quarta-feira, 6 de maio de 2026

SALAZAR por Rodrigo Emílio

 



Se no giro anual do tempo que passa há datas que ficam e que perduram — o 15 (e não o 11, nem tão-pouco o 16) de Março, o 27 e o 28 (e nunca por nunca o 25) de Abril são três dessas datas. O que significa que estão elas inscritas, de pedra e cal, e gravadas a caracteres inolvidáveis, no calendário de honra da nossa História. Pertencem, pois, e de pleno direito, ao número, extremamente dígito, dos dias permanecentes, e das efemérides nunca efémeras e sempre a assinalar, no eldorado temporal da Nação Portuguesa — do ponto em que fixam: uma delas, o aniversário da brutal eclosão do terrorismo armado antiportuguês, logo rechaçado «rapidamente e em força», a partir de Angola; e as outras, o nascimento humano de Salazar e o seu providencial nascimento político, respectivamente.
Já assim se compreende porque razão não pode a gente, em boa consciência transitar em claro ou deixar em branco essa tripla — e duradoura, e memorável — conjunção de marcos memoriais, nem tão-pouco passar por ela como gato por brasas, e muito menos como cão por vinha vindimada...
Quer-me entretanto parecer que a melhor maneira, que eu tenho, de consagratória e votivamente começar por manifestar-me, a respeito de Salazar, consiste em dar a conhecer o que sobre o mesmo Salazar se me ofereceu dizer, um anos depois da sua morte.
Em 1971, já eu, de facto, me não continha, que não fixasse, com tintas assaz carregadas e a traços bastantes sombrios — e, como pode ver-se, bastante proféticos — todo um avisado e preventivo perfil do grande estadista.
«Salazar — escrevia eu, por então que não devemos chorar, a menos que nos revelemos, algum dia, indignos dele. A indignidade consistiria em deixarmos que tivessem ido a enterrar com ele os pensamentos, palavras e obras de mais de oito lustros de mestrado esclarecido e empreendedor. Então, teríamos de chorá-lo, sim, e bem amargamente, ao vermos que se dissipara toda a acção desenvolvida por ele em 42 anos de cuidados, durante os quais tratou de nos pôr «diante de coisas tão sérias como sermos ou não sermos, cumprirmos ou não cumprirmos a nossa missão no Mundo».
A Nação foi o ponto de referência cardial de todos os seus actos e, como tal, o ponto de reencontro de Portugal com as mais lídimas directrizes do seu destino.
Sob a égide de Salazar foi que nós nos soerguemos do letargo histórico em que jazíamos prostrados desde o liberalismo, e foi que de novo nos fundámos como Nação e nos erigimos como Povo às culminâncias do que nos está cometido. Estátua a toda a estatura, Salazar foi o que se impunha que fosse: um homem à medida da Nação, e à altura das circunstâncias, ainda mesmo das mais melindrosas (ou sobretudo dessas); um estadista de génio que, por largo tempo ainda, nos resgatará de todos os governantes abaixo do comum que por aí surgiram...
Ao longo de quatro décadas e tal de chefia, todas as ocasiões lhe pareceram poucas para advertir contra «tempos em que a grande divisão, o inultrapassável abismo há-de ser entre os que servem a Pátria e os que a negam. Dir-se-ia que alguns países» — observava ele, de caminho «estão fatigados da sua existência como nações independentes». Ora, não nos incluamos nós nesse número, não nos penitenciemos nunca da nossa grandeza (além-mar projectada), e já não haverá motivo de maior para chorarmos Salazar, porque é sinal seguro de que o merecemos, e de que merecemos ter sido tudo aquilo que fomos enquanto ele foi, «uma grande e próspera Nação».
Hoje por hoje, estou realmente em crer que jamais a causa de um Povo, neste mundo de Cristo, terá sido advogada com tamanha lucidez e tamanha tenacidade, com tanta pertinência e tanta pertinácia, como a nossa o foi por Salazar. Cada vez mais disso me convenço. E, já agora, talvez convenha recordar, aos que andam mais esqueciditos, que foi com Salazar à frente que nós, portugueses, «subimos esforçadamente a encosta duma nova restauração», para, do alto dela, afinal, nos despenharmos, de novo — e de vez... Já assim se percebe de onde lhe vinha o medo, quando o glorioso Presidente outrora exprimia o seu «grande medo aos ideólogos que, afeitos às abstracções e concepções geométrica, pretendem refazer séculos de História nas suas mesas de trabalho».
Pretendem refazer século de História, e, as mais das vezes, acabam por desfazer séculos de História! Como se viu por cá...
Pela parte de leão que nesse calvário coube a Portugal, outros entretanto terão que responder — e nunca Salazar! Outros — que não ele... — faltaram à palavra dada aos mil juramentos feitos. Outros — que não ele... — foram vistos e achados nesta desalmada obra-prima de pulhíticos!...
Concretamente, e em última análise: é à negligência de algumas centenas de acéfalos e perjuros que há que assacar responsabilidades de primeiríssimo grau.
A exemplo de Salazar, é certo, também eu, pessoalmente, «creio (...) que a não integração efectiva da ideia imperial no conceito corrente da Nação Portuguesa encurtou a este País os horizontes a que deverá habituar-se e em que» devia «aspirar a viver». Pena foi, realmente, que cedo demais se tivesse banido, da nossa doutrinação de Defesa, a sempre exaltante defesa de Império: aquela mesma ideia de Império que, a seu tempo, «trouxe aos espíritos» — que como Salazar chegou de resto, a reconhecer — «uma noção de unidade e um sentimento optimista de grandeza, indispensáveis para estimular energias e arredar-nos da mornidão e tacanhez que», em seu mesmo entender, «ameaçavam continuar a estiolar» (e de facto, estiolaram mesmo...) «pensamento, planos e esforços».
Em todo o caso, e tal como alguém já um dia escreveu, uma coisa é certa e sabida: «Se, em 1961, o doutor Salazar se tivesse orientado no sentido do abandono do Ultramar, a oposição de então, hoje no Poder, e dita democrática, teria assumido, com galhardia, a defesa das ideias históricas da República, reclamando-se da sucessão do pensamento ultramarino de Afonso Costa e do general Norton de Matos. A decisão do doutor Salazar, «para Angola, rapidamente e em força», deu lugar a duas ordens de consequências: manteve as fronteiras portuguesas tradicionais e empurrou a oposição para uma situação antinacional, que para todo o sempre a há-de desautorizar, por mais instaladinha no Poder que possa estar...»
E daqui não há que sair — de quarenta em quarenta anos que seja!

