sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Morte ao vivo...

 

MORTE AO VIVO!
Sexta Feira, 3 de Setembro de 2021, 21.00H
No meu habitual passeio nocturno, vi o que nunca gostaria de ter visto, vi morrer um homem assassinado à facada.
Um homem jovem, teria talvez trinta anos, um homem, melhor, um simples e modesto cidadão que regressava da sua faina diária, um simples distribuidor de gás, possivelmente, com as receitas do dia, talvez tenha sido esse o motivo que o levou à morte.
Certamente, um ou mais bandidos que queriam dinheiro para se divertirem nesta noite de Sexta Feira, bandidos sem escrúpulos, nunca se saberá, uma vez que a vítima ferida fugiu na furgoneta com que trabalhava que acabou por embater contra um passeio num cruzamento, tendo caído do carro e desfalecido.
Sim, eu vi morrer essa pessoa, estive a um metro dele, é horrível, vários bombeiros desesperados a fazer-lhe massagem cardíaca e dar-lhe oxigénio, tentaram tudo para o salvar, em vão, acabou por morrer ali prostrado no chão como um cão, assim se encerrou uma vida, uma vida que ainda tinha muito para dar, assim se morre Portugal quando se passa por sítios mal frequentados, local perigoso conhecido de todos mas que pouco ou nada se faz para combater esse inferno, infelizmente não é caso único, foi apenas mais um a acrescentar à lista.
Filho certamente, marido e pai talvez, certo é que já nada mais será do que cinzas, assim se vive e morre neste Portugal "democrático", local frequentado e desgovernado por uma cambada política que não sai à rua sem estarem bem protegidos por muitos guarda costas, mas que se está nas tintas para o cidadão vulgar, para o desprezado pagador de impostos que lhes paga os chorudos ordenado e mordomias, tiranetes que se estão nas tintas para os seus servos.
Sim, é isso que somos, servos de gente irresponsável que desde 74 tem destruído o país, que, de um país tranquilo o transformaram num país cada vez mais próximo do Brasil, aliás, nesse país eles tem o remédio certo para a bandidagem, talvez por isso a criminalidade tenha baixado, aqui, o tal país dos mais "seguros" do Mundo (do Mundo deles, entenda-se), o pacato cidadão não tem ninguém que o defenda, polícia na rua só quando o rei faz anos, e quando aparece é de carrinho que andar a pé faz mal e não deixa crescer a barriga, mas coitados, também estão limitados, se saírem da linha os polícias viram criminosos, este é um Mundo ao contrario, compreendo-os, tem de ganhar a vida sem muitas chatices...
Assim vai esta quintal cada vez mais fedorento, cada vez mais conspurcado, cada vez mais sem Rei nem Roque, tudo que seja a mais do que espiolhar o que o inocente e ingénuo cidadão revoltado diz no Facebook ou noutras redes sociais, é pedir demais aos defensores do Reino...
Realmente, faz falta certa polícia, nesse tempo a criminalidade deste tipo era rara, sim, não andavam só atrás dos "revolucionários", mas também a alta criminalidade, droga, terroristas e quejandos não tinham ordem de andar por aí a chatear quem trabalha honestamente.
Espero, que nunca assistam a tal drama, ir-me-á marcar até ao resto da vida, mas não se esqueçam, V. Exas. é que tem permitido isto, um dia, um dia pode tocar-lhes à porta, rezem para que não lhes aconteça!!!
Hoje, vi morrer um HOMEM inocente, eram 21:00 horas do dia 3 de Setembro do ano de 2021!!!
Paz à sua alma... 
Triste testemunho do meu querido amigo José Saraiva.
Infelizmente eventos como este começam a ser demasiado frequentes neste no país, sem comentários...

Verdades inconvenientes.

 


Grande Angular - Sim, é verdade

O que mais choca, nas actuais polémicas sobre a avaliação dos regimes políticos portugueses, a República, a ditadura salazarista e a Democracia, é a falta de segurança dos democratas, sejam eles de esquerda, de centro ou de direita. Mas sobretudo dos socialistas, esquerdistas, comunistas e social-democratas. O que quer que se diga e possa parecer louvor ou mera neutralidade relativamente a um qualquer fenómeno histórico é imediatamente condenado na praça pública. Os seus autores são tratados de fascistas e vendidos. Ainda por cima, ignorantes e analfabetos, sendo que a designação de fascista é a mais importante. A recente controvérsia sobre as políticas económicas e sociais do antigo regime revelou bem a insegurança de tantos democratas, políticos ou académicos.

Gente sem força suficiente para acreditar na democracia, no regime das liberdades e da tolerância, fica hirta e arrepiada logo que uma afirmação sobre o Estado Novo ou a ditadura salazarista não for de mera condenação e simples insulto. Para esses frágeis democratas, estudar, sem preconceitos, os quarenta anos de ditadura é crime. Perceber por que aquele regime durou tantos anos, sem que seja apenas graças à tortura, é venal e cúmplice. Compreender as diversas fases do regime e verificar que, no universo da economia e das relações externas, houve um período de fecho e outro de abertura, é meio caminho andado para a complacência. Considerar que a adesão à ONU, a fundação da NATO e da EFTA e a adesão à OCDE foram importantes vitórias internacionais do regime é submissão às forças da ditadura. Na verdade, os vulneráveis e inseguros democratas que assim pensam consideram pura e simplesmente que o regime salazarista não deve ser estudado, deve ser condenado. Que tudo quanto aconteceu nas décadas de ditadura foi péssimo e deve ser denunciado. Que os que hoje têm uma atitude diferente são salazaristas ou mesmo fascistas. E sobretudo que todos os que com eles não concordam a propósito da política e das questões actuais, são da direita ou da extrema-direita, salazaristas e quase fascistas.



As proezas económicas e sociais do regime salazarista são reais, umas, duvidosas outras e inexistentes outras ainda. Todas elas ficam evidentemente ligadas à política daqueles tempos. Esta última incluía o facto de Portugal não ser um Estado de direito, a falta de democracia, a existência de polícia política e de censura, uma política colonial particularmente opressiva e uma concepção limitada e restritiva de direitos humanos. E é possível afirmar que esta política alimentou e acompanhou todas as políticas sociais e económicas, tanto as de conservação e imobilismo, como as de abertura e inovação; tanto as que, de início, ajudaram ou não contrariaram a estagnação da economia, como as que, mais tarde, contribuíram para o crescimento e o desenvolvimento.

