terça-feira, 5 de maio de 2026

Mais um episódio vergonhoso da nossa história pós 25 de Abril!!!

 



(...) SILENCIADOS A TIRO...

18 de Maio de 1976, 2 horas da manhã.
Um mar de refugiados, milhares, dirigiam-se ordenadamente, pelas ruas de Lisboa, do Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII, onde tinham assistido a um comício do CSI, para a estação do Cais do Sodré. Regressavam aos hotéis fixados para a sua residência, na linha do Estoril.
Ao chegarem à estação, os refugiados depararam com as entradas obstruídas por bancos. Ainda antes de penetrarem na gare, agentes da PSP foram ao seu encontro, falando-lhes rispidamente e agredindo os da frente, entre os quais algumas senhoras.
No conflito que se gerou, os agentes abriram fogo sobre a multidão. Ao mesmo tempo, forças de choque da PSP, "emboscadas" atrás dos comboios, carregaram sobre toda aquela gente, perseguindo grupos em fuga até ao largo da Assembleia da República. Ali estavam, há dias, outros refugiados, que protestavam contra as sub-condições de vida em que o Governo os mantinha.
Vejamos o relatório apresentado no dia seguinte e assinado por 87 testemunhas:
"Ao Exmo. Presidente do CSI
A IOR (Inter Organização de Refugiados) informa V. Exa. que esta madrugada, por cerca das 2.30 horas apareceram em S. Bento um grupo de 30 indivíduos, refugiados, fugidos à tristemente célebre polícia de choque, vindos do Cais do Sodré, vindo entre eles um indivíduo (refugiado) ferido a tiro numa mão e numa perna.
Minutos depois fez a sua apoteótica aparição a tristemente polícia de choque, munida de escudo e todo o aparato bélico, subindo as escadas, partindo os primeiros inimigos (bandeiras e dísticos) e enfrentando o "muito bem armado" inimigo (mulheres e crianças refugiadas que residem na escadaria de S. Bento, entre elas senhoras grávidas).
Depois de uma 'heróica' actuação esta polícia findou a sua batalha com ultimatos para abandonar S. Bento, dando-lhes escassos minutos, ao que o "exército" feminino e infantil de refugiados se recusaram a cumprir, dizendo "Ninguém arreda pé".
Esta célebre polícia, heroicamente, enfrentou a nossa Bandeira, a Bandeira Nacional, partindo a sua improvisada haste e espezinhando-A. Espezinharam o símbolo da nossa Pátria, o símbolo que nos norteia, o Bandeira Verde-Rubra, a Bandeira Nacional. Além de a espezinhar levaram-na consigo, talvez sob prisão, como refém".
IOR, em S. Bento, aos 19 de Maio de 1976
A Comissão
(87 assinaturas).
Dos incidentes resultaram bastantes feridos, parte deles identificados, como João Manuel Nunes dos Santos, de 22 anos, natural de Nova Lisboa, atingido numa das mãos e numa das pernas. Doutros não se sabe o nome, porque foram transportados em carros da Polícia para local desconhecido. Dezenas de testemunhas assinaram depoimentos.
O relatos da Imprensa foram, na maior parte, falseados pelas informações governamentais.
Os antecedentes:
O CSI vinha realizando comícios e conferências de Imprensa, no sentido de unir os refugiados e fazê-los lutar pelos seus direitos. Para o Governo, bem como para certos Partidos e personalidades, o CSI tornava-se incómodo.
Muitos dos refugiados presentes, naquela noite, no Pavilhão dos Desportos, residiam - como disse - na zona do Estoril e de Cascais. Não tendo dinheiro para o transporte, invocaram a sua "qualidade" de refugiados e a sua carência de bens, perante os revisores de um comboio da companhia nacionalizada "Estoril-Sol", insistindo em viajar, gratuitamente, para Lisboa.
O comboio parou na Estação da Parede, e os revisores contactaram a direcção da Companhia, pedindo instruções quanto à atitude que deveriam tomar. Três quartos de hora passados, o comboio seguiu, normalmente, até Lisboa, onde os refugiados desembarcaram e, como vulgares transeuntes, foram para o Pavilhão dos Desportos. Saliente-se, entretanto, que, se muitos refugiados viajaram gratuitamente, muitos outros tinham "passes" ou bilhetes.
Findo o comício, ao pretenderem voltar aos hotéis, deram-se os injustificáveis incidentes já descritos.
O CSI não apresentou queixa: investigações posteriores indicaram por detrás dos acontecimentos, pressões e chantagem sobre militares, exercidas por certas forças políticas, receosas dos Centros e dos refugiados. E os termos das notícias nos jornais e na Rádio reflectem, com límpida clareza, ter havido o objectivo de, a todo o custo, fomentar, na opinião pública, animosidade contra os refugiados, equiparando-os a delinquentes e arruaceiros, marginalizando-os e incitando a PSP a tratá-los como criminosos e inimigos da sociedade».


Pompílio da Cruz («Angola: Os Vivos e os Mortos»). 

Mais um episódio do governo mundial!!!

 


«A catástrofe liricamente apelidada de "revolução dos cravos" teve antecedentes remotos: a sua origem longínqua situou-se em 1941, quando Roosevelt e a superfinança americana se conluiaram com Staline.

Num artigo publicado em O Dia (23/3/1980), duma série sobre os Rockefellers, Lourdes Simões de Carvalho transcreveu a carta que Roosevelt endereçou em 1941 ao Kremlin - carta que Le Figaro, de Paris, revelou a 7 de Fevereiro de 1951:

"Quanto à África, será preciso dar à Espanha e a Portugal compensações pela renúncia dos seus territórios para que haja um melhor equilíbrio mundial. Os Estados Unidos instalar-se-ão aí por direito de conquista e reclamarão inevitavelmente alguns pontos vitais para a zona de tutela americana. Será mais que justo".

"Queira transmitir a Staline, meu caro senhor Zabrusky, que para o bem geral e para o aniquilamento do Reich ceder-lhe-emos as colónias africanas se ele refrear a sua propaganda na América e cessar a interferência nos meios laborais".

Acrescentou depois a citada articulista:

"Em 1973, esta promessa solene continuava por cumprir. Falha tanto mais embaraçosa para a parte faltosa quanto os soviéticos tinham honrado a sua [?].

Portugal, três décadas depois da cedência de Roosevelt à URSS das suas possessões africanas, interpunha-se ainda como um escolho inamovível na viabilização do contrato e lutava sozinho conta o condomínio russo-americano e respectivos mecanismos de conquista e anexação.

