomina e condena a natureza. Os próceres dele, no dealbar do seu domínio, logo o condenaram. Na origem, Lutero. Depois Kant pôde dizer: «Falam-me da beleza de um céu estrelado... A mim, um céu cheio de estrelas apenas me lembra um rosto picado de bexigas». E outro, Hegel: «Vale mais a mínima ideia que perpassa no cérebro de um homem, do que o mais deslumbrante espectáculo de natureza.» ou « Que dizer das montanhas e sua beleza? Apenas isto: que elas aí estão». E logo outro, repetitivo, o sacerdote-mor da economia, Marx: «A vida rural? O idiotismo da vida rural!».

A natureza tem ritmos e cadências que só não desesperam os economistas e esta sua sociedade e civilização porque de vez os expulsaram dela e até julgaram tê-los expulso da real existência humana. A natureza, apenas a querem para lhe extrair as matérias primas da indústria. Mais nada. Os ritmos sociais da vida humana devem ser, hão-de de ser, são os industriais. Como industrial é toda a riqueza, toda a produção, todo o trabalho. Na indústria, sim, os ritmos são iguais, certos, inalteráveis; não estão sujeitos, como a natureza e os seus modos de criação, ao capricho imprevisível e à diversidade intolerável dos climas, estações, secretos ritmos e sopros. São planeáveis e contabilizáveis, introduzem-se em estatísticas, sujeitam-se ao cálculo e à previsão seguríssima.

Além disso, a natureza não pode ser o lugar do homem. O lugar do homem não é um lugar natural. O lugar do homem é a cidade - melhor, o burgo. Porque a cidade é romana e grega, sem muralhas em volta para a defender dos inimigos ou a proteger da natureza circundante. O lugar do homem é o burgo que nasce nas casas encostadas aos castelos e se alarga em ruas estreitas e sem praças, hoje só ruas para máquinas e rotundas para as máquinas virarem. Os campos em volta cortam-se de rodovias e cobrem-se de fábricas, e dos fumos e dos esgotos dessas fábricas. Industrializam-se.

4 - Marx está errado!

O princípio económico começa, pois, a ser posto em causa. Claro que nunca ele foi reconhecido pelos que sabem: os que simplesmente sabem ou, concedamos, sabem do homem, de sua natureza e seu espírito. Agora, porém, são as vítimas que se começam a erguer.

O sinal mais ostensivo veio de um estado americano, a Califórnia, que só por si tem sido a quinta potência industrial do mundo. Foi aí que as populações, ricas e prósperas, primeiro se surpreenderam de já não possuírem a natureza de que sempre tinham usufruído; os mares poluídos, as praias transformadas em esgotos, a atmosfera saturada de fumos, os campos cobertos de casas e ruas a perder de vista. Depois, sobre o assim sensível aos olhos, o que é sensível à inteligência e à alma: a uniforme monotonia do trabalho industrial, a ausência de descanso, repouso ou remanso, a carência de valores espirituais e psíquicos. Ao lado de todo este vazio, de toda esta inutilidade humana, que vale a famosa prosperidade económica? Que representa ela? Por que preço se paga?

E em breves anos a população da Califórnia vê surgir, formar-se, ampliar-se ameaçar as estruturas institucionais e políticas da quinta potência industrial do mundo, uma nova e perturbante espécie social. E verifica, com espanto, que há vozes que se erguem e se ouvem contra a industrialização, contra a idolatria do princípio económico, contra a monotonia do trabalho fabril, contra a sua próspera e ôca produtividade. As vozes dirigem-se também aos possidentes e aos proletários, e procuram ser persuasivas. A minoria inicial alarga-se subitamente e representa quase um terço da população.

O governador do Estado1, veterano do cinema e representante da velha sociedade ainda dominante, exprime bem o que é e o que representa quando, em discurso público, responde às novas e estranhas minorias:« Quem viu uma árvore, viu todas as árvores». E os operários mais irremediavelmente disciplinados e fartos, em côro: «estes tipos querem ensinar-nos aquilo de que havemos de gostar...».