Como também é possível confirmar, em traços grossos, a existência de algumas fases ou de uns tantos períodos da evolução económica e social com características diferentes. Uma longa primeira parte exibe taxas de crescimento medíocres, falta de inovação e investimento, estagnação económica e manutenção de muito pobres condições de vida tanto nos campos como nas cidades. Foram longos anos durante os quais muito teria sido possível, tanto na economia como na sociedade, mas que na realidade pouco foi efectuado e levado a cabo. Pobreza, analfabetismo, mortalidade infantil, esperança de vida, alimentação deficiente e subemprego revelavam condições sociais e de vida de muito especial dureza e atraso, perante as quais as autoridades, desinteressadas ou impotentes, capitularam.

Uma segunda parte revelou forças e energias até então insuspeitas. O crescimento económico foi real, com a ajuda da reorientação europeia da economia, do comércio externo, do investimento estrangeiro, da emigração, dos baixos salários atraentes para os investidores, do turismo, dos rendimentos coloniais e de outros factores. Mais de um milhão e meio de portugueses emigraram, o que aliviou a questão social, diminuiu o subemprego e trouxe enormes recursos por via das remessas. Foi uma “época de ouro” para a economia portuguesa. Até a guerra colonial, fragilidade maior do regime, contribuiu para o crescimento económico.

Sim, a economia portuguesa, medida pelo produto, pelo rendimento nacional e pelo produto por habitante, cresceu, na “década larga” de 1960 a 1974, a médias inéditas e não repetidas da ordem dos 6% a 7% por ano.

Sim, esta década foi a de maior crescimento económico que se conhece com algum rigor, talvez mesmo a de maior crescimento do produto por habitante da história do país.


Terreiro do Paço 1970.


Sim, no fim desta década, Portugal encontrava-se praticamente em pleno emprego, tanto no mundo rural como nas cidades, enquanto o principal problema de muitas empresas e de vários sectores produtivos era o de falta de força de trabalho, até porque faltavam homens que se encontravam na emigração ou nas guerras de África.

Sim, foi nesta altura que a indústria portuguesa mais cresceu na história do país, tendo havido anos em que esse crescimento anual ultrapassou os 15%.

Sim, nessa década foram dados os primeiros passos importantes no sentido de criar um primeiro e tímido embrião do Estado social, ou algo que se parecesse com isso, de modo que o número de beneficiários da segurança social e da caixa de pensões, assim como o de pensionistas, aumentou como nunca antes.

Sim, nessa década o analfabetismo infantil foi praticamente erradicado, apesar de o analfabetismo adulto se ter mantido a níveis únicos na Europa.

Sim, as condições de saúde da população começaram a melhorar de modo visível, apesar de muito lentamente e mau grado os indicadores sanitários estarem ainda muito longe dos verificados nos países europeus.

Em quase todos estes casos do universo social, o crescimento e os melhoramentos verificados após o 25 de Abril foram mais rápidos, mais justos, mais significativos e mais universais. O que não invalida o reconhecimento dos anos anteriores.

Intelectualmente medrosos, inseguros, descrentes da sua própria razão, necessitam estes políticos e estes académicos de apagar o resto do mundo para fazer valer o seu. Precisam de condenar às trevas exteriores todos os que não se reconhecem nas suas ladainhas. Só vivem felizes e só se sentem à vontade se puderem crescer num cemitério de ideias e de liberdade. Não pensam, excluem. Não argumentam, ditam. Não estudam, condenam.


in Público, 3.7.2021

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Socialismo e capitalismo.



Socialismo e Capitalismo.

"O governo das sociedades contemporâneas é orientado segundo um princípio absolutizado e universalizado, a que tudo se deve subordinar: o princípio da economia. O predomínio absoluto deste princípio começou por constituir a arma que conquistou para a burguesia o domínio das sociedades. Conquistado esse domínio, logo o princípio da economia se revelou instrumento da mais flagrante e dolorosa injustiça. Multiplicaram-se as suas vítimas vertiginosamente, até abrangerem a quase totalidade dos homens. Quando essa injustiça, assim estabelecida, ficou patente e adquiriu as proporções de escândalo, procurou-se atribuir às modalidades e processos de aplicação do princípio, não ao próprio princípio, a sua origem e causa. Mantendo-se assim, no seu pedestal, esse princípio absoluto e único, reforçando-o e elevando-o até mais alto, dividiram-se em duas correntes principais os adoradores do ídolo - chamaram-se uns socialistas, chamaram-se outros capitalistas. O que os distingue é apenas a modalidade, o processo daquilo que ambos os grupos designam por «distribuição da riqueza», designação sarcástica pois do que efectivamente se trata é da «distribuição da pobreza». De qualquer modo, o ídolo é o mesmo, o princípio fica intocável e sua soberania continua a ser total. (...)"

Orlando Vitorino
"Suaves Cavaleiros" «A Ilha», nº4/1 a 14, Jan.1971

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Gulags, os campos de concentração socialistas.

 


A verdadeira face do comunismo, uma metodologia brutal, realmente uma liberdade total, só que neste caso para morrer sem um pingo de dignidade, isto é o retrato dos Gulag.
Um belo exemplo da tal liberdade tão propalada pela cambada comunista!!!
«Noble trabalhou nas minas de Vorkuta quando se desencadeou uma greve provocada pelos presos informados da revolta dos alemães do Leste contra o regime comunista. Em Vorkuta circulava, de boca em boca, a notícia que os 20 milhões de prisioneiros do campo de concentração de Goulag também se tinham revoltado. A greve durou dez dias. Depois, numa bela manhã, vários milhares de presos foram atirados para um campo, onde lhes foi anunciado que iam ser entabuladas negociações para pôr termo ao conflito. Quando todos estavam juntos, os vermelhos apontaram-lhes as metralhadoras - forçando-os à rendição. Os sobreviventes regressaram imediatamente ao trabalho. Noble relata: «A minha existência em Vorkuta assemelhava-se a uma morte viva. Era como que uma dolorosa combinação de lenta e constante inanição e de acabrunhamento, monotonia que destruiu mais de um homem que gozava de melhor saúde do que eu».


