Li O Manifesto Comunista de Marx e Engels quando tinha 17 anos e fiquei de castigo por causa disso. Na realidade, tive o castigo por tê-lo lido na aula e depois recebi um sermão por estar interessado no seu conteúdo subversivo e anti-americano, dado pelo director-adjunto enquanto estava de castigo. Os pormenores são irrelevantes. Não o li por ser um fã de Marx, li-o apenas porque sabia que era subversivo. Li Mein Kampf uns anos mais tarde pela mesma razão. Não me tornei fã de Hitler, mas aprendi muito a cerca dele e do nacional-socialismo e, no liceu, depois de ler o Manifesto, aprendi um pouco acerca do comunismo.
Lembro-me de ter ficado impressionado com a famosa frase "De cada um segundo as suas capacidades, para cada um segundo as suas necessidades" (uma citação de Marx, mas de um texto diferente). Na altura, não compreendi as suas implicações. Parecia-me bem, sem ir muito fundo. Parece que somos enganados por esta ideia de "soar bem" quando ouvimos falar pela primeira vez de algo, como CBDCs, UBIs [NdT – Rendimento Básico Universal] ou IDs digitais, "soa muito bem, não é?" Ninguém parece olhar para as implicações – nós olhamos, claro, mas a maioria das ovelhas não.
Sim, que bom, roubar aos ricos e dar aos pobres. Toda a gente adorava o Robin dos Bosques... ele era um dos bons da fita. Toda a gente pensa que quem tem dinheiro o conseguiu roubando aos pobres! Claro que há quem o faça, mas provavelmente não é tão comum num simples país capitalista do velho mundo (pelo menos não directamente), e provavelmente é muito mais comum num país comunista (roubar aos pobres, roubar a toda a gente), e certamente o nome do jogo na próxima economia GloboCap (para usar o termo de C.J. Hopkins). "Um dia não terás nada e serás feliz." Tenho a certeza acerca da primeira parte desta frase, mas não tenho tanta certeza acerca da segunda parte.
Não só o conceito "de cada um de acordo com a sua capacidade, para cada um de acordo com as suas necessidades" simplesmente não funciona, como qualquer sistema baseado em tais coisas está aberto à corrupção. Não vou entrar em pormenores sobre a razão pela qual o comunismo, tal como Marx o propôs, é um sistema derrotado, há muitos livros sobre esse assunto. O que eu quero comentar é por que é que tanta gente não acredita que é um sistema derrotado. Mostrem a um liberal a frase de Marx e aposto que ele dirá: "Claro, por que não?" Pois, claro que gostam da ideia, até o Estado aparecer e começar a cortar a sua opulência e a distribuí-la por aqueles que eles acham que a deviam receber em vez deles, "de acordo com as suas necessidades".
Em primeiro lugar, ninguém (pelo menos aqui na América do Norte) está ainda a sofrer profundamente com a transição para o totalitarismo de tendência comunista. As pessoas pensam que a perda de liberdades é análoga à eliminação das leis de trânsito. Não é. As pessoas dizem: "Bem, eu não tenho problemas em ser um cidadão cumpridor da lei, não preciso de ter o direito de 'fazer o que quiser'". Essa é uma afirmação ingénua. Os direitos que as pessoas perdem num sistema de tipo comunista são um pouco mais severos do que isso.
É importante notar que aquilo para que estamos a ser conduzidos não é o comunismo de Marx, Lenine ou Mao. Trata-se de um novo tipo. Não sei exactamente qual, mas é diferente. Um novo sistema de "colectivização" pode não ter, pelo menos de início, nenhuma das opressões estereotipadas do "comunismo" em que todos pensam quando pensam em comunismo. E sim, muitas pessoas podem ser tolerantes com ele, mais uma vez, pelo menos durante algum tempo. Pensem no 1984 de Orwell e depois comparem esse estado sombrio com o Admirável Mundo Novo de Huxley, ou até com o Fahrenheit 451 de Bradbury. 1984 é um exemplo da condição de "fim de linha" de uma cultura oprimida.
