domingo, 20 de dezembro de 2020

Miguel Torga, o retrato do português.

 


Uma Discussão nesta Santa Terra Portuguesa Acaba sempre aos Berros

Não há maneira. Por mais boa vontade que tenham todos, uma discussão nesta santa terra portuguesa acaba sempre aos berros e aos insultos. Ninguém é capaz de expor as suas razões sem a convicção de que diz a última palavra. E a desgraça é que a esta presunção do espírito se junta ainda a nossa velha tendência apostólica, que onde sente um náufrago tem de o salvar. O resultado é tornar-se impossível qualquer colaboração nas ideias, o alargamento da cultura e de gosto, e dar-se uma trágica concentração de tudo na mesquinhez do individual.
Miguel Torga, in "Diário (1940)"

A Política ao Sabor dos Humores Pessoais e Colectivos
Bem quero, mas não consigo alhear-me da comédia democrática que substituiu a tragédia autocrática no palco do país. Só nós! Dá vontade de chorar, ver tanta irreflexão. Não aprendemos nenhuma lição política, por mais eloquente que seja. Cinquenta anos a suspirar sem glória pelo fim de um jugo humilhante, e quando temos a oportunidade de ser verdadeiramente livres escravizamo-nos às nossas obsessões. Ninguém aqui entende outra voz que não seja a dos seus humores.
É humoralmente que elegemos, que legislamos, que governamos. E somos uma comunidade de solidões impulsivas a todos os níveis da cidadania. Com oitocentos anos de História, parecemos crianças sociais. Jogamos às escondidas nos corredores das instituições.
Miguel Torga, in "Diário (1978)"

Somos Cidadãos Sem Laços de Cidadania
É escusado. Em nenhuma área do comportamento social conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a convivência harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva como figadais adversários. Guerreamo-nos na política, na literatura, no comércio e na indústria. Onde estão dois portugueses estão dois concorrentes hostis à Presidência da República, à chefia dum partido, à gerência dum banco, ao comando de uma corporação de bombeiros. Não somos capazes de reconhecer no vizinho o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante de cada sucesso alheio ficamos transtornados. E vingamo-nos na sátira, na mordacidade, na maledicência. Nas cidades ou nas aldeias, por fás e por nefas, não há ninguém sem alcunha, a todos é colado um rabo-leva pejorativo. Quem quiser conhecer a natureza do nosso relacionamento, leia as polémicas que travámos ao longo dos tempos. São reveladoras. A celebrada carta de Eça a Camilo ou a também conhecida deste ao conselheiro Forjaz de Sampaio dão a medida exacta da verrina em que nos comprazemos no trato diário.
Gregariamente, somos um somatório de cidadãos sem laços de cidadania.
Miguel Torga, in "Diário (1985)"



As liberdades, por Agostinho da Silva.

 

PATRONOS - AGOSTINHO DA SILVA | aeddinis

As liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica.
Pela liberdade de cultura, o homem poderá desenvolver ao máximo o seu espírito crítico e criador; ninguém lhe fechará nenhum domínio, ninguém impedirá que transmita aos outros o que tiver aprendido ou pensado.
Pela liberdade de organização social, o homem intervém no arranjo da sua vida em sociedade, administrando e guiando, em sistemas cada vez mais perfeitos à medida que a sua cultura se for alargando; para o bom governante, cada cidadão não é uma cabeça de rebanho; é como que o aluno de uma escola de humanidade: tem de se educar para o melhor dos regimes, através dos regimes possíveis.
Pela liberdade económica, o homem assegura o necessário para que o seu espírito se liberte de preocupações materiais e possa dedicar-se ao que existe de mais belo e de mais amplo; nenhum homem deve ser explorado por outro homem; ninguém deve, pela posse dos meios de produção e de transporte, que permitem explorar, pôr em perigo a sua liberdade de Espírito ou a liberdade de Espírito dos outros.
Agostinho da Silva, in 'Textos e Ensaios Filosóficos'

sábado, 19 de dezembro de 2020

Socialismo, o caminho para a servidão.

 


«[...] Todos sabemos com seguro saber que o conhecimento não tem poder para criar novos valores éticos, que nenhuma aprendizagem levará as pessoas a perfilharem as mesmas opiniões sobre os problemas morais suscitados por uma ordem deliberadamente imposta a todas as relações sociais. Para justificar um determinado projecto, o que é necessário não é uma convicção racional mas sim a aceitação de um credo. E na realidade, em toda a parte foram os socialistas os primeiros a reconhecer que a tarefa em que estavam comprometidos requeria a aceitação geral de uma welthanschaung, de um bem determinado sistema de valores. Na sua tentativa para desencadear um movimento de massas, os socialistas apoiaram-se numa visão do mundo tão integralmente uniforme que foram eles que forjaram a maior parte dos instrumentos de doutrinação que os nazis e os fascistas vieram a utilizar com tanta eficácia.

Na Alemanha e na Itália, os nazis e os fascistas já não tinham efectivamente muito que inventar. A invasão de todos os aspectos da vida pelos movimentos políticos tinha já sido lançada, em ambos os países, pelos socialistas. Foram os socialistas que pela primeira vez puseram em prática a concepção de um partido que abrangesse todas as actividades de um indivíduo desde o berço até ao túmulo, um partido que se propusesse orientar as opiniões de todos sobre todas as coisas, que traduzisse todos os problemas em termos de uma welthanschaung partidária. Um escritor socialista austríaco [G. Weiser], referindo-se ao movimento socialista no seu país, dizia com orgulho que era "sua característica ter criado organizações especiais para todos os sectores da actividade dos operários e assalariados". E embora os socialistas austríacos tenham ido mais longe neste sentido, a situação não era muito diferente nos outros países. Não foram os fascistas, mas os socialistas, quem começou a levar as crianças de tenra idade para as organizações políticas a fim de estarem seguros de que elas se formariam como "bons proletários". Não foram os fascistas, mas os socialistas, quem primeiro tentou a organização de jogos e desportos, de futebol e exercícios pedestres em clubes partidários onde os seus membros estariam ao abrigo do contágio de ideias diferentes. Foram também os socialistas quem primeiro estabeleceu maneiras de cumprimentar e formas de saudação com as quais os membros dos seus partidos se distinguiriam dos outros. Foram ainda os socialistas quem, através da sua organização em "células" e dos seus planos de supervisão permanente da vida privada, criaram o protótipo do partido totalitário. Balilla e Hitlerjugend, Dopolavoro e Kraft durch Freude, uniformes políticos e formações partidárias militares fascistas e nazis, pouco mais são do que imitações de instituições anteriores».

Frederico Hayek («O Caminho para a Servidão»).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

O parlamentarismo numa republiqueta de avental!!!