Entretanto, o que se torna grave e temível é que a minoria, inicialmente considerada utópica e louca, se põe a crescer e ameaça atingir um decisivo poder eleitoral. Durante dois anos o «establishment» organiza-se e promove uma vasta e persistente campanha, lançando contra ela os poderes que, consoante a nunca desmentida teoria marxista, constituem os dois únicos sectores ou classes de toda a sociedade burguesa: os proprietários e os proletários, uns e outros contentes e satisfeitos na metade da laranja onde foram instalados. Ora os novos bárbaros recusam instalar-se, quer numa, quer noutra metade, não se identificam ou sequer se aliam com uns ou com outros, antes a ambos e ao seu comum mundo industrializado, economicizado e politizado, igualmente repudiam. E veio isto acontecer quando, precisamente, esse tratado de Tordesilhas social, burguês e marxista, estava prestes a atingir a plena e perfeita realização, quando já parecia não haver no mundo senão proprietários e proletários, triturados já os entes intermédios situados naquilo que Hegel chamava o «espírito absoluto» e levou Marx a declarar invertido todo o Hegelianismo. Quando, assim, a calmaria da burguesia industrializada parecia já nada ter que a ameaçasse, toda a sociedade composta só, não de homens nem de indivíduos, mas de classes, e estas reduzidas a duas, as únicas possíveis e reais, eis que começam a proliferar pelo mundo os que recusam, refutam, contestam, repudiam toda essa bela e secular construção, e com um poder só atribuível a uma classe vêm ameaçar exactamente o Estado mais progressivo, mais próspero, mais acabado e perfeito, essa idílica Califórnia, de outrora vastas praias, outrora largos campos e aconchegadora atmosfera, num clima tépido, invejável, desejável e aprazível.

Para mais, não constituem uma classe social - se atendermos ao que Marx ensinou sobre o que é uma classe social - definida pelas suas estruturas e factores económicos e, por eles, movendo sua actividade e delineando o seu modo de existir.

Marx, então, também está errado? O nosso avô Marx, de profusas barbas, profeta trovejante e criança ingénua, tão apto para papão dos capitalistas e paizinho russo dos socialistas, também está errado?! Uma minoria surge, ergue-se, seduz, amplia-se, e não podemos sequer encerrá-la nos quadros tão seguros de uma classe social? Uma minoria que conjuga tudo isso, todos esses - os que falam do espírito, da arte, do pensamento, dos deuses, coisas que tínhamos conseguido reduzir a um mero formalismo cerimonioso, que dizem que «o homem nasceu para ser feliz, ocioso e vário»? - tudo isso, todos esses que Marx nos prometera que seriam inexorávelmente repelidos, anulados, dissolvidos na evolução dialéctica, esmagados no choque das contradições dialécticas das duas únicas forças reais: os senhores e os servos, os capitalistas e os socialistas, os patrões e os operários???

5 - Os idólatras da liberdade matam os que são livres

Da Califórnia partem os dois suaves cavaleiros, num filme com uma bela história contada em imagens que correram mundo e seduziram a imaginação dos mais jovens. «Easy Rider» se chamava o filme, e o que narra é, na grande tradição das narrativas iniciáticas, uma viagem, da Califórnia até à Flórida, que são os países mediterrânicos da América. Da Califórnia até à Flórida como, portanto, o herói homérico desde Tróia até Ítaca. Mas o que eles cavalgando percorrem são domínios dos homens que vivem numa sociedade anquilosada, ainda não morta, mas já ressequida, dura, impiedosa e cruel.

Dormem, à noite, debaixo de árvores e do céu estrelado. Antes de adormecerem, conversam sobre esses homens e essa sociedade que os repele e segrega, os insulta e ameaça. «Eles falam muito da liberdade. Mas a liberdade é, para eles, só isso, isso de que se fala e que é só para se falar. Se encontram alguém que seja já efectivamente livre, logo o assassinam».