Em 1984, a doença estava profundamente instalada e o parasita do comunismo/totalitarismo está prestes a destruir o seu hospedeiro. Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451 são exemplos de culturas ainda na fase inicial de uma estrutura que está a sugar a alma das pessoas, mas o hospedeiro (as pessoas) ainda não morreu. O que todos têm em comum, contudo, assim como o que há em comum com a distopia actual, é o controlo central das massas. Isto é agora conseguido de forma diferente – a obsessão pelo telemóvel, o controlo dos meios de comunicação, as redes sociais, o rótulo de desinformação sobre tudo o que é contrário à narrativa. É claro que os velhos pilares da propaganda e da censura do discurso ainda fazem parte de tudo isto, mas, mais uma vez, tudo tem um toque ligeiramente diferente.
O objectivo do parasita é manter o hospedeiro vivo o máximo de tempo possível para poder beneficiar dele. Certamente, no nosso caso, as massas podem ser eliminadas e mantidas suficientemente doentes para serem complacentes e facilmente manipuláveis, mas, como diz Schwab, a intenção é manter feliz o que resta de nós ... ou assim esperam, pelo menos até que estejam muito bem instalados na "nova" cultura.
O estilo de comunismo que se abateu sobre nós (e temos de arranjar uma palavra melhor, agora que já tem a intenção de criar comunidade) foi concebido para nos sugar apenas o suficiente para que não saibamos que estamos a ser privados de vida. Os perpetradores não sabem nada sobre a alma; por conseguinte, não se importam com ela. Perderemos a nossa alma mais depressa do que perderemos o nosso corpo em consequência desta drenagem lenta.
Ficaremos deprimidos, desanimados, pouco enérgicos, pouco afectuosos, ansiosos, bem como uma litania de outras doenças mentais. Embora a intenção dos nossos donos seja manter o nosso corpo no limite do funcionamento (a menos que sejamos um dos infelizes (ou afortunados?) a ser eliminados) para lhes devolver o que eles querem, mais cedo ou mais tarde colapsaremos internamente. A alma morrerá de fome. Já estamos a ver isso, pelo menos NÓS estamos, as pessoas mais afectadas por este estilo de matança dos Skeksis não estão conscientes da causa do seu desespero – e esta percepção só agora está a chegar a elas.
Vai demorar muito tempo até que as pessoas se apercebam do que está a acontecer. O que é que vai ser preciso? Vai ser preciso ser impedido de viajar internacionalmente? Ou ser impedido de viajar de cidade em cidade, ou mesmo dentro da própria cidade? Ou serão essas restrições envoltas no pretexto comum de que "é para o vosso próprio bem"? Será que as pessoas se aperceberão desta opressão quando já não puderem usar o dinheiro à sua vontade? Ou quando forem impedidas de comprar certos artigos que querem porque ultrapassaram a sua quota? Ou será que se aperceberão quando o aquecimento ou o ar condicionado da sua casa for ajustado para além da sua vontade? Ou será que também vão ver isso como "para benefício de todos, devido aos perigos das alterações climáticas"? Será que vão finalmente reparar quando forem presas por terem mencionado, na fila do supermercado, que não estavam satisfeitos com a subida do preço das alfaces e que culpavam o actual governo pela inflação?
É difícil dizer quando é que vão reparar, se é que alguma vez vão reparar, que algo não está bem na forma como o mundo está a ser gerido. Neste momento, é tudo "para o bem da humanidade e do planeta". Culparão pela sua depressão, ansiedade e pela profunda sensação de impotência que sentem, quase tudo o que não seja a verdadeira razão – que a sua alma está a ser corroída pelo próprio sistema que prometeu cuidar deles.
Todd Hayen, PhD, RP
29/11/2023
Via, Isabel Conde.
