domingo, 2 de agosto de 2026

Subversão e Terrorismo em África.

 



«A URSS, a Checoslováquia, a Jugoslávia e Cuba são os países do bloco leste que maior dinamismo irão mostrar em África durante os anos sessenta. Nestes estados comunistas, são montados serviços e organizações e formados especialistas para "trabalhar" os africanos. África é considerada zona "intermédia" ou "centro convulso". A URSS, Cuba e China desenrolarão em África esforços propagandísticos muito superiores aos dos países ocidentais, com o fim de neutralizar politicamente o continente, em relação ao diferendo Leste-Oeste, de conseguir adeptos nos governos constituídos ou colocar no poder grupos que lhes sejam ideologicamente favoráveis, ou que, no mínimo, sejam contrários aos Estados Unidos.

A estratégia externa cubana reside em exacerbar as contradições internas em países onde existam crises económicas, para assim provocar uma reacção repressiva, a fim de paralisar a sociedade e tornar viável a ascensão das vanguardas marxistas e pró-castristas, que depois aproximarão o país do bloco soviético.

Fidel Castro sobrestima as possibilidades internacionais para o desencadear de revoluções "à cubana". O fulcro da propaganda de Castro situa-se na exaltação do modelo cubano e na tomada do poder pela violência; além disso, procura convencer por todos os meios o Terceiro Mundo de que os EUA são a causa de todos os seus problemas. Este é o suporte teórico para a experiência do "foco" guerrilheiro e para a estratégia da subversão; o Congo, em África, o Vietname na Ásia, além, claro está, da própria Cuba, na América Latina, são os exemplos práticos em que assenta toda a retórica do sistema.



(...) Na sua propaganda, Cuba adopta as causas afro-asiáticas de maior aceitação: a descolonização, o anti-apartheid, a unidade africana, o anti-sionismo (primeiro velado, depois declarado), o direito da China a ser admitida na ONU, o apoio ao Vietcong, etc... No campo diplomático, cultivam-se as relações com uma quantidade de estados "moderados", além dos países "progressistas" afro-asiáticos: Ghana, Guiné, Mali, Egipto, Iraque, Síria, Tanzânia, Congo-Brazzaville, Daomé, Ceilão (Sri Lanka), Índia, Indonésia, Cambodja (Campucheia), Birmânia, Laos, Vietname do Norte.

(...) A inclinação e o interesse inicial dos soviéticos por Sékou Touré (mais do que por Nkrumah) deve-se à tendência teórica marxista evidenciada pelo líder guineense e à ausência de uma classe comercial profissional "pró-ocidental", contrariamente ao que acontece no Ghana. Também terá influído a desvinculação do exército da Guiné em relação à França, ao contrário do ganês, que mantinha estreitos laços com a Inglaterra. Por outro lado, durante a crise congolesa, Nkrumah desempenhara um papel nem sempre coincidente com as posições de Kruschev. No fim, Moscovo fracassaria, nas suas pressões para que Modibo Keïta, do Mali, e Kwame Nkrumah, do Ghana, institucionalizassem o "socialismo científico", através de um partido comunista.

(...) Kwame Nkrumah mantém centros de treino de guerrilheiros dos "movimentos de libertação" de toda a África Ocidental.

(...) A URSS, não obstante, encontrava-se muito mais activa que a China, dentro dos movimentos anti-portugueses, a partir de lugares como Ghana, Guiné, Congo Brazzaville, Tanganica e Uganda. A URSS mantinha os seus centros de instrução militar e apoiava politicamente tais movimentos.

O primeiro intento sério da URSS, respeitante às colónias portuguesas, seria a promoção da Frente Revolucionária para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas, criada na Guiné, em 1959, por intermédio do Embaixador soviético, Daniel Solod.

A URSS, no início dos anos sessenta, estimava que o ponto mais vulnerável da cadeia colonial de Lisboa era Angola, seguida pela Guiné Bissau. Depois dos soviéticos darem uma conferência em Moscovo, com o MPLA, em Dezembro de 1960, seria iniciada em Angola a violência dirigida pelo MPLA. A China, não obstante, não se decidia a entrar na questão com a UPA, de Holden Roberto, ou o MPLA de Mário Pinto de Andrade (velho militante do partido comunista português, com amplos vínculos dentro do partido comunista francês, tendo colaborado com o diário soviético PRAVDA). O MPLA, contava, na época, com vários militantes europeus e, sobre Agostinho Neto, um dos seus líderes, pesavam suspeitas de colaboração com os portugueses.

Decrescendo o poder militar do MPLA, em 1963, quando a OUA confirmou a UPA de Holden Roberto e Jonas Savimbi como representante da luta armada em Angola, a URSS perdeu a influência nos movimentos angolanos. O MPLA enfrentaria uma profunda divergência entre os grupos de Agostinho Neto e Lúcio Lara, apoiados na altura pelo Congo Brazzaville e o grupo de Viriato Cruz, o qual se uniria ao GRAE de Holden Roberto e receberia ajuda da China e da Argélia. Embora o MPLA continuasse a manter estreitos laços com Moscovo, ao mudar a sua sede de Brazzaville para a Zâmbia começou a ser cortejado pelo Embaixador chinês na Tanzânia, Ho Hing.



No GRAE, desenvolveu-se uma luta entre Holden Roberto e Jonas Savimbi, tendo culminado com a rotura do movimento. Em Dezembro de 1963, Holden Roberto entrevistava-se com o Marechal sino Chen Yi, em Nairobi, onde consegue a promessa chinesa de armamentos, enquanto Chou en Lai discutia com Ben Bella, nesse mesmo mês, a possibilidade de estabelecer bases de treinos na Argélia, para o MPLA, a UPA de Holden Roberto e o PAIGC de Amílcar Cabral.

O PAIGC recebeu da China a ajuda necessária para lançar as suas primeiras acções militares, nos princípios de 1963. Desde o início de 1960, membros do PAIGC eram enviados por Amílcar Cabral para receberem treino militar na China, Checoslováquia e Ghana.