A meio caminho, junta-se-lhes um companheiro que saberá levá-los até onde é preciso que vão. Um templo? Um prostíbulo? Seguem-no, confiantes. O companheiro não só possui um segredo, como é alegre e feliz. Encontraram-no na prisão de uma cidade onde, por embriagado e apesar de ser filho-de-família burguês, o encerraram por uma noite. Como a eles. Saíram juntos da prisão e seguiram caminho juntos. Para irem até onde ele os saberia levar. Mas os homens por quem passaram farejam o perigo e, às portas disso a que ele os levava, quando dormiam esperando a madrugada para entrar, assassinaram-no à paulada. Assim, têm os outros de entrar sózinhos, lá onde entraram, templo ou prostíbulo, entre os cânticos do Kyrie Eleison. Depois, a rapariga que vem com eles apenas lhes diz:«Eu sou Maria». Há então um momento (breve ou longo?) de delírio. entre os cânticos, confundem-se as imagens de rosas e de cruzes. e a si mesmo se surpreendem, mais tarde, outra vez suavemente cavalgando, easy rider, na estrada sem destino.

Os de um camião que passa, farejando o mesmo perigo que já tinham farejado no amigo morto, ficam possessos de ódio sem razão. Apontam as armas, disparam, e deixam-nos estoirados à beira da estrada.


1 Á época (Janeiro de 1971), o governador era Ronald Reagan.

  Orlando Vitorino in «A Ilha» Sup.cultural nº4/1 a 14 Jan.1971

domingo, 16 de agosto de 2026

O papel de Portugal na segurança dos judeus na Segunda Guerra Mundial.

 


Chegaram como refugiados e ficaram como portugueses.

Por intermédio da Cruz Vermelha, vieram para Portugal cerca de seis a oito mil crianças austríacas. Em Portugal permaneceram toda a guerra, foram educadas, aprenderam a falar português como língua própria, e muitas acabaram por ficar por cá.
Mais tarde fundaram em Viena um clube em que apenas se falava português.

Facto curioso, muitas dessas crianças, senão a maioria eram judias, portanto mais uma vez se desmonta cabalmente a falsa narrativa do anti-semitismo de Salazar.

Cabe-nos cumprir um papel didático e de reposição da verdade factual e histórica, nunca deixaremos de falar verdade seja sob qual pretexto for.

Alexandre Sarmento

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Salazar - Cristine Garnier.

 



Regressei a Portugal. Lentamente, prudentemente, retomo contacto com esta doce terra sentimental e como não sei conservar recordações, que se desfiam entre os meus dedos, sinto-me desorientada. Há quem torne a encontrar, sem esforço, a cor das paisagens perdidas, o eco das palavras extintas, mas, para mim, os dias passados velam-se de esquecimento. E isto causa-me uma pena imensa e empobrece-me…

Assim, mão invisível e familiar como que apagou com uma borracha todas as imagens da minha última permanência em Lisboa.

Partirei amanhã para o Vimieiro. Esta manhã atravesso de automóvel as lezírias, ruivas planícies das margens do Tejo onde se criam os toiros bravos. Camponeses com os seus lenços de cores violentas, curvam-se nos arrozais em longas filas. Durante quilómetros, apenas se vê a imensidade do céu sem nuvens e, depois, aparecem os campinos de barrete verde. A manta de riscas dobrada atrás da sela do cavalo, pampilho na mão, conduzem nobremente os bois na estrada poeirenta.

Vou almoçar ao Monte de Santo Isidoro, a casa de José Palha. A herdade branca surge por entre os sobreiros, com grandes abóboras sobre as telhas rosadas e cinzentas e no meio dos gerânios do terraço. As pombas fizeram ninho nos jasmineiros, encostados aos painéis de azulejo levemente coloridos de azul. Em torno, grandes rebanhos de carneiros avançam lentamente nas pastagens. Os chocalhos das vacas enchem o ar de sons bucólicos. Quanta calma… E é já Paris que recua, foge da minha lembrança.