Os Rockefellers eram especialistas, na América do Sul, a manobrarem através de militares a quem a pala do boné delimita o horizonte das suas abstracções.

No dia 25 de Abril de 1974, capitães convictos de salvarem o povo das garras dos exploradores, apoiados por comunistas primários, estudantes analfabetos e intelectuais muito eruditos sobre o imperialismo dos EUA investiram contra a última barreira existente na Europa a esse mesmo imperialismo.

Ao largo, na costa, uma esquadra americana velava pronta a intervir em favor dos revoltosos marxistas para que as promessas de Roosevelt fossem honradas. A África foi partilhada de harmonia com o esquema habitual: ideologia redentora primeiro; depois, financiamentos saneadores e divisão equitativa dos lucros entre os parceiros sociais.

O agente de confiança de Nelson Rockefeller, Frank Carlucci, posando como embaixador dos EUA em Lisboa, com o seu homólogo da KGB, Kalinine, sob travesti semelhante, destacados para consolidar mais esta etapa, desempenharam-se com discrição e eficácia desta missão especial.

Os expoentes máximos do Round Table Business, organismo Rockefeller que agrupa os 178 maiores capitalistas do mundo, consideram hoje Portugal como uma das melhores coutadas europeias, tendo o caminho facilitado pela desertificação dos empresários nacionais, liquidados e afastados da competição pela aguerrida matilha comunista. Chase, Morgan, Ford, Rothschild e o Kremlin tinham vencido juntos mais um lance".

(...) a) As três internacionais. - Carlos Camposa, no prefácio do seu opúsculo "Salazar respondeu a Afonso Costa", tem esta curiosa observação de que o "25 de Abril" foi a sinistra obra de três internacionais:

- a vermelha (comunista e socialista);

- a capitalista ou doirada (América do Norte e plutocracia do Norte da Europa, em especial da Holanda e da Suécia);

- e a negra (clerical progressista), lembrando a propósito a acção dos "padres brancos" em Moçambique e de outros, as calúnias do Pe. Hastings, etc.

b) Em 1973: o Acordo de Paris - Se bem que ainda sem revelação de todos os pormenores, têm surgido referências concretas ao "Acordo de Paris" firmado em Maio de 1973 entre o PC e o PS. Perante a crescente dificuldade de vencer militarmente Portugal no Ultramar, a União Soviética promoveu esse acordo prometendo financiar a organização de um golpe de Estado em Lisboa, comprometendo-se o PC e o PS a conceder a "independência" imediata às Províncias Ultramarinas portuguesas entregando-as aos movimentos pró-soviéticos: PAIGC (Guiné e Cabo Verde), MPLA (Angola) e FRELIMO (Moçambique).

Sobre esse Acordo, ver: Jornal de Economia e Finanças, números 357 e 392; África - Vitória Traída, pelos generais Luz Cunha, Kaulza de Arriaga, Bethencourt Rodrigues e Silvino Silvério Marques, página 27; Angola - Os Vivos e os Mortos, de Pompílio Cruz, página 149; A Rua, de 6/2/77, transcrição de uma notícia de Santana Mota publicada no diário O Estado de S. Paulo - Não lhes perdoais, Senhor, de Rebelo Cotta; a página 28 diz que o tenebroso Rosa Coutinho e outros chacais do seu séquito executaram fielmente o plano gizado "em Moscovo, Paris e Lisboa"» (in José Dias de Almeida da Fonseca, «LIVRO NEGRO DO "25 DE ABRIL"»).

6. «Embora sendo ainda apenas um projecto [utópico do Governo Mundial], os seus promotores, como veremos, detêm já um Poder que lhes permite reduzir a soberania de numerosos Estados em todo o mundo, apenas àquilo que não contraria o seu projecto, actuando através da arma mais poderosa, a financeira.

Naturalmente que um tal projecto só poderá ser contrariado e vencido quando os cidadãos se aperceberem de que esse Poder existe e pretende impor-lhes um sistema em que, como em todos os sistemas socialistas, os seus dirigentes têm a pretensão de que sabem melhor do que os próprios, o que os faz felizes.

O 25 de Abril não poderá ser verdadeiramente compreendido senão através das exigências daquele projecto.

No fundo, não passou de um pequeno episódio num percurso que se pretende que conduza à formação de um Governo Mundial, que já tem no seu activo um número elevado de vitórias e de vítimas» (in Fernando Pacheco de Amorim, «25 de Abril - Episódio do Projecto Global», 1996).

7. «Entre os que hoje perfilham o Governo Mundial, encontra-se Vladimir Putin, um 'ex-agente' da KGB cuja retórica sobre a liberdade, a democracia e os direitos humanos só ilude os enganados enganosos. Daí também o apregoar da dita 'lei internacional' que o líder russo deseja, a par de todos os líderes do mundo actual, ver protagonizada pela ONU nos seguintes termos:

"Consideramos as tentativas para minar a legitimidade das Nações Unidas como algo extremamente perigoso. Isso poderia levar ao colapso de toda a arquitectura das relações internacionais e nada mais restaria senão a lei da força. Teríamos então um mundo dominado pelo egoísmo em vez do trabalho colectivo, um mundo caracterizado pela tirania e não pela igualdade. Não haveria democracia nem liberdade num mundo onde os diferentes estados seriam substituídos por um número crescente de protectorados e territórios externamente controlados" (discurso de Vladimir Putin nas Nações Unidas, 2015).

Por outras palavras: quem não obedecer à agenda totalitária das Nações Unidas será considerado inimigo da paz, da liberdade e da 'comunidade internacional', assim como declarado inimigo de tudo o que, efectivamente, está a ser levado a cabo para que não hajam nações soberanas nem Estados independentes, porque, na verdade, só existirão protectorados, territórios e regiões 'externamente controladas'. E, claro, o líder russo também adere à agenda ambientalista da ONU».

M.B.Duarte 

Os merdas responsáveis pela morte de Portugal!!!

 


«No Verão de 1973 a guerra colonial [leia-se Guerra do Ultramar] domina, mais uma vez, as atenções nacionais e internacionais. (...) internamente é desencadeada uma operação de mobilização a pretexto da realização no Porto, de 1 a 3 de Junho, do I Congresso dos Combatentes do Ultramar.