 


Nenhum partido podia reagir senão corruptamente!!!
«Deu-se a reacção. Mas quem reagia? Criaturas das mesmas classes que governavam. Criaturas, portanto, com a mesma hereditariedade, vivendo no mesmo meio que os governantes. Criaturas, portanto, moral e intelectualmente idênticas a eles, pois seria o maior dos milagres se, com idêntica hereditariedade e com idêntico meio fossem diferentes. Um ou outro reagia em virtude de [...] e carácter, de legítima e honesta indignação moral. Mas nenhum partido podia reagir senão corruptamente, porque, quando uma sociedade é corrupta, pode haver, e há, indivíduos que o não são; mas não há agrupamentos que o não sejam, ou, se os há, não podem ter acção social, pois só corruptamente se pode agir numa sociedade corrupta. Um partido político, a ser são, tende a não agir, o que é uma contradição com o próprio conceito de partido político; a agir terá de se integrar nos modos de acção do meio, tinha, na expressão mais moral, que se adaptar ao meio.»

«Quais foram, porém, os efeitos esperáveis da aplicação a um país de um sistema político inaplicável a ele, estrangeiro a ele, e por uma classe ineducada para governar? Por a classe ser ineducada para governar, a ruína da administração; por querer governar reformando, ou seja sem capacidade de governar administrando, a derrocada e o caos político; por ter que governar com princípios estangeiros a viciação do carácter nacional; por ter que governar inadaptadamente, a sua radicação em oligarquia — isto é, em minoria governante governando [...] fim da relação com as necessidades nacionais e as solicitações da continuidade governativa da vida pátria. Quando, porém, uma classe que obtém o poder passa a governar só negativamente e a construir só fortuitamente, sem apoio em nenhuma tradição, nem suporte em nenhuma força do povo, passa daí a pouco a governar só por governar; passando a governar só por governar, passa a governar só em seu proveito, primeiro político, depois pessoal. Um regimen implantado nas condições de um constitucionalismo tem fatalmente que acabar por dar o que dará.»
Fernando Pessoa
in "Sobre a República", Ática.

Aos poucos eles vão mostrando ao que vêm!!!


MAMADOU BA quer "matar o homem branco" | Ainanas.com

Aos poucos o resultado de politicas e atitudes passivas em relação a verdadeiros invasores e inimigos da nossa cultura e identidade cristã, vão dando os seus frutos, virá o dia em que seremos tratados como estrangeiros no nosso solo pátrio!!!
Eu pergunto, se os brancos estão a mais em África, o que fazem então os negros na Europa?
No mínimo o que poderei opinar será isto, hipocrisia ou manipulação de gente com algum complexo de inferioridade, ou então gente que se predispõe a ser manipulada por organizações ao serviço de quem se propões destruir a cultura,"raça"e identidade europeia, os adeptos do genocida Plano Kalergi.
è hora de fazer uma aturada reflexão, e já vamos tarde, muito tarde!!!

Alexandre Sarmento

O incêndio da Catedral de Notre-Dame - ISTOÉ Independente


Numa celebração eucarística...
O não-caso do coitadinho que interrompeu a santa missa.


«Dantes, a ominosa censura impedia os jornalistas de dizer a verdade, mas agora os censores são os jornalistas politicamente correctos: passaram de vítimas a carrascos da liberdade de informação.
O episódio é recente e descreve-se em poucas palavras. 
Numa celebração eucarística, na igreja da Sagrada Família, no Entroncamento, no passado dia 15 de Novembro, um homem com um gorro na cabeça, avançou para a
estante das leituras, afastou o leigo que aí se encontrava e dirigiu-se aos fiéis.
O celebrante, que estava sentado na sede, alguns metros atrás do altar, ao aperceber-se da abusiva intromissão, levantou-se e foi ter com o sujeito, a quem educadamente admoestou, o qual lhe respondeu, por duas vezes, “Cala a boca!”, levantando o braço, embora sem o agredir fisicamente.
Enquanto o celebrante se retirou para a sacristia, onde desligou a aparelhagem de som, o intruso disse: “Têm de sair de África, têm de deixar a gente resolver ... a nossa África. Não queremos Cristianismo, nem religião nenhuma, nada em África ...”. Depois, abandonou pacificamente o altar e a igreja, permanecendo no seu exterior.
O facto, por ser insólito, merecia alguma referência nos meios de comunicação social de âmbito nacional, porque não é todos os dias que as celebrações eucarísticas são desrespeitadas no nosso país. A mera interrupção teria sido banal, porque acontece com alguma frequência, quase sempre devido à extemporânea intervenção de alguma pessoa desequilibrada que, obviamente, não justifica destaque informativo e que, mais do que censura, merece compaixão. Mas não era o caso, dado o discurso político e antirreligioso do espontâneo interveniente.
É curioso que o “indivíduo de ascendência africana”, assim identificado pelo jornal Mais Ribatejo, seja a favor de uma África sem europeus, sendo ele, pelos vistos, um imigrante num país estrangeiro. 
Que sentido faz ser, num país estrangeiro, contra os estrangeiros no seu próprio país?! Ou que têm a ver os católicos do Entroncamento com a presença estrangeira em África?!
Por outro lado, se há alguns missionários portugueses nesse continente, há cada vez mais, graças a Deus, padres de origem africana em Portugal. 
A reação dos fiéis a esta nova realidade é de agradecimento pelo excelente trabalho pastoral realizado, no nosso país, pelos sacerdotes oriundos de África, apesar de, a julgar pela intervenção do dito sujeito, sermos nós os colonialistas e racistas...
Na medida em que se tratou de um acontecimento inédito, fazia sentido que tivesse sido devidamente noticiado, com os esclarecimentos que a questão exigia, até para evitar juízos temerários. 
Tendo em conta os atentados contra a Igreja católica, em França, em que padres e fiéis leigos têm sido assassinados, o facto ocorrido no Entroncamento tem uma acrescida relevância e oportunidade. 
Na realidade, é uma séria advertência para os católicos portugueses, que não estão isentos da perseguição que sofrem os seus irmãos na fé, em França e não só.
Contudo, quase todos os meios de comunicação social nacionais, com excepção da imprensa regional, optaram pelo silêncio. 
Porquê? Decerto porque temeram que essa notícia pudesse ser aproveitada para finalidades racistas, ou xenófobas. O receio é decerto louvável, mas não justifica a censura, porque há um direito fundamental à informação e à verdade. Até porque, se a comunicação social discrimina as notícias em função da raça, não é ela própria que está a ser, afinal, racista?! 
Mas, seria razoável que, ao noticiar este incidente, se referisse a origem da pessoa em questão? Claro que sim, porque a menção é necessária para explicar o conteúdo da intervenção, sem que daí se possa retirar nenhuma ilação racista.
A referência à etnia, ou nacionalidade, faz sentido quando não são as que seriam de esperar: ser português em Portugal não é notícia, nem africano em África, mas sim o contrário. É esta, aliás, a prática comum: no caso Maddie McCann, por exemplo, consta um suspeito alemão, sem que essa referência se possa entender como antigermânica. O que seria discriminatório seria, pelo contrário, ocultar a etnia, ou a nacionalidade, do protagonista, sempre que não seja branco.
Nas redes sociais – que felizmente suprem a censura que alguns meios de comunicação social querem impor – a notícia foi viral. Mas, como também acontece com frequência nessas redes, houve quem erradamente supusesse que o dito sujeito era muçulmano. É verdade que, ao dizer “a nossa África”, se identificou como africano mas, ao dizer que não quer nenhuma religião na sua terra, também excluiu, como é lógico, a crença islâmica. Também por este motivo, impunha-se que os media de referência nacional tivessem rectificado essa preconceituosa informação. Ao não fazê-lo, foram coniventes, por omissão, com essa falsidade, que ofende os maometanos.

