quarta-feira, 8 de julho de 2026

Spínola -A Guerra e o Fundo do Ultramar.

 



«O general Spínola tem duas fases na vida dele. Uma, em que se dedicou à Guiné, à parte militar, ao desenvolvimento social - foi a fase nobre da vida dele. Depois, deixou-se deslumbrar pela política, com influência de alguns deputados da ala liberal. Ele nunca me mostrou as cartas que tinha recebido. Depois disse-me que tinha recebido directivas, mas que continuava fiel ao presidente do Conselho. Mas o general Spínola, com todas as qualidades que tem, tem um defeito: é muito vaidoso. A certa altura, deixámo-nos de falar, e ele criou aquele mito da impossibilidade da defesa militar da Guiné, que o levou a ser substituído pelo general Bethencourtt Rodrigues que, pelo contrário, dizia que a Guiné era susceptível de ser defendida desde que tivesse mais meios - e os meios ainda foram conseguidos no meu tempo. A última vez que fui à Guiné foi em 1972. Senti que o general Spínola estava diferente. Quando ele levantou o problema do colapso militar, eu estava na última fase como ministro do Ultramar. Mas mandou-se à Guiné o general Costa Gomes que, quando regressou, disse que a Guiné era perfeitamente defensável desde que se mudasse o dispositivo. Foi na altura em que se resolveu substituir o governador. Fui eu que fiz o convite ao Bethencourt Rodrigues para ir para a Guiné. Eu combinei com ele falar num sítio onde não houvesse muita gente, e fomos para São Julião da Barra. Mas estava cá uma esquadrilha inglesa de acrobacia aérea, e foi um inferno para lá chegar.

Cheguei a São Julião da Barra, ele estava lá e eu disse-lhe: "Trago-lhe uma boa notícia. Você vai para a Guiné. Nós precisamos de si na Guiné. Diga que sim". Ele aceitou. Foi à Guiné, fez um estudo da situação, veio cá e disse, confirmando o que o Costa Gomes tinha dito: "A Guiné é defensável, mas tem que se mudar o dispositivo. E têm que ser reforçados certos meios de defesa". Mas a partir de certa altura, quando começou a cair a vontade de luta do general Spínola, começou-se a dizer que a guerra subversiva não era susceptível de ser vencida. Não é verdade: os ingleses venceram a guerra subversiva no Quénia, na Malásia... Na guerra subversiva, a tendência é para se passar para a guerra convencional, porque a guerra subversiva provoca a desordem mas não consegue dominar o território. Eles passaram a vida a dizer que a guerra subversiva não era susceptível de ser vencida, e quando, na Guiné, passaram para a guerra convencional, começaram a dizer que a guerra convencional não era susceptível de ser vencida. Foi quando começaram a evocar a falta de material, argumento que nós anulámos porque conseguimos o material. O Bethencourt Rodrigues foi informado de que estava em preparação a remessa de material, para além de termos mandado muito material disponível, que fazia parte da defesa do continente. Disse-me que ia mudar o dispositivo e que aquilo seria perfeitamente dominável.

Havia muitos problemas administrativos que superavam os problemas militares. E militares que pediram que o novo ministro da Defesa fosse um civil. Quem pressionou mais a solução civil foi o próprio Costa Gomes. Eu, na altura, já estava no Governo há doze anos, só desejava sair e voltar à minha vida profissional. E só fui por causa da conjuntura e da situação em que estava o País, porque não ia abandonar num momento difícil. E fiquei, o que me valeu dois anos na cadeia, depois do 25 de Abril. Depois de tomar posse, cheguei à conclusão de que a situação era preocupante porque havia o problema do armamento - nós tínhamos dificuldade em conseguir o armamento que os militares diziam que precisavam. Havia um agravamento da situação em Moçambique, na zona de Vila Pery, que era necessário eliminar. Eu tinha que tirar razão aos militares quando eles diziam: "Não temos meios". E só o conseguiria criando os meios. Foi o que fiz: tentei suprir a falta de armamento para lhes tirar o argumento do "nós não nos podemos bater como deve ser porque não temos armamento". E o armamento conseguiu-se. Mas o que aconteceu foi que, quando apareceram os mísseis terra-ar Strela, na Guiné, aquilo criou um alarme excessivo. Também apareceram Strela em Angola e não houve aquela reacção. Nessa altura, dediquei-me ao problema do armamento e estabeleci ligações com o ministro da Defesa da África do Sul, Pieter Botha, que veio cá tão discretamente que ninguém deu por nada. Estivemos dois dias fechados no Forte de São Julião da Barra a discutir os problemas. Eu fui nomeado ministro da Defesa em 7 de Novembro de 1973 e isto passou-se logo a seguir. Discutimos o problema do armamento. A África do Sul tinha comprado duas baterias de mísseis terra-ar Crotale em França - eu consegui que eles desistissem de uma, e comprámo-la nós, directamente aos franceses. Pagámos a bateria aos franceses, os trinta por cento que estavam no contrato, e chegámos a mandar o pessoal para ser treinado. A bateria dos Crotale era para proteger o aeroporto de Bissau. Havia na Guiné aviões MIG, que eram da República da Guiné, mas podiam ser usados lá.