O dono da casa vem ao meu encontro, movendo o seu chapéu preto de aba larga. É um grande lavrador que ama por igual cavalos, toiros e o canto plangente das guitarras. Junto dele, sorrindo sob o sol da campina, encontram-se Ricardo Espírito Santo e Augusto de Castro. O primeiro, semelhante a um «viking», é um financeiro de Lisboa, grande amador de arte; o segundo, antigo diplomata e escritor de fama, dirige o «Diário de Notícias», o mais importante jornal português.

Assim que entramos na casa, entre móveis vermelhos do Alentejo decorados com flores e corações, vou logo directa ao que me interessa, conforme o meu costume:

– Falem-me do Presidente, - digo-lhes.

– Oh, – peço silenciosamente, – não percamos tempo! Expliquem-me, por favor, as maneiras de Salazar. Ajudem-me a reatar os fios que me escaparam. Tenho de saber se posso fazer perguntas ao Presidente com a minha habitual espontaneidade e rir diante dele sem constrangimento. E dirijo-me a Ricardo Espírito Santo:

– Todos gostam de falar no ar sério de Salazar, «sério» que se nota nas maneiras e na voz. A um dos seus colaboradores declarou um dia: «Devemos ser sempre sérios. Até quando se organizam festas para divertir os homens devemos fazê-lo com seriedade». Diga-me, Salazar fala sempre assim?

– De forma alguma –, responde o banqueiro. Tem muitas vezes reflexões divertidas. Um dia, falando-me de um homem para o qual procurava emprego, disse-me: «Conheci a mulher dele quando ainda era pequenina e trouxe-a ao colo. Quem me diria, nesse tempo, que ainda havia de trazer o marido às costas»? Doutra vez, citou o caso de um cantor que lhe pedia um subsídio para ir a Itália: «Se há tanta gente que me pede auxílio a chorar, sem que a possa socorrer, como quer o senhor que eu dê dinheiro aos que cantam»?

Quando está à vontade, longe dos cuidados de Lisboa – e vê-lo-á assim, amanhã, no Vimieiro – abandona-se por vezes a uma alegria que surpreende. Já o vi rir como uma criança por uma graça dita a tempo, por uma anedota inocente. Se ele tivesse seguido a sua inclinação natural pode estar certa de que levaria uma vida bem diferente daquela que a si próprio impôs. Foi para melhor servir o Estado que renunciou a todos os prazeres e ao encanto da vida. Desde que se encontra no Poder em poucas recepções apareceu e, no entanto, gosta de festas. Lembro-me da ilha de Almourol iluminada, dos jardins de Queluz preparados para um baile, de um castelo alcandorado num monte e no qual se preparara, segundo as suas ordens, uma refeição à antiga… Ainda há pouco felicitei Salazar pela forma como determinara os detalhes de uma recepção e incitei-o a dar mais vezes festas. Respondeu-me com um meio sorriso: «Não; era capaz de me habituar».– António Ferro, que encontrei em Berna na semana passada, contou-me, – apoiei, – uma história do mesmo género. Pedira a Salazar para assistir uma noite, em sessão privada, à exibição de um filme português. No dia seguinte o Presidente disse-me: «Gostei talvez demais do filme porque não consegui dormir e hoje de manhã não pude trabalhar como de costume. Não está bem. Faça-me o favor de não me tornar a convidar para esse género de distracções».Estamos instalados diante de uma chaminé vazia, em cadeirões de madeira. Em volta de nós, dispostas graciosamente, vêem-se arcas pregueadas de cobre, faianças antigas, inúmeras imagens de santos, que fazem desta morada campestre um vivo museu de arte popular. Pelas janelas abertas chega-nos o som benfazejo das campainhas dos rebanhos que, em todos os países do mundo, nos dá o sentimento da segurança, a ilusão da felicidade.



– Será então pela renúncia às mais simples alegrias que Salazar mantém o seu prestígio?