Emigrar. A solução que pode extinguir os cristãos no Médio Oriente após  2.000 anos

Mas, pergunta-se ainda: deve-se referir a religião do protagonista de um acontecimento desta natureza? É irrelevante a religião de um carteirista que rouba no eléctrico no 28, mas se um terrorista entra numa igreja, aos gritos de “Alá é grande” e mata cristãos, não faz sentido ignorar a motivação religiosa do atentado. Mas nenhuma religião pode ser julgada pelos crimes de um seu fiel, ou ministro, quando age sem o consentimento, nem o
conhecimento dos seus superiores religiosos. Sempre que a religião é determinante de um acto socialmente relevante, é óbvio que deve ser referida.
A comunicação social, que é madrasta para os católicos, sobretudo se são padres, é mãe e madrinha dos fiéis das outras religiões, cujos desaires silencia, ou justifica. Foi o que também agora aconteceu em relação a umas incríveis declarações de Mamadou Ba, que se tornaram virais nas redes sociais e que os media politicamente correctos ignoraram ou, pior ainda, justificaram.
A escassa imprensa que se referiu ao protagonista do incidente do Entroncamento, talvez para não ser acusada de racista, também se apressou a justificar o intruso, dizendo que estava bêbado. Consta que foi o próprio que, questionado pela polícia, disse, em sua defesa, que estava embriagado, mas as imagens que o mostram a deslocar-se com passo firme, bem como a proferir, com voz escorreita, a sua despropositada alocução, parecem
desmentir essa suposição.
À comunicação social não compete julgar, nem condenar ninguém. Não se espera dos jornalistas um veredicto, até porque, em geral, não têm conhecimentos, nem idoneidade, que lhes permitam chegar a uma conclusão sobre a responsabilidade dos sujeitos cujas acções reportam. Que se lhes pede, então? Que informem, sem preconceitos nem enviesamentos ideológicos ou religiosos. E que deixem o juízo, seja ele de absolvição ou de condenação, para quem de direito. Não é razoável que os jornalistas silenciem os factos que contrariam as suas convicções políticas e religiosas, omitindo informação relevante para o público em geral.
Há uns anos atrás, o facto agora ocorrido teria sido noticiado mais ou menos nestes termos: ‘Indivíduo de origem africana interrompe celebração da Missa, injuria o celebrante e exige a saída dos europeus e das religiões do seu continente’. Mas, segundo os cânones do politicamente correcto, hoje, ou se silencia o facto, ou se tem de dizer alguma coisa do género: “Coitadinho interrompeu uma coisa”. Com efeito, não se pode ofender nenhuma etnia, nem os africanos, nem as pessoas de qualquer religião (com excepção da católica, que se pode insultar à vontade porque, neste caso, é sempre uma
salutar manifestação de liberdade de expressão). Também não se pode dizer que a Igreja católica foi vítima de um desacato, porque nunca pode ser louvada, nem tida por ofendida, já que é a eterna culpada das horríveis Cruzadas, da ignonimiosa Inquisição, da morte na fogueira de Galileu (que, por sinal, morreu de morte natural, em sua casa e cama), etc.
Lembram-se do tempo em que a comunicação social informava?! Pois então esqueçam, porque agora os media do regime, pagos com principescas subvenções, já não servem para informar, mas para educar os cidadãos, segundo a cartilha do politicamente correcto. Dantes, a ominosa censura impedia os jornalistas de dizer a verdade, mas actualmente são os jornalistas politicamente correctos que são os censores: passaram de vítimas a carrascos da liberdade de informação. E os leitores que, durante o antigo regime, foram vítimas da censura aos órgãos de informação, são agora as vítimas destes
novos censores.»

P. Gonçalo Portocarrero de Almada, in Observador de 05 dez 2020.



quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Quando vivemos na ilusão!!!

 


Dedicado a uma sociedade de alienados!!!
Desta vez dedicado aos idiotas-úteis que apoiam o regime vigente,uma cambada de anormais que ainda imputam culpas ao Passos, a Salazar, quiçá ao Afonsinho que bateu na mamã, tão imbecilizados que não distinguem a realidade da ficção, vivem perfeitamente alienados num mundo irreal, um paraíso dos empenados mentais!!!
Realmente, é muito triste ver gente com um caso de miopia grave, pois em quase 50 anos ainda não aprenderam a fazer a distinção entre um regime autoritário e uma democracia falsa, um verdadeiro embuste, uma verdadeira ditadura encapotada levada a cabo por políticos sem escrúpulos sejam eles de que quadrante forem desde PSD, PS, PCP, BE, CDS, e todos os outros com assento parlamentar, temos como políticos uma cambada, actores de um circo que se instalou desde 1974, por sinal muito bom e sempre com lotação esgotada pois o povo gosta e aplaude...e paga, sabe-se lá como, e com que sacrifícios!!!
O problema reside em deixar os actores principais, neste caso a classe política e seus associados, no crime de assalto da coisa pública neste pseudo-regime demo-cleptocrático elevarem de tal forma os custos para os bolsos do comum cidadão, que dentro em pouco não teremos sequer direito a uma malga de sopa em cima da mesa, talvez um dia, quando isso acontecer acordem para a vida, reparem nesta nova aberração que se preparam para fazer, depois de tudo controlarem, contas bancárias, propriedade, em que gastamos os nossos parcos rendimentos, acabaram por nos retirar a propriedade, hoje não passamos de meros pagadores de impostos, as formigas que alimentam este sistema gordo e anafado, privatizaram os lucros e nacionalizaram as dívidas das empresas do estado ou semi-estatais.

Caminhamos para aquele regime que se define como, capitalista monopolista de Estado, o regime comunista, ou melhor, já lá estamos, apesar de muitos ainda acreditarem viver em democracia e terem o direito inalienável de descarregar um voto numa urna de quatro em quatro anos, a descarga do autoclismo.