O bureau político soviético, ficou inquieto, perante a campanha chinesa em África e Ásia. Mikail Suslov, alertou o resto dos dirigentes, numa notícia secreta, em 14 de Fevereiro de 1964, sobre as intenções sinas e a necessidade de se lhe prestar atenção. A partir desse momento, a URSS lançou-se numa ofensiva, com vista a ampliar as suas relações com os Estados africanos constituídos, como o Senegal, Quénia e Nigéria. Os soviéticos alargavam as pistas do aeroporto de Conakry, a fim de disporem de um ponto intermédio entre a URSS e Cuba. No final do ano (1964), a Guiné começou a reconsiderar a sua posição com respeito à URSS. Sékou Touré introduziria mudanças internas na organização do Partido Democrático da Guiné e corrigiu vários ministros demasiado "anti-soviéticos".

(...) A subversão na África, ao longo de sessenta, não pode ser considerada um elemento marginal, dentro da política externa de Havana. A pouca divulgação internacional da acção castrista em África leva a pensar (sobretudo após a sua invasão de Angola), que ao entrar nos anos sessenta Castro inaugura a sua política extra-americana independente. No continente americano, pensa-se erradamente que a exportação da revolução apenas tem como objectivo a América Latina.

Desde o seu início, a política africana é dirigida e supervisada por altas figuras da equipa castrista: "Che" Guevara, Osmany Cienfuegos, Manuel Piñeiro, Jorge (Papito) Sergera, Raul Castro e o próprio Fidel. Os meios, recursos, dinheiro, armas e homens, de forma aberta ou camuflada, canalizados para África, especialmente depois da crise dos mísseis, foram substanciais.



A presença cubana em África, anterior à invasão de Angola, explica-se como conveniente para objectivos ideológicos e políticos, mas a presença de Cuba na década dos anos sessenta foi permanente em locais como a Guiné, Argélia e Congo Brazzaville. Sem ser tão institucionalizada como nos anos setenta, a década de sessenta não deixa de ter uma estratégia coerente, de onde os actos cubanos não são resultado de improvisações ou factos conjunturais. Castro está presente no conflito argelino-marroquino, na destruição do sultanato de Zanzíbar, ajuda as guerrilhas da UPC [União dos Povos dos Camarões], no Camarão e as PAI [Partido Africano da Independência], no Senegal; treina e apoia logisticamente o PAIGC da Guiné Portuguesa; oferece "guardas pretorianas" a presidentes africanos, como Sékou Touré e Massemba-Débat; apoia o modelo de "Che" Guevara no Congo Léopoldville e treina, financia e doutrina centenas de guerrilheiros africanos de várias origens, nas escolas de subversão.

Os últimos anos da década de sessenta são um período de reconsideração política, sobretudo na Guiné e na Argélia. Restabelecem-se os laços com a Argélia, mediante um acordo secreto que convém ao chefe da DGI [Direcção-Geral de Inteligência], Manuel Piñeiro e à chefia dos serviços secretos argelinos. No campo económico, fortalece-se os laços com Marrocos, o esforço canaliza-se até ao PAIGC, através de Amílcar Cabral, ao MPLA, à FRELIMO e à facção camaronesa de Woungly-Massaga. Realiza-se um esforço para explorar novamente o corno sul-africano, enquanto se incuba a sucessão na Eritreia e se colabora com a URSS (através da DGI), à volta dos acontecimentos do Biafra, na Nigéria.

O castrismo parece mais inclinado a considerar o apoio à guerrilha nas colónias britânicas (Rodésia, Nyasa), onde pode ser favorável a internacionalização do conflito, e forçar uma decisão favorável ao campo soviético. Os serviços secretos cubanos trabalham contra o Senegal, o Camarão, o Congo e as colónias portuguesas.

(...) A penetração e subversão castrista na África do Sul, aproximam-se de Nelson Mandela, líder do Congresso Nacional Africano (ANC) que em 1962, durante a sua estada no Ghana, pediu dinheiro, armamentos e facilidades para treino de militares. Esta petição foi recebida com agrado por Havana, mas o encarceramento de Mandela impossibilita pôr-se em prática um plano de violência armada na África do Sul, somado ao pouco respeito de Castro pelos líderes do ANC, como Albert Lutuli e Oliver Tambo.



O Partido Comunista sul-africano aproxima-se de Cuba e do bloco soviético, através do jornalista marxista inglês Idris Cox. Os meios africanistas cubanos, não obstante, mostram-se cautelosos.

Em Moçambique, o bloco soviético faz eco dos comentários de Kwame Nkrumah, que acusam o presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane, de estar ao serviço da CIA. Mesmo assim, o embaixador cubano na Tanzânia, Pablo Rivalta, apresenta a segunda figura da FRELIMO, Marcelino dos Santos, como um elemento de toda a confiança. Rivalta informa que os acampamentos de treinos guerrilheiros da FRELIMO, na Tanzânia, estão "contaminados" pela CIA através dos "corpos da paz". A mútua pendência entre Castro e a FRELIMO mantém-se até quase à independência moçambicana.

A FRELIMO, não obstante, continua a receber a ajuda da Tanzânia, Zâmbia e China, e de um outro "assessor" cubano. Nos seus campos de treino, A FRELIMO conta com a colaboração de militares chineses e tanzanianos. (Os castristas verificam como a FRELIMO, a mais poderosa organização nas terras ultrécada de sessenta, verifica-se a presença de guerrilhas cubanas no PAIGC. Amílcar Cabral situa-se então no grupo moscovita e os serviços secretos cubanos começam a "trabalhá-lo". Camarinas portuguesas, se lhes escapa).

Castro joga a cartada do PAIGC, na Guiné-Bissau e Cabo Verde, contrabalançando com os chineses. No princípio da dentros de treino e vias de aprovisionamento são estabelecidos na Guiné. Para tal, Sékou Touré passa por cima das suas divergências com Castro, ao ponto da segurança cubana assegurar a sua guarda pessoal. Uma "ajuda técnica", na esfera agro-pecuária, é o pretexto escolhido para camuflar esta actividade.

(...) Durante todo o tempo da "desaparição" de Che Guevara, nos círculos relacionados com a problemática africana, soube-se que ele mesmo se estava a ocupar de todos os pormenores do esboço guerrilheiro do centro sul-africano: estudando materiais, estabelecendo contactos, supervisionando o treino dos guerrilheiros, organizando redes informativas, abastecimentos, incrementando a espionagem, etc.



A ideia é simples: Vietname na Ásia, o Che Guevara em África (apoiado pela Argélia, Ghana, Congo Brazzaville e Tanzânia, para derrubar os colonialismos inglês e português que ainda restavam, assim como os do regime rodesiano e sul-africano), enquanto Fidel Castro se ocupava da América Latina. Esperava-se assim, comprometer os Estados Unidos na zona sul-africana e na América Latina, além do Vietname, provocando uma grande confusão.