Conseguimos artilharia em Israel, porque uma das coisas de que se queixavam na Guiné, era que a artilharia deles tinha alcance superior ao da nossa. Conseguimos os Red Eye, mísseis terra-ar individuais, na Alemanha. Não sei quem os vendia, só sei que eles nos forneciam 500 Red Eye americanos. Aí, também houve influência do Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas indirecta. Esteve no meu gabinete o general Étoile, que era quem superintendia nas vendas dos aviões Mirage, e que nos fez uma oferta de Mirage, pondo como única condição ficarem com base em Cabo Verde. Eu disse-lhe: "Não preciso dos Mirage em Cabo Verde, mas na Guiné". Ele respondeu: "O senhor sabe muito bem como é que isso se faz depois". Oficialmente os Mirage não podiam ter base na Guiné. Eu nem sei se, depois do 25 de Abril, o material veio ou não. Discuti também com Pieter Botha o fornecimento de excedentes, em vez de os venderem ou mandarem para a sucata, vendiam-nos a nós. Havia sido negociado um contrato de empréstimo até seis milhões de contos, mas em vez de ser em dinheiro era em material. Em compensação, nós vendíamos à África do Sul petróleo de Angola. Este contrato ficou assente, mas depois não teve seguimento. O reequipamento tinha uma verba à parte, que saía parcialmente daquele Fundo de Defesa do Ultramar. Eu deixei no Ministério cerca de oitocentos mil contos, os tais que ninguém sabe onde foram parar. Eu sei que na noite do 25 de Abril a primeira coisa que eles fizeram foi porem uma equipa de contabilistas no Ministério a verificar a minha contabilidade, onde não faltava meio tostão. Para gastos confidenciais, duzentos mil contos; para reequipamento, seiscentos mil contos.

[...] Em determinado momento, o almirante Crespo disse que o general Spínola estava a escrever um livro e que não havia muita vantagem em que o livro fosse publicado. Isto passou-se quando eu ainda estava no Ministério do Ultramar. Uma tarde, chegou um despacho do general Costa Gomes, dizendo que o livro do Spínola estava pronto para ser publicado. Eu disse: "Ele não pode publicar o livro sem eu o ter lido". Os militares no activo não podem publicar nada sem autorização superior. Mas Spínola recusou-se a dar-me o livro para ler, embora ele minta e diga que eu tinha conhecimento do livro, insinuando que tinha sido por intermédio da DGS. Mas a DGS também não sabia do livro. Fui ter com Marcello Caetano e disse-lhe: "O livro não pode ser publicado sem autorização, mas ele recusou-se a entregar-mo". Então, Marcello Caetano respondeu-me: "Para não estarmos a criar um problema, você encarrega o general Costa Gomes - que era o superior hierárquico do general Spínola - de ler o livro e de lhe dar um parecer". Então chamei o general Costa Gomes e ele deu-me um parecer favorável. Nessa altura, despachei nestes termos: "Embora não tenha conhecimento do livro, porque não me foi facultado para ler, confio no parecer do chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. Publique-se».

Silva Cunha («África a arder», in José Freire Antunes, «A Guerra de África - 1961-1974», Vol. I). 

Artur Agostinho - Um testemunho.

 




«Foi no dia 1 de Agosto de 1975 que cheguei ao Brasil para iniciar uma nova fase da minha vida. Nova e, além do mais, verdadeiramente imprevisível. 

De facto, emigrar aos cinquenta e cinco anos, nas circunstâncias em que o fiz, não me permitia pensar em grandes facilidades e, muito menos, em qualquer tipo de sucesso, a curto ou a médio prazo. Como é evidente, o "longo prazo" estava, à partida, fora de todas as conjecturas, por mais optimistas que elas fossem. De qualquer modo, as perspectivas não poderiam ser piores do que aquelas que, na altura, se me apresentaram em Portugal. 

Depois de três meses de detenção em Caxias - e apesar de terem caído por terra todas as miseráveis invenções construídas com o propósito evidente de denegrir a minha imagem -, ninguém parecia disposto a permitir que eu continuasse a exercer qualquer das actividades profissionais a que me dedicava. 

Os jornais, a rádio e a TV tinham-me fechado as portas. Ainda alimentei, durante alguns meses, a esperança de que o país regressasse à normalidade, mas a verdade é que não se vislumbravam quaisquer sinais de que isso viesse a suceder, pelo menos, a curto prazo. Havia, pois, que tomar providências urgentes, antes que o telhado me caísse em cima. E foi assim que, em Julho de 75, tomei a decisão de procurar reconstruir a minha vida noutras paragens. Onde? Era um caso a pensar com ponderação, sem precipitações. 

Enquanto não me decidia pelo rumo definitivo, escolhi Paris como uma espécie de escala para meditação, até porque tinha aí a facilidade de dispor do apartamento de um amigo que o colocara simpaticamente à minha disposição. Era pouco o dinheiro de que dispunha e tinha que pensar na minha mulher e nas minhas duas filhas que, pelo menos tão rapidamente, não estavam em condições de poderem sair do País. 

