quinta-feira, 30 de abril de 2026

Salazar Recusou Milhões Pela Independência das Ex-Colónias...

 



António Oliveira Salazar rejeitou uma proposta dos Estados Unidos para a independência das ex-colónias portuguesas a troco de mil milhões de dólares (782 milhões de euros), porque "Portugal não estava à venda", revela um ex-responsável norte-americano no seu livro "Engaging Africa: Washington and the Fall of Portugal's Colonial Empire".

Segundo o secretário de Estado adjunto para os Assuntos Africanos durante a administração Clinton, Witney Schneider, o ex-presidente do Conselho rejeitou a proposta americana em 1963, durante um encontro com um enviado da Casa Branca.

O livro detalha minuciosamente, com base em documentos oficiais e entrevistas com personalidades norte-americanas e portuguesas, as relações dos Estados Unidos com Portugal e com os movimentos independentistas das ex-colónias portuguesas, em particular Angola e Moçambique, desde o início dos anos 60 até à independência de Angola, em 1975.

De acordo com o autor, em 1962, o assistente do director adjunto de planeamento da CIA, Paul Sakwa, elaborou um plano denominado "Commonwealth Plan", que visava convencer as autoridades portuguesas a aceitar o que a CIA considerava ser a inevitabilidade da independência das colónias portuguesas.

O plano previa que Portugal concedesse a auto-determinação a Angola e Moçambique após um período de transição de oito anos. Enquanto isso, seria organizado um referendo nas duas colónias para se determinar que tipo de relacionamento seria mantido entre os dois territórios e Portugal após a independência.

Durante esse período, os dirigentes nacionalistas angolano Holden Roberto e moçambicano Eduardo Mondlane receberiam "o estatuto de consultores assalariados" e seriam preparados para a liderança dos novos países.

"Para ajudar Salazar a engolir a pílula amarga da descolonização, Sakwa propôs [ainda em 1962] que a NATO oferecesse a Portugal 500 milhões de dólares [391 milhões de euros] para modernizar a sua economia", escreve Schneider.

Um ano depois a proposta daquele funcionário da CIA foi ampliada pelo diplomata Chester Bowles, que duplicou a ajuda a oferecer a Portugal, propondo que os Estados Unidos concedessem mais 500 milhões de dólares durante um período de cinco anos, ou seja um total de mil milhões de dólares durante o período de transição.

Documentos oficiais mostram que Bowles argumentou que seria "um bom negócio diplomático" se os esforços norte-americanos conseguissem resolver "o feio dilema" de Portugal a um custo de cem milhões de dólares (78 milhões de euros) por ano.

O plano dos Estados Unidos esbarrou, contudo, na inflexibilidade de Salazar.

"Portugal não está a venda", foi a resposta do ditador português quando a proposta lhe foi apresentada, em Agosto de 1963 - ainda durante a administração Kennedy - pelo secretário de Estado adjunto norte-americano, George Ball.

Franco Nogueira considerou a proposta americana uma "idiotice

O autor diz ainda que o então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Franco Nogueira, considerou a proposta americana uma "idiotice", porque revelava que Washington acreditava poder determinar ou garantir acontecimentos a longo prazo.

Segundo Nogueira, o plano dos Estados Unidos seria o primeiro passo para a inevitabilidade do caos nas colónias portuguesas em África.

Um dos aspectos mais curiosos do livro é a exactidão com que a CIA e vários diplomatas norte-americanos fazem, com muitos anos de antecedência e em documentos oficiais, a previsão da derrota militar portuguesa em África e o derrube da ditadura.

"A derrota militar portuguesa é uma conclusão inevitável se se permitir que a revolta em Angola ganhe volume e continuidade", adverte o documento da CIA que acompanhava a proposta inicial elaborada por Paul Sakwa, pouco depois do começo da guerra em Angola.

Sakwa questiona-se mesmo se os Estados Unidos poderiam permitir que Portugal "cometesse suicídio, arrastando os seus amigos na mesma via".

O então embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Burke Elbrick, considerado em Washington como um simpatizante das autoridades portuguesas, enviou um telegrama às autoridades norte-americanas em 1963 em que dizia que Portugal estava "debaixo da espada de Dâmocles", pois não era "nem suficientemente grande nem suficientemente rico" para fazer frente a uma guerra de guerrilha em três frentes.

As guerras em África poderiam significar "o fim do império lusitano" e do regime de Salazar, escreveu ainda o diplomata, advertindo que o fim do regime poderia resultar na subida ao poder de um Governo "consideravelmente mais esquerdista ou neutral".

Em 1964 - dez anos antes da revolução do 25 de Abril -, a CIA advertiu que as guerras em África levariam ao aumento do descontentamento interno e que esse "aumento do descontentamento poderá convencer os militares da necessidade de substituírem Salazar".

Nesse mesmo ano, o Conselho de Segurança Nacional advertiu o Presidente Lyndon B. Johnson - que sucedeu a John F. Kennedy - de que as perspectivas de Portugal em África eram péssimas.

"Já não se trata de uma questão de saber se Angola se tornará independente ou não, pois a única questão é saber quando e como, tal como aconteceu na Argélia. Do mesmo modo, é uma certeza que quanto mais a luta durar, mais violenta, racista e infiltrada pelos comunistas se tornará, mais grave será a crise final a que os Estados Unidos terão de fazer face e mais caótica, radical e anti-ocidental será uma Angola independente", diz o documento.

Durante os anos 60, e face a estes avisos, muitos funcionários norte-americanos deram conta em documentos do seu desespero face à inflexibilidade do Governo de Salazar em mudar a política colonial.

Paul Sakwa, o funcionário da CIA que elaborou o "Commonwealth Plan", desesperado com a inflexibilidade de Salazar, terá chegado, ironicamente, a manifestar dúvidas de que o ditador português pudesse aceitar o plano americano "sem o benefício de uma lobotomia".

