segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Kaúlza de Arriaga, um dos últimos bravos do Império.

 


FACTO IMPORTANTE QUE É UMA CHAVE PARA ENTENDER A HISTÓRIA DE ABRIL

Descendente de uma família açoriana, General, professor e publicista, Kaúlza de Arriaga nasceu em 1915 no Porto e morreu em 2004 na cidade de Lisboa com a doença de Alzheimer.

Sob ordens de António de Oliveira Salazar e Marcello Alves Caetano, foi comandante das Forças Terrestres em Moçambique de 1969 a 1970 e Comandante em Chefe das Forças Armadas em Moçambique de 1970 a 1973.

Como militar, esforçou-se na reforma dos sistemas de recrutamento e de treino, preocupou-se com a modernização dos transportes aéreos militares e incentivou o Corpo de Tropas Paraquedistas e a sua integração na Força Aérea. Ficou conhecido principalmente pelas campanhas militares que comandou em Moçambique, sobretudo pela grandiosa Operação Nó Górdio (1970), que resultou num enorme sucesso militar que chegou a ser publicamente admitido pela FRELIMO que como consequência dessa operação moveu o seu esforço de guerra para a zona de Tete.

Preso a 28 de Setembro de 1974, não encontraram culpa nos 16 meses em que esteve preso e o tempo que durou a prisão explica tudo. Ele foi encarcerado durante justamente o período da descolonização. Após consumada a entrega do Ultramar Português foi solto pois já não constituía perigo pela sua radical oposição ao processo.

Claro que Kaulza tinha razões de sobra para processar o Estado e não se isentou de o fazer. E venceu a causa.
Mas o mais surpreendente foi o recurso que o Ministério Público interpôs logo que o Estado foi condenado.
Ora vejamos a transcrição que aqui deixo a seguir:

《 O Delegado do Ministério Público, no seu recurso - 1985/1986 - considera ter sido dado como provado que o General Kaúlza de Arriaga tinha realmente capacidade, vontade e prestígio para liderar um movimento contra a descolonização de Angola e Moçambique.

O SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO 4 de Junho de 1987》- in "Guerra e Politica", pag.11

Colaborador fiel de António de Oliveira Salazar, chegando a ser decisivo no fracasso do Golpe de Estado de Botelho Moniz de 1961, Kaúlza de Arriaga tinha capacidade, autoridade e prestígio para liderar e reverter a descolonização, tendo sido imobilizado pelo recente regime.

Nota: O único digno representante da direita em Portugal no pós 25/4, por isso mesmo anulado pela cambada do regime. 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Kaúlza de Arriaga, um dos últimos bravos do Império.

  FACTO IMPORTANTE QUE É UMA CHAVE PARA ENTENDER A HISTÓRIA DE ABRIL Descendente de uma família açoriana, General, professor e publicista, K...