Permaneci dez dias em Paris e acabei por me decidir pelo Brasil. Tinha recebido notícias de um outro amigo, que já se encontrava no Rio de Janeiro e me dava conta das diligências que estava a desenvolver, no sentido de levar por diante um projecto relacionado com a actividade bancária. Eu não possuía a mínima formação profissional nessa área, mas o meu amigo esclareceu-me que pensara em mim para o departamento de Relações Públicas e Marketing, integrado no plano em que estava a tentar interessar um banco brasileiro. 

«Nada está certo - avisou-me - mas, se a minha proposta for aceite, seria bom que cá estivesses nessa altura". 

O Brasil era uma das prioridades que eu já havia considerado e, ainda que o tal projecto não passasse disso mesmo, decidi avançar para o Rio. 

O meu amigo Manuel Barbosa - hoje, um dos mais conhecidos e activos empresários de futebol mas, na altura, apenas um profissional da área de viagens e turismo -, sabendo das minhas limitadas disponibilidades financeiras, ofereceu-me uma viagem Paris-Rio. 

Comigo, viajou o António Horta e Costa, que fora funcionário da Casa de Portugal, em Paris, e daí transitara para a delegação do Banco Pinto & Sotto Mayor, onde passou a trabalhar sob a direcção de Alfredo Jardim. Era este o amigo comum que, no Rio de Janeiro, estava a trabalhar no já referido projecto. 

De facto, de acordo com a informação que chegara até mim, nada estava ainda concretizado em relação ao plano que visava criar um departamento especialmente destinado, não apenas a captar clientes portugueses mas, sobretudo, a dinamizar os seus negócios e outros investimentos. 

Fora o facto de eu ser uma figura muito conhecida da colónia lusa, especialmente através de uma presença constante nos relatos desportivos da Emissora Nacional, com grande audiência no Brasil, que levou Alfredo Jardim a integrar-me na sua equipa, de que também fazia parte Alberto Costa, outro homem que trabalhava na dependência parisiense do Banco Pinto & Sotto Mayor, desmantelada na sequência da nacionalização da banca. 

Por compreensíveis razões de ordem económica, eu e o Horta e Costa, logo no dia seguinte à nossa chegada, tratámos de procurar um pequeno apartamento mobilado que pudéssemos partilhar. Conseguimos encontrá-lo, suficientemente confortável e em condições razoáveis de arrendamento, na rua Almirante Gonçalves, em Copacabana, com janelas voltadas para a Avenida Atlântica, a dois passos do Hotel Miramar, em cuja esplanada se reuniam, todas as noites, muitos dos portugueses que, como nós, procuravam reconstruir as suas vidas. (...) 

Nos finais de 1977, a minha actividade era já intensa e diversificada, como, aliás, sempre foi do meu agrado. 

Assim, além de ter escrito, a solicitação do Baptista Rosa, o meu segundo livro - Português sem Portugal -, que, pela boa aceitação que teve, me proporcionou alguns proventos sempre bem-vindos, acabei por me lançar em mais uma aliciante aventura: fundar um jornal desportivo destinado especialmente aos portugueses residentes no Brasil. Foi das experiências mais interessantes da minha vida, que tive de interromper quando decidi regressar a Portugal.

(...) Depois de uma permanência de seis anos no Rio, regressei a Lisboa em Janeiro de 1981. 

Pisar de novo terra portuguesa foi, sem dúvida, uma sensação estranha e profundamente emotiva para quem chegou a emitir a hipótese de não voltar a Portugal. O país voltara praticamente à normalidade, depois de um longo período de quase permanente agitação e instabilidade. Eram evidentes algumas marcas de um passado ainda próximo, que só o tempo poderia apagar. Havia feridas por cicatrizar e muitas desconfianças e incertezas. Mas havia, em contrapartida, uma grande esperança num futuro melhor, alicerçado numa democracia que parecia, finalmente, em vias de consolidação. Toda (ou quase toda) a gente tinha uma perfeita noção da crise em que o país mergulhara e ninguém duvidava do alto preço que os portugueses teriam que pagar pela factura de muitas loucuras e erros cometidos. 

Seja como for, o Portugal que vim encontrar seis anos depois de ter partido, com tristeza e amargura, para uma aventura de desfecho imprevisível, era já um país consciente da necessidade de muitos e pesados sacrifícios. Na verdade, só assim seria possível alcançar a recuperação desejada, indispensável para definir um novo rumo, capaz de nos conduzir a um futuro melhor». 

Artur Agostinho («Ficheiros Indiscretos»). 


segunda-feira, 6 de julho de 2026

O PATRIOTISMO DOS AFRICANOS QUE QUERIAM CONTINUAR A SER PORTUGUESES.



A ler as desassombradas intervenções do comendador Burity da Silva da sua tribuna de deputado, verifica-se e confirma-se que aquele grande português africano não só conhecia profundamente o seu continente, como sabia que a África portuguesa não precisava de inventar qualquer nacionalismo, pois era-o [portuguesa] sem margem para confusões.