Para o secretário de Estado adjunto de então, George Ball, Salazar elaborava a política externa de Portugal "como se o Infante D. Henrique, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães fossem os seus conselheiros mais próximos". 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O SUPOSTO ISOLAMENTO INTERNACIONAL DE PORTUGAL

 





Do que acaba de considerar-se, poderia inferir-se que Portugal se encontrava internacionalmente isolado por força do seu regime metropolitano autoritário, e por força da sua política ultramarina, única no Mundo. Tal não correspondia à realidade.

Portugal pertencia à NATO, como membro fundador - 1949 -, e ingressou plenamente na EFTA - 1959. Estes dois factos constituíram o reconhecimento, post-II Grande Guerra, do regime português e da sua política.

Na actualidade e numa propaganda intencionalmente falsa, pretende-se convencer o povo português de que só a abertura democrática e a descolonização, verificadas com o "25 de Abril", permitiram o acesso de Portugal à CEE. A verdade é que foi o Governo Português, após ponderação cuidada e acertada, que decidiu, em 1958/1959, a não participação, então, de Portugal na CEE. Isto porque o Tratado de Roma, que a criou, lhe conferia poderes supra-nacionais, potencialmente lesivos da política ultramarina portuguesa. E preferiu, o mesmo Governo, que Portugal ingressasse na EFTA - 1959 -, cujo Tratado de Estocolmo, que a formou, apenas admitia decisões por unanimidade. Nesta EFTA, Portugal ficou a par, por exemplo, com as democratíssimas Inglaterra e Suécia. Só muito mais tarde, em 1966, pelo Compromisso de Luxemburgo, forçado pelo General De Gaulle, bem à revelia do Tratado de Roma, a CEE estabeleceu a regra da unanimidade, agora restringida pelo "Acto Único", que apenas fez ou fará regressar a CEE aos seus princípios iniciais.

Por outro lado e especificamente no relativo à África, alguns significativos países, como se citou, simpatizavam e ajudavam, embora mais ou menos implicitamente, a causa portuguesa, e grandes firmas de nações como a Alemanha Federal, a França e a Itália, apesar da atitude de sectores esquerdistas desta última, além de igualmente grandes firmas sul-africanas, cooperavam, oficial e abertamente, no empreendimento de Cabora Bassa, quer nos planos financeiro e técnico, quer no fornecimento de equipamento e na execução de trabalhos. Assim, o Ocidente, apesar de tudo, colaborava, em certos aspectos importantes, com Portugal, na própria África Portuguesa.

Quando se construíram super petroleiros em Portugal.

 




O Nogueira foi um formidável mega petroleiro (ULCC), que a par de mais duas embarcações do mesmo porte, mostrou a escala da construção marítima portuguesa no final dos anos 70. Construído no estaleiro Setenave em Setúbal, Portugal, o navio foi lançado em abril de 1978 e concluído em agosto de 1979. Transportando o número IMO 7385112, ele apresentava um comprimento total impressionante (LOA) de 346,20 metros e uma largura de 57,40 metros. Originalmente propriedade da Sociedade Portuguesa de Navios Tanques (Soponata) e hasteando a bandeira portuguesa, o petroleiro possuía uma enorme tonelagem de peso morto de 323 114. A sua configuração técnica incluiu um sistema de maquinaria produzindo 26.117 kW, projetado para mover grandes quantidades de petróleo em todo o mundo durante a época de ouro dos ULCC.
A história de vinte e sete anos do navio foi caracterizada por transições frequentes de nome e propriedade, refletindo a natureza dinâmica do mercado marítimo internacional. Em 1986, foi renomeado BT Banker sob a Rigel Shipping Corp, um nome que manteve através de várias mudanças de gestão até 1990, quando se tornou o Berge Banker sob a frota Bergesen d.y. A sua identidade mudou novamente em 2003 para Folk Sun com bandeira da Oceanic Trans Shipping, e finalmente para Fernan Vaz em 2005, enquanto gerido pela Sg. Logistic Inc. A longa carreira do navio finalmente chegou à sua conclusão em 2006, com registros indicando que ele foi excluído do serviço ativo entre 2005 e 2006, marcando o fim do seu tempo como um grande protagonista na logística global do petróleo.

Tudo isto para dizer que Portugal tinha estaleiros de nível mundial, hoje nada temos ou é residual.
A verdade é que estivemos na vanguarda em muitos sectores até que um bando de idiotas incompetentes tomaram conta do país.

Este é mais um belo exemplo do rumo deste país, pela certa um naufrágio há muito anunciado!!!

E viva o socialismo!!!

Alexandre Sarmento



terça-feira, 28 de abril de 2026

Salazar e o futuro de Portugal.



Portugal pode ser, se nós quisermos uma grande e próspera nação.

Salazar


O ataque nas Nações Unidas contra os direitos legítimos de Portugal.

 

Vasco Garin e Franco Nogueira.


«... é lançado nas Nações Unidas novo ataque contra a posição portuguesa. Está em curso a XII Assembleia Geral da Organização, e como nos termos regulamentares qualquer assunto, ainda que decidido no ano anterior, pode ser retomado no ano seguinte, a Assembleia reabre o exame da resposta do governo de Lisboa sobre territórios não-autónomos. Na origem do debate estão as mesmas forças políticas: o bloco afro-asiático, o bloco soviético, a União Indiana. É duplo o seu objectivo: anular se possível o voto favorável a Portugal, obtido na Assembleia precedente; em qualquer caso, ir corroendo a posição portuguesa, não só retirando-lhe progressivamente apoios como pela erosão da opinião portuguesa, que se procura cansar. Mas agora os adversários da posição assumida por Portugal modificam a sua táctica. Para evitar que possam ser acusados de discriminação contra Portugal, generalizam o debate, e dão a este um carácter abstracto e de questão de princípio; e para frustrar a alegação, feita por Portugal, de que se a Assembleia era competente para examinar as declarações produzidas voluntariamente, não o era para compelir os governos a fazer declarações contra a sua lei constitucional, os adversários da posição portuguesa procuram levar a Assembleia a afirmar a sua própria competência activa. Neste particular encontram receptividade: todos os orgãos favorecem sempre o empolamento do seu poder e atribuições: e muitos delegados à ONU, em particular os do terceiro mundo e do bloco latino-americano, vêem no alargamento das funções da Assembleia possibilidades de desempenhar um papel que lhes atribua uma fama e uma importância que não têm no seu país. Nesta linha de ataque, os adversários de Portugal apresentam um projecto de resolução que reivindica para a Assembleia o estabelecimento dos critérios a que os países membros têm de obedecer na definição do que sejam os territórios não-autónomos; como alguns desses países têm expresso opiniões divergentes, a Assembleia deve eleger uma comissão de seis membros para examinar o problema e recomendar um critério uniforme e obrigatório; e convidam-se os Estados membros a submeter por escrito os seus pontos de vista, para consideração pela Assembleia. Em torno deste projecto de resolução se desencadeia o debate.