Noble descreve também as torturas a que assistiu. E o que transcrevo aqui está bem longe de espelhar o pior. Ajudou a transportar até à cela um prisioneiro que tinha sido selvaticamente espancado, chicoteado. A pele foi arrancada desde as omoplatas, em toda a largura das costas até à cintura, e o tecido da camisa, que nunca despira, penetrou na carne viva. Durante cerca de uma hora, com um médico, também prisioneiro, retirou com infinitos cuidados os fragmentos de tecido incrustados nas feridas, tentando com precaução escolher os fios do tecido ensanguentado de preferência às parcelas de carne sanguinolenta. Quando acabámos esta dolorosa limpeza envolvemos as feridas com bocados de papel higiénico, a régia prenda oferecida pelo dispensário da prisão e o único «medicamento» a que tínhamos direito. O suplício do gabinete de desinfecção para a esterilização dos colchões, mais complexo e subtil, era executado por uma máquina metálica de imponentes proporções. Com as suas válvulas e os seus geradores a vapor, esta insólita caranguejola não era utilizada há muito. Os novatos não sabiam que ela não estava em condições de receber o vapor de água. E eram estes precisamente os lançados para a cuba transformada em instrumento de tortura. Quem fosse considerado culpado de ter cometido qualquer falta era atirado para dentro da cuba por guardas cujos modos brutais faziam compreender ao desgraçado que a punição seria terrível. O prisioneiro aterrorizado via os painéis de aço descerem e fecharem-se hermeticamente sobre ele, depois ouvia o ruído estridente dos ferrolhos que se uniam. No interior reinava a escuridão compacta e o detido esperava a todo o momento receber um jacto de vapor efervescente ou uma nuvem de gás tóxico. O desgraçado era deixado neste estado de medo abjecto e de incerteza durante um ou dois dias e só decorrido esse lapso de tempo é que os guardas consentiam em lhe abrir a porta. Muitos presos enlouqueciam depois desta diabólica provação. E poucos ficavam livres de doenças nervosas. A maior parte saía da cuba com os cabelos grisalhos e na generalidade dispunha-se a confessar o que quisesse.

Para além da tortura, os prisioneiros eram friamente abatidos sem a menor razão. Os soviéticos matavam porque, literalmente falando, um número tinha sido tirado à sorte ou porque sobre um documento sem importância, após um processo imaginário, alguém tinha decidido que determinada pessoa havia de morrer. As causas apresentadas, de antemão, para a matança eram completamente indiferentes para os homens incumbidos de executar tão triste tarefa, assim como, aliás, o conceito da própria morte.»
Deirdre Manifold.

FMI, instituição criminosa.

 

Breves notas sobre a instituição que domina financeiramente o mundo em que vivemos!!!
O FMI foi instituído em Bretton Woods, em 1944. Harry Dexter White, bem conhecido espião comunista, foi o seu arquitecto. O Presidente Truman, informado pelo FBI das suas ligações com a URSS, em vez de o mandar prender nomeou-o para o FMI, acompanhado doutros numerosos espiões comunistas de alto coturno, tais como: Frank Poe, Lauchlin Currie, William Ulmann, Nathan Silvermaster e Alger Hiss [1]. Eram todos detentores de elevados postos nos Departamentos do Estado americano e beneficiavam, em pleno, da protecção presidencial. E ocorre perguntar: qual a razão que leva um presidente dos Estados Unidos a proteger um espião comunista? Só uma resposta se apresenta legítima: tanto o presidente como o espião estão às ordens de alguém. Ambos sabem como o mundo é constituído. Em «Tragedy and Hope» (Tragédia e Esperança) o Professor Quigley conclui que fomos já longe demais no caminho da Ditadura Mundial para recuarmos. O «Saturday Evening Post», de 18 de Outubro de 1944, acompanhou a reunião de Bretton Woods através de Peter Drucker, porta-voz dos «Iniciados».
«Se o mundo adoptar um sistema de economia dominada, o timoneiro desembocará na URSS. A Rússia Soviética deve representar o modelo para semelhante ditadura, dado que foi o primeiro país a desenvolver a técnica de fiscalização económica internacional».
O FMI reivindica soberanias, imunidades e privilégios que suplantam, em muito, os das nações que o compõem e no seio dos territórios dessas nações.
Assim, o artigo IX, parágrafo 2, prevê que o Fundo possuirá personalidade jurídica plena e inteira e, de modo muito particular, a capacidade de: 1.º contratar; 2º adquirir e fazer uso de todos os bens mobiliários e imobiliários; 3.º accionar.


Neste mesmo artigo, o Fundo atribui-se o poder de emitir juízos, estabelecer estatutos e executar as suas próprias decisões, remetendo e reduzindo os estados membros ao papel de simples polícias. O parágrafo 10 deste artigo obriga cada nação a fazer valer os princípios nele inscritos, nos termos da sua própria lei, e prestar contas ao Fundo das medidas tomadas.
O parágrafo 3 proíbe que o Fundo seja submetido ao poder judicial de qualquer país ou estado em que actue, salvo no caso em que renuncie, expressamente, à imunidade de que goza.
O parágrafo 4 determina: «Os bens e activos do Fundo, quaisquer que eles sejam e em que mãos se encontrem, ficarão ao abrigo de qualquer execução, confisco, expropriação ou outra forma de arresto por acção legislativa ou
O parágrafo 7 atribui ao Fundo a mesma imunidade diplomática que desfruta qualquer nação que mantenha representação consular mas com esta diferença – que se possa exigir a partida aos representantes dos outros países.
O parágrafo 8 dispensa imunidades e privilégios aos quadros e empregados. E a segunda parte deste parágrafo estipula mesmo: «A todos os governadores, itinerantes, quadros ou empregados que não pertençam às nacionalidades locais serão asseguradas as mesmas isenções às restrições à emigração, nas condições do estatuto de estrangeiro e às obrigações do serviço nacional, e as mesmas facilidades quanto às restrições referentes a operações de câmbio que as dispensadas aos representantes oficiais e empregados da mesma categoria da parte de outros membros».