A ideia pretende desenvolver a primeira introdução real de guerrilha no Congo Léopoldville, com duas bases: o Congo Brazzaville e a região dos Lagos da Tanzânia. Depois de se instaurar em Léopoldville um governo do MNC [Movimento Nacional Congolês], com Gaston Sumialot e Christopher Gbenye à frente, tornar-se-ia fácil desferir golpes laterais, a partir de ambos os Congos, até Angola, e da Tanzânia sobre Moçambique. Esperava-se unir os dois Congos e constituir uma franja duma costa à outra (com ambos os Congos, Angola, Tanzânia e Moçambique), o que propiciaria o desmoronamento do sistema com um governo dos futuros guerrilheiros do Zimbabué. Depois disso, considerava-se que a África do Sul Ocidental (Namíbia) fosse uma conquista fácil.

A África do Sul e a Namíbia são os pontos chave de toda a estrutura. Especulava-se com duas alternativas: uma extensa luta guerrilheira na Namíbia e na África do Sul, ou a invasão da África do Sul com um exército africano, sob as ordens de Che Guevara, atacando a partir de diversos países fronteiriços. Desta maneira, por intermédio de Che, o castrismo esperava transformar África num elemento estável da sua política. Se, no decorrer da evolução do plano, verificasse a intervenção militar norte-americana, então implementar-se-ia a estratégia da confusão, com dois, três, vários Vietnames.

(...) O terrorismo sempre figurou na agenda de Castro, ainda que se tentem dificultar as evidências. Muitas das organizações que operaram nos anos sessenta obtiveram treino, bases e inclusive instrução cubana. O PLO, as Brigadas Vermelhas, os tupamaros, os montoneros, o comando Boudiaf e outras mais pequenas devem parte da sua existência à generosidade de Fidel Castro.

A ligação de Havana com o editor italiano Giangiacomo Feltrinelli, chefe das Brigadas Vermelhas, tornou-se pública nos finais da década. Fidel Castro tinha contribuído com largas somas de dinheiro e tinha-o ajudado a construir uma rede de contactos na Europa. Feltrinelli travou relações pessoais com Che Guevara e com Fidel Castro e a sua editora publicaria a revista "Tricontinental", a voz internacional de Fidel Castro, financiada pelos seus serviços secretos. Com a autorização de Castro, Feltrinelli publicou em várias línguas os manuais: "Guerra de Guerrilha" de Che Guevara e "Guerrilha Urbana" de Carlos Marighella.

Castro ajudou a formar o comando terrorista do grupo palestino pró-soviético, Frente Popular para a Libertação da Palestina, de George Habash e cujo braço armado é conhecido como "Comando Boudiaf", que seria dirigido por Mohamed Boudiaf, argelino, ex-benbelista e amigo pessoal de Fidel Castro. Depois da misteriosa morte de Boudiaf, a embaixada de Cuba, em Paris, seria o eixo da posterior reorganização deste grupo, que viria a ter como chefe o lendário Ilich Ramírez Sánchez (Carlos, o Chacal).

Carlos tinha participado na conferência Tri-Continental de Havana, durante a qual recebeu um curso especial de comando na província de Matanzas e que compreendia: guerrilha urbana, armas automáticas, explosivos, sabotagem, cartografia, fotografia, falsificação, etc.

Dali, a DGI recomendou-o à KGB para efectuar este curso especial na URSS, Carlos recebeu em Cuba treino de contra-informação, após o que se incorporou no comando de Mohamed Boudiaf, na Europa.



O governo inglês confirmaria a ligação da embaixada cubana em Londres com as actividades de Carlos, assunto que provocou a expulsão de um agente de serviços secretos cubanos que actuava sob cobertura diplomática. Por seu lado, André Mousset, Ministro do Interior de França, afirmara o envolvimento directo de Cuba nos planos terroristas de Carlos "o Chacal"; Mousset demonstraria as relações de pelo menos três diplomatas cubanos com Carlos em Paris.

"...após vários dias de investigação, o governo francês ordenou a expulsão de três diplomatas cubanos, sob acusação de que eram cúmplices de Carlos (o terrorista Ilich Ramírez Sánchez), e os serviços secretos cubanos não empreendem tais acções sem autorização da KGB..."

É a época em que Fidel Castro se entrega completamente à criação e fortalecimento de organizações terroristas, tais como as Brigadas Vermelhas, os tupamaros, os montoneros, o MIR chileno, os comandos palestinianos de George Habash, os grupos de comando no México, os mocheteros em Porto Rico, o movimento Weatherman, etc.

(...) A subida ao poder do coronel Khadafi, na Líbia, desperta a curiosidade e o interesse da URSS e de Cuba, que tentariam submetê-lo às suas posições. O líbio, ainda muçulmano fanático, de tendência indecifrável, concretiza o desafio petrolífero contra os países ocidentais que apoiam Israel e desencadeia uma vaga de subversão e terrorismo anti-sionista na área.

No ano de 1966, Raul Castro instalou-se em Hanói para discutir a concessão de ajuda militar. Cuba oferece treino à aviação e artilharia, assim como ajuda em trabalhos de contra-espionagem e interrogatórios. Cuba abre uma embaixada em território Vietcong, enquanto Raul Castro discute, com a Coreia do Norte, a possibilidade de oferta de treinos aos movimentos e guerrilhas de África e América Latina.

(...) Cuba não dispõe nos anos sessenta de uma política definida para o Médio Oriente, em parte pela frieza das suas relações com Nasser, e porque a URSS procedia com cautela antes da ligação de Yasser Arafat com a China. A partir do problema militar egípcio na "Guerra dos 6 Dias" com Israel, em 1967, a influência, auxílio financeiro e material, treino militar e santuários de Nasser para os "movimentos de libertação" da África entram em declínio. Mesmo assim, a Liga Árabe, move-se para posições mais moderadas.