(...) alguns oficiais do Quadro Permanente, precisamente os mais sacrificados pela guerra, decidem boicotar o evento pondo a circular um abaixo-assinado demarcando-se do Congresso e dos seus resultados. A iniciativa parte de elementos próximos do então governador da Guiné, António de Spínola, que desde a sua passagem pela Guiné, discutiam a questão da guerra colonial, defendendo que a solução da mesma era de natureza política e não militar. Mas o grupo, onde pontificam os nomes de Ramalho Eanes, Carlos Fabião, Dias de Lima ou Firmino Miguel, alarga-se rapidamente a outros sectores. Contactado para assinar o documento, Vasco Lourenço é um dos oficiais que aderem e colaboram na iniciativa».

Maria Inácia Rezola («Os Anos de Salazar», PDA, 2008, n.º 29). 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Quando um bando de inconscientes fez um golpe de estado!!!

 




No dia 25 de Abril de 1974, capitães convictos de salvarem o povo das garras dos exploradores, apoiados por comunistas primários, estudantes analfabetos e intelectuais muito eruditos sobre o imperialismo dos EUA investiram contra a última barreira existente na Europa a esse mesmo imperialismo.

José Dias de Almeida da Maria Fonseca («LIVRO NEGRO DO "25 DE ABRIL"»).

Salazar e os novos nacionalismos.

 


«(...) os novos nacionalismos, ao abandonarem as antigas dependências, correm de mãos dadas através de uma esperança vã - a de que, sendo da mesma cor, podem sustentar-se mutuamente ou entender-se melhor. Que ilusão! Os interesses não têm a mesma cor dos homens. A solidariedade que se revela na actual frente de ataque não é uma solidariedade de fundo; ela empenha-se na destruição das actuais estruturas mas é incapaz de construir outras novas. A unidade de África é afirmação gratuita que a geografia e a sociologia desmentem. E, ao contrário do aconteceu na América, a Europa não se deu o tempo de definir mais racionalmente fronteiras, pacificar em definitivo raças e tribos, formar nações que fossem verdadeiros substratos de Estados. Quem serão então os futuros organizadores? Façamos uma pergunta mais directa: quem serão os futuros colonizadores? Esta a incógnita que pesa sobre grande parte de África.

Para nós nação compósita - euro-africana e euro-asiática - as considerações acima não têm apenas interesse especulativo; é possível derivarem do movimento actual consequências graves e talvez se nos levantem problemas de soberania e vizinhança. Debrucemo-nos por isso sobre nós próprios, para averiguarmos sob que ângulo os temos de enfrentar.

Quando a Nação portuguesa se foi estruturando e estendendo pelos outros continentes, em geral por espaços livres e desaproveitados, levou consigo e pretendeu imprimir aos povos com quem entrara em contacto conceitos muito diversos dos que mais tarde caracterizaram outras formas de colonização. As populações que não tinham alcançado a noção de pátria, ofereceu-lhes uma; aos que se dispersavam e desentendiam em seus dialectos, punha-lhes ao alcance uma forma superior de expressão - a língua; aos que se digladiavam em mortíferas lutas, assegurava a paz; os estádios inferiores da pobreza iriam sendo progressivamente vencidos pela própria ordem e pela organização da economia, sem desarticular a sua forma peculiar de vida. A ideia da superioridade racial não é nossa; a da fraternidade humana, sim, bem como a da igualdade perante a lei, partindo da igualdade de méritos, como é próprio de sociedades progressivas.

Em todos esses territórios a mistura das populações auxiliaria o processo de formação de uma sociedade pluri-racial; mas o mais importante, o verdadeiramente essencial estava no espírito de convivência familiar com os elementos locais; nas possibilidades reconhecidas de acesso na vida económica e social; nos princípios de uma cultura mais avançada e de uma moral superior que, mesmo quando violada, era a regra do comportamento público e privado. Se através destes meios, de acção forçosamente lenta, conseguia formar-se uma comunidade com certo grau de coesão, pode dizer-se que a tarefa estava vingada: a independência e a igualdade dos povos integrados com seus territórios numa unidade nacional.

Mais de 300 anos trabalhámos no Brasil, inspirados pelo mesmo ideal, e o que ali passou a observar-se é verdadeiramente extraordinário: o Brasil tem as portas abertas a gente de quase todo o mundo, caldeia-a na variedade dos seus elementos demográficos, absorve-a, assimila-a e não diminui em lusitanidade. Entre os países para cuja formação contribuíram raças diferentes, nenhum como ele apresenta tão completa ausência de traços racistas na legislação, na organização política, na conduta social. Ele é a maior experiência moderna de uma sociedade pluri-racial, ao mesmo tempo que exemplo magnífico da transposição da civilização ocidental nos trópicos e no Continente americano. Pacífico, estável, dinamicamente progressivo, o Brasil, mesmo ao rever-se nas suas criações próprias, não tem de maldizer das origens nem renegar a sua pátria.

A sociedade pluri-racial é portanto possível e tanto de cepa luso-americana como de base luso-asiática, segundo se vê em Goa, ou luso-africana, em Angola e Moçambique. Nada há, nada tem havido que nos leve a conclusão contrária. Simplesmente essa sociedade exclui toda a manifestação de racismo - branco, preto ou amarelo e demanda uma longa evolução e trabalho de séculos, dentro dos princípios que estão na base do povoamento português. Mal avisados andaríamos agora a inovar práticas, sentimentos, conceitos diversos dos que foram o segredo da obra realizada e são ainda a melhor salvaguarda do futuro.

Estamos em África há 400 anos, o que é um pouco mais que ter chegado ontem. Levámos uma doutrina, o que é diferente de ser levados por um interesse. Estamos com uma política que a autoridade vai executando e defendendo, o que é distinto de abandonar aos chamados "ventos da história" os destinos humanos. Podemos admitir que a muitos custe compreender uma atitude tão estranha e diversa da usual; mas não podemos sacrificar a essa dificuldade de compreensão populações portuguesas cujos interesses na comunidade nacional consideramos sagrados.

É possível encontrar muitas deficiências no nosso trabalho, e somos os primeiros a lamentar que a limitação dos recursos não nos tenha permitido ir mais além. Especialmente nas comunicações, na divulgação da instrução, na organização sanitária temos diante de nós largos caminhos a percorrer. Mas, mesmo nesses como em muitos outros domínios, quando nos comparamos, não temos de que envergonhar-nos. As nossas cidades e vilas, os nossos caminho-de-ferro, os portos, os aproveitamentos hidroeléctricos, a preparação e distribuição de terras irrigadas por brancos e pretos, a exploração das riquezas do subsolo, as instalações dos serviços têm seu mérito. Mas o ambiente de segurança, de paz e de fraternal convívio entre os muito diversos elementos da população - caso único na África de hoje - é a maior obra, porque a outra quem a quer a podia fazer com dinheiro e esta não.