Por parte dos adversários, o tom do debate é aparentemente moderado. Não desejam qualquer discriminação contra Portugal. Não põem em dúvida a sinceridade da posição portuguesa; reconhecem à política de Lisboa o seu carácter não racista. Simplesmente, está-se perante uma questão de princípio; e para evitar que seja tratada no plano político convém examiná-la somente no plano jurídico e processual. Para o conseguir, não se descobre melhor maneira do que realizar um estudo imparcial, objectivo, desapaixonado, dos preceitos legais aplicáveis, da doutrina dos tratadistas. E por isso se propõe que o secretariado faça uma compilação da doutrina e que a comissão a eleger seja formada por três membros ocidentais, com responsabilidades de potências administrativas, e três membros que as não tenham. Pode exigir-se maior isenção de atitude? Mas nem o governo de Lisboa, nem a delegação portuguesa em Nova Iorque se deixam iludir. Sob o aspecto da moderação, destinada a conquistar apoio e a retirar aos delegados latino-americanos os motivos que os haviam levado a alinhar com Portugal, os objectivos prosseguidos são rigorosamente idênticos aos que se buscavam na sessão anterior: impugnar a resposta portuguesa, internacionalizar o problema português africano, decretar que Portugal possui colónias com estatuto análogo às de outros países coloniais, e que tais territórios hão-de ser declarados independentes [Convém mencionar nesta altura que a Espanha, que nenhuma resposta dera de início, declarou depois que, embora não administrasse territórios não-autónomos, estava pronta a fornecer informações sobre as suas províncias ultramarinas, para esclarecimento do secretário-geral. Esta atitude espanhola, foi também rejeitada pela Assembleia, e a Espanha passou a ser atacada. Esta se encarregou assim de dar uma resposta aos que em Portugal afirmavam que, se fornecesse informações à ONU reservando ao mesmo tempo o carácter unitário da Nação portuguesa, Portugal não seria atacado].  Do lado português, todavia, a defesa também foi feita no plano dos princípios. Sublinharam os delegados portugueses que a nova proposta contrariava as cláusulas do artigo 73.º da Carta, e a interpretação que a Assembleia lhes dera desde o início sem desvios; uma nova comissão, além de se sobrepor à Assembleia, é desnecessária, e não pode conduzir a resultados úteis; e além disso, atendendo ao contexto em que é proposta e seria criada, constitui discriminação contra um Estado membro. Em qualquer hipótese, o problema era de importância maior, consoante na sessão anterior e nesta fora afirmado pelos que atacavam a atitude do governo de Lisboa; e por isso, nos termos regulamentares, a nova proposta teria de ser também aprovada por uma maioria qualificada de dois terços. Neste último ponto, abre-se novo debate: os autores da proposta mantêm que o estabelecimento de uma comissão é assunto de rotina, a ser decidido por maioria simples; Portugal replica que uma comissão destinada a dar nova interpretação à Carta e a firmar novos princípios compulsivos não é matéria de rotina, mas do mais alto significado e consequência, impondo voto qualificado.

Já entra o mês de Novembro de 1957, e na Quarta Comissão e no Plenário da Assembleia ainda se arrastam os debates. Portugal defende sempre a separação entre os aspectos processuais e os de substância. É uma táctica parlamentar que encerra um objectivo: permite aos países que querem apoiar o ponto de vista português uma saída que não atinge os seus princípios anticolonialistas: ao considerarem e votarem que o problema é importante e requer dois terços dos votos, e sabendo que o governo de Lisboa dispõe de votos que excedem o terço bloqueador, estão a apoiar Portugal; ao votarem depois em favor da proposta, são fiéis aos seus princípios, e não podem ser acusados de incoerentes. Este recurso táctico revela-se decisivo para obter o auxílio dos latino-americanos, que ao mesmo tempo, são anticolonialistas e não desejam hostilizar Portugal. Submetida ao Plenário a proposta portuguesa para que seja aplicado o princípio dos dois-terços, é aprovada por 38 votos contra 36. Submetida depois a proposta dos adversários de Portugal é aprovada por 41 votos contra 30, com 10 abstenções. Está derrotado o projecto de resolução afro-asiático e soviético.

