Do que acaba de considerar-se, poderia inferir-se que Portugal se encontrava internacionalmente isolado por força do seu regime metropolitano autoritário, e por força da sua política ultramarina, única no Mundo. Tal não correspondia à realidade.
Portugal pertencia à NATO, como membro fundador - 1949 -, e ingressou plenamente na EFTA - 1959. Estes dois factos constituíram o reconhecimento, post-II Grande Guerra, do regime português e da sua política.
Na actualidade e numa propaganda intencionalmente falsa, pretende-se convencer o povo português de que só a abertura democrática e a descolonização, verificadas com o "25 de Abril", permitiram o acesso de Portugal à CEE. A verdade é que foi o Governo Português, após ponderação cuidada e acertada, que decidiu, em 1958/1959, a não participação, então, de Portugal na CEE. Isto porque o Tratado de Roma, que a criou, lhe conferia poderes supra-nacionais, potencialmente lesivos da política ultramarina portuguesa. E preferiu, o mesmo Governo, que Portugal ingressasse na EFTA - 1959 -, cujo Tratado de Estocolmo, que a formou, apenas admitia decisões por unanimidade. Nesta EFTA, Portugal ficou a par, por exemplo, com as democratíssimas Inglaterra e Suécia. Só muito mais tarde, em 1966, pelo Compromisso de Luxemburgo, forçado pelo General De Gaulle, bem à revelia do Tratado de Roma, a CEE estabeleceu a regra da unanimidade, agora restringida pelo "Acto Único", que apenas fez ou fará regressar a CEE aos seus princípios iniciais.
Por outro lado e especificamente no relativo à África, alguns significativos países, como se citou, simpatizavam e ajudavam, embora mais ou menos implicitamente, a causa portuguesa, e grandes firmas de nações como a Alemanha Federal, a França e a Itália, apesar da atitude de sectores esquerdistas desta última, além de igualmente grandes firmas sul-africanas, cooperavam, oficial e abertamente, no empreendimento de Cabora Bassa, quer nos planos financeiro e técnico, quer no fornecimento de equipamento e na execução de trabalhos. Assim, o Ocidente, apesar de tudo, colaborava, em certos aspectos importantes, com Portugal, na própria África Portuguesa.
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