As pressões soviéticas para que Castro rompa com Israel materializam-se com a visita de Alexei Kosygin a Havana, em 1967, mas Cuba resiste a estas pressões, ainda que, por outro lado, Castro mantenha relações ocultas com a facção palestiniana pró-soviética e George Habash. Abu Iyad, o braço-direito mais próximo de Yasser Arafat, comentara que desde 1966, a OLP enviara militares para treinos em Cuba, e que os instrutores cubanos efectuaram treinos nos campos de manobra palestinianos. O diferendo Castro-Nasser tinha contribuído para que Havana mantivesse esta posição ambivalente com a OLP e Israel; enquanto a sua propaganda oficial apresentava Tel-Aviv como instrumento norte-americano, técnicos israelitas auxiliavam os planos citrícolas de Cuba. A velha guarda estalinista era evidentemente pró-nasserista e anti-Israel, enquanto os "neo-marxistas", as forças armadas, a juventude comunista e a população evidenciavam a sua preferência pelo "David" mesoriental.



Castro e Khadafi (além da URSS, Sudão e Egipto) fazem convergir desde o início a sua ajuda à Frente de Libertação Eritreia, promovendo a criação de um Estado independente da monarquia etíope. Castro, a URSS e o egípcio Nasser reconheciam o valor deste território, pelos seus portos (Assab e Massawa), que davam acesso ao Mar Vermelho. Esta posição inicial a favor da independência da Eritreia, causara transtornos políticos a Castro quando os seus exércitos entraram em acção, em 1978, a favor do etíope Mengistu Haile Mariam, decidido a acabar com as aspirações de independência da Eritreia.

A partir de 1969, o "akid" Khadafi lança uma severa campanha contra Fidel Castro, devido às suas relações com Israel e ao seu "falso não-alinhamento". Khadafi procura entre outras coisas afastar Fidel Castro como possível centro do não-alinhamento. Castro descobre então o reencontro cubano-argelino, que se vem concretizando desde a visita que o Chanceler e chefe dos serviços secretos de Boumédiène, Abdulaziz Bouteflika, efectuara em Havana em Novembro de 1968.

(...) O período que vai desde o descalabro guerrilheiro na Bolívia, em 1967, até à invasão de Angola, não é de inactividade ou pura reconstrução doméstica quanto a África. Além das missões militares na Serra Leoa, Guiné Equatorial, Somália, Argélia, Moçambique, assim como as do Yémen do Sul, Síria e Iraque, treinam-se, armam-se, financiam-se na Zâmbia, Benin, Congo Brazzaville, Guiné, Madagáscar, Mali, Líbia e Burundi. Reforçam-se as missões diplomáticas e serviços secretos em África e no Médio Oriente, estendendo-se ao Egipto, Tanzânia, Congo Brazzaville, Guiné, Argélia, Síria, Iraque, Yémen do Sul, etc. Castro mantém cursos de treinos subversivos e ajuda militar aos "movimentos de libertação" africanos.

(...) A invasão de Angola não significa um corte estratégico ou a introdução de um novo esquema, mas a culminação de um processo que se inicia simultaneamente em Cuba e na URSS, no final dos anos sessenta, com a consolidação de Brezhnev e a subida do grupo internacionalista e do complexo militar-industrial, o fortalecimento interno dos velhos marxistas em Cuba, assim como a introdução de esquemas sócio-económicos soviéticos. Angola encontra antecedentes na forma como a URSS e Cuba se movimentam no Yémen do Sul e na Somália, assim como na sua participação conjunta na Síria, em 1973.Na ordem ideológica, Castro criou as condições para que o seu próximo "internacionalismo" militar não provoque desavenças. Tomam-se medidas de controlo dos intelectuais e militantes do extinto movimento de 16 de Julho (inimigos da velha guarda estalinista cubana). Suprime-se a revista "Pensamento Crítico", de tendência anti-soviética, assim como a publicação das chamadas Obras Polémicas. Nas Universidades e escolas pré-Universitárias introduz-se o estudo do marxismo-leninismo e eliminam-se as disciplinas de filosofia e sociologia. No terreno laboral, dita-se a "isabelina" (Lei contra vagabundos) que permite encarcerar todo aquele que não se encontre a trabalhar. Legaliza-se a detenção "preventiva" dos indivíduos supostos opositores "potenciais" (a Lei do suspeito)».

Juan F. Benemelis («Castro, subversão e terrorismo em África»).

sábado, 1 de agosto de 2026

O dia de S. Traidor - António José de Brito

 




«(...) E veio o dia de São Traidor…!
- Como é próprio de uma época em que a traição, a vileza, a covardia e a abjecção são os traços dominantes, o que se censura hoje a Salazar é o que ele teve verdadeiramente de grande e elevado.
- Classifica-se de atitude suicida a sua oposição férrea e persistente a todos os oportunismos e a todas as diversas soluções políticas que traduziam apenas a vontade de não lutar pela integridade das fronteiras seculares de Portugal quando foi esse, ao invés, um dos seus mais belos títulos de nobreza: ter reconhecido lucidamente que a única solução política digna era combater à outrance pela grandeza da Nação que só existia esse meio de conservar o que era nosso há centenas de anos e de assegurar um futuro de prosperidade e ordem e que, assim, no caso de se perder tudo o resto, se salvava, ainda, o bem mais precioso de um povo que é a sua honra. Porque sobrevive-se enquanto Pátria a uma derrota gloriosa, mas não a um abandono ao inimigo por comodismo, medo, indiferença pelo interesse comum.(…)
- Ainda não tinha fechado os olhos e já se entrava no caminho das autonomias crescentes para as províncias ultramarinas (que – admitia-se sem rebuço – viriam acaso a produzir a independência futura das mesmas) como se a missão do Estado fosse andar a semear Brasis pelo mundo, em vez de velar pela intangibilidade do património histórico e espiritual herdado dos antepassados.
Depois, os ventos semeados deram as tempestades previsíveis. Veio o dia de São Traidor e iniciou-se, oficialmente, a construção de um país novo – ou antes de uma horda movida pelos instintos de prazer e egotismo – para o que procedeu, desapiedadamente, à destruição do que era um autêntico país – o nosso país. Em nome da edificação de um Portugal maior, reduziram-no a um inviável e anárquico rectângulo peninsular.
- Em nome da liberdade, impôs-se a ideologia obrigatória do antifascismo. Em nome dos direitos do homem, espancou-se, torturou-se, elaboraram-se leis penais com efeitos retroactivos, agravadas a seguir por uma triste assembleia que se chama da República. Em nome da paz, centenas de milhares de brancos, pretos e mestiços tombaram vítimas da descolonização exemplar, ao passo que milhões de outros, sem serem ouvidos e achados, foram entregues ao jugo soviético. Em nome do bem-estar dos desfavorecidos e desprotegidos, arrasou-se a economia, estabelecendo-se o princípio, que conduz à miséria geral, de que o importante é diminuir o trabalho e aumentar o ganho. Em nome da independência nacional, mendigam-se empréstimos aos capitalismos lá de fora, empenhando-se o que nos resta. (…)
- Mas enquanto os coveiros da nação se arrastam no seu carnaval, aqueles para quem a fidelidade não é uma palavra vã, para além dos vermes e pigmeus actuais, volvem as suas mentes e corações para a figura cimeira de Salazar, o derradeiro estadista nascido nesta terra para quem se pode erguer o pensamento sem se ter de corar de pejo e tristeza.»
Retirado de “A Rua” do Professor Doutor António José de Brito.

