Contrariando a narrativa pós Abril, Salazar fez mais pela extinção do analfabetismo do que todo o trabalho dos governantes anteriores, mais, desconheço outro país no mundo em que tenha havido um esforço e resultado comparável e com os resultados que tivemos em Portugal.
Foi um esforço hercúleo que deu frutos, pegar num país cuja taxa de analfabetismo constava entre as mais altas da Europa, a uma distância abissal dos países mais alfabetizados, não esquecendo que muitos deles no princípio do século XX já ostentavam taxas de analfabetismo inferior a 10%, o estado Novo de Salazar encontrou um país com uma taxa de analfabetismo efectiva de quase 80%. Facto curioso é ainda hoje e face a inúmeros registos e estatísticas que demonstram cabalmente o sucesso da gestão do sistema de ensino em Portugal, muitos, e vá-se lá saber por que razão, continuam a acusar Salazar pelo atraso em termos de alfabetização da nação portuguesa. Mais uma vez, os dados e a estatística não mentem, a taxa de analfabetismo em 1974 rondava os 22%, portanto podemos afirmar que houve uma efectiva redução da taxa de analfabetismo em Portugal próxima dos 50%. Feito notável tendo em conta o contexto internacional e os parcos recursos do país.
A grande aposta na educação, especialmente na ensino primário começou pouco depois da Revolução de 1926, por volta de 1930, com a construção de cerca de três mil salas de aula de ensino primário, este processo durou até à posta em prática do Plano dos Centenários.
O Plano dos Centenários
O Plano dos Centenários constituiu um projeto de construção de escolas em larga escala, levado a cabo pelo Estado Novo em Portugal, entre 1941 e 1969. O Plano deve o seu nome ao terceiro centenário da Restauração da Independência e ao oitavo centenário da Independência de Portugal.
O Plano tinha como objetivo abranger a organização e a instalação condigna de todos os estabelecimentos de ensino primário, de modo a que nenhuma criança deixasse de ter uma escola ao seu alcance, debelando a iliteracia decorrente das fracas políticas de escolarização que vinham do passado, não só do tempo da monarquia mas sobretudo de um esforço falhado de escolarização pela Primeira República.
Arquitectura e planeamento dos edifícios.
A construção foi levada a cabo pela Delegação para as Obras de Construção de Escolas Primárias, criada junto da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
O previsto no Plano compreendia cerca de 11 458 salas de aula a que correspondiam 6 809 edifícios, a construir em várias fases. Com a experiência, a Delegação englobou na sua orgânica as áreas de arquitetura, engenharia e fiscalização de obras, constituindo-se assim um serviço técnico-administrativo, com implantação regional, cuja atividade abrangia todo o Continente, os Açores e a Madeira.
As escolas do Plano dos Centenários foram construídas com base em projetos-tipo regionalizados, aprovados pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais em 1935 e elaborados pelos arquitetos Raul Lino e Rogério de Azevedo. As escolas foram construídas em série, mas cada escola foi adaptada às características da arquitetura local, tendo em conta os materiais aplicados e as condições climatéricas. Para aplicação do Plano dos Centenários, os projetos de Raul Lino e de Rogério de Azevedo foram revistos pelos arquitetos Manuel Fernandes de Sá (região Norte), Joaquim Areal (região Centro), Eduardo Moreira dos Santos (Lisboa), Alberto Braga de Sousa (região Sul), Luís de Melo (Açores) e Fernando Peres (Madeira). O plano quando concluído contabilizou a construção de mais de 7000 estabelecimentos de ensino, totalizando mais de 12400 salas de aulas. De ressalvar que durante o período de vigência do Estado Novo no total foram construídas cerca de 15 mil salas de aulas de ensino primário.
Os Liceus, as Escolas Comerciais e Industriais
A expansão e a construção de liceus e escolas comerciais e industriais (ensino técnico) foram fortemente planeadas pelo regime do estado Novo através de diferentes fases e planos ministeriais, com destaque para a atuação da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário.
Plano de 1938 (Duarte Pacheco):Lançou um programa modernizador focado na uniformização arquitetónica que resultou na construção de 11 grandes liceus de raiz.
Plano de 1958: Previa inicialmente a construção de 16 novos edifícios liceais (número alargado posteriormente) para dar resposta ao crescimento urbano.
Antes de de 1974, abriram-se em cerca de dois anos 79 liceus ou secções de ensino liceal.
Escolas Comerciais e industriais
O ensino técnico foi a grande aposta do Estado Novo a partir da década de 1940 e 1950 para responder às necessidades industriais e de fomento económico do país, No início do Regime do Estado Novo, Portugal contava com cerca de 50 escolas industriais e comerciais dispersas pelo território nacional. Durante as décadas de 60 e 70, deu-se a expansão, a rede escolar foi reforçada com mais 51 escolas de ensino técnico. decorreu um forte surto de construções escolares de raiz bem providas de equipamentos modernos, expandindo massivamente a oferta técnico-profissional pelo país, atendendo assim à procura de mão de obra qualificada para um mercado de trabalho em crescendo, sendo o período de maior pujança do nosso sector industrial.
Universidades
Durante o Estado Novo foram fundadas ou erigidas duas universidades públicas principais do Estado: a Universidade Técnica de Lisboa (em 1930) e, no final do regime, as primeiras bases e a criação formal das novas universidades de 1973 (incluindo a Universidade Nova de Lisboa, Aveiro, Évora e Minho, no âmbito da reforma de Veiga Simão).
Antes destas criações, existiam apenas as Universidades de Coimbra, do Porto e a Clássica de Lisboa.
A actual Cidade Universitária de Coimbra é também uma obra do regime de Salazar, pois foi ele quem idealizou a remodelação da zona histórica para criar uma cidade universitária monumental e moderna.
O espaço foi desenhado para ser dedicado exclusivamente ao estudo. Surgiram assim os imponentes edifícios faculdade (como as Matemáticas e Letras) em redor do núcleo histórico do Paço das Escolas, recordando que o próprio Salazar tinha sido um docente desta Universidade e chegando mesmo a ter sido convidado para ocupar o lugar de reitor desta Universidade.




Que falta faz um Salazar!!!
Alexandre Sarmento
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