– Julgo que sim, – admite Ricardo Espírito Santo. Se os seres não têm coragem para agir de acordo com os seus pensamentos, acabam, como diz Bourget, por pensar de acordo com a sua maneira de viver. Não lhe parece? Pois bem, Salazar sempre quis e sempre soube aplicar à sua existência o rigor dos seus princípios. E é isto, na minha opinião, o que o torna respeitado até pelos próprios adversários.

Augusto de Castro descansa o seu copo de vinho do Porto na velha mesa rústica.

– Salazar, – afirma ele, – deve todo o seu prestígio sobretudo à sua inteligência, ao desprezo pela popularidade, por essa popularidade fácil e ruidosa que tanta vez corrói os ídolos.

José Palha, abana a cabeça.

– O que mais nos impressiona em Salazar, o que o distingue dos outros estadistas, – declara, – é o seu espírito de pobreza. Poder-se-ia dizer: o seu «neo-franciscanismo».

Há um instante de silêncio. Cada um destes homens pensa na ideia particular que faz de Salazar e que não está resolvido a desvendar-me. Na casa ao lado, uma criada de saia engomada dispõe em volta dos pratos perfumadas guirlandas de reseda.

Augusto de Castro, que contemplava as traves pintadas de verde com flores, continua em voz surda:

– Na nossa época, ninguém se preocupa com a verdade porque não se está habituado a encontrá-la em parte alguma. Todavia, em Portugal, a verdade conservou o seu valor graças a Salazar, que sempre a apresentou sem artifícios nem disfarces. Nos seus discursos, relatórios, comunicados, não há que procurar subentendidos, frases sibilinas, intenções ocultas. Salazar vai directo à rectidão, à clareza, à verdade pura, sem se preocupar com desagrados. É a verdade a sua melhor arma política. Eis o que nos leva a prestar homenagem ao Presidente.

José Palha, que cruzou as suas longas pernas calçadas de botas altas, inclina para mim a face burilada.

– Uma das qualidades menores de Salazar, – diz, – contribui igualmente para a sua nomeada: o respeito de que sabe rodear as funções alheias. Ouça um exemplo. Quando o Cardeal Spellman voltou em 1947 do último conclave de Roma e passou por Lisboa, o Presidente organizou um jantar em sua honra. A recepção estava prevista para as oito horas mas o avião chegou apenas quarenta minutos antes. O Secretário-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros fez notar ao Presidente que as formalidades da Alfândega iriam causar um grande atraso ao jantar e que se poderia abreviá-las ou até suprimi-las. O Presidente respondeu: «É impossível. Só o Ministro das Finanças nos socorreria neste caso e ele não está em Lisboa – Mas, V. Ex.ª é o Presidente do Conselho, exclamou estupefacto o Secretário-Geral, e pode tudo. – Sim, sou Presidente do Conselho, replicou Salazar, mas não sou Ministro das Finanças!»– Em Paris, – disse eu, – Paulo Osório contou-me um dia que muitos portugueses no estrangeiro atribuíam o prestígio de Salazar aos seus êxitos. Será o que devemos concluir da nossa conversa?

– Talvez, – responde o escritor. Porque é um facto: os acontecimentos deram sempre razão a Salazar, quer se tratasse de endireitar as finanças em 1928, de alinhar o escudo pela libra em 1931, de tomar posição ao lado dos nacionalistas desde o primeiro dia da guerra de Espanha e, enfim, de respeitar os compromissos internacionais no decorrer da última guerra. Salazar soube então, graças à habilidade da sua diplomacia, poupar-nos aos horrores da invasão e manteve a soberania de Portugal através de dificuldades sem conta!




Em redor da casa, o som das campainhas torna-se mais intenso. Uma pomba branca vem poisar no rebordo da janela.

– Quer, – pedi docemente, – falar-me de Salazar tal como o viu durante esta guerra?

Augusto de Castro levantou-se. Apoiado a um bufete vermelho constelado de corações, fica um instante silencioso.

