HOMENAGEM A SALAZAR E AOS SEUS 25 ANOS DE GOVERNAÇÃO, PRESTADA PELA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO, EM 1953.
( EXCERTOS DO DISCURSO PROFERIDO PELO ESCRITOR , CONDE D' AURORA)
" ESTE HOMEM DE GÉNIO, ESPANTO DO MUNDO ACTUAL, INVEJA DE TODOS OS POVOS, QUE MESTRES TERIA TIDO? "
" ESSA A GRANDE RENÚNCIA, O MAIOR VALOR DE SALAZAR.
SALAZAR VALOR DE PORTUGAL E DO MUNDO, JÁ PERTENÇA DA HISTÓRIA DE PORTUGAL E DO MUNDO. "
"Não é sem a mais alta emoção que uso da palavra neste soleníssimo momento. Comovido, como não posso deixar de me sentir, pequenino e esmagado, tal um minúsculo comparsa em recuado travelling de grande espectaculosidade histórica, pelo ambiente e pelo assunto: discorrer sobre Salazar e no Salão Nobre dos Paços do Concelho do mais representativo, do mais tradicional, do mais opulento município de Portugal.
(...)
Vinte e cinco anos da estadia de Salazar no poder, do estadista de maior nome mundial da actualidade.
Tentarei traçar ante a retina da vossa imaginativa, culta e inteligente, com minhas mãos inábeis, em acelerada retrospectiva panorâmica, a infra-estrutura material da obra por ele realizada; mostrando, depois, a superstrutura que a timbra, sua maior obra, sua grande obra, a reedificação espiritual; e finalmente tentar, quase em quiromância, descrever as linhas de força, as ideias mestras, os antecedentes, a explicação de Salazar, tanto quanto é possível explicar qualquer caso humano, especialmente este que extravasa todas as medidas normais e representa, no Tempo e no Espaço, um tipo extra - série, como disse de Monzie.
É já um slogan adoptado pelo nosso espírito, ainda relapso no conservantismo passivo e derrotista, bom condutor das forças do mal, considerar de mau gosto repisar os benefícios de ordem material dos últimos vinte e cinco anos. Mas a realidade é bem outra: é o nunca ser demais relembrar tais factos, deleitando-nos no orgulho como na usufruição de tais verdades. Circuitêmo-las rapidamente. Relembremos como Salazar, quando nem os homens do 28 de Maio conseguiam estancar uma derrocada financeira que vinha dos tempos da Monarquia Liberal, e tão pavorosamente se agravara no período da República Demagógica ( e V.V.Ex.ªs poupar- me -ão os números que todos conhecem e ninguém nega), lembremos como Salazar restaurou o equilíbrio orçamental; extinguiu o déficit crónico ( caso único nos tempos actuais da Europa! ) ; como se pagou integralmente a dívida flutuante e a taxa de juro baixou de 13% para 2.5% ; como se restabeleceu o crédito e se restaurou a moeda que passou de uma situação risível a ser uma das mais fortes do mundo.
(...)
Apetrecharam -se os portos, de aquém e de além mar. E renovou -se totalmente a grande rede de estradas por todo o país, num esforço de grandeza colossal. O repovoamento silvícola dos nossos escalvados montes, em centenas de milhares de hectares, só tem par na história com a obra do Pinhal de el- Rei.
E não se pode esquecer a obra de hidráulica - agrícola apenas porque o aproveitamento hidro - eléctrico atinge cifras astronómicas. E construiram -se milhares de escolas, de edifícios públicos, de tribunais, de casas para magistrados, correios e telégrafos com sua vasta rede de ligações telefónicas a todo o país. Centenares de pontes! E porque faltou o << brasileiro>> a construí - los, também se ergueram hospitais, realistas estes e obedecendo a planos. E restauraram -se por todo o País os nossos mais notáveis monumentos nacionais que se esboroavam e desapareciam sem deixar vestígios.