Será que a classe política e os seus comparsas também se disponibilizariam a tal, não creio, aliás, sou de opinião que os ocupantes de cargos públicos antes de ocuparem os seus cargos deveriam ver auditados os seus bens e contas bancarias e de igual forma deveriam ser auditados em final de mandato, a isto chama-se transparência, então, por que razão assim não acontece, diz o ditado, quem não deve, não teme!!!
Afinal que merda de democracia é esta em que tudo se exige ao povo, todo o tipo de sacrifícios e um controle total de tudo aquilo que a meu ver deveria ser realmente do foro íntimo de cada qual, um regime tirânico e autocrático, com a agravante de ter sido legitimado nas urnas pelo voto dos incautos e menos instruídos, aqueles que vêem a política ou o acto de governação como meros espectadores de uma prova desportiva, será que ficarão satisfeitos quando lhes instalarem um cagómetro ou um quecómetro em suas casas, ou quando começarem a pagar pelas vistas, inclusivamente na rua por um simples olhar para um traseiro mais atraente, quer-me parecer que não tarda pagamos um imposto apenas por termos nascido, ou muito provavelmente já o pagamos a coberto de um nome pomposo que soe politicamente correcto!!!


Retiraram-nos a propriedade, reduzindo-nos a meros pagadores de impostos, pagamos rendas daquilo que pensamos ser nosso, essa é a triste realidade, estamos a ser transformados em meros escravos do sistema, ou melhor, escravos voluntários, meras unidades produtivas com uma vida útil pré-determinada, pois ao acabar essa vida útil, quando deixamos de contribuir e passamos a depender do Estado, ou começamos a usufruir daquilo que descontámos no nosso percurso contributivo, somos votados ao abandono e em casos extremos condenados à indigência, infelizmente essa é a nossa triste realidade, a realidade que teimamos em não ver, o sistema agradece, os donos disto tudo, agradecem.
Para quando um abrir de olhos em relação aos reais problemas deste país em que a culpa morre sempre solteira, basta reparar no caso dos fogos florestais que nos assolaram, neste assacar constante de culpas a outros intervenientes no acto de governação vão assim desviando as atenções e como sempre o assunto cai em saco roto ficando sempre os mesmos com o ónus da situação, realmente lamentável.

Mas estar atento por quê e para quê se ainda temos a merda do futebol, uns intragáveis programas na TV e mais uma série de gadgets para servir de instrumentos de imbecilização em massa, é este o nosso triste dia a dia, e futuro, pergunto eu, alguém pensa nisso?
Peço desculpa a alguns dos leitores que poderão achar esta forma de expor a situação um pouco brutal e demasiado directa, mas na realidade gostaria de ter podido fazê-la de forma ainda mais vernácula, mais popular, mas bem sabemos, hoje está-nos vedado falar verdade de forma frontal e no português de Bocage e Gil Vicente, não vá alguma florzinha de estufa marxista sentir-se ofendida!!!
O que vos peço é que realmente abram os olhos, parem e pensem por um pouco e vejam em que situação nos encontramos realmente, o nosso país merece, nós merecemos muito melhor do que isto!

...ou não???
Alexandre Sarmento

Imbecilidade, clubite e facciosismo!!!

 

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto que diz "URGENTE PRECISA-SE DE JUSTIÇA EM PORTUGAL LUIS FILIPE VIEIRA, 0 PRESIDENTE DO BENFICA, DEVE 600 MILHÕES AO BES ESTADO ASSUME DÍVIDA 17 MILHÕES LIGADAS A VIEIRA PROMOVALOR LUIS FILIPEVIEIRA DEVE 382 MILHÕES AO NOVO BANCO OBRIVERCA CAPITAL DEVE 184 MILHÕES NOVO BANCO SPORT LISBOA E BENFICA DEVE 108 MILHÕES A0 NOVO BANCO TOTAL DAS DÍVIDAS 1 1291 MILHÕES"

Sei que muitos de vós são amantes de futebol, feliz ou infelizmente é um um desporto ou meio de domínio e manipulação de massas, que nunca me apaixonou, sou um perfeito leigo nessa matéria, o que não quer dizer que fique impávido e sereno ao assistir ao roubo da coisa pública por parte de agentes ligados a esse meio.
Justiça para mim, deveria ser mesmo cega, um criminoso é um criminoso, mesmo que seja o ídolo de muitos!
Sinto uma grande tristeza ao ver o facciosismo e a cegueira de muitos que defendem esta promiscuidade e prostituição entre entidades e a protecção dessas mesmas entidades ou figuras pelo sistema! Mas afinal que país é este em que os verdadeiros criminosos são protegidos enquanto o vulgar cidadão é diariamente bombardeado com injustiças, e para ser verdadeiro, o vulgar cidadão é roubado para que se beneficiem os prevaricadores e criminosos, somos na verdade um povo de bananas dominado e governado por sacanas...
Culpa única e exclusivamente nossa, disso não tenho dúvida alguma, é tempo de mudança de paradigma, ou talvez não!!!
Há quem goste, há quem se beneficia, e há uma grande maioria que apenas serve para pagar os desvarios e as vigarices destes criminosos!!!
A carapuça serve para os adeptos do clube deste senhor na foto, mas estende-se a todos os outros dirigentes desportivos e parasitas dos cofres públicos.
Alexandre Sarmento

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Professor Hermano Saraiva, figura ímpar da nossa cultura.




José Hermano Saraiva, foi sobretudo um homem com um perfil extraordinário, tendo por esse facto passado incólume de todas as trapalhadas  do novo regime dos novos senhores da política.
Homem leal que nunca teve a necessidade de se arvorar em novo-democrata ou vender ao politicamente correcto, como tantos outros, que necessitaram desse estatuto para continuar confortavelmente a ribalta do pérfido regime democrático fraudulento pós 25 de Abril.

Foi um genial contador de historias, um improvisador por excelência, foi um homem de cultura ímpar, que sempre me fascinou, a sua morte deixou mais pobre este nosso Portugal, o Portugal que ele conhecia como ninguém, o Portugal que tantas vezes nos mostrou como se foi construindo, como se foi conquistando, como nos tornámos portugueses e como se gerou esta mui nobre e antiga Nação, a Nação que o Professor levou no seu coração.

Quem não se lembra da forma como o grande Professor nos falava ao coração, da forma como exultava ao exaltar os grandes momentos e figuras da nossa História, sabia manter-nos agarrados ao ecran, sabia manter-nos interessados, aguçava-nos o apetite e a curiosidade de sabermos mais e mais daquilo que foi o nosso passado, no fundo era como se de um familiar próximo se tratasse, quem não ficava extasiado a ouvir as suas narrativas?


Fico com o sentimento de que Portugal perdeu um dos seus melhores Homens da cultura dos últimos dois séculos.
Aqui lhe presto com o devido respeito, o preito da minha admiração e homenagem.