" Servir os objectivos neocolonialistas que há muito se processam por parte da alta plutocracia em conjunção paradoxal com a política de penetração determinada pela URSS na sua diabólica finalidade de assentar suas bases operacionais no continente africano.
Bem sabemos não serem os interesses dos africanos que preocupam os autores dessa acção que se desenvolve em África sob o rótulo de promoção das gentes daquele continente aos benefícios do progresso e da civilização.Há muito e desde sempre ficou demonstrado que o problema da comunidade portuguesa disseminada pelos cinco continentes, formando uma sociedade multirracial de padrão único no Mundo, de forma alguma se pode enquadrar nos aspectos que aparentemente determinaram os neonacionalismos africanos.
Na África Portuguesa não estão apenas em causa direitos históricos, que os altos interesses económicos das grandes nações fomentadoras do estado de guerra naquele continente procuram hoje destruir, como se fosse possível sobrepor intrinsecamente aos valores humanos concepções artificiais de cobiça e de ganância que plutocratas e comunistas desencadearam encapotadamente sobre a nossa terra, arrastando para tão nefasta aventura turbas inconscientes à mistura com criminosos oportunistas que chefiam os bandos de terroristas.
Ali estão também os imperativos da nossa sobrevivência, cujo futuro temos de encarar à margem das solicitações que dão pelo aliciante rótulo dos chamados ventos históricos. Sem deixarmos de debruçar-nos sobre o nosso tempo, não será difícil verificarmos a alternativa que nos oferecem os acontecimentos em que fomos envolvidos:
- Ou uma fictícia independência, face à qual, e perante os múltiplos aspectos que caracterizam os neonacionalismos africanos, teríamos fatalmente o choque das populações locais na sua diversidade étnica, cultural e social a digladiarem-se pela supremacia do poder;
- Ou, admitindo ilogicamente a predominância apenas dos autóctones na condução dos novos rumos para que pretendem encaminhar a nossa África, relegando-se para planos secundários todo o resto das populações que ali vivem; que ali nasceram e os que ali se fixaram há séculos, o que seria absurdo, e então surgiriam naturalmente as rivalidades tribais, como a experiência dolorosamente já evidenciou em outros territórios de África.
Outra coisa não desejam os mentores de tais reacções, dado que a sua finalidade é justamente dividir para reinar. E quanto maior for o caos, a desordem e o desentendimento, melhor são servidos os seus inconfessáveis fins.
(...)
Não quero terminar sem aqui, nesta evocação do trágico período de um ano que passou, deixar uma palavra de justiça, uma palavra de homenagem, aos bravos portugueses de Angola, sem distinção de cores nem de raças ou posições, que nos deram o mais brilhante exemplo de fidelidade à Pátria que a história regista. A despeito de todas as amarguras e provações que o terrorismo estrangeiro lhes tem causado, ninguém fugiu da terra portuguesa de Angola, ninguém desertou ou deixou de cumprir o seu dever. Anónimos na sua modéstia, grandes no sem heroísmo, com os pés fincados à terra, bem merecem que sobre o seu comportamento meditem uni pouco os insatisfeitos que de um gabinete confortável tudo criticam e malsinam. O único caminho que a todos os portugueses dignos deste nome cumpre seguir é o da incondicional unidade em volta da bandeira da Pátria! "

Burity da Silva, intervenção na Assembleia Nacional em 20 de Março do ano de 1962.

domingo, 5 de julho de 2026

25 de Abril, um acto de traição contra a Nação Portuguesa.

 




O General França N´Daulu, ex-Chefe do Estado Maior das Forças Armadas Angolanas em entrevista no programa de Barata Feio, Angola os Dias da Guerra!

" O 25 de Abril, deveria ser comemorado nas ex-Colónias! Porquê General? (Pergunta Barata Feio)

Porque foi uma bênção para os movimentos de libertação nas ex-colónias! Como? Estávamos derrotados militarmente nas 3 frentes, Angola, Moçambique e na Guiné apesar de estar mais complicado! Em Angola os movimentos foram expulsos do território Angolano e raramente conseguimos fazer incursões vindas do exterior. Perdemos a nossa principal base nos Dembos, a nossa 1 região militar dentro de Angola. Desde que o General Costa Gomes veio dos altos estudos militares da Nato nos estados unidos, implementou um esquema de guerra que não conseguíamos contrariar. Os portugueses passaram a fazer guerrilha contra nós, e os meios, tácticas e as forças empregues, deixaram-nos atados de mãos e pés. Tinham-mos 24h por dia as forças especiais portuguesas à nossa caça, quando éramos detectados apareciam os heli-canhões que nos destruíam e de tal maneira que fomos expulsos de todo o território Angolano. Conseguíamos fazer alguma incursões a partir da Zâmbia com muita dificuldade, do Congo tínhamos sido expulsos por Mobutu, estava um caos total, se sabíamos que os flechas estavam na nossa zona então era a debandada total. A continuar assim, mais 1 a 2 anos e era a derrota total e tínhamos que fazer Negociações Mais Serias com Marcelo Caetano do que aquelas que já tínhamos tido. Teríamos que aceitar a derrota e fazer a Independência nas condições que Marcelo Caetano ditava. Agostinho Neto já estava preparado para aceitar! A tácita de Costa Gomes foi exportada para Moçambique e Guiné. Moçambique era outra derrota, a Frelimo estava cercada na Gorungosa, já havia militares à fome e sem munições. As vias de abastecimento vindas da Zâmbia estavam completamente cortadas. Nada chegava de abastecimentos! Na Guiné, era o caminho também para uma derrota! Quando o Paigc teve a ousadia de ocupar uma zona no interior Sul da Guiné, as Colinas do Boé, e deslocou um efectivo brutal para lá e esse foi o erro táctico. Ficaram cercados. Os bombardeamentos e ataques eram constantes, a contra guerrilha era brutalmente eficaz os abastecimentos quase caíram a zero. Foi mesmo uma bênção o 25 de Abril de 1974 em Portugal para os movimentos de Libertação.