(...) Quando Humberto Delgado, ao iniciar a sua campanha, se refere a Salazar e diz que se eleito o demitirá - obviamente, demito-o - abre-se uma nova época no Estado Novo. Para uns, a frase é de um louco: como tem a ousadia de afrontar a autoridade incontestada de Salazar, o seu prestígio sem mácula, o seu vulto intocável? Para outros, é uma frase audaz que afinal reduz o chefe do governo às proporções de homem comum: acaso Salazar é sacrossanto ou eterno? De súbito, pelo país além, tudo parece posto em causa: está quebrada a redoma em que o Estado se diria envolto, vê-se apeado o andor em que se diriam transportados os governantes, parece que são frágeis as instituições que se diriam de bronze. É outra a atmosfera da nação, do povo. Não é a figura de Delgado que impressiona: nos homens esclarecidos, mesmo entre os oposicionistas, não há ilusões quanto ao seu primarismo, falta de bom senso, incoerência, demagogia, incapacidade de encarar os problemas no plano superior do Estado. Encontrando-o no seu pouso da Livraria Bertrand, depois da campanha, pergunta Santos Costa ao seu amigo Aquilino Ribeiro: "Mas você acha que aquele homem tem as condições para exercer algum dia, com proveito para a nação, as funções de Presidente da República?" Responde o mestre escritor: "É evidente que não, meu caro amigo! É a política! Nós precisamos acima de tudo alguém que nos abra a porta. O resto se verá depois!" Mas a candidatura de Delgado, conduzida como o foi, rompe os moldes estabelecidos, derruba padrões assentes; e a sociedade portuguesa é batida por uma rajada que a faz estremecer até aos seus fundamentos. Em si, o acontecimento transcende o candidato, que se transforma em instrumento. E os reflexos projectam-se sobre Salazar. São os seus sessenta e nove anos, e a conclusão de que está necessariamente gasto e ultrapassado; são as suas três décadas de governo, e a idade de que abafa tudo e todos; é o mundo salazarista, de repente visto como camarilha que, em nome de interesses pessoais, rodeia e domina o chefe do governo; e é a erosão inerente ao exercício do poder, reflectida nos homens e nas instituições. No fascínio de Salazar, que cega amigos e desespera adversários, há uma quebra; e o seu carisma tem uma fractura. Salazar não se apresenta como vulto a que tudo é reconduzido, nem parece afinal constituir o centro único de decisão e de poder. Cruamente, pergunta-se que força efectiva tem Salazar, e em que se apoia? E os observadores mais atentos não encontram resposta. Não tem partido político que o apoie: porque a União Nacional não pode ser considerada como partido e, ainda que o fosse, não teria eficácia política bastante para o sustentar. Não dispõe de uma guarda pretoriana, militar ou militarizada, que pela sua fidelidade e efectivos possa constituir base do poder: nem as Forças Armadas se dispõem a desempenhar esse papel, nem as corporações para-militares de ordem pública ou a Legião Portuguesa, apagada e esquecida, contam para o efeito. Não comanda interesses económicos ou financeiros que sejam determinantes pela sua influência: justamente entre aqueles encontram-se alguns dos seus críticos mais aguerridos. E do seio da Igreja Católica, de que fora militante destacado e cujo apoio contribuíra para a sua ascensão ao poder, erguem-se hoje algumas vozes de discordância, e muitas que preconizam o descomprometimento. E no plano internacional, porque a política portuguesa se choca com a de terceiros, encontra hostilidade de uns governos, e a frieza de outros. E no entanto Salazar está e continua. Como? Porquê? Por quanto tempo?

Três gerações se sucederam já: a que fizera o 28 de Maio, trinta e dois anos atrás; a dos homens que, tendo na altura entre trinta e quarenta anos e perante instituições e sistemas completamente desacreditados, aderiram com fé ao Estado Novo; e a dos que, muito jovens na época, cresceram no regime e por este foram absorvidos. Mas agora à superfície quer intervir na vida colectiva uma nova geração para quem o ponto de partida das instituições, e do regime e seus princípios, está esquecido: para estes, recordações dos tempos antigos e a comparação com os actuais são desprovidas de significado; o contacto com ideias que supõem novas e modernas leva à tentação da aventura, da mudança pela mudança; e julgando que não podem percorrer novos caminhos e satisfazer as suas ambições políticas no quadro do regime, há que derrubar este, ainda que não haja projecto assente para o futuro e sejam quais forem as consequências para interesses nacionais, já encarados à luz daquelas ideias, e a curto prazo. «Depois se verá», dizia mestre Aquilino. Por detrás de tudo, há a massa do povo português. Ao cabo de mais de trinta anos do mesmo regime, os portugueses viram subir o seu nível de vida, o país caminhou; e, dentro dos seus recursos e sem embargo de faltas e desvios, a sociedade portuguesa ampliou os seus horizontes, incorporou as novas técnicas, avançou no plano material. Sociologicamente, houve uma circulação de elites. Não são rígidas as classes do sistema, nem são fechadas, e comportam o ingresso de novos valores, e o seu acesso até aos mais altos escalões. Salazar viera do nada; e do nada viera a esmagadora maioria dos seus ministros. No sector privado, muitos homens também surgidos do nada atingem, por trabalho e iniciativa, os mais elevados postos na economia, na indústria, na banca, nas profissões liberais, na vida social. Alarga-se a classe média, e a esta ascende toda uma massa que vem dos assalariados e do proletariado. Generalizam-se, sobretudo nas cidades, alguns sinais exteriores do progresso, do conforto, do desafogo económico. Não aumenta velozmente o poder de compra, os salários são modestos; mantém-se o valor da moeda, todavia, e são firmes os preços; e o crescimento da sociedade, se é lento, é estável também. Mas o sistema, ao mesmo tempo que é sociologicamente aberto, não cria mecanismos de defesa ideológica: conduz uma sociedade que lhe aproveita as vantagens sem lhe absorver a mística nem lhe suportar os inconvenientes. Quase de repente, fica perante um quadro de novos princípios e de novos valores, importados sob pressão exterior. É antes de mais o internacionalismo. De novo, como em épocas passadas, a humanidade é uma só: os homens são todos irmãos, as fronteiras entre países são um artifício sem fundamento, as soberanias das nações são um entrave à felicidade colectiva. Estas convicções conduzem directamente ao mito dos organismos internacionais, a que se atribui pureza de objectivos, e isenção de procedimentos, e cujas decisões, por espelharem a consciência da humanidade, devem ser respeitadas como imperativos categóricos. Daqui o apego ao pacifismo; a paz é valor supremo, superior ao direito, à justiça, à verdade: e que não se aceita como lícita a defesa em face de uma violência ou de um ataque que, se invocarem os novos princípios em curso, são criadores da sua própria legitimidade. São por isso de condenar as estruturas militares, os gastos com a defesa. E no plano religioso surge o progressismo no seio da Igreja Católica: esta é acusada de autoritarismo, de imobilismo, de apego a um passado que não se conforma com o progresso e a ciência, de comprometimento com César: e procura-se transferir para uma sociedade, que se transforma em messiânica, os atributos de Cristo. Da Cúria de Roma, o progressismo é disseminado em larga parte do mundo católico; e crescem os seus adeptos na Cúria de Lisboa, na Hierarquia, em sectores da Acção Católica, e entre membros do clero secular. Está-se à beira de uma nova civilização, de um mundo novo e sem raízes; e a Igreja tem de lhe corresponder. Por outro lado, há toda uma concepção sociológica que deve comandar a política: é a sociedade permissiva, é a sociedade de abundância, é a sociedade de consumo. São opressivas as peias morais, e a consciência de cada homem é o juiz último dos seus actos; e apenas é livre o homem pletórico, e sem passado. Há a certeza da felicidade pelo progresso contínuo; a obsessão do crescimento constante; a ânsia do futuro; e os conceitos de diálogo, de contestação, de abolição de hierarquias entram na vida e nos hábitos correntes. Surgem as crises de camadas sociais: a alta burguesia está receosa da sua própria função; a classe média descrê dos seus princípios; a classe operária reivindica uma economia independente dos recursos; e os homens não devem estar ao serviço de nada, salvo de si próprios. É cega a fé na ciência e na técnica para resolverem problemas sociais ou morais. Negam-se as hierarquias por destruírem a igualdade. Qualquer constrangimento é entrave à liberdade. E para debater todo o acervo de novas ideias multiplicam-se em Lisboa, e pelo país, os cursos, as conferências, os colóquios, os seminários, os centros de estudo e cultura, e são discutidas as ciências sociais, as ciências económicas, as ciências políticas, as novas disciplinas, as novas técnicas, os novos temas do presente e do futuro que apaixonam os homens. Influenciável pela última verdade, que toma como definitiva; volúvel, e crédulo, de entusiasmo tão súbito como fugaz; facilmente deslumbrado pelo que é alheio - o povo português sente um peso, uma fadiga, um desejo de mudar: a habitualidade de Salazar é um travão. Contrapõem-se a estes sentimentos o receio de aventuras, a defesa dos bens alcançados, a suspeita perante o desconhecido: então, a habitualidade de Salazar constitui uma garantia. Até quando? E se há que mudar, mais tarde ou mais cedo, não é preferível mudar imediatamente? Ou será melhor fazê-lo o mais tarde possível?