O trato familiar de sucessivas gerações foi forjando e consolidando a unidade entrevista no começo. Esta unidade não é por isso uma ficção política ou jurídica mas uma realidade social e histórica traduzida nas Constituições, e levanta obstáculos muito sérios aos que pensam dedicar-se agora à tarefa de emancipar a África portuguesa. Vêm tarde: já está. É que essa unidade não comporta alienações, cedências ou abandonos: as figuras jurídicas do plebiscito, do referendum, da autodeterminação tão-pouco se quadram na sua estrutura.

Aos inclinados a supor que teorizamos, opomos as espontâneas e vibrantes reacções da consciência nacional, ao pressentir o mais leve perigo. Aqui e no Ultramar, em território nacional ou estrangeiro, o Português de qualquer cor ou raça sente essa unidade tão vivamente que toma as discussões como ameaças e as ameaças como golpes que lhe retalham a carne. De modo que não há mais a fazer do que proclamá-la a todos os ventos e, na medida do possível, vigiá-la em todas as fronteiras.

Aliás a ligeireza com que temos visto falarem uns, calarem-se outros sobre problemas desta transcendência - o destino de milhões de seres humanos - faz-me crer que não foi ainda devidamente apreciada a gravidade das implicações possíveis de tão grandes desvarios...».

«Portugal e a Campanha Anticolonialista» (DISCURSO PRONUNCIADO POR SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DO CONSELHO, PROFESSOR DOUTOR OLIVEIRA SALAZAR. NA SESSÃO DA ASSEMBLEIA NACIONAL DE 30 DE NOVEMBRO DE 1960).

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O verdadeiro capitalismo monopolista de estado, vulgo comunismo!!!

 



Querem melhor exemplo do que este, mais um exemplo do regime comuno-socialista instituído após o golpe de estado corporativo de 25 de Abril de 1974.
Dúvidas houvesse estão absolutamente dissipadas, calhou ser pela mão do PSD, poderia ter sido pela mão do PS, do PCP, do Chega ou de qualquer outro partido com assento parlamentar, é uma questão de regime, quem detém o capital manda, impõe as regras e a cambada corrupta que tomou conta do país a coberto do manto da democracia, pouco a pouco foi escravizando, espezinhando e vilipendiando o povo português, curiosamente um povo pacífico, acomodado e afirmo-o seu um mínimo de dúvida, um povo aparvalhado e submisso que em vez de mostrar a sua indignação, cala e consente todas as atrocidades contra si cometidas!!!
Enfim, tudo isto mete nojo, acção directa exige-se, violência sem dúvida alguma, reagir à medida dos ataques que contra nós são perpetrados.

Termino com uma frase de Arturo Pérez-Reverte, um dos meus autores preferidos...

« (...) Uma civilização que renuncia à possibilidade de recorrer à violência nos seus pensamentos e acções destrói-se a si mesma. Transforma-se num rebanho de carneiros a degolar pelo primeiro que passe. O mesmo acontece com os homens.»

Alexandre Sarmento






O povo português, teimosamente imóvel!!!





"Os homens mudam pouco e então os portugueses quase nada."
"A nossa gente não aguenta a nossa política. Se em lugar de governarmos este país, governássemos outro, conseguia-se mais. Neste, a gente puxa, puxa, mas como não dá, temos a tendência para nos nivelarmos à massa".

António de Oliveira Salazar

Meu rico Salazar, como conhecias este povinho, esta cambada só com pão numa mão e pau na outra, mudam-se os tempos as gentes continuam iguais.
Triste sina a nossa...um povo ignorante acabará na mão dos seus carrascos, ou já lá estará, alegres e felizes na sua condição de escravos, valha-nos a televisão a bola e umas quantas datas festivas...

Alexandre Sarmento



quinta-feira, 30 de abril de 2026

Salazar Recusou Milhões Pela Independência das Ex-Colónias...

 



António Oliveira Salazar rejeitou uma proposta dos Estados Unidos para a independência das ex-colónias portuguesas a troco de mil milhões de dólares (782 milhões de euros), porque "Portugal não estava à venda", revela um ex-responsável norte-americano no seu livro "Engaging Africa: Washington and the Fall of Portugal's Colonial Empire".

Segundo o secretário de Estado adjunto para os Assuntos Africanos durante a administração Clinton, Witney Schneider, o ex-presidente do Conselho rejeitou a proposta americana em 1963, durante um encontro com um enviado da Casa Branca.

O livro detalha minuciosamente, com base em documentos oficiais e entrevistas com personalidades norte-americanas e portuguesas, as relações dos Estados Unidos com Portugal e com os movimentos independentistas das ex-colónias portuguesas, em particular Angola e Moçambique, desde o início dos anos 60 até à independência de Angola, em 1975.

De acordo com o autor, em 1962, o assistente do director adjunto de planeamento da CIA, Paul Sakwa, elaborou um plano denominado "Commonwealth Plan", que visava convencer as autoridades portuguesas a aceitar o que a CIA considerava ser a inevitabilidade da independência das colónias portuguesas.

O plano previa que Portugal concedesse a auto-determinação a Angola e Moçambique após um período de transição de oito anos. Enquanto isso, seria organizado um referendo nas duas colónias para se determinar que tipo de relacionamento seria mantido entre os dois territórios e Portugal após a independência.

Durante esse período, os dirigentes nacionalistas angolano Holden Roberto e moçambicano Eduardo Mondlane receberiam "o estatuto de consultores assalariados" e seriam preparados para a liderança dos novos países.

"Para ajudar Salazar a engolir a pílula amarga da descolonização, Sakwa propôs [ainda em 1962] que a NATO oferecesse a Portugal 500 milhões de dólares [391 milhões de euros] para modernizar a sua economia", escreve Schneider.

Um ano depois a proposta daquele funcionário da CIA foi ampliada pelo diplomata Chester Bowles, que duplicou a ajuda a oferecer a Portugal, propondo que os Estados Unidos concedessem mais 500 milhões de dólares durante um período de cinco anos, ou seja um total de mil milhões de dólares durante o período de transição.

Documentos oficiais mostram que Bowles argumentou que seria "um bom negócio diplomático" se os esforços norte-americanos conseguissem resolver "o feio dilema" de Portugal a um custo de cem milhões de dólares (78 milhões de euros) por ano.