Rodrigo Emílio
In A Rua, n.º 57, pág. 10, 05~.05.1977.

Marcello Caetano, profético!!!

 


A análise de Marcello Caetano sobre o 25 de Abril de 1974:

"Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suiça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa."

"Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de República."

Marcello Caetano

As premonições de Natália Correia.

 



"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir"."

Natália Correia

Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993

Todas as citações foram retiradas do livro "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta.


Nota: Só não concordo com a treta do Serviço Nacional de Saúde ter sido obra do 25 de Abril, pois todos sabemos que apenas mudaram o nome a uma instituição criada pelo Doutor Oliveira Salazar, fica o reparo!!!

Alexandre Sarmento

terça-feira, 5 de maio de 2026

Mais um episódio vergonhoso da nossa história pós 25 de Abril!!!

 



(...) SILENCIADOS A TIRO...

18 de Maio de 1976, 2 horas da manhã.
Um mar de refugiados, milhares, dirigiam-se ordenadamente, pelas ruas de Lisboa, do Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII, onde tinham assistido a um comício do CSI, para a estação do Cais do Sodré. Regressavam aos hotéis fixados para a sua residência, na linha do Estoril.
Ao chegarem à estação, os refugiados depararam com as entradas obstruídas por bancos. Ainda antes de penetrarem na gare, agentes da PSP foram ao seu encontro, falando-lhes rispidamente e agredindo os da frente, entre os quais algumas senhoras.
No conflito que se gerou, os agentes abriram fogo sobre a multidão. Ao mesmo tempo, forças de choque da PSP, "emboscadas" atrás dos comboios, carregaram sobre toda aquela gente, perseguindo grupos em fuga até ao largo da Assembleia da República. Ali estavam, há dias, outros refugiados, que protestavam contra as sub-condições de vida em que o Governo os mantinha.
Vejamos o relatório apresentado no dia seguinte e assinado por 87 testemunhas:
"Ao Exmo. Presidente do CSI
A IOR (Inter Organização de Refugiados) informa V. Exa. que esta madrugada, por cerca das 2.30 horas apareceram em S. Bento um grupo de 30 indivíduos, refugiados, fugidos à tristemente célebre polícia de choque, vindos do Cais do Sodré, vindo entre eles um indivíduo (refugiado) ferido a tiro numa mão e numa perna.
Minutos depois fez a sua apoteótica aparição a tristemente polícia de choque, munida de escudo e todo o aparato bélico, subindo as escadas, partindo os primeiros inimigos (bandeiras e dísticos) e enfrentando o "muito bem armado" inimigo (mulheres e crianças refugiadas que residem na escadaria de S. Bento, entre elas senhoras grávidas).
Depois de uma 'heróica' actuação esta polícia findou a sua batalha com ultimatos para abandonar S. Bento, dando-lhes escassos minutos, ao que o "exército" feminino e infantil de refugiados se recusaram a cumprir, dizendo "Ninguém arreda pé".
Esta célebre polícia, heroicamente, enfrentou a nossa Bandeira, a Bandeira Nacional, partindo a sua improvisada haste e espezinhando-A. Espezinharam o símbolo da nossa Pátria, o símbolo que nos norteia, o Bandeira Verde-Rubra, a Bandeira Nacional. Além de a espezinhar levaram-na consigo, talvez sob prisão, como refém".
IOR, em S. Bento, aos 19 de Maio de 1976
A Comissão
(87 assinaturas).