Que descanse em Paz, até sempre

Alexandre Sarmento



«A vida da voz da História de Portugal

José Hermano Saraiva morreu aos 92 anos. Antigo ministro de Salazar e grande figura da televisão, gravou durante 40 anos programas onde divulgou a História de Portugal a várias gerações.
Ainda hoje na ilha terceira, nos Açores, há quem se lembre desse discurso de José Hermano Saraiva, que morreu, aos 92 anos, na sua casa de Palmela na sexta-feira passada. o comunicador de massas, que popularizou os programas de televisão sobre história de portugal, era então ministro da educação nacional de Salazar e arrebataria, em 1969, os jovens estudantes da ilha com um discurso de uma única palavra.
A plateia estava à espera e, com ar solene, Hermano Saraiva preparou-se para dar «a sua opinião» sobre aquela ilha açoriana. limitou-se a dizer interrogativamente: «terceira?!», a sala rebentou num aplauso, «uma ovação prolongada unânime», recordou o historiador nas suas memórias, publicadas pelo sol em 2007.
Filmou quase até ao fim os programas sobre história de portugal que o tornaram conhecido por várias gerações – numa colaboração com a RTP, que iniciou em 1972, com o tempo e a alma.
«era o colaborador mais antigo da rtp, gravámos o último programa em Dezembro », recorda ao sol o produtor dos seus programas, José António Crespo, da Videofono. gravava de improviso, sem um guião prévio, ligavam a câmara e o historiador falava: «nunca teve teleponto, às vezes, quando havia muitas datas, colávamos uma folha de papel à câmara».
Como nos últimos tempos José Hermano já não conseguia ler, era o produtor que lhe relatava os dados bibliográficos necessários ao programa, a memória e a capacidade de representação faziam o resto: «o meu tio gostava de palco. era essencialmente um actor que punha nos programas toda a sua imensa bagagem cultural», conta José António Saraiva, director do sol, que herdou do tio e também padrinho o primeiro nome.
A capacidade de falar durante horas de improviso era uma das suas características, «ardeu uma biblioteca», lamenta José António Crespo, «era um intelectual notável, com uma cultura soberba», e isso passava para o espectador, recebia dezenas de cartas por mês, até de crianças a contar que não perdiam os seus programas.
Mas mesmo em família monopolizava as conversas: era o centro das atenções, falar com ele era fácil, dialogar nem por isso.
Advogado e deputado
Nascido em Leiria em 1919, teve uma vida longa e agitada. licenciado em histórico-filosóficas e em ciências jurídicas, foi professor e reitor de liceu, advogado, deputado, ministro da educação nacional de Salazar e de Marcello Caetano, embaixador de portugal no Brasil e autor de cinco séries de programas televisivos (o tempo e a alma/histórias que o tempo apagou/lendas e narrativas/horizontes da memória/a alma e a gente).
Dirigiu ainda uma história de portugal em seis volumes (1983) e escreveu a história concisa de portugal, já na 25.ª edição, com um total de 180 mil exemplares vendidos.
Os tempos de namoro com Maria de Lourdes Bettencourt de Sá Nogueira, professora de inglês e francês, com quem teve cinco filhos, todos rapazes, foram os de «maior beleza poética, de encantamento interior, de toda a minha vida», escreveu nas suas memórias. durante os cinco anos de namoro, oferecia-lhe todos os dias um ramo de rosas brancas.
O filho António, médico já reformado do instituto de oncologia, recordou-o no dia do enterro como um bom pai, que educou os filhos «à moda antiga», e era a figura central da vida familiar.
Nenhum dos filhos lhe seguiu as pisadas como historiador. mas dois são licenciados em direito e advogados, como José Hermano, que durante a década de 40 exerceu advocacia num escritório na baixa lisboeta. depois optou pelo ensino, passando pelo liceu D. João de castro, em Lisboa, do qual foi reitor, e deu aulas no instituto superior de ciências sociais e políticas.
Mais tarde chega a deputado. em Agosto de 1968, é chamado ao forte de Santo António do Estoril por Salazar. queria convidá-lo para ministro da educação nacional. «foi uma surpresa», admitiria.
Fascínio por Salazar
O historiador nunca escondeu o seu fascínio pelo ditador. «Salazar era o seu grande ídolo», recorda José António Crespo. foi o último ministro da educação do Salazarismo e o primeiro do governo seguinte, liderado por de Marcello Caetano.
E foi já no governo marcelista, que enfrentou a crise académica de Coimbra, em 1969, ano que considerou «o mais longo» da sua vida. a revolta dos estudantes obrigou saraiva a ordenar o fim das aulas em maio e foi a razão oficial para o seu afastamento do cargo por Marcello Caetano, em Janeiro de 1970.
A dedicação à divulgação da história de portugal ocuparia os restantes 40 anos da sua vida. depois de regressar de Brasília, para onde partiu como embaixador em 1972, dedica-se à leitura, às viagens, à televisão e à escrita. e a uma outra paixão: a arquitectura. foi ele quem determinou quase tudo na enorme casa que construiu em Palmela, cuja disposição mediu, passo a passo no terreno. nesta moradia, que foi recheando com antiguidades, muitas delas compradas quando viajou pelo país para fazer os seus programas de televisão, construiu também os seus gigantescos presépios. as milhares de figuras, que adquiria todos os anos em Nápoles, distribuem-se por um antigo estábulo e um moinho no jardim, foi nesta casa que acabou por morrer, na sexta-feira ao final da manhã, vítima de cancro, foi enterrado no cemitério da cidade.»

joana.f.costa@sol.pt

Comunismo, desumano e contra-natura!!!



Lamentável retrato de um passado recente, lamentável e revoltante, pois no caso do Tibete ainda hoje subsiste o ataque a um povo em que a única culpa que lhes poderão imputar é fazerem pacatamente a sua vida, um povo cujo crime é o de serem um estandarte de paz e harmonia.

Aproveito para mais uma vez, deixar vincado o meu apoio incondicional à luta deste povo pelo seu direito à independência do seu território e sobretudo da sua crença, do seu legado cultural e espiritual, o qual, como adiante veremos está sob o fogo cerrado da mão criminosa do regime comunista chinês!

Aproveito para deixar uma questão, onde estão as instituições ditas de defesa dos direitos humanos, faço uma menção especial à ONU, na minha óptica o antro da hipocrisia, a fonte de todo o mal, organização branqueadora dos crimes contra a humanidade e das figuras que os promoveram.

Leiam e reflictam, sei que é revoltante e repugnante, mas não poderia deixar de divulgar estes crimes contra a humanidade.