– O Governo português, – diz, por fim, – havia assegurado desde os primeiros dias do conflito uma posição de neutralidade. Esta posição fora tomada de perfeito acordo com a nossa velha aliada, a Inglaterra, que, podendo garantir-nos meios de defesa, não tinha interesse em dilatar a guerra até à Península. A nossa neutralidade, porém, – diplomaticamente forte e militarmente fraca – era muito difícil de manter. Como disse então Salazar: «A neutralidade não é cómoda, nem barata…».Por mais de uma vez nos vimos ameaçados pela invasão. Tropas italianas, disse-se, haviam chegado a ser embarcadas com destino a Lisboa. Os aliados afirmavam que os alemães se interessavam fortemente pelos Açores e os alemães espalharam o boato de que os aliados preparavam um ataque a essas ilhas e até propriamente a Portugal. Passámos dias cheios de ameaças e de perigos e as negociações que Salazar teve de dirigir, no decorrer desta «batalha de neutralidade», foram extremamente delicadas.

O meu pensamento escapa-se por um instante e imagino o Salazar dessa época, tal como mo descreveu António Ferro: «Durante a guerra, o Presidente recebia-me sentado, defronte de uma mesa coberta de telegramas cifrados que chegavam de todos os cantos do mundo. Absorvido como um telegrafista na sua cabina de escuta, Salazar tomava nota das comunicações e ele próprio respondia, raciocínio frio e coração ardente, a todas as ameaças de guerra, a todas as ilusões de paz. Outros telegramas chegavam, às pilhas. Conversávamos um pouco. Assim que me levantava para me despedir, Salazar dirigia-se de novo para a sua cabina de escuta, tal como num aeroporto o chefe da torre de comando, que se sente responsável pelas inúmeras vidas suspensas em pleno céu…

«Eu via então, na rua, as pessoas que olhavam tranquilamente as montras opulentas. Os seus rostos ignoravam a angústia. E eu pensava naquele homem tão calmo, de gestos ponderados, que assegurava dia e noite, à sua mesa de trabalho, uma neutralidade permanentemente em perigo. Pensava no homem cujo esforço sobre-humano era totalmente desconhecido de toda a gente que ia jantar para as suas casas tranquilas, enquanto em tantos outros países só havia sofrimento, lágrimas e ruínas…».A voz rude de José Palha traz-me à realidade:

– Quando os aliados pediram, em 1943, a concessão de bases nos Açores, indispensáveis à vitória do Atlântico, Salazar respondeu «sim», logo ao primeiro contacto. Pediu somente que nos fornecessem meios de defesa contra um eventual ataque aéreo. A assinatura desse acto constitui um dos pontos culminantes da nossa história diplomática e poderia servir de matéria para um estudo fecundo.

– Contudo, – prossegue Ricardo Espírito Santo, – à medida que a posição alemã se tornava mais crítica, os aliados insistiam para que abandonássemos uma neutralidade «in nomine». Salazar que continuava a resistir a estas pressões, disse-me um dia: «O oportunismo só é possível para as grandes nações, seguras da sua força e da sua riqueza. Nós, que somos fracos e pobres, apenas nos poderemos fazer respeitar à força de rectidão e de honestidade. Neste momento, podemos desagradar aos nossos amigos mas, mais tarde, eles compreenderão».

– Isso lembra-me uma anedota pouco conhecida, – exclama José Palha. No princípio da Guerra, um embaixador estrangeiro insistia com Salazar para que este respondesse a certos pedidos. Depois de ter recorrido a muitos argumentos o embaixador admirou-se: «Mas, senhor Presidente, sem esquadra, sem exército, sem dinheiro, que é que julga ter?» E Salazar replicou sobriamente: «Razão, senhor embaixador!».

– Contaram-me outra frase de Salazar – diz Augusto de Castro. A história é da mesma época. O representante de um país amigo apresentou ao Presidente um pedido difícil. Seguiu-se acesa discussão. O representante não hesitou em formular ameaças. Então Salazar, levantando-se, cortou bruscamente: «Saiba, senhor, que não tenho medo de morrer de medo!».

A criada que dispusera as resedas vem convidar-nos a ir para a mesa.