Em nome da verdade - o PREC.

 



«Na noite de 27/28 de Setembro de 1974 e dias seguintes, foram presas centenas de pessoas, civis e militares, a maior parte das quais surpreendidas a dormir em suas casas. Entre os presos militares, encontrava-me eu. O pretexto foi a "Manifestação da Maioria Silenciosa" que se preparava para o dia 28, em apoio ingénuo ao Presidente da República, General António Spínola. Inventou-se ter a Manifestação propósitos sediciosos contra Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, o que, embora muitos o desejassem, não correspondia em absoluto a qualquer realidade.

Os mandatos de captura, bastantes dos quais assinados em branco, referiam o crime de "associação de malfeitores", parece que criação notável do Dr. Salgado Zenha. A maioria dos detidos foi conduzida para o Forte de Caxias, tendo quase todos os militares sido, após alguns dias, transferidos para a Prisão Militar da Trafaria. Na generalidade dos casos, não houve culpa formada, nem interrogatórios formais e válidos.

(...) O documento [ESTADO PORTUGUÊS RÉU CONDENADO PELA PRISÃO DE KAÚLZA DE ARRIAGA] (....), resume o facto da minha prisão, alguns acontecimentos com ela relacionados, nos quais se distingue a acção judicial, em consequência por mim movida contra o Estado Português, e, muito especialmente, a Sentença do Tribunal da Auditoria Administrativa de Lisboa e o Acordão do Supremo Tribunal Administrativo, dando-me razão plena e condenando o Estado Português.

Alguns têm estranhado o valor reduzido da indemnização - 100.001$00 - em que o Estado foi condenado. Devo esclarecer que fui eu próprio que não quis maior indemnização, dado entender tratar-se de uma reparação essencialmente moral e não de um processo de auferir lucros materiais. Lucros que, de resto e em última análise, apenas sobrecarregariam os contribuintes. Por outro lado, eu não me podia sentir atingido ou sequer tocado, no meu foro íntimo, com a miserabilidade dos agentes do Estado responsáveis pela prisão de que fui objecto, pela sua duração e pelo que durante ela ocorreu. Os grandes atingidos, os violados maiores, foram, sim, não só a Legitimidade e a Legalidade como a Moral, a Verdade, a Liberdade, a Justiça e os Direitos Basilares do Homem. Cem mil e um escudos era, na época, a indemnização mínima que podia exigir-se, sem prejuízo de eventuais recursos para instâncias superiores.

(...) Ainda hoje é, para mim, evidente que, se após o "25 de Abril" me mantivesse General do activo e até se na situação de reserva não tivesse sido preso, me sentiria na obrigação nacional de procurar evitar, a todo o custo, a descolonização e a marxização do País. E, ou conseguiria o sucesso tudo salvando, ou, admito, em face do logro em que viviam os portugueses, mais provavelmente teria perdido e seria pessoalmente destruído.

Assim e com a mesma probabilidade, os então novos dominadores de Portugal, sem o desejarem, bem pelo contrário, acabaram por me prestar, no plano pessoal, "saneando-me" e prendendo-me, grande serviço.

Por outro lado, também involuntariamente, acabaram do mesmo modo por me conferir, mantendo-me preso até se consumarem aquelas descolonização e marxização, o privilégio de, com verdade, poder proclamar ser eu uma das poucas pessoas e dos pouquíssimos militares que, nem por acção, nem por passividade ou omissão, tiveram quaisquer responsabilidades, directas ou indirectas, na execução do desastre nacional.

Tudo isto sem prejuízo, não só da iniquidade, arbitrariedade e prepotência praticadas, como da ilegitimidade, ilegalidade e dolo havidos, como ainda da violação verificada dos mais basilares Direitos do Homem».

Kaúlza de Arriaga («Guerra e Política. Em Nome da Verdade. Os Anos Decisivos»).

sexta-feira, 31 de julho de 2026

As vergonhosas prisões arbitrárias durante o PREC.



 «(...) Foi preso pelo “crime” de grau de parentesco? Alguma vez lhe disseram que foi esse o motivo?


Esse foi o motivo. Telefonaram para o COPCON a dizer que “estava ali um sobrinho do Marcello” [Caetano] e a resposta foi “tragam-no” (a mim e aos outros). Depois o MDP/CDE emitiu um comunicado a dizer que tinham sido presos 12 notórios fascistas que tinham desempenhado altos cargos no antigo regime e um desses 12, era eu! Isto tudo com 17 anos, repito.

Foi com a “legalidade” de um dos famosos mandados em branco?

Nem isso! No nosso caso não existiu qualquer mandado, sequer. Foi apenas a legitimidade revolucionária.

Como foi tratado na prisão? 

Na prisão, estive duas vezes no isolamento (antes de ser interrogado) e à parte umas ameaças durante os interrogatórios, fui bem tratado. Contudo, no momento da minha detenção, simularam o meu fuzilamento (e dos meus companheiros) no isolamento.

Essas práticas de tortura eram comuns?

Hoje sei que houve vários tipos de sevícias, tanto físicas como morais, sobretudo morais, mas não posso afirmar que fossem comuns. Agora que aconteceram, aconteceram...».

Entrevista a Nuno Alves Caetano no Jornal "O Diabo."

terça-feira, 28 de julho de 2026

Salazar, o homem e a obra.