( Barata Feio afirma, desconhecia por completo que o cenário da guerra colonial fosse assim como descreve.)

Cortesia de António de Oliveira Martins.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

O Imperialismo Americano e a Destruição das Nações Europeias.



«Lisboa, 16 de Maio de 1962 - Da longa conversa que tive com o jornalista americano Constantine Brown registo as seguintes afirmações feitas por aquele:

a) O Presidente Kennedy, ao contrário do que se supõe, é um fraco sem personalidade: está inteiramente dominado pelo grupo de que se rodeou;

b) Esse grupo é composto por uma dúzia de pessoas, e entre elas sobressaem os Srs. Rostow, Schlesinger, Bundy, sendo o primeiro o mais influente;

c) Esse grupo tem um ideal supremo: 

1) apaziguar a Rússia por todos os meios; 

2) sacrificar, se necessário, toda a Europa Ocidental; 

3) abolir as soberanias, incluindo a dos Estados Unidos; 

4) criar "um só mundo" governado pelas Nações Unidas;

d) Para já, em relação à Europa Ocidental, o Governo Kennedy está tentando destruir os Governos do chanceler Adenauer, do presidente De Gaulle, do presidente Salazar e do general Franco...»

(in Franco Nogueira, Diálogos Interditos. A Política Externa Portuguesa e a Guerra de África, I Volume, Intervenção, 1979, pp. 119-120). 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

25 de Abril, revolução, ou ascensão ao poder de gente pouco recomendável???

 


25 de Abril, revolução, ou ascensão ao poder de gente pouco recomendável???

CORRUPÇÃO - DESVIOS - ESCÂNDALOS

Neste capítulo deveria ser possível arrolar uma imensidade de casos. Mas muitos continuam por desvendar e outros, embora denunciados, nunca mereceram qualquer diligência no sentido de serem esclarecidos. É fácil compreender porquê, se se atentar na natureza de certos desvios. Aí vão alguns a título de exemplo.

Em poucos meses, só em dois organismos - o da Reforma Agrária e o IARN - os desvios ultrapassaram larguissimamente todos os registados em quase cinquenta anos do regime anterior. A Luta e o Tempo referiram-se com insistência ao assunto, mas os desvios são em tal número e neles estavam implicados tantos activistas da extrema-esquerda que ninguém se atreveu a tocar no caso.

Releia-se A Luta de 11/4/76:

«O relatório final sobre o inquérito aos desvios feitos com os fundos da famosa subscrição nacional "Um dia de salário para a Nação" está pronto e deverá ser tornado público em breve - ao que fomos informados por fonte próxima do Ministério do Trabalho.

Sabemos, por outro lado, que alguns dos desvios de fundos para fins estranhos aos da subscrição, que chegou a cerca de 80 000 contos, foram já repostos ou regularizados. Não é, no entanto, esse o caso de alguns "levantamentos" não justificados, como o do ex-ministro Costa Martins, aquando da sua viagem à União Soviética (um "vale" de 70 000 escudos), em que foi acompanhado por outros oficiais da Força Aérea, não se sabe bem a que título, e em nome dos quais foi igualmente levantado dinheiro do Fundo para a viagem.

O Estado-Maior da Força Aérea, entidade a quem foi solicitada recentemente a reposição deste segundo "vale", respondeu, ao que fomos informados, que não tinha conhecimento, não promovera tal viagem e não tinha em seu poder quaisquer documentos que permitissem a liquidação da respectiva importância».

Segundo O Diabo de 17/1/78, no Mensageiro de Leiria veio a notícia de que o Governo Português teria pago ao Governo de Argel qualquer coisa como um milhão de contos pelas despesas ocasionadas pela estadia do «Grupo de Argel» durante a «noite fascista». Como não vimos nenhum desmentido a esta notícia, gostaríamos de saber se se confirma ou não e, caso afirmativo, quem autorizou esse pagamento. De qualquer maneira, a ser verdade, o famoso «grupo» tratava-se bem.

Outros casos a relembrar:

- o de Palma Inácio, assaltante confesso, e condenado, a um banco, veio a ocupar alto cargo no Ministério do Trabalho;

- o de Edmundo Pedro; nunca foi esclarecido o enigma das armas que foram encontradas na sua posse;

- O de António Macedo; terá estado a habitar de graça uma sua antiga casa, depois de expropriada pela Câmara Municipal do Porto?