– Ainda uma pergunta! – imploro. A última! Ouvi dizer que Salazar previra durante a guerra a organização política que hoje se chama Pacto do Atlântico. É exacto?

– Sim, – responde Ricardo Espírito Santo. Num dos seus discursos, em 1944, disse que os países banhados pelo Atlântico seriam chamados dentro em breve a desempenhar um papel importante ao lado dos Estados Unidos e que a América ajudaria a Europa a erguer-se das suas ruínas. Após este discurso profético, Salazar recebeu a visita de um jornalista americano que lhe perguntou como concebia o futuro do mundo. Assisti precisamente a essa entrevista. O presidente expôs longamente as suas ideias sobre a dominante do após-guerra: o afastamento da Europa do predomínio mundial. Via ainda o Atlântico que, em vez de separar os continentes e os povos, seria um elo de ligação entre as Américas, a Europa Ocidental e a África.

«Esta comunidade, disse, terá o encargo de defender a herança da civilização cristã e europeia contra o assalto dos asiáticos».

Alguns anos mais tarde, tal como o previra Salazar, nascia o Pacto do Atlântico (in Férias com Salazar, 3.ª edição, Lisboa, 1952, pp. 89-99).

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O ataque terrorista do 15 de Março de 1961

 


«Na manhã de 15 de Março de 1961, 200 portugueses de raça branca e 300 portugueses de raça negra foram selvaticamente assassinados no decurso de uma incursão terrorista no Norte de Angola. Nessa manhã, um grupo de 4000 terroristas atacou a roça experimental situada na pequena aglomeração de Nova Caipemba. Um sobrevivente, Manuel Lourenço Alves conta os seguintes factos: "O assalto começou às seis horas da manhã em todas as casas pertencentes à roça, fossem elas ocupadas por europeus, negros ou mulatos - todas elas foram atacadas ao mesmo tempo. As mulheres foram arrastadas para fora das suas casas com os seus filhos. Perante as suas mães, os terroristas começaram então a cortar os braços e as pernas das crianças e divertiram-se a brincar com os membros em pedaços numa imitação grotesca do jogo de futebol. Depois as mulheres e as raparigas foram despidas, violadas e cortadas aos bocados. Isto é um exemplo do que se passa nos nossos dias um pouco por toda a parte do mundo. Estes actos, de uma incrível selvajaria, são realizados, de uma maneira deliberada e premeditada, por homens cujo único fim é o da destruição dos valores humanos e da vida humana. Os patrões velhacos, que financiam, fiscalizam e encorajam por toda a parte a causa comunista, vivem nos seus palacetes particulares no Oeste, sem que os títeres, que fazem o seu repugnante trabalho, tenham a menor suspeita do papel que desempenham. Os patrões dos bonecos zombam perdidamente da morte violenta de milhões de seres tal como de moscas se tratasse. A sua guerra é total: as suas vítimas mais débeis e mais impotentes são crianças, tanto a Este como a Oeste"».

Deirdre Manifold («Fátima e a Grande Conspiração»).

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Uma censura que envergonharia o lápis azul da PIDE!

 


PERSEGUIÇÕES A JORNAIS E PARTIDOS POLÍTICOS

- Foram proibidos os jornais: Tempo Novo, Bandarra, O Sol, Tribuna Popular.

- Foram eliminados o Partido Liberal, o Partido do Progresso, o Partido da Democracia Cristã e outro da extrema-esquerda hostil ao PC.

- Alguns jornais foram vítima de sistemática perseguição. Por exemplo: o Conselho da Revolução, sem apoio em qualquer lei, suspendeu O Diabo, sem audiência nem possibilidade de recurso, a pretexto de um artigo de crítica ao «conselheiro» Vasco Lourenço; posteriormente Vera Lagoa foi absolvida - mas alguém pensou que teria direito a ser indemnizada pelos prejuízos sofridos?

- O caso do Jornal Português de Economia e Finanças também é paradigmático: foi suspenso por dois meses e obrigado a pagar pesada multa por ter publicado o seguinte suelto:

«Quando reabre a Bolsa de Lisboa? Sim, porque nem todos tiveram o dom adivinhatório do 25 de Abril».