Alexandre Sarmento

                                                                               


(...) em Janeiro de 1928, os habitantes de uma aldeia Estandarte Vermelho viram chegar uma tropa que arvorava a bandeira escarlate, juntaram-se entusiasticamente a um dos primeiros "sovietes" chineses, o de Hai-Lu-Feng, dirigido por P'eng P'ai. Os comunistas tiveram o cuidado de jogar com o equívoco, mas souberam colorir com o seu discurso os ódios locais, e finalmente, aproveitando a coerência da mensagem de que eram portadores, usá-los para os seus próprios fins, concedendo aos partidários neófitos a possibilidade de darem livre curso aos seus impulsos mais cruéis. Assistiu-se assim, quarenta ou cinquenta anos mais cedo, durante alguns meses de 1927-1928, a uma espécie de prefiguração dos piores momentos da Revolução Cultural ou do regime khmer vermelho. Desde 1922 que o movimento vinha a ser preparado por uma intensa agitação mantida pelos sindicatos camponeses criados pelo Partido Comunista, conduzindo a uma forte polarização entre "camponeses pobres" e "proprietários de terras", incansavelmente denunciados, embora nem os conflitos tradicionais e nem sequer as realidades sociais permitissem dar um particular destaque a esta divisão. Mas a anulação das dívidas e a abolição dos arrendamentos asseguravam ao soviete um vasto apoio. P'eng P'ai aproveitou a circunstância para pôr em vigor um regime de "terror democrático": o povo inteiro era convidado a assistir aos julgamentos públicos dos "contra-revolucionários", quase invariavelmente condenados à morte; participava nas execuções, gritando "mata, mata" aos Guardas Vermelhos que tratavam de cortar a vítima pedaço a pedaço, que por vezes cozinhavam e comiam, ou obrigavam a família do supliciado - que, ainda vivo, assistia a tudo - a comer; todos eram convidados para os banquetes em que se partilhava o coração ou o fígado do antigo proprietário, e para os comícios onde o orador discursava diante de uma fileira de estacas cada uma enfeitada com uma cabeça recentemente cortada. Este fascínio por um canibalismo de vingança, que iremos reencontrar no Camboja de Pol Pot e que responderia a um antiquíssimo arquétipo largamente espalhado pela Ásia Oriental, aparece frequentemente nos momentos paroxísticos da história chinesa. Assim, numa era de invasões estrangeiras, em 613, o imperador Yang (dinastia Suei) vingou-se de um rebelde perseguindo até os seus parentes mais afastados: "Os que foram mais duramente castigados sofreram o suplício do esquartejamento e da exposição da sua cabeça espetada numa vara, ou foram desmembrados, trespassados por flechas. O imperador intimou os grandes dignitários a comerem, pedaço a pedaço, a carne das vítimas". O grande escritor Lu Xun, admirador do comunismo numa altura em que este não rimava com nacionalismo nem com anti-ocidentalismo, escreveu: "Os Chineses são canibais"... Menos populares que estas orgias sangrentas eram as exacções que os Guardas Vermelhos de 1927 praticavam nos templos e contra os religiosos-feiticeiros taoístas: os fiéis pintavam os ídolos de vermelho, tentando preservá-los, e P'eng P'ai começava a beneficiar dos primeiros sinais de uma divinização. Cinquenta mil pessoas, entre as quais numerosos pobres, fugiram da região durante os quatro meses em que o soviete aí reinou.


P'eng P'ai (fuzilado em 1931) foi o verdadeiro promotor do comunismo rural e militarizado, solução imediatamente recuperada pelo quadro comunista até então um pouco marginal que era Mao Zedong (ele próprio de origem camponesa), e teorizada no seu célebre Relatório Sobre o Movimento Camponês no Hunan (1927). Esta alternativa ao movimento comunista operário e urbano, na altura em plena desagregação devido à repressão que sobre ele exercia o Kuomintang de Chiang Kai-chek, impôs-se rapidamente e conduziu, em 1928, à criação da primeira "base vermelha", nos montes Jinggang, na fronteira do Hunan com o Jiangxi. Foi no leste desta província que, a 7 de Novembro de 1931 (dia do aniversário do Outubro russo...), a consolidação e o alargamento da principal base permitiram a proclamação de uma República Chinesa dos Sovietes, cujo Conselho dos Comissários do Povo era presidido por Mao. Até à vitória de 1949, o comunismo chinês conhecerá numerosas metamorfoses e terríveis reveses, mas o modelo está definido: concentrar a dinâmica revolucionária na construção de um exército capaz, in fine, de derrotar o exército e o Estado "fantoches" inimigos - na ocorrência, o governo central de Nanquim, presidido por Chiang Kai-chek. Não espanta, pois, o facto de a dimensão militar e repressiva ser primordial, e fundadora, já na própria fase revolucionária: estamos aqui muito longe do primeiro bolchevismo russo, mas mais longe ainda do marxismo: será através do bolchevismo, reduzido a uma estratégia de tomada do poder e de reforço de um Estado nacional-revolucionário, que os fundadores do PCC, e em particular a sua "cabeça pensante", Li Dazhao, chegarão ao comunismo, em 1918-1919. Onde quer que o PCC triunfe, é o socialismo da caserna (e dos tribunais de excepção, e dos pelotões de fuzilamento) que se instala. P'eng P'ai, decididamente, tinha fornecido o modelo».

(...)Dificilmente se contestará que os Tibetanos vivem um drama desde a chegada do Exército Popular de Libertação, em 1950-1951. Mas não terá este drama sido muitas vezes agravado, com as inevitáveis variantes locais, pelo desprezo chinês por esses "selvagens atrasados" dos altos planaltos, o desprezo do conjunto dos habitantes da China Popular? Assim, de acordo com os adversários do regime, setenta mil tibetanos teriam morrido de fome entre 1959 e 1962-1963 (como noutras regiões isoladas, houve bolsas de fome que subsistiram por muito mais tempo). Isto representa 2% a 3% da população, ou seja, perdas proporcionalmente bastante inferiores às sofridas pelo país no seu conjunto. É verdade que um estudo recente de Becker refere números muito mais elevados, chegando aos 50% de mortos no distrito natal do Dalai-Lama, no Qinghai. Entre 1965 e 1970, as famílias foram coercivamente agrupadas em comunas populares militarmente organizadas - como noutros sítios, e um pouco mais tardiamente. A vontade de produzir a todo o custo os mesmos "grandes" cereais que na China propriamente dita levou à tomada de medidas absurdas, responsáveis pela fome, como obras de irrigação e construção de socalcos mal concebidos, a supressão do pousio, indispensável nos solos pobres e não adubados, a substituição sistemática da cevada rústica, capaz de suportar o frio e a seca, pelo trigo, muito mais frágil, ou a limitação das pastagens dos iaques: muitos destes animais morreram, e os Tibetanos deixaram de ter lacticínios (a manteiga é um elemento fundamental da sua alimentação) e novas peles com que cobrir as suas tendas no Inverno - alguns morreram de frio. Parece igualmente que, como noutros lugares, as entregas obrigatórias foram excessivas. As únicas dificuldades verdadeiramente específicas foram a instalação de dezenas de milhares de colonos chineses, a partir de 1953, no Tibete Oriental (Sichuan), onde beneficiaram de uma parte das terras colectivizadas, a presença na Região Autónoma de cerca de trezentos mil chineses da maioria Han, dos quais duzentos mil militares, que era preciso alimentar, e o adiamento para 1965 das medidas de libertação rural implementadas por Liu Shaoqi nas outras províncias em 1962 e simbolizadas no Tibete pelo slogan: "Uma parcela de terra, um iaque".