(...) Em que são compatíveis o mundo das novas ideias e o mundo expresso na criação estética com o mundo de Salazar? Para este, o mundo baseia-se nas sociedades nacionais, no patriotismo, no cristianismo de matriz, na hierarquia de valores, na autoridade que administre a liberdade, nas classes que colaboram e ascendam por mérito e trabalho, no engrandecimento de Portugal, na defesa do seus valores e do seu património. Como se conciliam os dois mundos? Na aparência e para os coevos, não se conciliam: os homens de visão histórica desentendem-se com o presente. No momento em que se inicia um novo mandato presidencial, e em que a sociedade portuguesa atravessou um sobressalto, e em que o chefe do governo se avizinha dos setenta anos, e em que cumprira trinta anos de poder sem interrupção - o mundo e o universo de Salazar erguem-se ao arrepio das grandes correntes, das grandes ideias-forças que mobilizam os homens, e parece em escombros. Está à vista o fim da sua vida política. Depois de alguma experiência do novo chefe do Estado, não se imagina que Salazar possa continuar no governo. Está desgastado, puído por mil trabalhos; e para mais, desiludido, amargurado. Afigura-se claro o seu futuro a curto prazo: decerto quererá, antes de cumprir setenta anos, ministrar algum curso na Faculdade de Direito de Coimbra, e assim regressar às origens, fechar o círculo de uma vida intensa; e depois descansar enfim entre as árvores e as latadas do Vimieiro, praticando com as irmãs da sua pequena lavoura e com o pedreiro Ilídio de muros e portais, e contemplando à distância um mundo em que interveio, que lhe parece enlouquecido, e que já não é o seu. É uma questão de tempo, e pouco: quanto?».

Franco Nogueira («Salazar. O Ataque - 1945-1958», IV).

Salazar





«Devo à Providência a graça de ser pobre...».

Oliveira Salazar («O meu Depoimento»).

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Salazar, a verdade que desmonta a narrativa dos cretinos de Abril!!!

 



Um desabafo perante a argumentação e ignomínia de canalhas contra a figura de Salazar e do seu Estado Novo.

Salazar foi, apesar da sua grande capacidade intelectual, da sua formação académica, um homem simples que amou o seu país, amou a sua Nação e mostrou o quanto era patriota pela forma como governou e defendeu o país, sempre se alheando de manifestações de patriotismo bacoco e pedante, tão do agrado dos políticos actuais que se apresentam com grande notoriedade pelas suas inúmeras práticas canalhas e circo mediático.
Onde poderia ter falhado a política de Salazar, na sua simplicidade, na sua honestidade, no método de trabalho que utilizou para libertar o país do caos em que outros o lançaram, na forma como entendia que os portugueses deviam viver em consequência dos parcos recursos existentes no país que tinham, e que não eram susceptíveis de proporcionar a realização de sonhos absurdos de quem primava por viver a utopia materialista?
Não se diz hoje, que em consequência dos desvarios da canalha deste socialismo de merda, que os portugueses andaram a viver acima das suas possibilidades, não seria isso que Salazar pugnou por evitar que acontecesse?
A abrilada e o que veio depois, mostraram bem a visão e a qualidade dos que lhe apontavam a miopia.
Deixou os cofres do Estado bem abastecidos de ouro, os que o criticavam e ainda criticam agora, foram mesmo os que acabaram com o ouro e as divisas em depósito no BdP, transformaram o país num pântano e, numa demonstração de incapacidade, por falta da tal miopia política, puseram nas mãos do FMI a resolução da crise que provocaram, ou melhor, puseram todo um país no prego!!!
Outro dos disparates é a afirmação de que Salazar impôs um fascismo à italiana, é caso para perguntar, saberão os Otelos, os Costas e toda a cambada que vive faustosamente do parasitismo da coisa pública neste país o que foi o fascismo?
Se o sabem, são velhacos e impostores quando fazem semelhante acusação, se não sabem, seria bom que antes de ingressar na carreira política, ou pulhítica, pelo menos se preocupassem em adquirir algumas noções sobre o tema, pois pode um analfabeto com a quarta classe do tempo do "glorioso fascismo" dar-lhes um baile de cultura, política e não só, pois evitaria que voltassem a proferir asneiras e a demonstrar e a ostentar publicamente a sua ignorância!!!
Salazar, não será demais repeti-lo, sucedeu a uma ditadura imposta por Gomes da Costa e Carmona, instaurou um novo regime, impôs regras porque a sua miopia política de há muito lhe dizia que o país só se salvaria se as quadrilhas de verdadeiro parasitas políticos fossem postas de lado, e foi com tal política que salvou o país, resgatou-o, devolveu-nos o respeito e a dignidade e libertou-o da grande porcaria feita pelos homens da primeira república.
Mas ditadura, Otelos e Costas deste país, metam bem firme nas vossas cabeças, não é fascismo, nem mesmo a existência duma censura prévia e de uma polícia política possibilita a alguém a estultícia de a considerar fascismo.
Censura também há agora, e que se saiba anda por aí, ainda que bem encapotada, uma ou várias polícias políticas.
A palavra fascismo, bem como a palavra socialismo, foram palavras de ordem muito utilizadas pelo chamado patriarcado deste socialismo de merda para captar, cativar e manipular pessoas incultas e ignorantes para o seu bando.
Pelo que constatamos, a moda do fascismo pegou, a do socialismo não, até porque, este, incapaz já de satisfazer os interesses do seus principais propagandistas, foi por eles mesmos metido na gaveta.