Dos incidentes resultaram bastantes feridos, parte deles identificados, como João Manuel Nunes dos Santos, de 22 anos, natural de Nova Lisboa, atingido numa das mãos e numa das pernas. Doutros não se sabe o nome, porque foram transportados em carros da Polícia para local desconhecido. Dezenas de testemunhas assinaram depoimentos.
O relatos da Imprensa foram, na maior parte, falseados pelas informações governamentais.
Os antecedentes:
O CSI vinha realizando comícios e conferências de Imprensa, no sentido de unir os refugiados e fazê-los lutar pelos seus direitos. Para o Governo, bem como para certos Partidos e personalidades, o CSI tornava-se incómodo.
Muitos dos refugiados presentes, naquela noite, no Pavilhão dos Desportos, residiam - como disse - na zona do Estoril e de Cascais. Não tendo dinheiro para o transporte, invocaram a sua "qualidade" de refugiados e a sua carência de bens, perante os revisores de um comboio da companhia nacionalizada "Estoril-Sol", insistindo em viajar, gratuitamente, para Lisboa.
O comboio parou na Estação da Parede, e os revisores contactaram a direcção da Companhia, pedindo instruções quanto à atitude que deveriam tomar. Três quartos de hora passados, o comboio seguiu, normalmente, até Lisboa, onde os refugiados desembarcaram e, como vulgares transeuntes, foram para o Pavilhão dos Desportos. Saliente-se, entretanto, que, se muitos refugiados viajaram gratuitamente, muitos outros tinham "passes" ou bilhetes.
Findo o comício, ao pretenderem voltar aos hotéis, deram-se os injustificáveis incidentes já descritos.
O CSI não apresentou queixa: investigações posteriores indicaram por detrás dos acontecimentos, pressões e chantagem sobre militares, exercidas por certas forças políticas, receosas dos Centros e dos refugiados. E os termos das notícias nos jornais e na Rádio reflectem, com límpida clareza, ter havido o objectivo de, a todo o custo, fomentar, na opinião pública, animosidade contra os refugiados, equiparando-os a delinquentes e arruaceiros, marginalizando-os e incitando a PSP a tratá-los como criminosos e inimigos da sociedade».


Pompílio da Cruz («Angola: Os Vivos e os Mortos»). 

Mais um episódio do governo mundial!!!

 


«A catástrofe liricamente apelidada de "revolução dos cravos" teve antecedentes remotos: a sua origem longínqua situou-se em 1941, quando Roosevelt e a superfinança americana se conluiaram com Staline.

Num artigo publicado em O Dia (23/3/1980), duma série sobre os Rockefellers, Lourdes Simões de Carvalho transcreveu a carta que Roosevelt endereçou em 1941 ao Kremlin - carta que Le Figaro, de Paris, revelou a 7 de Fevereiro de 1951:

"Quanto à África, será preciso dar à Espanha e a Portugal compensações pela renúncia dos seus territórios para que haja um melhor equilíbrio mundial. Os Estados Unidos instalar-se-ão aí por direito de conquista e reclamarão inevitavelmente alguns pontos vitais para a zona de tutela americana. Será mais que justo".

"Queira transmitir a Staline, meu caro senhor Zabrusky, que para o bem geral e para o aniquilamento do Reich ceder-lhe-emos as colónias africanas se ele refrear a sua propaganda na América e cessar a interferência nos meios laborais".

Acrescentou depois a citada articulista:

"Em 1973, esta promessa solene continuava por cumprir. Falha tanto mais embaraçosa para a parte faltosa quanto os soviéticos tinham honrado a sua [?].

Portugal, três décadas depois da cedência de Roosevelt à URSS das suas possessões africanas, interpunha-se ainda como um escolho inamovível na viabilização do contrato e lutava sozinho conta o condomínio russo-americano e respectivos mecanismos de conquista e anexação.