Os parágrafos 1 e 9 facultam a isenção de impostos sobre todos os bens, rendimentos, operações e transacções assim como sobre os salários e emolumentos pagos pelo Fundo que não sejam cidadãos locais, súbditos locais ou outros nacionais locais. São também isentos de impostos todas as obrigações ou títulos emitidos pelo Fundo, juros e dividendos compreendidos.
Sempre que as grandes civilizações ruíram para jamais se reerguerem, testemunha a História, a riqueza dessas civilizações encontrava-se nas mãos de um punhado de homens.
John Adams escreveu a Thomas Jefferson:
«Todas as embaraçosas confusões e desgraças na América provêm não tanto dos defeitos da Constituição ou da Confederação como de uma falta de honra e de virtude, assim como da ignorância completa da natureza da moeda, do critério e da circulação monetária».
E eis a resposta dada por Thomas Jefferson:
«Penso sinceramente, como vós, que as instituições bancárias são mais perigosas do que os exércitos em campanha e de que o princípio de gastar dinheiro que virá a ser desembolsado pela posteridade, sob o pretexto de consolidação, não é mais do que uma burla sobre o futuro, praticada em grande escala».
E até Mayer Amstel Rothschild afirmou:
«Permiti-me emitir e fiscalizar a moeda de uma nação e troçarei de tudo o que as suas leis instituem».
O ouro armazenado em Fort Knox não pertence ao povo americano mas ao Federal Reserve, grupo privado. O nome dos que possuem semelhantes fundos jamais foram revelados»

Deirdre Manifold, in Fátima e a Grande Conspiração.

sábado, 21 de agosto de 2021

Otelo, mais um herói de papelão!!!

 

“Louvar Otelo

Se Abril nos deu a liberdade e a democracia, foi apesar de Otelo, não graças a Otelo. Otelo foi o pior que Abril nos deu.
A morte de Otelo Saraiva de Carvalho desencadeou uma inesperada controvérsia na sociedade portuguesa. É herói ou não é herói? Merece ou não o “luto nacional”? Deve ou não ser recordado com um monumento?
Mais do que a personagem de Otelo, que é simples e pouco interessante, o que realmente surpreende é a reacção de tantos portugueses que ainda se revêem nesta figura e no percurso. Tristes os que se identificam com tão fracos heróis!
Depois de ter diligentemente participado, com honra e eficácia, em duas frentes da guerra colonial, Otelo insurge-se contra a ditadura. Graças aos seus talentos de organizador, assumiu as funções de “estratego” do golpe, isto é, das operações de Abril. Não foi “estratego” político, para o que não tinha conhecimentos. Mas tratou ao pormenor dos preparativos e da logística. Coordenou a criação do dispositivo militar. Comandou o desenrolar das operações que foram por si lideradas com indiscutível êxito. Sem violência física e sem ter derramado sangue, o que ficará, para sempre, a seu favor e para nosso bem. Se o golpe e a revolução tivessem gerado violência, ainda hoje teríamos um país muito diferente e pior.
Otelo merece consideração profissional. Com capacidade, serviu na guerra colonial em duas frentes, pelo que foi louvado e promovido. Também merece respeito político. Com inegável êxito, liderou as operações que derrubaram a ditadura. Também por isso foi louvado e promovido.
O estratega político-militar e "um símbolo" da Revolução dos Cravos. O militar que ajudou a derrubar a ditadura e o homem julgado, condenado e amnistiado pelo envolvimento na rede terrorista das FP25. Otelo Saraiva de Carvalho morreu este domingo, em Lisboa, aos 84 anos.
Não são dele a orientação política nem o programa, para o que não tinha sabedoria. Mas colocou o seu talento ao serviço da insurreição política. Merece aplauso, que recebeu em devido tempo. E que ainda hoje recebe, dado que os seus admiradores se contam por milhares. Mesmo altas autoridades, que não optaram pelo “luto nacional”, não deixaram de aparecer no velório.
Depois do 25 de Abril, Otelo desempenhou altas funções políticas e militares, sempre a favor da revolução, raramente a favor da democracia. Pertenceu a todos os órgãos revolucionários militares, liderou o COPCON, um autêntico quartel-general da revolução. Sob seu comando, com mandatos assinados por si e com o seu patrocínio, pessoas foram detidas, capturadas e batidas, contas bancárias foram congeladas, casas e empresas foram ocupadas. Otelo e o COPCON governaram, durante uns meses, Lisboa e grande parte do país, com terror e intimidação.
Otelo opôs-se ao voto nas eleições constituintes e aconselhou o voto em branco, contrariou a Assembleia Constituinte e patrocinou o mais sinistro dos planos políticos, o “Documento Guia da Aliança Povo MFA”, que a Assembleia do MFA aprovou e que se destinava a destruir qualquer hipótese de Estado de direito e de sistema democrático. Lutou contra os partidos democráticos e contra o “Grupo dos Nove”, intimidou o PS, o CDS e o PSD, competiu com o PCP, com o qual teve querelas. Dirigiu várias iniciativas revolucionárias, todas anti-democráticas, como as organizações do Poder Popular, os GDUP, a FUP e as FP-25.
Nunca defendeu eleições livres para a criação de poder legislativo, nunca lutou pelo Estado de direito, sempre atacou o regime parlamentar e o sistema democrático. Foi derrotado no 25 de Novembro pelas forças democráticas. Como foi derrotado por duas vezes que concorreu às eleições presidenciais. Contrariou todas as tentativas de criação de instituições representativas. Sem pensamento político próprio, pastoreou os grupos revolucionários que lhe batiam à porta e que ele alegremente apadrinhou.
Tendo sido derrotado e depois de afastado de qualquer função política ou militar de relevo, Otelo enveredou por uma carreira de conspiração e de organização de acções revolucionárias e terroristas. Apesar de condenado sem hesitações, foi amnistiado.
É infeliz notar que tantos políticos, intelectuais, académicos e jornalistas consideram Otelo o símbolo da liberdade e cultivam o mito de Otelo como construtor da democracia, quando ele nada fez por isso, bem pelo contrário, foi uma das suas piores ameaças
Se o critério for o da liberdade e da democracia, os portugueses devem-lhe pouco. Apenas lhe devem a organização do 25 de Abril, ponto final. Depois, exagerou nos seus desmandos, nas ameaças e nos atentados. Apesar disso, transformou-se num símbolo de Abril e da liberdade. É pena, pois foi o pior que Abril nos deu. E se Abril nos deu a liberdade e a democracia, foi apesar de Otelo, não graças a Otelo.
É infeliz notar que tantos políticos, intelectuais, académicos e jornalistas consideram Otelo o símbolo da liberdade e cultivam o mito de Otelo como construtor da democracia, quando ele nada fez por isso, bem pelo contrário, foi uma das suas piores ameaças.
Boa parte das esquerdas, sobretudo as esquerdas mais radicais, sempre teve um problema com a violência e o terrorismo. Se forem praticados “contra o capital”, contra o “imperialismo e o colonialismo”, contra “os ricos” e contra as “classes dominantes”, os actos violentos têm desculpa, são erros de passagem ou mesmo glórias inesquecíveis. Há esquerdas que nunca condenaram a violência, toda e qualquer violência. Há esquerdas que só depois de verem o bilhete de identidade é que condenam ou apoiam a violência. A simetria funciona também. As direitas sempre entenderam que a violência era necessária e bem-vinda contra os revolucionários e contra as esquerdas.
O luto nacional não é apenas isso, luto. Nem só recordação. É também louvor. Louvar Otelo seria simplesmente aceitar a violência. Os democratas podem perdoar os seus inimigos. Mas não louvar
A violência e o terrorismo em África, no Próximo Oriente, na América Latina, mesmo nos EUA e em certos países europeus, não só não foram condenados, como foram justificados. As Torres Gémeas de Nova Iorque foram festejadas por muitas esquerdas europeias. As Brigadas Vermelhas italianas, o Exercito Vermelho alemão, a ETA espanhola e o IRA irlandês acabaram quase sempre por ser louvados pela esquerda radical ou perdoados por esquerdas mais suaves. Apenas esquerdas mais moderadas souberam condenar sempre a violência e o terrorismo.
Cada vez que as esquerdas são colocadas perante o absurdo dos seus louvores à violência de esquerda, respondem com brutalidade: mas as direitas também! E citam, para justificar os seus desmandos, Marcelino da Mata, Wiriyamu, as tropas portuguesas em Nabuangongo e na Baixa do Cassanje. Para já não falar dos assassinatos e das torturas de que a PIDE foi responsável. A fraqueza deste argumento é absoluta. Não há, como no tempo e nos escritos de Trotsky, uma moral “deles” e uma “nossa”.
A democracia pode desculpar os seus inimigos. Pode perdoar a violência e o terror. É discutível, mas percebe-se. Não pode é louvar os terroristas. O luto nacional não é apenas isso, luto. Nem só recordação. É também louvor. Louvar Otelo seria simplesmente aceitar a violência. Os democratas podem perdoar os seus inimigos. Mas não louvar.”

