quinta-feira, 16 de julho de 2026

«Patriotismo reduzido ao futebol»

 



«Patriotismo reduzido ao futebol»

E deste trecho que registámos, transita para outro. Começa por uma observação de amarga ironia: «O patriotismo está hoje reduzido aos jogos de futebol que são jogados por onze mercenários». E acrescenta:

«A Pátria é uma entidade espiritual. O salazarismo, durante 50 anos, confundiu a Pátria com a Nação que é uma realidade de natureza, o conjunto dos que nascem portugueses. O actual socialismo não fala já da Pátria (a palavra Pátria aparece uma única vez na Constituição política para designar o território) e supõe-a reduzida à República, que é o conjunto dos bens públicos acrescidos dos bens privados. O nome de Portugal – que Agostinho da Silva disse ser “um dos nomes de Deus” – foi substituído pela designação de este País.

Há a alta e a baixa política. Entre nós, hoje, só há a baixa política. É uma baixa política que tem por modelo a linguagem e a terminologia do comunismo (classes sociais, luta de classes, classes trabalhadoras, mistificação e desmistificação, etc.) e o comunismo é, como todos sabem, a única doutrina acessível a todos os estúpidos. Claro que, nesse sentido, não sou um político e a minha linguagem, como a minha terminologia, é outra. Falo da Pátria, falo do espírito, falo mais do direito de ensinar do que do direito de aprender, falo da liberdade sem a qual não há liberdades, etc. Claro que o eleitorado ou o leitorado dos semanários, da RTP, dos discursos políticos, começa por estranhar esta outra linguagem. Não sou, pois, naquele sentido, um político. Como Leonardo Coimbra o não era quando foi Ministro da Instrução e deu início à primeira tentativa de extinguir a Universidade, quando afirmou que “se para ser republicano será preciso não acreditar em Deus, eu não sou republicano”. Nem político era Álvaro Ribeiro quando doutrinou o movimento da Renovação Democrática e escreveu a sua teoria do ensino».

Orlando Vitorino 

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