Tenho dito.
A bem da Nação.

Alexandre Sarmento 

Nota: No título eu disse cretinos para não dizer, filhos da puta!!!

sábado, 25 de abril de 2026

Memórias que convém não deixar morrer.

 





Houve quem tivesse morrido com um tiro no corpo.
Houve quem tivesse morrido com o silêncio dos outros.

Entre 1961 e 1974, milhares de africanos lutaram ao lado de Portugal na Guerra do Ultramar. Uns por lealdade, outros por necessidade, muitos apenas para sobreviver. Quando a guerra acabou, ficaram para trás — sem proteção, sem voz, sem nome.
Esta é a memória daqueles que a História preferiu esquecer
Escrevo porque tenho memória.
E porque esquecer seria matar duas vezes — primeiro os homens, depois a verdade.
Servi em África e, como tantos outros, aprendi cedo que a guerra não acaba quando se ouve o último tiro. Quando as comissões terminaram, milhares de portugueses regressaram à metrópole e foram colocados na disponibilidade, como peças que já não servem, guardadas num canto escuro ou simplesmente descartadas. Ao longo dos anos, quase ninguém quis saber das cicatrizes que trouxemos — algumas no corpo, outras mais fundas, escondidas na alma.
Muitos morreram lá, outros voltaram mutilados. Mas o que mais me marca são os que regressaram vivos e, no entanto, nunca voltaram verdadeiramente. E hoje não quero falar só desses. Quero falar de outros, ainda mais esquecidos: os africanos que combateram ao nosso lado.
Não se usava a palavra “colaboracionista” nas nossas fileiras, mas foi assim que passaram a ser vistos. Entre 1961 e 1974, milhares de homens locais — soldados regulares recrutados na terra ou integrados em unidades especiais como os Comandos Africanos, os Grupos Especiais Paraquedistas (GEP), os GE ou os Flechas — lutaram sob bandeira portuguesa.
As razões variavam: um soldo que punha pão na mesa, rivalidades tribais ou políticas com os movimentos de libertação, ou simplesmente a lei mais crua de todas — a de sobreviver. Naquele tempo, “ficar neutro” era um luxo que se pagava com a vida.
Mas quando chegou a independência, a história virou-se contra eles. Em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, repetiu-se o guião cruel que tantas guerras já escreveram: aqueles que combateram ao lado da potência colonial foram marcados como traidores. Seguiram-se perseguições, prisões, execuções sumárias. Só uma pequena parte conseguiu escapar.
Portugal, atolado em crises políticas e na pressa de fechar o capítulo colonial, não os retirou todos. E, no silêncio que se instalou depois, a sua memória ficou órfã. Nas antigas colónias, eram inimigos; aqui, eram incómodos.
Não foi um caso único. Penso nos harkis argelinos deixados à própria sorte pela França, nos montagnards aliados dos americanos no Vietname, nos intérpretes afegãos abandonados após a retirada de 2021. O padrão repete-se: quem ajuda numa guerra arrisca-se a morrer no dia seguinte à paz.
A Guerra de África foi também uma guerra de corações e mentes. Mas o 25 de Abril cortou o fio de forma brusca. Negociações rápidas, independências reconhecidas, retirada das tropas — e milhares de africanos que haviam combatido connosco ficaram expostos ao acerto de contas.
Em Angola, a 11 de novembro de 1975, poucos conseguiram lugar nos últimos navios e aviões para Lisboa. Muitos ficaram e pagaram com a vida ou com anos de fuga e medo.
Em Moçambique, a 25 de junho de 1975, a FRELIMO não escondeu o rancor: antigos aliados foram enviados para campos de reeducação; outros desapareceram para sempre.
Na Guiné-Bissau, em setembro de 1974, a vingança foi rápida e pública. O PAIGC tinha listas, e as execuções serviram de aviso.
E aqui, quem chegou encontrou um país que já queria virar a página. Não houve integração digna, nem reconhecimento. Apenas silêncio e esquecimento.
Mas a história não se apaga.
Porque enquanto houver alguém para lembrar, eles não estarão totalmente perdidos. E recordar é, também, um ato de justiça — sobretudo para um país que tantas vezes se esquece dos seus melhores filhos.

*Texto de Joaquim Moreira. Primeiro Cabo Pára-quedista com uma comissão em Angola
*Foto: Militares dos GEP (Grupos Especiais Pára-quedistas) em Moçambique.

Salazar deu uma bela lição de socialismo e democracia aos cretinos que lhe sucederam!!!

 






A verdade é que Salazar deu umas aulas de socialismo e democracia à cambada que hoje se diz democrata e socialista. Se falarmos de direitos e bem estar social, o que é hoje a falsa bandeira deste regime, Salazar foi o mentor e foi ele mesmo e o seu regime quem implementou o verdadeiro Estado Social, só os enviesados pela cartilha deste regime ladrão e escravizador o negam. 