 


HOMENAGEM A SALAZAR E AOS SEUS 25 ANOS DE GOVERNAÇÃO, PRESTADA PELA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO, EM 1953.
( EXCERTOS DO DISCURSO PROFERIDO PELO ESCRITOR , CONDE D' AURORA)

" ESTE HOMEM DE GÉNIO, ESPANTO DO MUNDO ACTUAL, INVEJA DE TODOS OS POVOS, QUE MESTRES TERIA TIDO? "

" ESSA A GRANDE RENÚNCIA, O MAIOR VALOR DE SALAZAR.
SALAZAR VALOR DE PORTUGAL E DO MUNDO, JÁ PERTENÇA DA HISTÓRIA DE PORTUGAL E DO MUNDO. "

"Não é sem a mais alta emoção que uso da palavra neste soleníssimo momento. Comovido, como não posso deixar de me sentir, pequenino e esmagado, tal um minúsculo comparsa em recuado travelling de grande espectaculosidade histórica, pelo ambiente e pelo assunto: discorrer sobre Salazar e no Salão Nobre dos Paços do Concelho do mais representativo, do mais tradicional, do mais opulento município de Portugal.
(...)
Vinte e cinco anos da estadia de Salazar no poder, do estadista de maior nome mundial da actualidade.
Tentarei traçar ante a retina da vossa imaginativa, culta e inteligente, com minhas mãos inábeis, em acelerada retrospectiva panorâmica, a infra-estrutura material da obra por ele realizada; mostrando, depois, a superstrutura que a timbra, sua maior obra, sua grande obra, a reedificação espiritual; e finalmente tentar, quase em quiromância, descrever as linhas de força, as ideias mestras, os antecedentes, a explicação de Salazar, tanto quanto é possível explicar qualquer caso humano, especialmente este que extravasa todas as medidas normais e representa, no Tempo e no Espaço, um tipo extra - série, como disse de Monzie.
É já um slogan adoptado pelo nosso espírito, ainda relapso no conservantismo passivo e derrotista, bom condutor das forças do mal, considerar de mau gosto repisar os benefícios de ordem material dos últimos vinte e cinco anos. Mas a realidade é bem outra: é o nunca ser demais relembrar tais factos, deleitando-nos no orgulho como na usufruição de tais verdades. Circuitêmo-las rapidamente. Relembremos como Salazar, quando nem os homens do 28 de Maio conseguiam estancar uma derrocada financeira que vinha dos tempos da Monarquia Liberal, e tão pavorosamente se agravara no período da República Demagógica ( e V.V.Ex.ªs poupar- me -ão os números que todos conhecem e ninguém nega), lembremos como Salazar restaurou o equilíbrio orçamental; extinguiu o déficit crónico ( caso único nos tempos actuais da Europa! ) ; como se pagou integralmente a dívida flutuante e a taxa de juro baixou de 13% para 2.5% ; como se restabeleceu o crédito e se restaurou a moeda que passou de uma situação risível a ser uma das mais fortes do mundo.
(...)
Apetrecharam -se os portos, de aquém e de além mar. E renovou -se totalmente a grande rede de estradas por todo o país, num esforço de grandeza colossal. O repovoamento silvícola dos nossos escalvados montes, em centenas de milhares de hectares, só tem par na história com a obra do Pinhal de el- Rei.
E não se pode esquecer a obra de hidráulica - agrícola apenas porque o aproveitamento hidro - eléctrico atinge cifras astronómicas. E construiram -se milhares de escolas, de edifícios públicos, de tribunais, de casas para magistrados, correios e telégrafos com sua vasta rede de ligações telefónicas a todo o país. Centenares de pontes! E porque faltou o << brasileiro>> a construí - los, também se ergueram hospitais, realistas estes e obedecendo a planos. E restauraram -se por todo o País os nossos mais notáveis monumentos nacionais que se esboroavam e desapareciam sem deixar vestígios.
Por todo o Mundo Português se estendeu a obra de construção, integrando o Ultramar no seu verdadeiro conceito de Províncias de Portugal; e tudo lá se fez como na metrópole, resgatando até os caminhos de ferro e os portos; construindo estradas, saneando as finanças, organizando os quadros, fomentando então de um modo ingente a agricultura ultramarina.(...)
E tanta, tanta coisa ainda, em todos os mais pequenos recantos da vida portuguesa. E passarei em claro, por falta de tempo, vastos sectores inteiros. Mas se a infra-estrutura é notável, como já verificamos, muito mais importante é a obra de renovação dos espíritos: a Superstrutura. Essa é a consciência da nossa dignidade nacional, a nossa consciência imperial, o orgulho legítimo de sermos portugueses, que no dessoramento do último século e meio havíamos quase totalmente perdido. E também a paz nas ruas, nos espíritos, nas almas. (...) É o restabelecimento das potências do Espírito. É o primado da Inteligência e da Razão. É, numa palavra, a certeza que os portugueses adquiriram de que a Nação é uma realidade presente com projecção no futuro, e não apenas um passado de museu, morto, glorioso embora. E se alguns outros homens eram também dotados de tais sentimentos, não exclusivos de Salazar, faça -se -lhe a justiça que só ele conseguiu, com seu exemplo de abnegação e trabalho, votando à tarefa a própria vida - só ele conseguiu a generalização de tal espírito, de tal disciplina, de tal convicção.
(...)
Suavemente, lentamente, persuasivamente, dentro das nossas fronteiras vai-se a pouco e pouco vivendo de novo habitualmente, vítimas já quase apenas dos males do século, porque não podemos esquecer que Salazar não tem o condão de desligar -nos do Tempo e do Espaço, nem dar solução, como tantos rabugentamente pretendem, aos grandes danos do presente, existindo com muito maior intensidade nos outros países, esses mais ricos que o nosso ainda sem subsolo nem grande indústria.
(...)
Este homem de génio, espanto do mundo actual, inveja de todos os povos, que mestres teria tido? Estudemos as linhas de força da sua personalidade. Quando digo mestres eu quero lembrar essencialmente três de quem hauriu mais profundamente aquela sua vasta preparação de estadista que o faz dominar os acontecimentos, tão ao contrário dos<< políticos - políticos>> dominados, esses, pelos acontecimentos. Aquela clareza dos seus discursos, álgida embora quanta vez, mas clara e álgida como a demonstração de um teorema. Que só pelos discursos fica Salazar indelèvelmente inscrito entre os grandes clássicos da língua. (...)
Ora quando digo Mestre eu quero significar em primeiro lugar o Povo de Portugal, esse Volk, tão marcado na actual personalidade de Salazar, embora Salazar mais propriamente herói nacional de que herói popular. Povo da nossa terra, em toda ela igual e como ele: arca do bom senso, do carácter, de todas as nossas virtudes atávicas e tradicionais. (...)
A seguir é a admirável já cultura e não apenas instrução do curso teológico (...)
É depois a velha, a grande Universidade de Coimbra. Mas até essa, quintacolunizada pelo espírito destruidor do mal, abastardada ao ponto de tentar expulsar de seu seio o futuro estadista, apenas porque ele tinha o autêntico, o tradicional, o verdadeiro espírito de escolar coimbrão. É a Mestra Coimbra, mais o burgo que a Universidade; mais o meio, o ambiente, a república estudantil.
Ah! São esses os três grandes mestres de Salazar.
(...)
Gélida casa a sua, gabinete oficial e burocrático sem alma, objectivo como um volume de carneira do<< Diário do Governo>>. Gélida casa sem lume, sem o calor, o colorido, a consolação, o conforto de aquilo a que Fradique shakespereanamente chamava<< o leite da bondade humana>>.
Essa a grande renúncia, o maior valor de Salazar. Salazar valor de Portugal e do Mundo, já pertença da História de Portugal e do Mundo."