O plano dos Estados Unidos esbarrou, contudo, na inflexibilidade de Salazar.

"Portugal não está a venda", foi a resposta do ditador português quando a proposta lhe foi apresentada, em Agosto de 1963 - ainda durante a administração Kennedy - pelo secretário de Estado adjunto norte-americano, George Ball.

Franco Nogueira considerou a proposta americana uma "idiotice

O autor diz ainda que o então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Franco Nogueira, considerou a proposta americana uma "idiotice", porque revelava que Washington acreditava poder determinar ou garantir acontecimentos a longo prazo.

Segundo Nogueira, o plano dos Estados Unidos seria o primeiro passo para a inevitabilidade do caos nas colónias portuguesas em África.

Um dos aspectos mais curiosos do livro é a exactidão com que a CIA e vários diplomatas norte-americanos fazem, com muitos anos de antecedência e em documentos oficiais, a previsão da derrota militar portuguesa em África e o derrube da ditadura.

"A derrota militar portuguesa é uma conclusão inevitável se se permitir que a revolta em Angola ganhe volume e continuidade", adverte o documento da CIA que acompanhava a proposta inicial elaborada por Paul Sakwa, pouco depois do começo da guerra em Angola.

Sakwa questiona-se mesmo se os Estados Unidos poderiam permitir que Portugal "cometesse suicídio, arrastando os seus amigos na mesma via".

O então embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Burke Elbrick, considerado em Washington como um simpatizante das autoridades portuguesas, enviou um telegrama às autoridades norte-americanas em 1963 em que dizia que Portugal estava "debaixo da espada de Dâmocles", pois não era "nem suficientemente grande nem suficientemente rico" para fazer frente a uma guerra de guerrilha em três frentes.

As guerras em África poderiam significar "o fim do império lusitano" e do regime de Salazar, escreveu ainda o diplomata, advertindo que o fim do regime poderia resultar na subida ao poder de um Governo "consideravelmente mais esquerdista ou neutral".

Em 1964 - dez anos antes da revolução do 25 de Abril -, a CIA advertiu que as guerras em África levariam ao aumento do descontentamento interno e que esse "aumento do descontentamento poderá convencer os militares da necessidade de substituírem Salazar".

Nesse mesmo ano, o Conselho de Segurança Nacional advertiu o Presidente Lyndon B. Johnson - que sucedeu a John F. Kennedy - de que as perspectivas de Portugal em África eram péssimas.

"Já não se trata de uma questão de saber se Angola se tornará independente ou não, pois a única questão é saber quando e como, tal como aconteceu na Argélia. Do mesmo modo, é uma certeza que quanto mais a luta durar, mais violenta, racista e infiltrada pelos comunistas se tornará, mais grave será a crise final a que os Estados Unidos terão de fazer face e mais caótica, radical e anti-ocidental será uma Angola independente", diz o documento.

Durante os anos 60, e face a estes avisos, muitos funcionários norte-americanos deram conta em documentos do seu desespero face à inflexibilidade do Governo de Salazar em mudar a política colonial.

Paul Sakwa, o funcionário da CIA que elaborou o "Commonwealth Plan", desesperado com a inflexibilidade de Salazar, terá chegado, ironicamente, a manifestar dúvidas de que o ditador português pudesse aceitar o plano americano "sem o benefício de uma lobotomia".

Para o secretário de Estado adjunto de então, George Ball, Salazar elaborava a política externa de Portugal "como se o Infante D. Henrique, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães fossem os seus conselheiros mais próximos". 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O SUPOSTO ISOLAMENTO INTERNACIONAL DE PORTUGAL

 





Do que acaba de considerar-se, poderia inferir-se que Portugal se encontrava internacionalmente isolado por força do seu regime metropolitano autoritário, e por força da sua política ultramarina, única no Mundo. Tal não correspondia à realidade.

Portugal pertencia à NATO, como membro fundador - 1949 -, e ingressou plenamente na EFTA - 1959. Estes dois factos constituíram o reconhecimento, post-II Grande Guerra, do regime português e da sua política.

Na actualidade e numa propaganda intencionalmente falsa, pretende-se convencer o povo português de que só a abertura democrática e a descolonização, verificadas com o "25 de Abril", permitiram o acesso de Portugal à CEE. A verdade é que foi o Governo Português, após ponderação cuidada e acertada, que decidiu, em 1958/1959, a não participação, então, de Portugal na CEE. Isto porque o Tratado de Roma, que a criou, lhe conferia poderes supra-nacionais, potencialmente lesivos da política ultramarina portuguesa. E preferiu, o mesmo Governo, que Portugal ingressasse na EFTA - 1959 -, cujo Tratado de Estocolmo, que a formou, apenas admitia decisões por unanimidade. Nesta EFTA, Portugal ficou a par, por exemplo, com as democratíssimas Inglaterra e Suécia. Só muito mais tarde, em 1966, pelo Compromisso de Luxemburgo, forçado pelo General De Gaulle, bem à revelia do Tratado de Roma, a CEE estabeleceu a regra da unanimidade, agora restringida pelo "Acto Único", que apenas fez ou fará regressar a CEE aos seus princípios iniciais.

Por outro lado e especificamente no relativo à África, alguns significativos países, como se citou, simpatizavam e ajudavam, embora mais ou menos implicitamente, a causa portuguesa, e grandes firmas de nações como a Alemanha Federal, a França e a Itália, apesar da atitude de sectores esquerdistas desta última, além de igualmente grandes firmas sul-africanas, cooperavam, oficial e abertamente, no empreendimento de Cabora Bassa, quer nos planos financeiro e técnico, quer no fornecimento de equipamento e na execução de trabalhos. Assim, o Ocidente, apesar de tudo, colaborava, em certos aspectos importantes, com Portugal, na própria África Portuguesa.

Quando se construíram super petroleiros em Portugal.