O Tibete também não foi poupado pela Revolução Cultural. Em Julho de 1966, os Guardas Vermelhos (entre os quais alguns tibetanos, o que destrói o mito unanimista mantido pelos partidários do Dalai-Lama) revistam casas particulares e substituem nos altares os Budas por retratos de Mao Zedong; submetem os monges a essas "sessões de luta" contínuas de que nem sempre se sai vivo; sobretudo, encarniçam-se contra os templos, incluindo os mais famosos: Zhou Enlai tem de mandar soldados para proteger o Potala de Lhasa (antiga residência do "deus vivo"). O saque do mosteiro de Jokhang, em Lhasa, repete-se em milhares de outros exemplos; segundo o testemunho de um monge: "Havia várias centenas de capelas. Só duas foram poupadas. Todas as outras foram pilhadas e profanadas. Todas as imagens, textos sagrados e objectos rituais foram destruídos ou levados... Só a estátua de Sakyamuni, à entrada do Jokhang, foi poupada pelos Guardas Vermelhos, porque [...] simbolizava os laços entre a China e o Tibete. As destruições duraram mais de uma semana. Depois de tudo isto, o Jokhang foi transformado em caserna para os soldados chineses... Uma outra parte [...] foi transformada em matadouro". Considerando o peso da religião na sociedade tibetana, estas exacções típicas do período foram evidentemente ainda mais duramente sentidas do que noutros lugares. Parece também que o exército, menos ligado à população local, apoiou aqui mais decididamente os Guardas Vermelhos, pelo menos quando lhes era oposta resistência. No entanto, também neste caso, as grandes matanças ocorreram no fim do movimento, em 1968, quer nas batalhas entre grupos maoístas (centenas de mortos em Lhasa, em Janeiro), ou, sobretudo, durante o Verão, quando o exército impôs a formação de um Comité Revolucionário por ele dirigido. Houve assim, no total, talvez mais chineses do que tibetanos mortos no decurso da Revolução Cultural.


Para o Tibete, no entanto, os piores anos foram, de longe, os que tinham começado com a chegada das tropas chineses e culminado, em 1959, com a colectivização forçada (três anos depois da China), a insurreição que se seguiu, a brutal repressão que a esmagou e a fuga para a Índia do Dalai-Lama (soberano temporal e espiritual), acompanhado por cem mil pessoas, em que se incluía uma larga parte da elite culta do país. Ainda que os anos cinquenta não tenham tido na China propriamente dita nada de cor-de-rosa, o poder deu mostras no alto planalto de uma violência extrema, destinada a impor simultaneamente o comunismo e o domínio chinês a uma população ferozmente independente, em parte semi-nómada (cerca de 40% dos habitantes), em parte ligada aos mosteiros. A situação torna-se ainda mais tensa com a colectivização, em meados da década. E, ao levantamento dos guerrilheiros de Khampa, o exército responde com atrocidades absolutamente desproporcionadas. Mas já quando dos festejos do Ano Novo tibetano, em 1956, o grande mosteiro de Chode Gaden Phendeling, em Batang, tinha sido destruído por um bombardeamento aéreo, em que pelo menos dois mil monges e peregrinos foram mortos.

A litania das atrocidades é sinistra, e muitas vezes inverificável. Mas a concordância dos testemunhos é tal que o Dalai-Lama declarou, não sem razão, a propósito desta época: "[Os Tibetanos] não foram apenas fuzilados, foram espancados até à morte, crucificados, queimados vivos, afogados, mutilados, esfomeados, estrangulados, enforcados, cozidos em água a ferver, enterrados vivos, esquartelados ou decapitados". O momento mais sombrio é sem contestação o ano de 1959, o da grande insurreição do Kham (Tibete Oriental), que acabou por alastrar a Lhasa. É impossível destrinçar o que foi reacção às comunas populares e ao Grande Salto, o que foi mobilização espontânea contra vários anos de exacções e o que se deveu à infiltração maciça, por parte da CIA, dos guerrilheiros Khampa, previamente treinados nas práticas da guerrilha em bases de Guam e do Colorado. A população civil, que parece em todo o caso simpatizar com os insurrectos e aceitar escondê-los no seu seio, sofrerá como eles os bombardeamentos maciços do exército chinês; os feridos, deixados sem tratamento, eram por vezes enterrados vivos ou acabavam devorados pelos cães vadios - o que também explica o elevado número de suicídios entre os vencidos. Lhasa, bastião de 20 000 tibetanos muitas vezes armados de mosquetes e sabres, foi retomada a 22 de Março, ao preço de 2000 a 10 000 mortos e destruições importantes infligidas ao templo de Ramoche e ao próprio Potala, escolhidos como alvos. O dirigente tibetano e uma centena de milhares dos seus compatriotas fugiram para a Índia. Houve pelo menos mais uma grande revolta em Lhasa, em 1969, afogada num banho de sangue. E a guerrilha Khampa reacendeu-se então até 1972. O ciclo de revoltas-violências-novas revoltas recomeçou, pelo menos em Lhasa, a partir de Outubro de 1987, ao ponto de, em Março de 1989, ter sido declarada a lei marcial: a capital tibetana acabava de assistir a três dias de motins claramente independentistas, acompanhados por progroms antichineses. As violências teriam feito mais de 600 vítimas em dezoito meses, segundo o general Zhang Shaosong. A despeito de alguns excessos inaceitáveis, especialmente contra monjas em cativeiro, é todavia claro que os métodos chineses mudaram: já não se pode falar de matanças. Mas, no total, poucas famílias tibetanas não ficaram com pelo menos um drama íntimo para contar.


A maior tragédia do Tibete contemporâneo foi a das centenas de milhares de internados - talvez um tibetano em cada dez, no total - dos anos cinquenta e sessenta. Parece que muito poucos (há quem fale de 2%) escaparam vivos dos 166 campos recenseados, a maior parte no Tibete e nas províncias vizinhas: os serviços do Dalai-Lama referiram, em 1984, 173 000 mortos em cativeiro. Comunidades monásticas inteiras foram enviadas para as minas de carvão. As condições de detenção - fome, frio, calor extremo - parecem ter sido, no seu conjunto, terríveis, e fala-se tanto de execuções de detidos que se recusavam a denunciar a ideia de um Tibete independente como de casos de canibalismo entre os prisioneiros quando da fome do Grande Salto. Tudo se passa como se os Tibetanos, entre os quais um quarto dos homens adultos são lamas, constituíssem uma população de suspeitos: um adulto em cada seis, aproximadamente, foi classificado como direitista, contra um em vinte na China. Na região tibetana das planícies, no Sichuan, onde Mao pudera reabastecer-se quando da Longa Marcha, dois homens em cada três são presos nos anos cinquenta, só vindo a ser libertados em 1964 ou 1977. O Panchen-Lama, o segundo mais alto dignitário do budismo tibetano, ousa protestar junto de Mao, num relatório de 1962, contra a fome e a repressão que dizimam os seus compatriotas. Em reposta, é atirado para a prisão e depois colocado em regime de residência fixa, até 1977; o "veredicto" que o condena é anulado em 1988.