Os Rockefellers eram especialistas, na América do Sul, a manobrarem através de militares a quem a pala do boné delimita o horizonte das suas abstracções.

No dia 25 de Abril de 1974, capitães convictos de salvarem o povo das garras dos exploradores, apoiados por comunistas primários, estudantes analfabetos e intelectuais muito eruditos sobre o imperialismo dos EUA investiram contra a última barreira existente na Europa a esse mesmo imperialismo.

Ao largo, na costa, uma esquadra americana velava pronta a intervir em favor dos revoltosos marxistas para que as promessas de Roosevelt fossem honradas. A África foi partilhada de harmonia com o esquema habitual: ideologia redentora primeiro; depois, financiamentos saneadores e divisão equitativa dos lucros entre os parceiros sociais.

O agente de confiança de Nelson Rockefeller, Frank Carlucci, posando como embaixador dos EUA em Lisboa, com o seu homólogo da KGB, Kalinine, sob travesti semelhante, destacados para consolidar mais esta etapa, desempenharam-se com discrição e eficácia desta missão especial.

Os expoentes máximos do Round Table Business, organismo Rockefeller que agrupa os 178 maiores capitalistas do mundo, consideram hoje Portugal como uma das melhores coutadas europeias, tendo o caminho facilitado pela desertificação dos empresários nacionais, liquidados e afastados da competição pela aguerrida matilha comunista. Chase, Morgan, Ford, Rothschild e o Kremlin tinham vencido juntos mais um lance".

(...) a) As três internacionais. - Carlos Camposa, no prefácio do seu opúsculo "Salazar respondeu a Afonso Costa", tem esta curiosa observação de que o "25 de Abril" foi a sinistra obra de três internacionais:

- a vermelha (comunista e socialista);

- a capitalista ou doirada (América do Norte e plutocracia do Norte da Europa, em especial da Holanda e da Suécia);

- e a negra (clerical progressista), lembrando a propósito a acção dos "padres brancos" em Moçambique e de outros, as calúnias do Pe. Hastings, etc.

b) Em 1973: o Acordo de Paris - Se bem que ainda sem revelação de todos os pormenores, têm surgido referências concretas ao "Acordo de Paris" firmado em Maio de 1973 entre o PC e o PS. Perante a crescente dificuldade de vencer militarmente Portugal no Ultramar, a União Soviética promoveu esse acordo prometendo financiar a organização de um golpe de Estado em Lisboa, comprometendo-se o PC e o PS a conceder a "independência" imediata às Províncias Ultramarinas portuguesas entregando-as aos movimentos pró-soviéticos: PAIGC (Guiné e Cabo Verde), MPLA (Angola) e FRELIMO (Moçambique).

Sobre esse Acordo, ver: Jornal de Economia e Finanças, números 357 e 392; África - Vitória Traída, pelos generais Luz Cunha, Kaulza de Arriaga, Bethencourt Rodrigues e Silvino Silvério Marques, página 27; Angola - Os Vivos e os Mortos, de Pompílio Cruz, página 149; A Rua, de 6/2/77, transcrição de uma notícia de Santana Mota publicada no diário O Estado de S. Paulo - Não lhes perdoais, Senhor, de Rebelo Cotta; a página 28 diz que o tenebroso Rosa Coutinho e outros chacais do seu séquito executaram fielmente o plano gizado "em Moscovo, Paris e Lisboa"» (in José Dias de Almeida da Fonseca, «LIVRO NEGRO DO "25 DE ABRIL"»).

6. «Embora sendo ainda apenas um projecto [utópico do Governo Mundial], os seus promotores, como veremos, detêm já um Poder que lhes permite reduzir a soberania de numerosos Estados em todo o mundo, apenas àquilo que não contraria o seu projecto, actuando através da arma mais poderosa, a financeira.

Naturalmente que um tal projecto só poderá ser contrariado e vencido quando os cidadãos se aperceberem de que esse Poder existe e pretende impor-lhes um sistema em que, como em todos os sistemas socialistas, os seus dirigentes têm a pretensão de que sabem melhor do que os próprios, o que os faz felizes.

O 25 de Abril não poderá ser verdadeiramente compreendido senão através das exigências daquele projecto.

No fundo, não passou de um pequeno episódio num percurso que se pretende que conduza à formação de um Governo Mundial, que já tem no seu activo um número elevado de vitórias e de vítimas» (in Fernando Pacheco de Amorim, «25 de Abril - Episódio do Projecto Global», 1996).