António Barreto

A Sociedade dos Medíocres...

 

“A sociedade necessita de medíocres que não ponham em questão os princípios fundamentais e eles aí estão: dirigem os países, as grandes empresas, os ministérios, etc. Eu oiço-os falar e pasmo não haver praticamente um único líder que não seja pateta, um único discurso que não seja um rol de lugares comuns. Mas os que giram em torno deles não são melhores.
Desconhecemos até os nossos grandes homens: quem leu Camões por exemplo? Quase ninguém. Quem sabe alguma coisa sobre Afonso de Albuquerque? Mas todos os dias há paleios cretinos acerca de futebol em quase todos os canais. Porque não é perigoso. Porque tranquiliza.
Os programas de televisão são quase sempre miseráveis mas é vital que sejam miseráveis. E queremos que as nossas crianças se tornem adultos miseráveis também, o que para as pessoas em geral significa responsáveis. Reparem, por exemplo, em Churchill. Quando tudo estava normal, pacífico, calmo, não o queriam como governante. Nas situações extremas, quando era necessário um homem corajoso, lúcido, clarividente, imaginativo, iam a correr buscá-lo. Os homens excepcionais servem apenas para situações excepcionais, pois são os únicos capazes de as resolverem. Desaparece a situação excepcional e prescindimos deles.
Gostamos dos idiotas porque não nos colocam em causa. Quanto às pessoas de alto nível a sociedade descobriu uma forma espantosa de as neutralizar: adoptou-as. Fez de Garrett e Camilo viscondes, como a Inglaterra adoptou Dickens. E pronto, ei-los na ordem, com alguns desvios que a gente perdoa porque são assim meio esquisitos, sabes como ele é, coitado, mas, apesar disso, tem qualidades. Temos medo do novo, do diferente, do que incomoda o sossego.
A criatividade foi sempre uma ameaça tremenda: e então entronizamos meios-artistas, meios-cientistas, meios-escritores. Claro que há aqueles malucos como Picasso ou Miró e necessitamos de os ter no Zoológico do nosso espírito embora entreguemos o nosso dinheiro a imbecis oportunistas a que chamamos gestores. E, claro, os gestores gastam mais do que gerem, com o seu português horrível e a sua habilidade de vendedores ambulantes: Porquê? Porque nos sossegam. Salazar sossegava. De Gaulle, goste-se dele ou não, inquietava. Eu faria um único teste aos políticos, aos administradores, a essa gentinha. Um teste ao seu sentido de humor. Apontem-me um que o tenha. Um só. Uma criatura sem humor é um ser horrível. Os judeus dizem: os homens falam, Deus ri. E, lendo o que as pessoas dizem, ri-se de certeza às gargalhadas. E daí não sei. Voltando à pergunta de Dumas
– Porque é que há tantas crianças inteligentes e tantos adultos estúpidos?
Não tenho a certeza de ser um problema de educação que mais não seja porque os educadores, coitados, não sabem distinguir entre ensino, aprendizagem e educação. A minha resposta a esta questão é outra. Há muitas crianças inteligentes e muitos adultos estúpidos, porque perdemos muitas crianças quando elas começaram a crescer. Por inveja, claro. Mas, sobretudo, por medo."
ANTÓNIO LOBO ANTUNES

domingo, 15 de agosto de 2021

A Crise do Homem Português.

 


...A crise do homem português tem por causa única a perda de confiança em si próprio.

......a confiança que o homem português teve em si próprio baseava-se em certezas oriundas do seu substrato étnico, em tradições recebidas e continuadas, em ensinamentos transmitidos de modo mais ou menos esotérico, em regimentos das suas instituições, no êxito das suas façanhas políticas, enfim na sua fé religiosa.

(...) o homem português foi, durante os séculos heroicos, um homem de pensar adulto. Causas antifilosóficas fizeram-lhe perder a razão. Assim foi ele sofrendo uma decadência, passando a ter a sentimentalidade de um adolescente, e depois a veleidade de uma criança, para chegar à menoridade mental.

(...) homem pequeno, habitante de um país pequeno, de terra infértil e de industria pobre, de alma deprimida e de cultura inferior, nesta ilusão humilhante se situa e diz muitas vezes, perante escritores e jornalistas estrangeiros que atrai à capital, que recebe com generosa hospitalidade, que gratifica com honras e honrarias, recebendo em troca a lição medíocre de ensinamentos superficiais, quando não a prova escrita do merecido desprezo e desdém.

Álvaro Ribeiro, in "O Homem Português".

domingo, 1 de agosto de 2021

O retorno à luta!