 




O Nogueira foi um formidável mega petroleiro (ULCC), que a par de mais duas embarcações do mesmo porte, mostrou a escala da construção marítima portuguesa no final dos anos 70. Construído no estaleiro Setenave em Setúbal, Portugal, o navio foi lançado em abril de 1978 e concluído em agosto de 1979. Transportando o número IMO 7385112, ele apresentava um comprimento total impressionante (LOA) de 346,20 metros e uma largura de 57,40 metros. Originalmente propriedade da Sociedade Portuguesa de Navios Tanques (Soponata) e hasteando a bandeira portuguesa, o petroleiro possuía uma enorme tonelagem de peso morto de 323 114. A sua configuração técnica incluiu um sistema de maquinaria produzindo 26.117 kW, projetado para mover grandes quantidades de petróleo em todo o mundo durante a época de ouro dos ULCC.
A história de vinte e sete anos do navio foi caracterizada por transições frequentes de nome e propriedade, refletindo a natureza dinâmica do mercado marítimo internacional. Em 1986, foi renomeado BT Banker sob a Rigel Shipping Corp, um nome que manteve através de várias mudanças de gestão até 1990, quando se tornou o Berge Banker sob a frota Bergesen d.y. A sua identidade mudou novamente em 2003 para Folk Sun com bandeira da Oceanic Trans Shipping, e finalmente para Fernan Vaz em 2005, enquanto gerido pela Sg. Logistic Inc. A longa carreira do navio finalmente chegou à sua conclusão em 2006, com registros indicando que ele foi excluído do serviço ativo entre 2005 e 2006, marcando o fim do seu tempo como um grande protagonista na logística global do petróleo.

Tudo isto para dizer que Portugal tinha estaleiros de nível mundial, hoje nada temos ou é residual.
A verdade é que estivemos na vanguarda em muitos sectores até que um bando de idiotas incompetentes tomaram conta do país.

Este é mais um belo exemplo do rumo deste país, pela certa um naufrágio há muito anunciado!!!

E viva o socialismo!!!

Alexandre Sarmento



terça-feira, 28 de abril de 2026

Salazar e o futuro de Portugal.



Portugal pode ser, se nós quisermos uma grande e próspera nação.

Salazar


O ataque nas Nações Unidas contra os direitos legítimos de Portugal.

 

Vasco Garin e Franco Nogueira.


«... é lançado nas Nações Unidas novo ataque contra a posição portuguesa. Está em curso a XII Assembleia Geral da Organização, e como nos termos regulamentares qualquer assunto, ainda que decidido no ano anterior, pode ser retomado no ano seguinte, a Assembleia reabre o exame da resposta do governo de Lisboa sobre territórios não-autónomos. Na origem do debate estão as mesmas forças políticas: o bloco afro-asiático, o bloco soviético, a União Indiana. É duplo o seu objectivo: anular se possível o voto favorável a Portugal, obtido na Assembleia precedente; em qualquer caso, ir corroendo a posição portuguesa, não só retirando-lhe progressivamente apoios como pela erosão da opinião portuguesa, que se procura cansar. Mas agora os adversários da posição assumida por Portugal modificam a sua táctica. Para evitar que possam ser acusados de discriminação contra Portugal, generalizam o debate, e dão a este um carácter abstracto e de questão de princípio; e para frustrar a alegação, feita por Portugal, de que se a Assembleia era competente para examinar as declarações produzidas voluntariamente, não o era para compelir os governos a fazer declarações contra a sua lei constitucional, os adversários da posição portuguesa procuram levar a Assembleia a afirmar a sua própria competência activa. Neste particular encontram receptividade: todos os orgãos favorecem sempre o empolamento do seu poder e atribuições: e muitos delegados à ONU, em particular os do terceiro mundo e do bloco latino-americano, vêem no alargamento das funções da Assembleia possibilidades de desempenhar um papel que lhes atribua uma fama e uma importância que não têm no seu país. Nesta linha de ataque, os adversários de Portugal apresentam um projecto de resolução que reivindica para a Assembleia o estabelecimento dos critérios a que os países membros têm de obedecer na definição do que sejam os territórios não-autónomos; como alguns desses países têm expresso opiniões divergentes, a Assembleia deve eleger uma comissão de seis membros para examinar o problema e recomendar um critério uniforme e obrigatório; e convidam-se os Estados membros a submeter por escrito os seus pontos de vista, para consideração pela Assembleia. Em torno deste projecto de resolução se desencadeia o debate.

Por parte dos adversários, o tom do debate é aparentemente moderado. Não desejam qualquer discriminação contra Portugal. Não põem em dúvida a sinceridade da posição portuguesa; reconhecem à política de Lisboa o seu carácter não racista. Simplesmente, está-se perante uma questão de princípio; e para evitar que seja tratada no plano político convém examiná-la somente no plano jurídico e processual. Para o conseguir, não se descobre melhor maneira do que realizar um estudo imparcial, objectivo, desapaixonado, dos preceitos legais aplicáveis, da doutrina dos tratadistas. E por isso se propõe que o secretariado faça uma compilação da doutrina e que a comissão a eleger seja formada por três membros ocidentais, com responsabilidades de potências administrativas, e três membros que as não tenham. Pode exigir-se maior isenção de atitude? Mas nem o governo de Lisboa, nem a delegação portuguesa em Nova Iorque se deixam iludir. Sob o aspecto da moderação, destinada a conquistar apoio e a retirar aos delegados latino-americanos os motivos que os haviam levado a alinhar com Portugal, os objectivos prosseguidos são rigorosamente idênticos aos que se buscavam na sessão anterior: impugnar a resposta portuguesa, internacionalizar o problema português africano, decretar que Portugal possui colónias com estatuto análogo às de outros países coloniais, e que tais territórios hão-de ser declarados independentes [Convém mencionar nesta altura que a Espanha, que nenhuma resposta dera de início, declarou depois que, embora não administrasse territórios não-autónomos, estava pronta a fornecer informações sobre as suas províncias ultramarinas, para esclarecimento do secretário-geral. Esta atitude espanhola, foi também rejeitada pela Assembleia, e a Espanha passou a ser atacada. Esta se encarregou assim de dar uma resposta aos que em Portugal afirmavam que, se fornecesse informações à ONU reservando ao mesmo tempo o carácter unitário da Nação portuguesa, Portugal não seria atacado].  Do lado português, todavia, a defesa também foi feita no plano dos princípios. Sublinharam os delegados portugueses que a nova proposta contrariava as cláusulas do artigo 73.º da Carta, e a interpretação que a Assembleia lhes dera desde o início sem desvios; uma nova comissão, além de se sobrepor à Assembleia, é desnecessária, e não pode conduzir a resultados úteis; e além disso, atendendo ao contexto em que é proposta e seria criada, constitui discriminação contra um Estado membro. Em qualquer hipótese, o problema era de importância maior, consoante na sessão anterior e nesta fora afirmado pelos que atacavam a atitude do governo de Lisboa; e por isso, nos termos regulamentares, a nova proposta teria de ser também aprovada por uma maioria qualificada de dois terços. Neste último ponto, abre-se novo debate: os autores da proposta mantêm que o estabelecimento de uma comissão é assunto de rotina, a ser decidido por maioria simples; Portugal replica que uma comissão destinada a dar nova interpretação à Carta e a firmar novos princípios compulsivos não é matéria de rotina, mas do mais alto significado e consequência, impondo voto qualificado.