Por todo o Mundo Português se estendeu a obra de construção, integrando o Ultramar no seu verdadeiro conceito de Províncias de Portugal; e tudo lá se fez como na metrópole, resgatando até os caminhos de ferro e os portos; construindo estradas, saneando as finanças, organizando os quadros, fomentando então de um modo ingente a agricultura ultramarina.(...)
E tanta, tanta coisa ainda, em todos os mais pequenos recantos da vida portuguesa. E passarei em claro, por falta de tempo, vastos sectores inteiros. Mas se a infra-estrutura é notável, como já verificamos, muito mais importante é a obra de renovação dos espíritos: a Superstrutura. Essa é a consciência da nossa dignidade nacional, a nossa consciência imperial, o orgulho legítimo de sermos portugueses, que no dessoramento do último século e meio havíamos quase totalmente perdido. E também a paz nas ruas, nos espíritos, nas almas. (...) É o restabelecimento das potências do Espírito. É o primado da Inteligência e da Razão. É, numa palavra, a certeza que os portugueses adquiriram de que a Nação é uma realidade presente com projecção no futuro, e não apenas um passado de museu, morto, glorioso embora. E se alguns outros homens eram também dotados de tais sentimentos, não exclusivos de Salazar, faça -se -lhe a justiça que só ele conseguiu, com seu exemplo de abnegação e trabalho, votando à tarefa a própria vida - só ele conseguiu a generalização de tal espírito, de tal disciplina, de tal convicção.
(...)
Suavemente, lentamente, persuasivamente, dentro das nossas fronteiras vai-se a pouco e pouco vivendo de novo habitualmente, vítimas já quase apenas dos males do século, porque não podemos esquecer que Salazar não tem o condão de desligar -nos do Tempo e do Espaço, nem dar solução, como tantos rabugentamente pretendem, aos grandes danos do presente, existindo com muito maior intensidade nos outros países, esses mais ricos que o nosso ainda sem subsolo nem grande indústria.
(...)
Este homem de génio, espanto do mundo actual, inveja de todos os povos, que mestres teria tido? Estudemos as linhas de força da sua personalidade. Quando digo mestres eu quero lembrar essencialmente três de quem hauriu mais profundamente aquela sua vasta preparação de estadista que o faz dominar os acontecimentos, tão ao contrário dos<< políticos - políticos>> dominados, esses, pelos acontecimentos. Aquela clareza dos seus discursos, álgida embora quanta vez, mas clara e álgida como a demonstração de um teorema. Que só pelos discursos fica Salazar indelèvelmente inscrito entre os grandes clássicos da língua. (...)
Ora quando digo Mestre eu quero significar em primeiro lugar o Povo de Portugal, esse Volk, tão marcado na actual personalidade de Salazar, embora Salazar mais propriamente herói nacional de que herói popular. Povo da nossa terra, em toda ela igual e como ele: arca do bom senso, do carácter, de todas as nossas virtudes atávicas e tradicionais. (...)
A seguir é a admirável já cultura e não apenas instrução do curso teológico (...)
É depois a velha, a grande Universidade de Coimbra. Mas até essa, quintacolunizada pelo espírito destruidor do mal, abastardada ao ponto de tentar expulsar de seu seio o futuro estadista, apenas porque ele tinha o autêntico, o tradicional, o verdadeiro espírito de escolar coimbrão. É a Mestra Coimbra, mais o burgo que a Universidade; mais o meio, o ambiente, a república estudantil.
Ah! São esses os três grandes mestres de Salazar.
(...)
Gélida casa a sua, gabinete oficial e burocrático sem alma, objectivo como um volume de carneira do<< Diário do Governo>>. Gélida casa sem lume, sem o calor, o colorido, a consolação, o conforto de aquilo a que Fradique shakespereanamente chamava<< o leite da bondade humana>>.
Essa a grande renúncia, o maior valor de Salazar. Salazar valor de Portugal e do Mundo, já pertença da História de Portugal e do Mundo."
( SALAZAR , pintura a óleo da autoria de Henrique Medina)
Ana Mandim
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