«(...) Foi preso pelo “crime” de grau de parentesco? Alguma vez lhe disseram que foi esse o motivo?
Esse foi o motivo. Telefonaram para o COPCON a dizer que “estava ali um sobrinho do Marcello” [Caetano] e a resposta foi “tragam-no” (a mim e aos outros). Depois o MDP/CDE emitiu um comunicado a dizer que tinham sido presos 12 notórios fascistas que tinham desempenhado altos cargos no antigo regime e um desses 12, era eu! Isto tudo com 17 anos, repito.
Foi com a “legalidade” de um dos famosos mandados em branco?
Nem isso! No nosso caso não existiu qualquer mandado, sequer. Foi apenas a legitimidade revolucionária.
Como foi tratado na prisão?
Na prisão, estive duas vezes no isolamento (antes de ser interrogado) e à parte umas ameaças durante os interrogatórios, fui bem tratado. Contudo, no momento da minha detenção, simularam o meu fuzilamento (e dos meus companheiros) no isolamento.
Essas práticas de tortura eram comuns?
Hoje sei que houve vários tipos de sevícias, tanto físicas como morais, sobretudo morais, mas não posso afirmar que fossem comuns. Agora que aconteceram, aconteceram...».
Entrevista a Nuno Alves Caetano no Jornal "O Diabo."
Sem comentários:
Enviar um comentário