- o dos 7 000 contos colocados na Suíça por um ex-ministro do pós-25 de Abril (assunto levantado pelo Expresso, e nunca esclarecido);

- o de Melancia que nomeou de uma só vez 27 novos directores e subdirectores gerais;

- o de António Campos (MAP) que utilizou dinheiros para subsidiar organismos do Partido Socialista (Uniões Distritais de Agricultores), assunto referido pelo Jornal Novo de 29/9/78.

No sector das Forças Armadas também não faltaram casos enigmáticos e escandalosos. Um dos mais gritantes foi o de ter passado a haver, na Marinha, mais almirantes do que navios - e no Exército mais oficiais generais do que regimentos!

Vale a pena lembrar a revelação do semanário Edição Especial de 17/7/74, segundo o qual a Manutenção Militar comprou por 14 000 contos uma pousada em Lagos, que logo «ocupou» não respeitando o contrato com o seu empresário, e obrigando os turistas estrangeiros a sair, impedindo a entrada dos que haviam feito contrato. Essa pousada foi para ser junta a outra, a fim de ambas proporcionarem férias no Algarve aos oficiais das Forças Armadas e suas famílias a preços incrivelmente baixos.

E as armas que foram roubadas do Exército? Assunto da maior gravidade - mas mais grave é que os superiores responsáveis não tenham actuado prontamente. Os seus autores foram punidos? Não. O Povo foi informado do que na realidade se passou? Não. Alguém sabe onde foram parar as armas da Legião? E as da PIDE? O Povo sabe apenas que tudo isso se passou na Região Militar de Lisboa e que o seu comandante, o «general» Otelo, declarou que estavam «em boas mãos». E nelas continuam, para o que der e vier.

Rememore-se ainda que o semanário Expresso de 20/5/78 narrou:

«Aconteceu numa das ruas da cidade de Lisboa que um condutor descuidado não conseguiu evitar um automóvel que seguia na sua frente.

Depois de uma amena troca de palavras, o condutor do carro de trás verificou que o seu interlocutor era nem mais nem menos do que o conselheiro Vítor Crespo. Foi então que se tornou necessário saber qual a documentação do carro que era conduzido pelo referido conselheiro, para efeitos de declaração do sinistro a fazer à companhia de seguros.

Nessa altura, o outro sinistrado verificou que, estranhamente, o carro conduzido pelo conselheiro Vítor Crespo era propriedade do sr. Jorge de Brito. À surpresa do condutor acima referido, respondeu Vítor Crespo que se tratava apenas da viatura que lhe houvera sido destinada e que os bens de Jorge de Brito se encontravam congelados, o que levou o interlocutor a perguntar-lhe se a utilização do veículo não é uma estranha forma de proceder aos descongelamentos dos mesmos».

O Expresso poderia ter aproveitado a ocasião para perguntar ao conselheiro Vítor Crespo se também teria sido distribuída aos conselheiros da revolução a garrafeira de Jorge de Brito.

Quanto ao Fundo Militar do Ultramar, terão sido aplicadas verbas para fins não esclarecidos ao público, nem depois do ataque de Sá Carneiro.

Depois de todo este estendal de vilezas dá vontade de gritar:

Viva a seriedade do velho Estado Novo!

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O Cancro da Civilização

 


Do meu Diário

Dia 21: Estigmergia

A estigmergia (conceito do zoólogo Pierre-Paul Grassé) consiste numa influência do comportamento de um animal em outro que resulta num efeito de grupo que produz uma função não planeada pelos indivíduos. O exemplo clássico é o cheiro deixado por uma formiga que vai e vem para uma fonte de alimento, e que influencia outras formigas, formando-se um carreiro. Mas é também esse processo que leva à formação de termiteiras e formigueiros: sinais deixados por um animal que levam à repetição do comportamento por outros animais.

Assim emergem grandes estruturas — uma termiteira, um formigueiro, são de uma complexidade impressionante — sem que haja, em cada um dos insectos —nem tampouco na «rainha»—, qualquer plano sobre como essa estrutura deve ser.

O processo não é completamente diferente do que ocorre no nosso corpo: nenhuma célula, nenhum órgão, tem o plano do organismo inteiro: apenas age de certa maneira. É o conjunto das várias funções que cria o organismo vivo.

A nossa espécie, como grupo, tem um processo semelhante. As pessoas fazem o que fazem, agem como agem, sem saber realmente porquê; o certo e o errado são aprendidos «porque sim». O que resulta dos vários comportamentos, dos vários juízos assim emitidos, é um grupo ou uma sociedade. Uma termiteira, um corpo, um formigueiro, são, pois, entidades emergentes de comportamentos ou funções individuais que não contêm o projecto da termiteira, do corpo, do formigueiro.

Ou seja, e repetindo-me por clareza, nem nos insectos nem no nosso corpo nem nas mentes individuais dos membros de um grupo há conhecimento da consequência das acções que desempenham para a funcionalidade da estrutura que emerge.