Já entra o mês de Novembro de 1957, e na Quarta Comissão e no Plenário da Assembleia ainda se arrastam os debates. Portugal defende sempre a separação entre os aspectos processuais e os de substância. É uma táctica parlamentar que encerra um objectivo: permite aos países que querem apoiar o ponto de vista português uma saída que não atinge os seus princípios anticolonialistas: ao considerarem e votarem que o problema é importante e requer dois terços dos votos, e sabendo que o governo de Lisboa dispõe de votos que excedem o terço bloqueador, estão a apoiar Portugal; ao votarem depois em favor da proposta, são fiéis aos seus princípios, e não podem ser acusados de incoerentes. Este recurso táctico revela-se decisivo para obter o auxílio dos latino-americanos, que ao mesmo tempo, são anticolonialistas e não desejam hostilizar Portugal. Submetida ao Plenário a proposta portuguesa para que seja aplicado o princípio dos dois-terços, é aprovada por 38 votos contra 36. Submetida depois a proposta dos adversários de Portugal é aprovada por 41 votos contra 30, com 10 abstenções. Está derrotado o projecto de resolução afro-asiático e soviético.

(...) Quando Humberto Delgado, ao iniciar a sua campanha, se refere a Salazar e diz que se eleito o demitirá - obviamente, demito-o - abre-se uma nova época no Estado Novo. Para uns, a frase é de um louco: como tem a ousadia de afrontar a autoridade incontestada de Salazar, o seu prestígio sem mácula, o seu vulto intocável? Para outros, é uma frase audaz que afinal reduz o chefe do governo às proporções de homem comum: acaso Salazar é sacrossanto ou eterno? De súbito, pelo país além, tudo parece posto em causa: está quebrada a redoma em que o Estado se diria envolto, vê-se apeado o andor em que se diriam transportados os governantes, parece que são frágeis as instituições que se diriam de bronze. É outra a atmosfera da nação, do povo. Não é a figura de Delgado que impressiona: nos homens esclarecidos, mesmo entre os oposicionistas, não há ilusões quanto ao seu primarismo, falta de bom senso, incoerência, demagogia, incapacidade de encarar os problemas no plano superior do Estado. Encontrando-o no seu pouso da Livraria Bertrand, depois da campanha, pergunta Santos Costa ao seu amigo Aquilino Ribeiro: "Mas você acha que aquele homem tem as condições para exercer algum dia, com proveito para a nação, as funções de Presidente da República?" Responde o mestre escritor: "É evidente que não, meu caro amigo! É a política! Nós precisamos acima de tudo alguém que nos abra a porta. O resto se verá depois!" Mas a candidatura de Delgado, conduzida como o foi, rompe os moldes estabelecidos, derruba padrões assentes; e a sociedade portuguesa é batida por uma rajada que a faz estremecer até aos seus fundamentos. Em si, o acontecimento transcende o candidato, que se transforma em instrumento. E os reflexos projectam-se sobre Salazar. São os seus sessenta e nove anos, e a conclusão de que está necessariamente gasto e ultrapassado; são as suas três décadas de governo, e a idade de que abafa tudo e todos; é o mundo salazarista, de repente visto como camarilha que, em nome de interesses pessoais, rodeia e domina o chefe do governo; e é a erosão inerente ao exercício do poder, reflectida nos homens e nas instituições. No fascínio de Salazar, que cega amigos e desespera adversários, há uma quebra; e o seu carisma tem uma fractura. Salazar não se apresenta como vulto a que tudo é reconduzido, nem parece afinal constituir o centro único de decisão e de poder. Cruamente, pergunta-se que força efectiva tem Salazar, e em que se apoia? E os observadores mais atentos não encontram resposta. Não tem partido político que o apoie: porque a União Nacional não pode ser considerada como partido e, ainda que o fosse, não teria eficácia política bastante para o sustentar. Não dispõe de uma guarda pretoriana, militar ou militarizada, que pela sua fidelidade e efectivos possa constituir base do poder: nem as Forças Armadas se dispõem a desempenhar esse papel, nem as corporações para-militares de ordem pública ou a Legião Portuguesa, apagada e esquecida, contam para o efeito. Não comanda interesses económicos ou financeiros que sejam determinantes pela sua influência: justamente entre aqueles encontram-se alguns dos seus críticos mais aguerridos. E do seio da Igreja Católica, de que fora militante destacado e cujo apoio contribuíra para a sua ascensão ao poder, erguem-se hoje algumas vozes de discordância, e muitas que preconizam o descomprometimento. E no plano internacional, porque a política portuguesa se choca com a de terceiros, encontra hostilidade de uns governos, e a frieza de outros. E no entanto Salazar está e continua. Como? Porquê? Por quanto tempo?