( SALAZAR , pintura a óleo da autoria de Henrique Medina)

Ana Mandim 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A colossal fortuna de Salazar.

 



Para calar a boca dos que muito falam sem saber!!!

"Pensei de interesse procurar saber quais os haveres de Salazar à data da sua morte. Julgo que possuía na altura apenas uma conta bancária: na Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência – Caixa Económica Portuguesa. Fora o depositante n.º 84 840. Extraviara a sua caderneta. Fora-lhe atribuído em 1965 um novo número: 95 450. Em 31 de Dezembro de 1969, a sua conta apresentava um saldo positivo de 274 892$00. Creio que durante a doença, e além do vencimento que lhe era directamente pago pelo Ministério das Finanças, alguns levantamentos terão sido feitos, por cheques que o doente ainda assinara, nos primeiros meses de 1970. Quando Salazar morre, o saldo na Caixa, numa ordem de grandeza aproximada, não deveria exceder os 50 000$00. Quanto às suas «propriedades» em Santa Comba e no Vimieiro: em 19 de Outubro de 1970, foi feita uma escritura de habilitação de herdeiros no notário Fernando dos Santos Manata, tendo outorgado João Manuel Alves (ulteriormente presidente da Câmara de Santa Comba), José Pinto de Matos e José Maurício de Gouveia; o «falecido não fez qualquer disposição de última vontade»; e deixou como únicas herdeiras suas irmãs Marta, Maria Leopoldina e Laura (esta última viúva de Pais de Sousa). À herança foi atribuído um «valor provável» de 50 000$00. Este quantitativo deve ter sido calculado por baixo. Pode presumir-se que os terrenos e a casa de Salazar deveriam valer em 1970 cerca de cem contos. Nestes termos, o património pessoal de Salazar, no total e à sua morte, deveria oscilar entre cento e cinquenta a duzentos contos."

Franco Nogueira in «Salazar – Volume VI – O último combate (1964-1970)», 1985.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

África e Salazar.

 


Palavras de Salazar sobre o problema africano, sempre de uma suprema lucidez e completamente objectivo.

«... As aspirações dos povos africanos não diferem das que ainda hoje constituem os anseios da maioria das sociedades espalhadas por esse mundo fora, e que anseiam libertar-se do ciclo de subdesenvolvimento em que se encontram. Os seus objectivos coincidem, assim, com os problemas de governo dos respectivos países ou territórios; e, como acontece em toda a parte, quando tais problemas não encontram solução, ou quando esta se processa em ritmo mais lento do que aquele que revelam as aspirações dos povos, logo se põem em dúvida, ou seja politicamente em crise, quer as instituições quer a competência da administração. Este fenómeno é tanto mais frequente quanto menor é o grau de cultura da sociedade em questão, o qual, por sua vez, deriva essencialmente do grau de desenvolvimento da economia territorial, pois que a educação e a cultura não as produz a terra nem se colhem das árvores, como fruto espontâneo: conquistam-se pelo trabalho. Parece, assim, que não haverá outra saída do ciclo de subdesenvolvimento que não seja pela via do trabalho dos povos interessados, pois que os programas de educação em massa impostos de fora e oferecidos como dádiva não conseguirão ultrapassar os escolhos de ordem material que se lhes antepõem e que impedem resultados espectaculares. Se esta noção é exacta - e não vejo que nalguma parte do Globo ou nalgum tempo da História tenha sido rebatida - afigura-se que o critério que havia de presidir à evolução africana não deveria desprender-se da necessidade de as responsabilidades da administração estarem entregues aos elementos mais qualificados para as assumirem, com o apoio de uma soberania interessada no progresso do conjunto.

Não exporei aqui certas dúvidas, a primeira das quais seria se tal doutrina terá levado suficientemente em conta, na sua aplicação, o que nos parece deveria ter sido a sua principal razão de ser, ou seja, os interesses dos povos; tão-pouco procurarei responder a certas interrogações, tais como as de saber a quem melhor vem aproveitando o vento da mudança e se a doutrina tem sido sempre aplicada ou se a comunidade internacional, pelo contrário, tem assistido inerte a gritantes derrogações do princípio. Limitar-me-ei a expor a nossa opinião.

Nós conhecemos, por contacto directo de longa tradição, o nível e as possibilidades de certas elites africanas e não duvidamos por isso da sua capacidade como elementos dirigentes que, no caso português, o são e têm sido através da História. Mas não julgamos, e a experiência vem confirmando a nossa convicção, que essas elites sejam numericamente suficientes em todos os domínios e em todos os escalões, quer da administração quer da actividade privada - sem a qual aquela não teria objecto nem sentido - para assumir inteiramente sós as complexas funções de um Estado moderno. Que assim é parece pela circunstância de, em certos casos, se estar fazendo uma experiência que a nós se nos afigura contrariar a independência real dos povos: enquanto o governo é entregue aos elementos locais, as empresas e iniciativas de valor económico básico continuam - e é esta a melhor hipótese - a cargo dos que, embora nacionais da antiga potência soberana, passaram agora a ser estrangeiros no país onde servem. Quer-nos parecer, quando despidas das aparências e reduzidas as coisas à sua essência, que estes novos Estados se arriscam a criar por este processo sujeições mais graves do que aquelas de que pretendem libertar-se. Mas por outro lado, onde tal experiência não esteja sendo executada, temos assistido, e receio que viremos a assistir com maior frequência, a retrocessos da vida económica e social e ao retorno de certas práticas incompatíveis com a prosperidade e progresso desejados.