Factos são factos, contra factos não há argumentos.


Salazar foi o motor do Portugal moderno, de uma sociedade funcional e humana, o que, infelizmente a cambada dita democrática matou, mataram Portugal e a nação portuguesa, vilipendiaram o território e o povo português, criminosos, bandidos, traidores, corruptos, pedófilos, pilha-galinhas e parasitas do erário público.


Os grandes responsáveis são os políticos e os governantes que temos há mais de 50 anos.
Portanto, Salazar queiram ou não, foi bem mais socialista e democrata que o bando de incompetentes corruptos que tomou o poder de assalto quando da revolução das sopeiras.
Reflitam, pensem, investiguem e digam de vossa justiça.
Salazar foi o último verdadeiro estadista, patriota, nacionalista e político a governar Portugal, depois dele é só ver o que resta de Portugal, um farrapo, um resquício putrefacto daquilo que foi outrora.

Alexandre Sarmento

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O episódio mais vergonhoso de toda a nossa História!!!






Quando vos perguntarem qual o episódio mais vergonhoso de toda a nossa História, respondam, o vergonhoso e nojento processo de descolonização!!!
Um crime imperdoável, uma traição indescritível e um verdadeiro atentado á dignidade humana.

Alexandre Sarmento




O princípio da união!!!

 



Enquanto uma multidão de imbecis não entender isto, nada mudará!!!
E o sistema agradece...

Alexandre Sarmento

Marcello Caetano, profético!!!

 




Sobre o 25 de Abril, disse Marcello Caetano, último presidente do conselho do anterior regime, deposto pelas armas no golpe militar de há 52 anos:


“Sem o Ultramar estamos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade das nações ricas, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava em vésperas de se transformar numa Suíça, a revolução foi o princípio do fim. Restam-nos o Sol, o Turismo, a pobreza crónica e as divisas da emigração, mas só enquanto durarem.
"As matérias-primas vamos agora adquiri-las às potências que delas se apossaram, ao preço que os lautos vendedores houverem por bem fixar.
"Tal é o preço por que os Portugueses terão de pagar as suas ilusões de liberdade."
pág. 208 do livro de Joaquim Veríssimo Serrão, "Marcello Caetano, Confidências no Exílio", Verbo, 1985

terça-feira, 21 de abril de 2026

O Caso dos Ballets Roses

 


O CASO DOS BALLETS ROSES
O que é que os traficantes do sexo pretendem?
Angariar sempre clientela em pessoas estrategicamente colocadas para depois daí colher protecção e cumplicidade.
Asseguradas pela chantagem que operava pela nova situação de vulnerabilidade.
Atrair um solteirão mulherengo com a promessa de "carne fresca" era a estratégia.
Essa coisa de se dizer que o Mário Soares andava a defender as pobres raparigas...
Com que bases se faz esta afirmação?
Da mesma forma se poderia supor que ele andava era a defender as patroas...
Ou com maior probabilidade, a engrenagem mundial, que preside a estas actividades e as mantém a funcionar.
Mas não restamos aqui em maré de hipóteses.
Ora vejamos o que é que se terá passado com maior lógica.
Vamos mais atrás.
Como se sabe, a prostituição tinha sido encarada pelo Estado português, como um facto que não se conseguia facilmente atalhar. Nem debelar.
E o Estado tinha as casas e prostitutas, cadastradas e vigiadas pelas autoridades policiais.
Além de controle sanitário, também acontecia que deste modo se evitava um tanto - mas não tudo - a situação de escravidão e chantagem, a que estão sempre sujeitas as raparigas na situação de clandestinidade.
Mas o Estado fechar os olhos a um comércio destes, também não podia colher aplausos.
E falava-se então que um grupo de senhoras católicas, tinham diligenciado - e conseguido - acabar com essa situação.
Houve pessoas que não gostaram disto até apontavam o dedo acusador às "noelistas".
Foram as "noelistas" que queriam acabar com as casas, dizia-se com escárnio e animadversão.
E até as comparavam com aquelas beatas da "Gabriela Cravo e Canela".
Que queriam encerrar o “Bataclã”
Refiro-me ao livro. Não à novela. Esse livro já circulava em Portugal em 1961, pelo menos.
A prostituição, ainda no tempo de Salazar, acabou por ser declarada ilegal.
Muita gente se moveu para isso.
Um deles foi o padre Adriano Botelho, meu professor de R. e Moral e de O.P.A.N. e prior da Igreja de Alcântara.
Outro o Padre Abel Varzim, que é mais um caso bem conhecido, de como a oposição intrigou para o indispor contra o governo e reciprocamente.
Quando a prostituição se ilegalizou o P. Botelho já sem tanto que fazer, foi em missão anti-escravatura-branca para a Argentina, onde proliferavam "las casitas".
E depois de cá se ter proibido a prostituição?
É claro que se sabia que estas coisas não acabam de um dia para o outro.
Por um lado o Estado Português tinha melhores meios do que outros países, para controlar. Mesmo na clandestinidade que doravante iria acontecer.
Tinha as fronteiras relativamente bem controladas.
O serviço de fronteiras, estava a cargo da eficiência da PIDE.
Não se entrava neste país com essa facilidade toda.
O que já dificulta um tanto, o tráfico.
E cá dentro?
O Estado mantinha a vigilância.
E actuava em casos que achava mais graves.
Ora considerava-se grave a prostituição de menores.
Pouca gente se lembra que a maioridade só era atingida aos 21 anos, a menos que os pais emancipassem antes, os filhos.
O que se fazia para efeitos de carta de condução, aos 18 anos.
Ora uma rapariga de 18 anos era considerada menor.
E aí a lei actuava sempre.
Mas para actuar tinha de ter provas, fazer investigação.
Porque normalmente, quando a prostituição passa a ser clandestina, camufla-se bem. E as coisas ficam mais difíceis.
E era investigação que a polícia andava mesmo a fazer.
Não creio que nessa altura se prostituíssem crianças de idades tão tenras, como diz a novela. Aliás seria perigoso para os próprios traficantes.
Mas hoje isso já pode ser visto por quem desce a Avenida da Liberdade, a qualquer hora do dia. Nem precisa de ser à noite.
Ora a justiça andava de olho nessas jovens, ou melhor, nos empresários dessas jovens.