 

Dois meses depois, estou de volta, depois de uma necessária e providencial pausa, um tempo de alinhar ideias, de reflexão e de leitura.

Espero que gostem das mudanças a que irão assistir no futuro, creio ser hora de, além de reflectirmos sobre a origem de todos os males que hoje afligem e amordaçam a Nação Portuguesa, em contrapartida possamos analisar em conjunto qual a forma de mitigar ou debelar tudo aquilo que nos tem desmotivado, separado e apagado a nossa identidade cultural e a nossa individualidade, tendo sempre por mote o retorno à família, ao grupo, ao clã ou à tribo. Somos seres gregários, temos necessidade de lutar por um ideal comum, temos necessidade de contacto físico, de diálogo e de interacção.

Hoje estamos desviados dos nossos semelhantes, divergimos, rendemo-nos à tecnologia, tornámo-nos demasiado ausentes e individualistas, perdemos o espírito que nos tornou únicos e pioneiros, vanguardistas e respeitados no passado.

"(...) ao contrário do que muitos disseram, o português não degenerou; as virtudes e os defeitos mantiveram-se os mesmos através dos séculos, simplesmente as suas razões é que variam conforme as circunstâncias históricas. No momento em que o português é chamado a desempenhar qualquer papel importante, põe em jogo todas as suas qualidades de acção, abnegação, sacrifício e coragem, e cumpre como poucos. Mas se o chamarem a desempenhar um papel medíocre que não satisfaz a sua imaginação, esmorece e só caminha na medida em que a conservação da existência o impele. Não sabe viver sem sonho e sem glória. Estagna então na apatia de espírito, faz a crítica acerba contra o que não está àquela altura a que aspira ou cai na saudade negativa, espécie de profunda melancolia."

Jorge Dias, in "Estudos do Carácter Nacional Português".

Está na hora de retomar o rumo, está na hora de voltarmos a falar a uma só voz, é tempo de escolhermos entre, ou lutar pelo ideal português, ou então pura e simplesmente nos acomodamos, resignamos, baixamos os braços, ficamos imóveis e morremos como Nação, esperando em breve não passar de uma breve passagem nos livros de história, esquecidos e sem glória!!!

Alexandre Sarmento



quinta-feira, 10 de junho de 2021

Dia de um Portugal envergonhado.

 



Mais um 10 de Junho se passou, o circo demagógico e populista pós 25 de Abril continua, nada muda, nada se altera.                                                                                

A democracia e a liberdade continuam a ser palavra de ordem, as assimetrias vão-se exponenciando, a pobreza e a exclusão social são imagem de marca, os escândalos multiplicam-se, temos cada vez mais ricos e ao mesmo tempo assistimos a uma escalada da miséria e da fome.

Dia de Portugal e das Comunidades, dia de qual Portugal, daquele Portugal que ainda subsiste na memória de muitos, o Portugal glorioso de outros tempos, o Portugal que foi e é ainda hoje motivo de orgulho para muitos, o Portugal do Império, o Portugal que se estendia pelos quatro cantos do mundo, o Portugal que foi o exemplo, aquele Portugal vanguardista e respeitado por todos.

Festejamos ou celebramos o quê afinal?

O dia de Camões, o Camões figura maior da literatura e cultura portuguesas, ou o esquecido, o Camões devassado por um "aborto ortográfico", fabricado por gente que envergonha os portugueses, adulterando a língua mãe, adaptando o português, submetendo-o aos interesses maçónicos dos utilizadores do dialecto brasileiro, não faz sentido, em Portugal fala-se e escreve-se em português, quanto ao Brasil, tanto me faz que falem brasileirês ou outro dialecto qualquer, em Portugal sou orgulhosamente português, falo e escrevo em português e tenho enorme orgulho nesse facto.

Tal como e muito bem o afirmou o nosso grande Pessoa, "a minha pátria é a língua portuguesa", sim, a língua portuguesa, não os dialectos importados, não o português amputado e aligeirado, prostituído aos interesses dos negócios das grandes editoras ou no limite ao serviço de interesses políticos, mas nunca no interesse da Nação.

Poderemos falar de identidade, pois, de facto é motivo de orgulho para muitos de nós, o caricato é assistirmos ao discurso de papagaios que mais não são do que caciques ao serviço do globalismo, fazem parte de um grupo que se dedica a apagar a nossa matriz cultural, religiosa e étnica. Estamos portanto a assistir à morte lenta de uma civilização, a nossa e a europeia, estamos a ser anulados cultural, racial e religiosamente, tudo feito às claras, e nós apenas assistimos sem reclamar, sem nos insurgirmos, a caminho de uma sociedade amorfa e desidentificada, sem passado e pior, sem futuro!!!

Quanto às Comunidades, pergunto, quais?

As comunidades portuguesas que vivem além-mar, só se for mesmo dessas, pois por cá assistimos à implantação de comunidades que nada têm em comum connosco, asiáticos, hindus, africanos, gente que em nada nos beneficia, em nada contribui para o bem estar social ou sequer contribui, têm direitos e benefícios aos quais os portugueses verdadeiros não têm acesso, mordomias várias, apoios, habitação, gente com muitos direitos e com muito poucos deveres, uma inversão da ordem natural.

Por tudo isso, pergunto, festejar o 10 de Junho por que razão, festejamos a morte lenta, festejamos a miscigenação, festejamos a anulação de tudo aquilo que nos caracterizou no passado, festejamos envergonhados pelas conquistas e grandiosidade de outrora, festejamos o termos vergonha de ser portugueses, essa é a verdade.

Dia de Portugal é todos o dias, dia de Portugal é quando os Portugueses honram o seu passado, se orgulham dele e do sangue, suor e lágrimas derramados pelos nossos ancestrais, tudo o resto não faz sentido.

Viva Portugal.

Vivam os portugueses.

Alexandre Sarmento


domingo, 6 de junho de 2021

Manipulados e obedientes...

 


"O nosso problema não é a desobediência civil. O nosso problema é a obediência civil. 
As pessoas obedecem às imposições dos seus dirigentes(...) e esquecem a pobreza, a fome, a guerra e a crueldade.
Enquanto obedecemos, as nossas prisões estão cheias de pequenos ladrões, enquanto os os grandes bandidos estão à frente do país.
A obediência é o nosso problema"

Howard Zinn




"As eleições são paródias em que se servem de grandes palavras; 
democracia, povo, nação, republica, soberania, 
mas que oculta mal o cinismo dos governantes: 
trata-se para eles de instalar e de manter viva uma tirania soft que pretende produzir um homem unidimensional, 
o consumidor entorpecido e alienado como nunca outra ditadura ousara conseguir."