Deve ter-se como incontroverso que tais inconvenientes não resultam da vontade dos nossos dirigentes africanos; e se, como se faz crer, esses são, em todos os casos, os mais habilitados, também não deve provir tal estado de coisas da deficiência das suas qualificações. A justificação, parece-nos, residirá na falta de elementos de apoio com que essas elites contam. E é natural que assim seja, porque um Estado não é constituído apenas por governantes. Um Ministro da Economia, por exemplo, não poderá governar, se não tiver, ao nível dos serviços públicos, os engenheiros, os economistas, os agrónomos, os veterinários, os funcionários de carteira e de campo; e, tendo-os todos, nada terá a dirigir se lhe faltarem os chefes de empresa, os técnicos, os comercialistas e os operários especializados, que na esfera privada mantêm em funcionamento as actividades económicas, isto é, os homens que organizam e dirigem o trabalho. A existência de todas estas camadas populacionais não foi considerada essencial para a formação das novas nações africanas; nós entendemos, porém, que será indispensável para o seu funcionamento e para a sua independência. E como uma economia nacional não se inventa nem improvisa e a preparação profissional é extremamente morosa (como estão a reconhecer mesmo os países economicamente fortes relativamente aos seus planos de desenvolvimento) parece que aos povos considerados se indicou um caminho pelo qual não conseguirão progredir a ritmo compatível com o resto do mundo e, assim, radicarão o seu atraso e comprometerão a sua independência nacional.

A independência das nações africanas tem-se processado, na generalidade dos casos, sobre dois erros que as prejudicarão: o racismo contra o branco e a suposta unidade dos seus povos naquele continente. Esta última suposição tenderá a subordinar o negro ao árabe; o racismo negro tenderá a prescindir de tudo quanto o branco mais progressivo pode levar-lhe em capital, trabalho e cultura. Seria mais assisado substituir o exclusivismo rácico pela colaboração que vimos ser imprescindível. É por isso que nós entendemos que o progresso económico, social e político daqueles territórios só será possível numa base multirracial em que as responsabilidades de direcção em todos os domínios caibam aos mais qualificados e não aos desta ou daquela cor.

Sei sermos acusados de, com esta doutrina, estarmos tentando assegurar o predomínio da raça branca em África, com base, sobretudo, no facto de o nosso multirracialismo não ter ainda reflexo bastante lato na distribuição de responsabilidades nas províncias ultramarinas em África. É certo que estamos ainda longe de atingir o ponto em que poderíamos estar plenamente satisfeitos com as nossas realizações. Mas não pode negar-se que não só é o mais seguro caminho que trilhamos como o progresso dos territórios tende a cobrir a totalidade das respectivas populações, e não sectores privilegiados. Esse progresso é impossível negá-lo, pois que as realizações podem comparar-se, e com vantagem em muitos pontos, às dos outros países africanos. E se os nossos críticos estão seguros de que não é assim, mal se compreende que não tenham aceite a ideia de ser feito um estudo por individualidades de relevo internacional, e sob a égide da Organização das Nações Unidas. Foram infelizmente preferidos os discursos ao exame desapaixonado das realidades em debate, que tinha o nosso apoio.

Uma palavra sobre Angola. Estamos sendo vítimas ali de ataques que a princípio pretenderam acobertar-se sob a capa de sublevação das populações ansiosas por não continuarem integradas na Nação Portuguesa. O entusiasmo dos libertadores africanos porém não permitiu ocultar senão por pouco tempo a sua intervenção no recrutamento, financiamento e treino dos elementos estrangeiros que através de Estados limítrofres penetram em Angola. De modo que hoje não pode já afirmar-se que há ali uma revolta de carácter mais ou menos nacionalista, mas que uma guerra é conduzida por vários Estados contra Portugal, num dos seus territórios ultramarinos. Ora, duas coisas se devem ter por certas: a primeira é que, ao atacar-se Angola, não se ataca só Portugal, mas se está pretendendo enfraquecer as posições, e não só estratégicas, de todo o mundo ocidental; a segunda é que os que atacam, os que apoiam, os que ajudam com a sua indiferença, estão a agir contra os verdadeiros interesses das populações de Angola, só com retardar-lhes o desenvolvimento pacífico e com levar ali a semente do antagonismo racial que não existia e é hoje (...) o principal obstáculo ao progresso e bem-estar do continente africano».

Oliveira Salazar («Realidades da Política Portuguesa»). 

Tugalândia, o paraíso dos ignorantes!!!

 





O mais grave é que nada mudou, antes pelo contrário, agravou-se!!!
Mas curiosamente ainda anda por aí muito cretino a dizer que hoje se vive muito melhor, a esses eu rebato, vivem melhor porquê, quantos são e à custa de quê e de quem?
Não me phodam, hoje há por aí muito boa gente a viver muito bem, mas eu sei o porquê, um cavalgaram este regime de merda, outros viveram dos esquemas que o regime lhes permitiu, outros, vivem mesmo à pala do regime, um regime feito por medida para acobertar vigaristas, incompetentes, ladrões, pederastas, pedófilos e outras bichezas que num regime são e sério estariam completamente manietados, presos ou postos no lugar que lhes compete, ostracizados e apontados a dedo pelo sistema de justiça e pela sociedade em geral. Hoje, infelizmente, são agraciados, recebem comendas, são aplaudidos por uma sociedade tão corrupta e venal quanto eles, um país que mete nojo com gente que não vale uma merda!!!
Estou farto disto, eu sei bom como resolver isto, mas não o posso escrever pois poderia ser alvo da Justiça que neste país também não é séria, não é imparcial e não é para todos, este país é só para alguns, os cretinos do costume...

Abram os olhos e comecem a pensar numa verdadeira revolução, desta vez sem a merda dos cravos. Eles comeram tudo e não deixaram nada, portanto por mim bem podem meter a merda da vossa democracia nas nalgas, cambada de imbecis!!!

Não se esqueçam, nunca outro regime foi tanto o regime da sardinha para três como este!!!

Saturei.

Meu rico Salazar.

Alexandre Sarmento 



Subversão e Terrorismo em África.

  «A URSS, a Checoslováquia, a Jugoslávia e Cuba são os países do bloco leste que maior dinamismo irão mostrar em África durante os anos ses...