Com essa história da notícia dos "Ballet Rose" na Imprensa estrangeira, procurou desacreditar-se a acção do Estado português e, de certo modo, amarrou-se as mãos à justiça.
Lembremos que o caso andava em processo.
O nosso governo não era conivente. Era adversário.
Por outro lado o "Jeune Afrique", de tendência afro-asiática e comunista, já tinha antes, achado aqui um bom meio de atacar o Estado Português considerado adversário maligno.
E foi este jornal que iniciou a acusação. Eu diria a calúnia.
Foi por ele que o jornalista inglês foi induzido a procurar uma "cacha", "manchete" de sensação.
Ora nós sabemos, e a PIDE sabia ainda melhor (*), que tanto a maçonaria como o PCUS, patrocinam o comércio sexual, para domínio dos povos e colheita de dividendos políticos e económicos.
Envolvendo políticos, têm-nos na mão.
Sabemos das práticas de patrocínio de "rendez-vous" e chantagem sexual dos serviços secretos, nomeadamente, russos e americanos dessa época.
Por exemplo, o caso Profumo, dirigido pelo KGB.
Ora Mário Soares tinha sido comunista e também maçon.
E parece que chegou a ter estas duas qualidades em simultâneo.
Podemos dar-lhe o benefício da dúvida e abonar a crença de que Mário Soares era idealista e foi manejado pelas "chafaricas" a que pertenceu.
E eu pessoalmente até creio.
Curiosamente, na defesa que lhe fez, Magalhães Godinho, um dos argumentos foi de que O jornalista Briant, sabia através do "Jeune Afrique" e não do Mário.
Segundo o Magalhães Godinho, há esta passagem anedótica:
O jornalista inglês, provavelmente soprado pelo "Jeune Afrique", veio ter com Soares que o remeteu para Pires de Lima, então jovem como ele, Marocas, e filho de uma reputada figura do regime (**).
E veio muito lampeiro bater à porta do Pires de Lima.
- O sr. Dr. Pires de Lima?
- Eu próprio, que deseja?
- Bem há aí umas belas broncas que nos vão render muito...
- Diga então respondeu o P.L.
- É daquele caso dos "Ballet Rose”(***) ...
- Sim, sim...
- E o inglês contou o que sabia ...
Mas o azar foi este. O Pires de Lima que o atendeu era o pai e não o filho que ele procurava. E percebeu logo a jogada.
E telefonou à PIDE a dizer que havia um jornalista inglês envolvido na campanha e que preparava uma peça jornalística...
A PIDE, é claro, que não tinha motivos oficiais para o deter e o artigo saiu logo dois dias depois no pasquim inglês.
Notas :
(*) - Podemos ler no livro "A bem da nação" o depoimento que a esse respeito fez o Antigo inspector, Óscar Cardoso.
(**) - Lembremo-nos de que os jovens filhos-família, eram as peças mais cobiçadas e assediadas pelo "reviralho" 😊 a maçonaria+marxismo).
Temos o Galvão Teles, a filha do Silva Pais, o próprio Jorge Sampaio ...
[06/12, 21:53] Pedro Torres de Castro: -------
O LIVRO
As pessoas que escrevem ou comentam sobre o famigerado caso "Ballet Rose" se lessem a o relatório da defesa que fez o advogado de Mário Soares, José Magalhães Godinho, mudariam de opinião. Veriam que todas as tretas escritas pelo Francisco e pela Felícia ruiriam pela base.
Sem ponta por onde se lhes pegue.
Está num livro que se imprimiu em 25 de Maio de 1974, precisamente um mês, após a implantação da "liberdade".
De título, “Causas que foram Casos” da colecção “Que País?”. Uma edição da Seara Nova.
De notar que J. Magalhães Godinho, advogado que foi de Soares já nessa altura estava naturalmente alinhado no ideário desta figura pública.
Tal como com outros oposicionistas ao regime de então, cuja defesa apresenta nesta obra.
Tais foram, Salgado Zenha, Carneiro Franco, Duarte Vidal e o próprio irmão Vitorino. Entre outros mais.
Mais insuspeito não pode ser…
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O caso dos "Ballet Rose" pelo "Sunday Telegraph". Da iniciativa do próprio "Sunday".
Até o Magalhães Godinho se empenhou por completo, para provar que o Mário Soares, foi um mero peão. Que nem sequer chegou bem a ser peão...
Até argumentou que o Mário Soares com a sua proverbial dificuldade para as línguas estrangeiras não estava em condições de comunicar e informar o jornalista inglês.
E note-se que a imprensa britânica se apoiou no facto de conhecer que a justiça portuguesa andava em cima de uma rede de corrupção de menores.
Nesse tempo, para tal efeito, eram consideradas menores as raparigas de menos de 18 anos.
O processo, em segredo de justiça, estava a andar.
O papel dos "mass-media" britânicos foi insinuar que Salazar tinha abafado o processo por medo do escândalo.

Conclusão
O papel dos "mass-media" britânicos foi insinuar que Salazar tinha abafado o processo por medo do escândalo.
Tempos depois a Imprensa anglo-americana vem com Wiriamu. Da parte USA, foi o Washington Times. Do UK, não tenho agora os dados.
Mas fez tanto eco, e com tanta pontaria...
...foi precisamente uma semana antes da visita de Marcelo à Grã-Bretanha...
As descrições eram horríveis. Os portugueses já suplantavam em barbaridade, essas descrições que conhecemos, de nazis e sovietes ...
Criou-se um estado emocional na Grã-Bretanha contra Portugal.
Com tanta pontaria que o então jovem "Bochechas", que lá estava no UK, se pôs desvairado, aos pinotes, em cima da nossa verde-rubra.
Segundo dizem alguns e contestam outros.
Como sempre, aliás.

Pedro Torres de Castro

Salazar Recusou Milhões Pela Independência das Ex-Colónias...

  António Oliveira Salazar rejeitou uma proposta dos Estados Unidos para a independência das ex-colónias portuguesas a troco de mil milhões ...