7. «Entre os que hoje perfilham o Governo Mundial, encontra-se Vladimir Putin, um 'ex-agente' da KGB cuja retórica sobre a liberdade, a democracia e os direitos humanos só ilude os enganados enganosos. Daí também o apregoar da dita 'lei internacional' que o líder russo deseja, a par de todos os líderes do mundo actual, ver protagonizada pela ONU nos seguintes termos:

"Consideramos as tentativas para minar a legitimidade das Nações Unidas como algo extremamente perigoso. Isso poderia levar ao colapso de toda a arquitectura das relações internacionais e nada mais restaria senão a lei da força. Teríamos então um mundo dominado pelo egoísmo em vez do trabalho colectivo, um mundo caracterizado pela tirania e não pela igualdade. Não haveria democracia nem liberdade num mundo onde os diferentes estados seriam substituídos por um número crescente de protectorados e territórios externamente controlados" (discurso de Vladimir Putin nas Nações Unidas, 2015).

Por outras palavras: quem não obedecer à agenda totalitária das Nações Unidas será considerado inimigo da paz, da liberdade e da 'comunidade internacional', assim como declarado inimigo de tudo o que, efectivamente, está a ser levado a cabo para que não hajam nações soberanas nem Estados independentes, porque, na verdade, só existirão protectorados, territórios e regiões 'externamente controladas'. E, claro, o líder russo também adere à agenda ambientalista da ONU».

M.B.Duarte 

Os merdas responsáveis pela morte de Portugal!!!

 


«No Verão de 1973 a guerra colonial [leia-se Guerra do Ultramar] domina, mais uma vez, as atenções nacionais e internacionais. (...) internamente é desencadeada uma operação de mobilização a pretexto da realização no Porto, de 1 a 3 de Junho, do I Congresso dos Combatentes do Ultramar.

(...) alguns oficiais do Quadro Permanente, precisamente os mais sacrificados pela guerra, decidem boicotar o evento pondo a circular um abaixo-assinado demarcando-se do Congresso e dos seus resultados. A iniciativa parte de elementos próximos do então governador da Guiné, António de Spínola, que desde a sua passagem pela Guiné, discutiam a questão da guerra colonial, defendendo que a solução da mesma era de natureza política e não militar. Mas o grupo, onde pontificam os nomes de Ramalho Eanes, Carlos Fabião, Dias de Lima ou Firmino Miguel, alarga-se rapidamente a outros sectores. Contactado para assinar o documento, Vasco Lourenço é um dos oficiais que aderem e colaboram na iniciativa».

Maria Inácia Rezola («Os Anos de Salazar», PDA, 2008, n.º 29). 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Quando um bando de inconscientes fez um golpe de estado!!!

 




No dia 25 de Abril de 1974, capitães convictos de salvarem o povo das garras dos exploradores, apoiados por comunistas primários, estudantes analfabetos e intelectuais muito eruditos sobre o imperialismo dos EUA investiram contra a última barreira existente na Europa a esse mesmo imperialismo.

José Dias de Almeida da Maria Fonseca («LIVRO NEGRO DO "25 DE ABRIL"»).

Salazar e os novos nacionalismos.

 


«(...) os novos nacionalismos, ao abandonarem as antigas dependências, correm de mãos dadas através de uma esperança vã - a de que, sendo da mesma cor, podem sustentar-se mutuamente ou entender-se melhor. Que ilusão! Os interesses não têm a mesma cor dos homens. A solidariedade que se revela na actual frente de ataque não é uma solidariedade de fundo; ela empenha-se na destruição das actuais estruturas mas é incapaz de construir outras novas. A unidade de África é afirmação gratuita que a geografia e a sociologia desmentem. E, ao contrário do aconteceu na América, a Europa não se deu o tempo de definir mais racionalmente fronteiras, pacificar em definitivo raças e tribos, formar nações que fossem verdadeiros substratos de Estados. Quem serão então os futuros organizadores? Façamos uma pergunta mais directa: quem serão os futuros colonizadores? Esta a incógnita que pesa sobre grande parte de África.

Para nós nação compósita - euro-africana e euro-asiática - as considerações acima não têm apenas interesse especulativo; é possível derivarem do movimento actual consequências graves e talvez se nos levantem problemas de soberania e vizinhança. Debrucemo-nos por isso sobre nós próprios, para averiguarmos sob que ângulo os temos de enfrentar.

