DOIS INCIDENTES VERGONHOSOS, POR MIM TESTEMUNHADOS IN LOCO, COM TROPAS PORTUGUESAS, NO DECURSO DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA, NOVA LISBOA, CULPA EXCLUSIVA DOS DESCOLONIZADORES DOS GABINETES POLÍTICOS E VERMELHOS DA LISBOA DE ENTÃO, FILIAL DA URSS.
1º Incidente – O caso do “BATALHÃO DE PÉS DESCALÇOS, DESARMADOS E EM CUECAS", ocorrido em Nova Lisboa, DESCOLONIZAÇÃO, AGOSTO DE 1975
O último Batalhão de Infantaria do Exército português, que guarneceu a cidade do Luso, hoje Luena, com um efectivo de cerca de 600 homens, estava a retirar-se definitivamente para Luanda, com todo o seu armamento e equipamento, via Caminho de Ferro de Benguela e, quando o combóio na estação mais próxima de Nova Lisboa, foi cercado por centos de milícias da UNITA, de armas apontadas e, tiveram de lhes render todo o material de guerra e até o fardamento:
- 4000 armas G3, dezenas de milhares de munições, rádios, material cripto de transmissões, cinturões, fardas e botas.
Como de costume, nesse dia de Agosto de 1975, manhã cedo, ia eu para o quartel de Nova lisboa onde, a 3ª Companhia de Paraquedistas que eu comandava, garantia a segurança de 2.000 refugiados do MPLA, ameaçados de morte pela UNITA e fui, casualmente, ...
... das primeiras testemunhas militares a ver chegar a Nova Lisboa o apodado “Batalhão dos pés descalços e em cuecas”, vindo pela estrada de Silva Porto, disperso em pequenos grupos, apeados, sem armas, sem cinturões, sem botas e, muitos deles sem algumas peças das fardas, por ex. alguns vinham só com roupa interior, abaixo da cintura.
Ter visto um Batalhão de militares de Portugal assim, a retirarem de Angola, em trajes menores, desarmados, sem cinturões, sem botas e, uns poucos sem calças, foi triste, muito triste.
A esse Batalhão pertencia um Capitão do meu Curso da Academia Militar, que eu sempre muito respeitei e admirei como profissional, e que me explicou tudo o que se tinha passado, com detalhes, permitindo-me concluir que não tinham tido outra alternativa.
“Se foram culpados?! Não, de modo nenhum”.
Foram vítimas sim, os culpados, esses estavam lá bem longe, no “Puto”, em Lisboa, nos centros de recepção e transmissão das decisões político militares, vindas de Moscovo/ PCP/Lisboa para Angola e não só.
Foi o 2º Cmdt Militar da UNITA, de nome Chiwale, que ordenou esta acção de represália contra a tropa portuguesa, por actos de favorecimentos ao MPLA, anti acordos do Alvor, cometidos pelo Exército português, em Sá da Bandeira.
Esta humilhação militar e nacional, ficou conhecida pelo caso do “Batalhão dos Pés Descalços”, ou do “Batalhão em Cuecas”; ambas as alusões foram factos concretos ocorridos no terreno, tal como testemunhei em Nova Lisboa.
2º INCIDENTE - Naqueles dias, Agosto de 1975, chegou também a Nova Lisboa, uma companhia do exército comandada por um Capitão, também ele meu camarada da Academia Militar e que, na sua retirada final descolonizadora para Luanda, teve de pernoitar num antigo quartel do exército, em Quibala Sul, já entregue à UNITA, que eu tinha usado várias vezes para pernoita na minha 1ª missão, 70/73.
Por alegadas razões de segurança, a UNITA solicitou que colocassem todas as armas da Companhia do Exército, na arrecadação de material de guerra, o que de boa-fé fizeram..
... durante a noite, enquanto dormiam, a UNITA levou todo o arma-mento e material de guerra da companhia do Exército, sem que ninguém desse conta e sumiram-se com tudo…
... mas, deixaram uma nota escrita, que o Capitão me deu a ler, na qual assumiam a responsabilidade do material, com sublime ironia, dizendo textualmente:
- “Capitão, nós precisou mêmo dos teus arma, rádios e munições, sério, para ir atacar os MPLA lá longe nos mata, nós não sabe quando vai voltar, mas tu não tens problema, quando agora fores no Luanda e passares no cidade do Dondo, tu páras lá, vais no quartel dos MPLA e pedes as armas que eles roubaram dos UNITA, que eles vão te dar”
De facto, o MPLA tinha expulso de Luanda a UNITA na semana de 09Ago75 a 15Ago75; os sobreviventes organizaram-se numa coluna para Nova Lisboa e, ao passarem no Dondo, ocupado pelo MPLA, a coluna foi emboscada e detida, os UNITAS armados foram presos e mortos, e todo o armamento e equipamento foi-lhes apreendido pelo MPLA.
Ia eu a sair da Messe de Oficiais do Exército em Nova Lisboa, (centrada na parte superior da foto anexa), manhã cedo como sempre e estava esta companhia, montada em viaturas, ali paradas, em espera, mesmo em frente da Messe, em torno desta rotunda DA FOTO, com o moral totalmente destruído.
“Se foram culpados, não, não foram“; os culpados estavam no “Puto”, em Lisboa, nos seus gabinetes de vermelhuscos cravos enfeitados, gozando as mordomias da Revolução, sobre dezenas de milhares de cadáveres das vítimas da descolonização, a acontecerem diariamente, provocados pela obediência de Lisboa a Moscovo.
JOSÉ LUIZ DA COSTA E SOUSA
CAPITÃO PARAQUEDSITA À DATA DESTES INCIDENTES
MESSE DE OFICIAIS E ROTUNDA REFERIDA NESTES INCIDENTES EM NOVA LISBOA(IMAGEM)