Michel Onfray






sábado, 5 de junho de 2021

Goa, o jogo de bastidores, a traição.

 


Como sempre mais uma facada nas costas por parte dos nossos "amigos", desta vez os amigos americanos...

«Lisboa, 31 de Maio [de 1962] - Demorada conversa com Jorge Jardim, chegado de Goa. Súmula do que me disse: há em Goa um espírito de resistência ao ocupante; entre a oficialidade portuguesa que esteve em Goa, é hostil ao governo o estado de espírito; entre a população goesa está criado um sebastianismo que anseia por um regresso dos portugueses; os oficiais superiores indianos confessaram o seu espanto perante o carácter não-indiano de Goa e o seu elevado grau de autonomia; e o Patriarca José Alvernaz recusou-se a reconhecer a ocupação indiana, mantendo hasteada no seu paço a bandeira portuguesa e negando-se a cumprimentar as autoridades indianas.

(...) Lisboa, 6 de Março [de 1966] - Domingo. Sol grande, reflectindo no rio e na ponte em construção uma luminosidade quente. Percorri um grosso volume: "Survey of International Affairs", referente a 1961. Debrucei-me sobre o capítulo relativo à política externa indiana e à anexação de Goa. Assunto é tratado de forma desenvolvida, e apresentado sem grande simpatia pelo ponto de vista português; há omissões, e importantes; mas não se revela tão-pouco simpatia pelo ponto de vista indiano. Mais uma vez se suscita no meu espírito esta pergunta: qual foi exactamente o papel dos Estados Unidos no caso de Goa? Deram a luz verde a Nehru, sem dúvida alguma, porque podiam ter travado o indiano se o houvessem querido, e isso sem ofensa de interesses americanos de monta. Mas por que procederam assim? O seu anticolonialismo, o seu fascínio pela Índia, o seu desejo de assegurar o mercado indiano - tudo isto conduziu à atitude assumida por Washington. Passados quase cinco anos, porém, penso que se deveria ajuntar uma outra razão: a Kennedy terá ocorrido que, com a perda de Goa, cairia o governo de Salazar em Lisboa: e como Salazar, na questão de África e na base dos Açores, já se mostrara um aliado muito duro, haverá Kennedy também julgado que daquela maneira se desembaraçaria de um sujeito incómodo. Falhara o golpe de Botelho Moniz de Abril de 1961, inteiramente pró-americano, senão inspirado pelos Estados Unidos; e o que não se conseguira com uma revolução interna, que falhara, poderia acaso obter-se com um desastre externo. Goa era ponto ideal para o tentar. Será isto? De momento, nada disto se pode provar (...).

(...) Lisboa, 10 de Abril [de 1966] - (...) Parece que há em Salazar uma tendência inata que o leva a não ver o mal, a não acreditar no pior, e não prever actos imorais ou torpes dos outros. Lembro-me de que, perante os preparativos da agressão contra Goa, Salazar nunca acreditou que Nehru avançasse: só viu essa realidade dois ou três dias antes de o facto se produzir. E em princípio Salazar tinha razão: na lógica pacifista de Nehru, foi um erro a anexação violenta de Goa, como aliás o admitiu depois.

(...) Lisboa, 19 de Janeiro [de 1967] - Fui de manhã à Assembleia Nacional fazer longa exposição aos deputados, com um longo período de respostas. Sensacional: Goa, Damão e Diu rejeitaram, por substancial maioria, a integração na União Indiana. E disse-se, e ainda se diz, que não havia portuguesismo em Goa.

(...) Lisboa, 13 de Abril [de 1968] - Levo ao chefe do governo o II volume do Livro Branco sobre Goa. Ficou satisfeito sem ambages. Goa permanece, de todas as questões que tem tratado, nos seus quarenta anos de governo, a que mais tocou e afectou, e que mais o feriu, e a chaga mantém-se, como mortificação constante. Salazar folheou o volume, com interesse e pormenor, e releu imediatamente muitos documentos de há anos. Incuráveis permanecem o desespero e a angústia que sente por não se haverem batido as nossas tropas. "Quanto à campanha diplomática", e Salazar lançou-se numa evocação que ainda o agita, "fomos brilhantes, fomos primorosos, e não se podia ter trabalhado mais nem trabalhado melhor. Mas o governo aqui tem uma culpa gravíssima, uma responsabilidade histórica: a de não ter substituído a tempo o general Vassalo e Silva, reconhecendo que não estava à altura dos seus antepassados, um Albuquerque, um D. João de Castro". Salazar repassa de mal contida emoção as suas palavras, e revive os momentos dramáticos de há seis e sete anos: está sendo obviamente sincero e leal perante si mesmo. Continua: "O ministério do Ultramar devia ter visto isso, e o ministério do Exército devia ter avisado o Ultramar. Com meses de antecedência soubemos que Goa ia ser invadida. Tivemos imenso tempo para substituir aquele homem, e mandar para Goa alguém que soubesse bater-se e morrer se necessário. Assim foi uma desgraça, e o Vassalo e Silva cometeu um crime histórico. Quando mandei o telegrama impondo o sacrifício supremo, pensei que me dirigia a um homem da estirpe dos antigos. Mas não: era um simples, um tipo que gostava de passar a vida a indicar como se faziam telhados. Não estava à altura do meu telegrama". Depois, Salazar torna-se sardónico: "Mas que quer o senhor? A Defesa escolhe os nossos guerreiros pela escala de antiguidade, como se fazer a guerra fosse uma simples actividade burocrática ou académica! Assim nada feito". E remata com saudade, desespero, amargura: "E eu estou convencido de que se as nossas tropas tivessem resistido oito ou dez dias, ainda hoje tínhamos Goa". Ao dizer tudo isto - e sou rigoroso nos termos - Salazar tinha o rosto transtornado, os olhos embaciados e vidrados, a voz quase roufenha. Será possível que consiga isto por simples acto de vontade, e estivesse a representar? Para quê? Para quem?».

Franco Nogueira («Um Político Confessa-se»).

quinta-feira, 3 de junho de 2021

A caminho do gulag global.

 

Falando verdade, estamos a vivenciar o início de uma nova URSS, a verdadeira face do projecto europeu, também ele parte de um projecto global, começa a ser visível, começamos a entender aquilo que realmente se passa à nossa volta, o sistema já não oculta, já não tem a necessidade de esconder a verdade da população.