Quando a Nação portuguesa se foi estruturando e estendendo pelos outros continentes, em geral por espaços livres e desaproveitados, levou consigo e pretendeu imprimir aos povos com quem entrara em contacto conceitos muito diversos dos que mais tarde caracterizaram outras formas de colonização. As populações que não tinham alcançado a noção de pátria, ofereceu-lhes uma; aos que se dispersavam e desentendiam em seus dialectos, punha-lhes ao alcance uma forma superior de expressão - a língua; aos que se digladiavam em mortíferas lutas, assegurava a paz; os estádios inferiores da pobreza iriam sendo progressivamente vencidos pela própria ordem e pela organização da economia, sem desarticular a sua forma peculiar de vida. A ideia da superioridade racial não é nossa; a da fraternidade humana, sim, bem como a da igualdade perante a lei, partindo da igualdade de méritos, como é próprio de sociedades progressivas.

Em todos esses territórios a mistura das populações auxiliaria o processo de formação de uma sociedade pluri-racial; mas o mais importante, o verdadeiramente essencial estava no espírito de convivência familiar com os elementos locais; nas possibilidades reconhecidas de acesso na vida económica e social; nos princípios de uma cultura mais avançada e de uma moral superior que, mesmo quando violada, era a regra do comportamento público e privado. Se através destes meios, de acção forçosamente lenta, conseguia formar-se uma comunidade com certo grau de coesão, pode dizer-se que a tarefa estava vingada: a independência e a igualdade dos povos integrados com seus territórios numa unidade nacional.

Mais de 300 anos trabalhámos no Brasil, inspirados pelo mesmo ideal, e o que ali passou a observar-se é verdadeiramente extraordinário: o Brasil tem as portas abertas a gente de quase todo o mundo, caldeia-a na variedade dos seus elementos demográficos, absorve-a, assimila-a e não diminui em lusitanidade. Entre os países para cuja formação contribuíram raças diferentes, nenhum como ele apresenta tão completa ausência de traços racistas na legislação, na organização política, na conduta social. Ele é a maior experiência moderna de uma sociedade pluri-racial, ao mesmo tempo que exemplo magnífico da transposição da civilização ocidental nos trópicos e no Continente americano. Pacífico, estável, dinamicamente progressivo, o Brasil, mesmo ao rever-se nas suas criações próprias, não tem de maldizer das origens nem renegar a sua pátria.

A sociedade pluri-racial é portanto possível e tanto de cepa luso-americana como de base luso-asiática, segundo se vê em Goa, ou luso-africana, em Angola e Moçambique. Nada há, nada tem havido que nos leve a conclusão contrária. Simplesmente essa sociedade exclui toda a manifestação de racismo - branco, preto ou amarelo e demanda uma longa evolução e trabalho de séculos, dentro dos princípios que estão na base do povoamento português. Mal avisados andaríamos agora a inovar práticas, sentimentos, conceitos diversos dos que foram o segredo da obra realizada e são ainda a melhor salvaguarda do futuro.

Estamos em África há 400 anos, o que é um pouco mais que ter chegado ontem. Levámos uma doutrina, o que é diferente de ser levados por um interesse. Estamos com uma política que a autoridade vai executando e defendendo, o que é distinto de abandonar aos chamados "ventos da história" os destinos humanos. Podemos admitir que a muitos custe compreender uma atitude tão estranha e diversa da usual; mas não podemos sacrificar a essa dificuldade de compreensão populações portuguesas cujos interesses na comunidade nacional consideramos sagrados.

É possível encontrar muitas deficiências no nosso trabalho, e somos os primeiros a lamentar que a limitação dos recursos não nos tenha permitido ir mais além. Especialmente nas comunicações, na divulgação da instrução, na organização sanitária temos diante de nós largos caminhos a percorrer. Mas, mesmo nesses como em muitos outros domínios, quando nos comparamos, não temos de que envergonhar-nos. As nossas cidades e vilas, os nossos caminho-de-ferro, os portos, os aproveitamentos hidroeléctricos, a preparação e distribuição de terras irrigadas por brancos e pretos, a exploração das riquezas do subsolo, as instalações dos serviços têm seu mérito. Mas o ambiente de segurança, de paz e de fraternal convívio entre os muito diversos elementos da população - caso único na África de hoje - é a maior obra, porque a outra quem a quer a podia fazer com dinheiro e esta não.

O trato familiar de sucessivas gerações foi forjando e consolidando a unidade entrevista no começo. Esta unidade não é por isso uma ficção política ou jurídica mas uma realidade social e histórica traduzida nas Constituições, e levanta obstáculos muito sérios aos que pensam dedicar-se agora à tarefa de emancipar a África portuguesa. Vêm tarde: já está. É que essa unidade não comporta alienações, cedências ou abandonos: as figuras jurídicas do plebiscito, do referendum, da autodeterminação tão-pouco se quadram na sua estrutura.