Compreende-se a pena aplicada ao «JPEF» quando se lê o livro de Neves Anacleto A Inventona do 28 de Setembro (pág. 138) que afirma ter o «companheiro» Vasco Gonçalves, sócio da Casa de Câmbios Vítor Gonçalves, nas vésperas do 25 de Abril, vendido os seus milhares de acções e colocado na Suíça a grossa maquia assim realizada.

O diário República foi tomado de assalto por alguns trabalhadores «progressistas», que correram com o director Raul Rego e vários redactores. Meses depois, já em 1976, o jornal foi entregue aos donos. Então Raul Rego, o seu director, escreveu no novo jornal, A Luta, um editorial em que afirmou que nunca no regime anterior o República havia sido atacado com tanta violência, de dentro e de fora. A Luta, outra vez, no aniversário do assalto ao República (19/5/76) publicou vários comentários de idêntica índole sob o seguinte título na 1.ª página: O dia mais vergonhoso para a Imprensa Portuguesa.

sábado, 8 de agosto de 2026

Salazar, o génio das finanças.

 





Salazar, deu dez a zero a todos os vultos da economia do século XX, aplicou as suas políticas económicas e demonstrou estarem correctas, feliz ou infelizmente, todos os grandes vultos internacionalmente reconhecidos nessa área, não passaram de teóricos!!!
Salazar definiu um rumo para a economia e aplicou na perfeição as suas teorias. Contra factos, não há argumentos.
A obra está à vista, o país que éramos em 1973 o comprova!!!

Alexandre Sarmento

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Quando todos fomos os bastantes!!!

 


Tal como um dia num discurso o nosso saudoso e ilustríssimo José Hermano Saraiva definiu a nossa índole, a nossa raça e alma, a nossa Nação Valente e Imortal, quando fomos verdadeiramente Portugueses...

"Nós nunca fomos muitos, mas enquanto soubemos ser todos, fomos sempre os bastantes"

Realmente, nunca nos demarcámos pela quantidade, mas sim, pela qualidade, pela tenacidade, pela fibra, pela vontade, pela resiliência e pelo orgulho da nossa herança genética, a nossa história, pelo orgulho nos nossos idos e pelo sangue, suor e lágrimas por eles derramado.
Temos em José Hermano Saraiva e António de Oliveira Salazar dois grandes exemplos daquilo que fomos e do que deveríamos ser, verdadeiros exemplos, homens de sabedoria, inteligentes, honestos e verdadeiros exemplos para as futuras gerações, homens que tudo fizeram, tudo deram pelo futuro da Nação, homens de verdade, que falavam verdade, tal como umas palavras um dia proferidas por Salazar, infelizmente por muitos esquecidas...

"É preciso que gritemos tão alto a verdade, que demos tal relevo à verdade que os surdos a ouçam e que os próprios cegos a vejam."

Aqui fica um testemunho sobre a índole e honestidade moral e material de Salazar pela voz do grande historiador...

«Como ministro pouco contacto tive com ele [Oliveira Salazar]. A ideia que tinha dele era realmente a de um justo, no sentido religioso do termo. E uma homem com uma inteligência privilegiada. Grande escritor e de um grande humanismo - naqueles 40 anos não há "casos", não houve nada disso. Muito coerente, não era democrata, não acreditava na democracia. Mas alguém acredita? Contam-se umas tretas, convence-se uma malta... Mas voltando ao Salazar, penso que o país lhe deve muito. E chegou ao fim na miséria. Eu ajudei a pagar a conta dele do Hospital da Cruz Vermelha. Não há outro caso de estadista deste género. Era um homem com um grande respeito pela verdade.»

Alexandre Sarmento 

Serviços de saúde do Estado Novo de Salazar.

  Serviços de Saúde do Estado Novo. Começando pelo acesso aos mesmos, sendo que eram universais e gratuitos. 1954-serviam 10% da população. ...