Três gerações se sucederam já: a que fizera o 28 de Maio, trinta e dois anos atrás; a dos homens que, tendo na altura entre trinta e quarenta anos e perante instituições e sistemas completamente desacreditados, aderiram com fé ao Estado Novo; e a dos que, muito jovens na época, cresceram no regime e por este foram absorvidos. Mas agora à superfície quer intervir na vida colectiva uma nova geração para quem o ponto de partida das instituições, e do regime e seus princípios, está esquecido: para estes, recordações dos tempos antigos e a comparação com os actuais são desprovidas de significado; o contacto com ideias que supõem novas e modernas leva à tentação da aventura, da mudança pela mudança; e julgando que não podem percorrer novos caminhos e satisfazer as suas ambições políticas no quadro do regime, há que derrubar este, ainda que não haja projecto assente para o futuro e sejam quais forem as consequências para interesses nacionais, já encarados à luz daquelas ideias, e a curto prazo. «Depois se verá», dizia mestre Aquilino. Por detrás de tudo, há a massa do povo português. Ao cabo de mais de trinta anos do mesmo regime, os portugueses viram subir o seu nível de vida, o país caminhou; e, dentro dos seus recursos e sem embargo de faltas e desvios, a sociedade portuguesa ampliou os seus horizontes, incorporou as novas técnicas, avançou no plano material. Sociologicamente, houve uma circulação de elites. Não são rígidas as classes do sistema, nem são fechadas, e comportam o ingresso de novos valores, e o seu acesso até aos mais altos escalões. Salazar viera do nada; e do nada viera a esmagadora maioria dos seus ministros. No sector privado, muitos homens também surgidos do nada atingem, por trabalho e iniciativa, os mais elevados postos na economia, na indústria, na banca, nas profissões liberais, na vida social. Alarga-se a classe média, e a esta ascende toda uma massa que vem dos assalariados e do proletariado. Generalizam-se, sobretudo nas cidades, alguns sinais exteriores do progresso, do conforto, do desafogo económico. Não aumenta velozmente o poder de compra, os salários são modestos; mantém-se o valor da moeda, todavia, e são firmes os preços; e o crescimento da sociedade, se é lento, é estável também. Mas o sistema, ao mesmo tempo que é sociologicamente aberto, não cria mecanismos de defesa ideológica: conduz uma sociedade que lhe aproveita as vantagens sem lhe absorver a mística nem lhe suportar os inconvenientes. Quase de repente, fica perante um quadro de novos princípios e de novos valores, importados sob pressão exterior. É antes de mais o internacionalismo. De novo, como em épocas passadas, a humanidade é uma só: os homens são todos irmãos, as fronteiras entre países são um artifício sem fundamento, as soberanias das nações são um entrave à felicidade colectiva. Estas convicções conduzem directamente ao mito dos organismos internacionais, a que se atribui pureza de objectivos, e isenção de procedimentos, e cujas decisões, por espelharem a consciência da humanidade, devem ser respeitadas como imperativos categóricos. Daqui o apego ao pacifismo; a paz é valor supremo, superior ao direito, à justiça, à verdade: e que não se aceita como lícita a defesa em face de uma violência ou de um ataque que, se invocarem os novos princípios em curso, são criadores da sua própria legitimidade. São por isso de condenar as estruturas militares, os gastos com a defesa. E no plano religioso surge o progressismo no seio da Igreja Católica: esta é acusada de autoritarismo, de imobilismo, de apego a um passado que não se conforma com o progresso e a ciência, de comprometimento com César: e procura-se transferir para uma sociedade, que se transforma em messiânica, os atributos de Cristo. Da Cúria de Roma, o progressismo é disseminado em larga parte do mundo católico; e crescem os seus adeptos na Cúria de Lisboa, na Hierarquia, em sectores da Acção Católica, e entre membros do clero secular. Está-se à beira de uma nova civilização, de um mundo novo e sem raízes; e a Igreja tem de lhe corresponder. Por outro lado, há toda uma concepção sociológica que deve comandar a política: é a sociedade permissiva, é a sociedade de abundância, é a sociedade de consumo. São opressivas as peias morais, e a consciência de cada homem é o juiz último dos seus actos; e apenas é livre o homem pletórico, e sem passado. Há a certeza da felicidade pelo progresso contínuo; a obsessão do crescimento constante; a ânsia do futuro; e os conceitos de diálogo, de contestação, de abolição de hierarquias entram na vida e nos hábitos correntes. Surgem as crises de camadas sociais: a alta burguesia está receosa da sua própria função; a classe média descrê dos seus princípios; a classe operária reivindica uma economia independente dos recursos; e os homens não devem estar ao serviço de nada, salvo de si próprios. É cega a fé na ciência e na técnica para resolverem problemas sociais ou morais. Negam-se as hierarquias por destruírem a igualdade. Qualquer constrangimento é entrave à liberdade. E para debater todo o acervo de novas ideias multiplicam-se em Lisboa, e pelo país, os cursos, as conferências, os colóquios, os seminários, os centros de estudo e cultura, e são discutidas as ciências sociais, as ciências económicas, as ciências políticas, as novas disciplinas, as novas técnicas, os novos temas do presente e do futuro que apaixonam os homens. Influenciável pela última verdade, que toma como definitiva; volúvel, e crédulo, de entusiasmo tão súbito como fugaz; facilmente deslumbrado pelo que é alheio - o povo português sente um peso, uma fadiga, um desejo de mudar: a habitualidade de Salazar é um travão. Contrapõem-se a estes sentimentos o receio de aventuras, a defesa dos bens alcançados, a suspeita perante o desconhecido: então, a habitualidade de Salazar constitui uma garantia. Até quando? E se há que mudar, mais tarde ou mais cedo, não é preferível mudar imediatamente? Ou será melhor fazê-lo o mais tarde possível?

(...) Em que são compatíveis o mundo das novas ideias e o mundo expresso na criação estética com o mundo de Salazar? Para este, o mundo baseia-se nas sociedades nacionais, no patriotismo, no cristianismo de matriz, na hierarquia de valores, na autoridade que administre a liberdade, nas classes que colaboram e ascendam por mérito e trabalho, no engrandecimento de Portugal, na defesa do seus valores e do seu património. Como se conciliam os dois mundos? Na aparência e para os coevos, não se conciliam: os homens de visão histórica desentendem-se com o presente. No momento em que se inicia um novo mandato presidencial, e em que a sociedade portuguesa atravessou um sobressalto, e em que o chefe do governo se avizinha dos setenta anos, e em que cumprira trinta anos de poder sem interrupção - o mundo e o universo de Salazar erguem-se ao arrepio das grandes correntes, das grandes ideias-forças que mobilizam os homens, e parece em escombros. Está à vista o fim da sua vida política. Depois de alguma experiência do novo chefe do Estado, não se imagina que Salazar possa continuar no governo. Está desgastado, puído por mil trabalhos; e para mais, desiludido, amargurado. Afigura-se claro o seu futuro a curto prazo: decerto quererá, antes de cumprir setenta anos, ministrar algum curso na Faculdade de Direito de Coimbra, e assim regressar às origens, fechar o círculo de uma vida intensa; e depois descansar enfim entre as árvores e as latadas do Vimieiro, praticando com as irmãs da sua pequena lavoura e com o pedreiro Ilídio de muros e portais, e contemplando à distância um mundo em que interveio, que lhe parece enlouquecido, e que já não é o seu. É uma questão de tempo, e pouco: quanto?».

Franco Nogueira («Salazar. O Ataque - 1945-1958», IV).

Mais um episódio vergonhoso da nossa história pós 25 de Abril!!!

  (...) SILENCIADOS A TIRO... 18 de Maio de 1976, 2 horas da manhã. Um mar de refugiados, milhares, dirigiam-se ordenadamente, pelas ruas de...