Desde há muito tempo —pelo menos desde os gregos— se pensa em sociedades perfeitas e se detalham as funções indivíduos que as compõem. Inevitavelmente esses planos falham porque ou obrigam os indivíduos a funções que não cabem na sua biologia individual ou porque, não tomando todas as consequências em consideração, produzem sociedades que falham.

Mais recentemente deu-se uma mudança. Não se pensa já no resultado final, apenas nos direitos individuais: o justo e injusto, o bom e o mau são vistos em termos individuais e não colectivos. Mesmo as leis deixaram de ser feitas para o todo social para passarem a ser feitas para os direitos individuais.

Planear um todo sem considerar a individualidade (como Platão tentou) é equivalente a tentar fazer uma casa com tijolos de papel: os elementos não comportam as exigência da estrutura planeada.

Pensar apenas ou sobretudo no indivíduo e nos seus direitos e esperar que o resultado seja uma sociedade funcional é pelo menos tão utópico: é como esperar que, fazendo vários tijolos diferentes, alguns de papel, outros de arame, outros de argamassa, e juntando-os ao acaso resulte alguma coisa além de um monte caótico de «tijolos» impossíveis de encaixar numa estrutura.

Creio que esta última tendência, a de se centrar no indivíduo e não na função que o indivíduo tem na viabilidade do todo, vem do facto de que quem preconiza estas soluções de híper-individualismo é exemplo da incapacidade de compreender que a sociedade é uma estrutura dependente da articulação ordenada das acções individuais. Ou seja, é exemplo de ver apenas o indivíduo —o tijolo— e não a sociedade —a construção.

Somos como formigas que não percebem porque fazem o que fazem; mas enquanto as formigas estão programadas para agir em conjunto e não podem desviar­‑se desse plano, nós podemos propor modelos de conduta alternativos. E recentemente pensamos que cada um é a unidade que realmente conta.

A verdade, claro, é que não, não somos unidade alguma: dependemos de toda a cultura que nos formou, da cooperação, da regulação social por costumes e leis que não foram formuladas por nós. E ao enfatizar o indivíduo e não a sociedade que lhe possibilita a existência estamos a agir como se as células de um corpo pudessem agir a seu bel-prazer. Mas, num corpo, a isso chama-se cancro. Numa sociedade, chama­‑se o ruir de uma civilização. 


Rodrigo de Sá-Nogueira Saraiva

domingo, 31 de maio de 2026

Nos 100 anos da Revolução de 28 de Maio de 1926.

 


CEM ANOS DA REVOLUÇÃO DE 28 DE MAIO DE 1926 🇵🇹
O QUE TERIA SIDO DA REVOLUÇÃO SEM SALAZAR???!!!
ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR 🇵🇹 assumiu a pasta de Ministro das Finanças em dois momentos distintos da Ditadura Militar, embora o segundo período tenha sido o definitivo para a sua ascensão política:
Primeira vez (Breve passagem em 1926): Foi nomeado escassos dias após o golpe militar de 28 de maio, exercendo o cargo apenas entre 3 e 19 de junho de 1926. Demitiu-se rapidamente por não ver garantidas as condições de controlo e autonomia que exigia para governar o orçamento.
Segunda vez (O período definitivo: 1928–1940): Regressou ao ministério no dia 27 de abril de 1928. Embora tenha sido nomeado Chefe de Governo (Presidente do Conselho de Ministros) em 1932, Salazar manteve a pasta das Finanças em acumulação até 28 de agosto de 1940, data em que a transmitiu a João Pinto da Costa Leite (Luminares).
SALAZAR CONSEGUIU A GRANDE PROEZA DE EQUILIBRAR AS FINANÇAS PÚBLICAS E APRESENTAR O PRIMEIRO SALDO ORÇAMENTAL POSITIVO EM MENOS DE UM ANO ( aproximadamente 3 meses após a sua tomada de posse em 1928)!!!



O processo decorreu da seguinte forma:
- A Tomada de Posse: Salazar assumiu o cargo de Ministro das Finanças a 27 de Abril de 1928. PORTUGAL ARRASTAVA UM HISTÓRICO CRÓNICO DE DÉFICES ORÇAMENTAIS QUE DURAVA À DÉCADAS.
- O Primeiro Orçamento: Cerca de 3 meses depois, a 31 de Julho de 1928, Salazar publicou o Orçamento de Estado para o ano económico de 1928 - 1929.
- O MILAGRE FINANCEIRO: Logo nesse primeiro exercício (1928 - 1929), AS CONTAS DO ESTADO FECHARAM COM UM SUPERÁVIT ( EXCEDENTE).
Para conseguir este resultado " relâmpago", Salazar utilizou os superpoderes que tinha exigido aos militares para aceitar o cargo: O direito de veto sobre qualquer aumento de despesa de todos os outros ministérios. Salazar endireitou as contas através de uma política rigorosa de contenção de despesas, aumento e criação de impostos e centralização absoluta do controlo financeiro.
A partir desse ano de 1929, o equilíbrio orçamental passou a ser a imagem de marca de Salazar, o que lhe permitiu ascender a Presidente do Concelho de Ministros em 1932.
Durante quase toda a vigência do Estado Novo, o Equilíbrio Orçamental ( e o frequente superávit) foi a " regra de ouro" do regime.
N.B: A CARGA FISCAL NO ESTADO NOVO ERA SIGNIFICATIVAMENTE INFERIOR À DA " DEMOCRACIA" ACTUAL.
Se compararmos os números frios da receita fiscal em percentagem do PIB, constatamos que a carga fiscal em Portugal mudou radicalmente de escala após a transição para a " democracia" em 1974.
Ao longo das décadas de 1930, 1940 e 1950 , a carga fiscal em Portugal oscilou, de forma geral, entre os 8% e os 12% do PIB. Mesmo na fase final do regime, nos anos 60 e início de 70 - quando o país teve de aumentar os impostos para financiar a Guerra do Ultramar - , a carga fiscal máxima situou - se em torno dos 15% a 18% do PIB.
Com o 25 Abril de 1974 , a carga fiscal subiu em flecha logo a partir do final dos anos 70. Nas últimas décadas, estabilizou acima de 30% e, nos anos mais recentes, atingiu máximos históricos situados entre os 35% e 38% do PIB.
EM SUMA: A CARGA FISCAL NA "DEMOCRACIA" É MAIS DO QUE O DOBRO DAQUELA QUE EXISTIA NO ESTADO NOVO.