Reflictamos sobre a vergonha daquilo que foi a votação sobre a censura, sobre o verdadeiro lápis azul, o tal lápis azul que se ouviu nas palavras de ordem de um bando de supostos bandalhos democratas quando se referiam ao regime do Estado Novo, o regime de Salazar.

Na verdade, o sistema blindou-se, é um facto, é evidente, não há uma só força política com assento parlamentar que defenda os interesses da população, desta vez foi o cercear do nosso direito à liberdade de expressão, aliás, direito consagrado na Constituição da Republica Portuguesa, ao que parece, aliás, não parece, é mesmo, todos os deputados presentes na Assembleia da Republica votaram ou a favor da censura, ou se abstiveram!!!!

Ficou bem patente, ficou esclarecido o assunto, na verdade vivemos num regime de partido único, uma espécie de partido arco-íris, uma espécie de liga LGBTI da política, uma promiscuidade, uma espécie politburo travestido com cores democráticas.

O mais grave é hoje não sabermos quem são e onde se encontram os bufos, os censores, os delatores e quais as regras ou directivas sobre as quais baseiam a sua acção, na verdade e não distará muito da verdade, servem o sistema, ocultando tudo o que desmonte a farsa e calando todas as vozes discordantes, calando todas as críticas, manipulando a informação, modelando assim a opinião pública, manipulando a população em geral, desinformando, actuando à vontade, sem que haja direito ao contraditório, sem direito a argumentação por parte daqueles que de alguma forma se possam opor às atrocidades e atropelos ao interesse da nação perpetrados pelo sistema.

Estamos a assistir a um violento ataque ao Estado de Direito, um ataque à liberdade de expressão e liberdade de pensamento, estamos a viver num regime comunista, já nos tinham roubado o direito à propriedade privada, e desta vez estão a tentar condicionar o livre pensamento, falam-nos de liberdade e de democracia, mas a imagem que me ocorre é mesmo a dos Gulags, da tortura e das valas comuns na antiga URSS, estamos a viver aquele regime castrador de todas as liberdades, o regime de Gramsci, de Estaline, Pol Pot, Mao e de tantas outras figuras infelizmente conhecidas pelo rasto de morte e sofrimento causados a centenas de milhões de seres humanos.

Se isto é normal, claro que não, na minha opinião, há várias razões, uma delas, a apatia da população em geral relativa ao meio em que se insere, a falta de livre pensamento, falta de autonomia de pensamento, a falta de cultura. Na verdade, o grande problema reside na ignorância das massas, o resultado do tal processo de democratização, democratização é imbecilização e manipulação das massas.

Toleramos demasiado, aos poucos vamos abrindo mão dos nossos direitos, liberdades e garantias, vamos abrindo mão daquilo que demorou décadas, séculos ou mesmo milénios a conquistar, conformamo-nos com tudo aquilo que aos poucos nos vão impondo, tudo permitimos, muitas vezes por ignorância pela estupidez da ideologia. Vão alinhando com os seus próprios algozes, não se dando conta da realidade, aliás, quando derem conta, será tarde de mais. O sistema em vez de nos tratar de forma igual, está a tornar-nos todos iguais, massa amorfa e sem capacidade de reacção, uma sociedade em que todos aqueles que se insurgem, reagem e lutam são apelidados de fascistas, criminosos e de outros epítetos que me escuso enumerar por razões óbvias.

O grande problema deste e de outros povos é o terem-se rendido ao materialismo, ao conforto da tecnologia, são dominados, são manipulados e nem sequer se preocupam em buscar informação fidedigna, não leem, ou quando leem , não compreendem o que leem, não dialogam, e muitos deles não têm capacidade, nem para elaborar um discurso coerente e muito menos compreender algo que vá além do trivial, além da conversa de mesa de café. Nada sabem de História, nada sabem de Filosofia, nada sabem de Política, na verdade temos uma miríade de ignorantes diplomados, uma miríade de felizes auto-imbecilizados, uma miríade de gente que vive feliz na sua realidade virtual, gente que na verdade não vive, apenas existe! Uma espécie de gado, comem, dormem, reproduzem-se, geram impostos e apenas existem, porque sim, nada mais. Depois de esgotado o seu tempo de vida útil o sistema se encarregará de os reciclar, é este o triste retrato da sociedade dita moderna na qual hoje vivemos. Uma sociedade desumanizada, uma sociedade sem laços, uma sociedade em que o Partido ou o clube de futebol se sobrepõe à família, à tribo, ao clã e à Nação.

Não esquecer que há sempre uma factura a pagar, e neste caso a factura será a escravatura por parte de um sistema no qual somos só e apenas dados estatísticos, artigos com prazo de validade, descartáveis, submissos aos interesse de uma elite e de governantes corruptos ao serviço dessa mesma elite, na verdade vivemos num campo de concentração global, Existimos para servir e para consumir, nada mais. Esquecemos o real, o essencial, vivemos uma vida aparente e virtual, vivemos felizes a nossa própria infelicidade, estamos inibidos de ir mais além, estamos inibidos de criar, estamos inibidos de fugir ao estalão que nos é imposto pelo sistema desde tenra idade, sem que demos conta disso. Os nossos filhos já não nos pertencem, apenas temos a obrigação de os criar, o resto é tudo fruto do sistema, desde que entram num infantário começa a castração mental, começa o fim da família, começam a desvanecer-se os laços com os nossos semelhantes, começa a fase de programação mental dos futuros autómatos humanos.

Muito mais haveria a dizer, mas já me alonguei um pouco, a escrita para mim é como as cerejas, depois de começar..., já me conhecem, reflictam um pouco, estamos na hora do despertar, estamos a tempo de inflectir, de quebrar o sistema, aliás, temos essa obrigação! Caso não o façamos, estaremos a condenar as gerações vindouras a uma vil escravatura, estaremos a por em risco todo o futuro da humanidade, não podemos deixar esquecer aquilo que fomos no passado, como evoluímos e como fomos apurando as nossas capacidades, sobretudo a forma como nos fomos tornando mais civilizados e humanos, como interagimos apesar de diferenças, culturais, crenças, cor de pele, religião ou outras quaisquer.

Alexandre Sarmento

O PCP e a Pide no caso Humberto Delgado!!!

  «Antes do "25 de Abril" um livro incómodo era silenciado por um organismo de repressão chamado "Comissão de Censura". ...