Aos inclinados a supor que teorizamos, opomos as espontâneas e vibrantes reacções da consciência nacional, ao pressentir o mais leve perigo. Aqui e no Ultramar, em território nacional ou estrangeiro, o Português de qualquer cor ou raça sente essa unidade tão vivamente que toma as discussões como ameaças e as ameaças como golpes que lhe retalham a carne. De modo que não há mais a fazer do que proclamá-la a todos os ventos e, na medida do possível, vigiá-la em todas as fronteiras.

Aliás a ligeireza com que temos visto falarem uns, calarem-se outros sobre problemas desta transcendência - o destino de milhões de seres humanos - faz-me crer que não foi ainda devidamente apreciada a gravidade das implicações possíveis de tão grandes desvarios...».

«Portugal e a Campanha Anticolonialista» (DISCURSO PRONUNCIADO POR SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DO CONSELHO, PROFESSOR DOUTOR OLIVEIRA SALAZAR. NA SESSÃO DA ASSEMBLEIA NACIONAL DE 30 DE NOVEMBRO DE 1960).

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O verdadeiro capitalismo monopolista de estado, vulgo comunismo!!!

 



Querem melhor exemplo do que este, mais um exemplo do regime comuno-socialista instituído após o golpe de estado corporativo de 25 de Abril de 1974.
Dúvidas houvesse estão absolutamente dissipadas, calhou ser pela mão do PSD, poderia ter sido pela mão do PS, do PCP, do Chega ou de qualquer outro partido com assento parlamentar, é uma questão de regime, quem detém o capital manda, impõe as regras e a cambada corrupta que tomou conta do país a coberto do manto da democracia, pouco a pouco foi escravizando, espezinhando e vilipendiando o povo português, curiosamente um povo pacífico, acomodado e afirmo-o seu um mínimo de dúvida, um povo aparvalhado e submisso que em vez de mostrar a sua indignação, cala e consente todas as atrocidades contra si cometidas!!!
Enfim, tudo isto mete nojo, acção directa exige-se, violência sem dúvida alguma, reagir à medida dos ataques que contra nós são perpetrados.

Termino com uma frase de Arturo Pérez-Reverte, um dos meus autores preferidos...

« (...) Uma civilização que renuncia à possibilidade de recorrer à violência nos seus pensamentos e acções destrói-se a si mesma. Transforma-se num rebanho de carneiros a degolar pelo primeiro que passe. O mesmo acontece com os homens.»

Alexandre Sarmento






O povo português, teimosamente imóvel!!!





"Os homens mudam pouco e então os portugueses quase nada."
"A nossa gente não aguenta a nossa política. Se em lugar de governarmos este país, governássemos outro, conseguia-se mais. Neste, a gente puxa, puxa, mas como não dá, temos a tendência para nos nivelarmos à massa".

António de Oliveira Salazar

Meu rico Salazar, como conhecias este povinho, esta cambada só com pão numa mão e pau na outra, mudam-se os tempos as gentes continuam iguais.
Triste sina a nossa...um povo ignorante acabará na mão dos seus carrascos, ou já lá estará, alegres e felizes na sua condição de escravos, valha-nos a televisão a bola e umas quantas datas festivas...

Alexandre Sarmento



quinta-feira, 30 de abril de 2026

Salazar Recusou Milhões Pela Independência das Ex-Colónias...

 



António Oliveira Salazar rejeitou uma proposta dos Estados Unidos para a independência das ex-colónias portuguesas a troco de mil milhões de dólares (782 milhões de euros), porque "Portugal não estava à venda", revela um ex-responsável norte-americano no seu livro "Engaging Africa: Washington and the Fall of Portugal's Colonial Empire".

Segundo o secretário de Estado adjunto para os Assuntos Africanos durante a administração Clinton, Witney Schneider, o ex-presidente do Conselho rejeitou a proposta americana em 1963, durante um encontro com um enviado da Casa Branca.

O livro detalha minuciosamente, com base em documentos oficiais e entrevistas com personalidades norte-americanas e portuguesas, as relações dos Estados Unidos com Portugal e com os movimentos independentistas das ex-colónias portuguesas, em particular Angola e Moçambique, desde o início dos anos 60 até à independência de Angola, em 1975.

De acordo com o autor, em 1962, o assistente do director adjunto de planeamento da CIA, Paul Sakwa, elaborou um plano denominado "Commonwealth Plan", que visava convencer as autoridades portuguesas a aceitar o que a CIA considerava ser a inevitabilidade da independência das colónias portuguesas.

O plano previa que Portugal concedesse a auto-determinação a Angola e Moçambique após um período de transição de oito anos. Enquanto isso, seria organizado um referendo nas duas colónias para se determinar que tipo de relacionamento seria mantido entre os dois territórios e Portugal após a independência.