Texto excelente da minha querida amiga fascista Ana Mandim.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Comunistas e complexados de esquerda, os párias da sociedade!!!




Coitadinhos dos comunistas, sempre tão perseguidos e injustiçados!!!
Pena foi não ter havido centenas de "Tarrafais", à imagem da democracia de Estaline, fez falta uma grande limpeza!!!

"Primeiro, eclode, logo a 8 de setembro de 1936, uma revolta de dezenas ou centenas de marinheiros de três navios da Armada portuguesa surtos no estuário do Tejo. O movimento, organizado pelo PCP, tem por objetivo a apropriação dos barcos de guerra para os levar para portos espanhóis e colocá-los ao serviço das autoridades republicanas sediadas em Madrid.
O chefe do governo é implacável a reprimir a tentativa, como confessará em posterior nota oficiosa: «Embora à custa do suor de todo o povo, com a clara consciência do dever se mandaram construir [os navios alvo do motim]. Com a mesma imperturbável serenidade, dei ordem para que fossem bombardeados até se renderem ou afundarem. A razão que se eleva acima de todos os sentimentos foi esta: os navios da Armada portuguesa podem ser metidos no fundo; mas não podem içar outra bandeira que não seja a de Portugal.»
Os navios são bombardeados (embora não afundados) e a rebelião será esmagada com um saldo de uma dezena de marinheiros mortos e a detenção de muitos mais (além da demissão de vários oficiais e sargentos da Armada), cabendo a 34 dos presos (juntamente com alguns dos condenados por participação nos acontecimentos de 18 de janeiro de 1934) inaugurarem, ainda nesse ano, a colónia penal do Tarrafal."

União Nacional-Salazar

Nota: Texto de minha autoria que mais uma vez foi retirado pela Comissão de Censura do Facebook da página Salazar-União Nacional.
E falam estes filhos de senhora de cama variável da censura do tempo do Estado Novo.
Realmente, sem dúvida que Salazar falhou redondamente ao não ter adoptado os muito democráticos métodos de controlo da oposição utilizados pelo camarada Estaline.

Alexandre Sarmento.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

A vergonhosa traição dos genocidas de Abril.

 


«Aqui, pois, ressaltam mais particularmente os incidentes terroristas no norte e leste de Angola cometidos contra a vida e os bens dos portugueses, tais como: tiros, catanadas, espancamentos, assaltos a fazendas, vandalização e destruição das fontes de riqueza, dispersão e depredação de instalações, saques, emboscadas, assassinatos, barragens nas estradas e entradas furtivas em residências habitadas, roubos de viaturas, sanzalas saqueadas e destruídas, apedrejamentos, mulheres brancas violadas, pessoas alvejadas, rebentamentos fortuitos de granadas e explosões de morteiro, banditismo e toda a espécie inimaginável de actos de barbárie baseados no terror e na intimidação – transportes maltratados, acessos aos centros urbanos cortados, rezes esquartejadas, circuitos de comercialização destruídos, assaltos a operários nas fábricas, disparos sobre condutas de águas, ataques a hospitais, fuga de técnicos e saneamento de elementos válidos da administração pública com vista à destruição total da economia de Angola.
Neste contexto, Rosa Coutinho chegou mesmo a declarar que dera dez milhões de escudos mensais aos movimentos armados de Angola. «Em 1997, o Almirante justificou a mensalidade concedida nos seguintes termos: “Atribuí a cada um dos três movimentos um subsídio mensal de dez mil contos, equivalente a 200 000 contos actuais. Quem mais beneficiou com isso foi o MPLA, pois não tinha nada”»

Alexandra Marques, in Segredos da Descolonização de Angola. 

Spínola -A Guerra e o Fundo do Ultramar.

  «O general Spínola tem duas fases na vida dele. Uma, em que se dedicou à Guiné, à parte militar, ao desenvolvimento social - foi a fase no...