Se nenhum argumento convincente permite pensar que os Chineses planearam o genocídio físico dos Tibetanos, o facto é que tentaram incontestavelmente o genocídio cultural. Os templos, já o dissemos, foram as suas vítimas preferidas: na esteira da Revolução Cultural, apenas 13 dos 6259 locais de culto tibetano continuavam a funcionar. Dos outros, os mais favorecidos foram transformados em casernas, em hangares ou em centros de detenção: apesar das enormes depredações, conseguiram sobreviver e alguns deles estão hoje reabertos. Mas muitos foram totalmente arrasados, e os seus tesouros - manuscritos seculares, frescos, thanka (pinturas), estátuas, etc. - destruídos ou roubados, sobretudo quando continham metais preciosos. Uma fundição de Penquim recuperou 600 toneladas de esculturas tibetanas até 1973. Em 1983, uma missão oriunda de Lhassa encontrou na capital chinesa 32 toneladas de relíquias tibetanas, que incluíam 13 537 estátuas e estatuetas. O esforço de erradicação do budismo foi acompanhado por uma tentativa de impor nomes chineses aos recém-nascidos tibetanos, e, até 1979, de escolarizar as crianças em mandarim; numa espécie de recordação tardia - e mal situada - da revolução antimanchu de 1911, os Guardas Vermelhos puseram-se a cortar as tranças dos Tibetanos dos dois sexos; tentaram igualmente impor as normas vestimentares na altura na moda entre os Han.

As mortes violentas foram sem dúvida, em proporção, mais numerosas no Tibete do que em qualquer outro território do conjunto chinês. É no entanto difícil levar inteiramente a sério os números divulgados pelo governo tibetano no exílio em 1984: 1 200 000 vítimas, ou seja, aproximadamente um tibetano em cada quatro. Anunciar 432 000 mortos em combate parece particularmente pouco verosímil. Mas é lícito falar de matanças genocidárias: pelo número de mortos, pelo pouco caso feito dos civis e prisioneiros, pela regularidade das atrocidades. A população da Região Autónoma baixou de 2,8 milhões de habitantes em 1953 para 2,5 milhões em 1964; tendo em conta o número de exilados e a taxa de natalidade (também ela incerta), isto poderia representar cerca de 800 000 "mortos a mais", ou seja, uma taxa de perdas semelhante à do Camboja dos Khmers Vermelhos. O facto de, nestas condições, se manifestar tão frequentemente nas mulheres tibetanas o medo de um aborto ou da esterilização forçados quando da mais pequena estada num hospital é tanto um indício suplementar de um sentimento de extrema insegurança como o efeito de práticas rudemente anti-natalistas (recentemente alinhadas pelas que se encontram em vigor entre a maioria Han e das quais as minorias estiveram durante muito tempo dispensadas). Diz-se que o secretário-geral do PCC, de visita a Lhasa em 1980, chorou de vergonha diante de tanta miséria, tanta discriminação, tanta segregação entre Han e Tibetanos, e falou de colonização "em estado puro". Os Tibetanos, durante muito tempo esquecidos no seu país de neve e de deuses, têm a infelicidade de viver numa zona eminentemente estratégica, em pleno coração da Ásia. Esperemos que não tenham de pagá-lo com o seu desaparecimento físico, felizmente improvável, nem com a perda da sua alma.

Jean-Louis Margolin  («O Livro Negro do Comunismo»).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

O saque, pagamos e não bufamos!!!




Pagamos e não bufamos, eles roubam e não há forma de os fazer pagar nem parar com o roubo!!!

«Jura, perjura, secretum pandere noli (jura e perjura, mas não reveles o segredo).

“Contribuinte - Gostava de comprar um carro.

Estado - Muito bem. Faça o favor de escolher.

Contribuinte - Já escolhi tenho que pagar alguma coisa?

Estado - Sim. De acordo com o valor do carro (ISV+IVA)

Contribuinte - Ah. Só isso.

Estado - e uma "coisinha" para o por a circular (selo)

Contribuinte - Ah!

Estado - e mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule (ISP)

Contribuinte - mas sem gasolina eu não circulo.

Estado - Eu sei.

Contribuinte - mas eu já pago para circular.

Estado - claro.

Contribuinte - então vai cobrar-me pelo valor da gasolina?

Estado - também. mas isso é o IVA. O ISP é outra coisa diferente.

Contribuinte - diferente?

Estado - muito. O ISP é porque a gasolina existe.

Contribuinte - porque existe?

Estado - há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram petróleo. e você paga.

Contribuinte - só isso?

Estado - Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.

Contribuinte - como assim?

Estado - Tem que pagar para o estacionar.

Contribuinte - para o estacionar?

Estado - Exacto.

Contribuinte - Portanto pago para andar e pago para estar parado?

Estado - Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.

Contribuinte - Então pago para circular, pago para conseguir circular e pago por estar parado.

Estado - Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?

Contribuinte - Novo?

Estado - é que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está em condições de andar por aí.

Contribuinte - Pago para você ver se pode cobrar?

Estado - Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha...

Contribuinte - Mais uma coisinha?

Estado - Para circular em auto-estradas

Contribuinte - mas eu já pago imposto de circulação.

Estado - mas esta é uma circulação diferente.

Contribuinte - Diferente?

Estado - Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.

Contribuinte - Só mais isso?

Estado - Sim. Só mais isso.

Contribuinte - E acabou?

Estado - Sim. Depois de pagar os 25 euros acabou.

Contribuinte - Quais 25 euros?

Estado - Os 25 euros que custa pagar para andar nas auto-estradas.

Contribuinte - Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?

Estado - Sim. Mas todos pagam os 25 euros.

Contribuinte - Quais 25 euros?

Estado - Os 25 euros é quanto custa.

Contribuinte - custa o quê?

Estado - Pagar.

Contribuinte - custa pagar?

Estado - sim. Pagar custa 25 euros.

Contribuinte - Pagar custa 25 euros?

Estado - Sim. Paga 25 euros para pagar.

Contribuinte - Mas eu não vou circular nas auto-estradas.

Estado - Imagine que um dia quer...tem que pagar

Contribuinte - tenho que pagar para pagar porque um dia posso querer?

Estado - Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.

Contribuinte - E se eu não quiser?

Estado - Paga multa.”»

Rodrigo Moita de Deus

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