Durante esse período, os dirigentes nacionalistas angolano Holden Roberto e moçambicano Eduardo Mondlane receberiam "o estatuto de consultores assalariados" e seriam preparados para a liderança dos novos países.

"Para ajudar Salazar a engolir a pílula amarga da descolonização, Sakwa propôs [ainda em 1962] que a NATO oferecesse a Portugal 500 milhões de dólares [391 milhões de euros] para modernizar a sua economia", escreve Schneider.

Um ano depois a proposta daquele funcionário da CIA foi ampliada pelo diplomata Chester Bowles, que duplicou a ajuda a oferecer a Portugal, propondo que os Estados Unidos concedessem mais 500 milhões de dólares durante um período de cinco anos, ou seja um total de mil milhões de dólares durante o período de transição.

Documentos oficiais mostram que Bowles argumentou que seria "um bom negócio diplomático" se os esforços norte-americanos conseguissem resolver "o feio dilema" de Portugal a um custo de cem milhões de dólares (78 milhões de euros) por ano.

O plano dos Estados Unidos esbarrou, contudo, na inflexibilidade de Salazar.

"Portugal não está a venda", foi a resposta do ditador português quando a proposta lhe foi apresentada, em Agosto de 1963 - ainda durante a administração Kennedy - pelo secretário de Estado adjunto norte-americano, George Ball.

Franco Nogueira considerou a proposta americana uma "idiotice

O autor diz ainda que o então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Franco Nogueira, considerou a proposta americana uma "idiotice", porque revelava que Washington acreditava poder determinar ou garantir acontecimentos a longo prazo.

Segundo Nogueira, o plano dos Estados Unidos seria o primeiro passo para a inevitabilidade do caos nas colónias portuguesas em África.

Um dos aspectos mais curiosos do livro é a exactidão com que a CIA e vários diplomatas norte-americanos fazem, com muitos anos de antecedência e em documentos oficiais, a previsão da derrota militar portuguesa em África e o derrube da ditadura.

"A derrota militar portuguesa é uma conclusão inevitável se se permitir que a revolta em Angola ganhe volume e continuidade", adverte o documento da CIA que acompanhava a proposta inicial elaborada por Paul Sakwa, pouco depois do começo da guerra em Angola.

Sakwa questiona-se mesmo se os Estados Unidos poderiam permitir que Portugal "cometesse suicídio, arrastando os seus amigos na mesma via".

O então embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Burke Elbrick, considerado em Washington como um simpatizante das autoridades portuguesas, enviou um telegrama às autoridades norte-americanas em 1963 em que dizia que Portugal estava "debaixo da espada de Dâmocles", pois não era "nem suficientemente grande nem suficientemente rico" para fazer frente a uma guerra de guerrilha em três frentes.

As guerras em África poderiam significar "o fim do império lusitano" e do regime de Salazar, escreveu ainda o diplomata, advertindo que o fim do regime poderia resultar na subida ao poder de um Governo "consideravelmente mais esquerdista ou neutral".

Em 1964 - dez anos antes da revolução do 25 de Abril -, a CIA advertiu que as guerras em África levariam ao aumento do descontentamento interno e que esse "aumento do descontentamento poderá convencer os militares da necessidade de substituírem Salazar".

Nesse mesmo ano, o Conselho de Segurança Nacional advertiu o Presidente Lyndon B. Johnson - que sucedeu a John F. Kennedy - de que as perspectivas de Portugal em África eram péssimas.

"Já não se trata de uma questão de saber se Angola se tornará independente ou não, pois a única questão é saber quando e como, tal como aconteceu na Argélia. Do mesmo modo, é uma certeza que quanto mais a luta durar, mais violenta, racista e infiltrada pelos comunistas se tornará, mais grave será a crise final a que os Estados Unidos terão de fazer face e mais caótica, radical e anti-ocidental será uma Angola independente", diz o documento.

Durante os anos 60, e face a estes avisos, muitos funcionários norte-americanos deram conta em documentos do seu desespero face à inflexibilidade do Governo de Salazar em mudar a política colonial.

Paul Sakwa, o funcionário da CIA que elaborou o "Commonwealth Plan", desesperado com a inflexibilidade de Salazar, terá chegado, ironicamente, a manifestar dúvidas de que o ditador português pudesse aceitar o plano americano "sem o benefício de uma lobotomia".

Para o secretário de Estado adjunto de então, George Ball, Salazar elaborava a política externa de Portugal "como se o Infante D. Henrique, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães fossem os seus conselheiros mais próximos". 

SALAZAR por Rodrigo Emílio

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