quarta-feira, 15 de abril de 2026

Inconseguimentos da cambada de Abril!!!

 


«(...) A aranha tece a teia
Tudo era contestado, tudo devia mudar. A febre partidária tinha-se instalado na vida nacional. Organizações como a CIC, LUAR, CBS, LCI, URML, lançavam a mais completa desordem e anarquia nas instituições. A 23 de Maio anunciaram um comício para o dia seguinte e uma manifestação para o dia 25 a fim de afirmarem que o único caminho para impedir a restauração do fascismo era liquidar imediatamente a criminosa guerra de agressão nas colónias.
Mas não eram só os grupelhos que, logo após o 25 de Abril, começaram a fervilhar por todo o lado que condenavam a guerra no Ultramar. Ao lado deles alinhavam igualmente os futuros senhores do poder, a classe política civil mais proeminente, constituída em grande parte por exilados, fugitivos, desertores e oportunistas, que não perdiam o ensejo para se pronunciarem contra a "aviltante", criminosa, opressora, desonrosa, cruel, despótica, desumana" e outros epítetos com que qualificavam aquilo que chamavam de "guerra colonial". No fundo, apenas pretendiam autopromover-se, explorando em proveito próprio algum cansaço e insatisfação pelo arrastar de uma guerra de cuja justeza a maioria dos portugueses não tinha dúvidas. Foi uma desenfreada corrida para a conquista do poder ou simplesmente a busca duma notoriedade que nunca tinham conseguido por outros meios, pelo seu valor, pelo seu saber e, muito menos, pelo seu patriotismo. Importa referir que entre os militares, mesmo os "abrilistas" não se ouviram vozes de condenação da guerra onde participaram, mas tão só a necessidade de se encontrar uma solução política para o problema que ameaçava eternizar-se, pela inexistência duma estratégia global a nível nacional que ninguém teve a coragem de definir [???]. Cada qual fazia a sua política regional, segundo as suas convicções pessoais sem estar minimamente inserida em objectivos estratégicos claros dentro do todo nacional. "Ia-se fazendo a guerra" ao sabor e vontade de cada um, dentro de todo um conjunto de carências e insuficiências que com determinação e grande empenhamento se procuravam ultrapassar com grandes custos mas também com patriotismo. Conhecia a guerra por dentro e por fora. Desde o seu início até ao seu termo embora num único teatro de operações: o de Angola. Hoje, quando este país e o seu povo continuam passando os piores momentos de toda a sua existência, interrogo-me de quem é a responsabilidade? Para uns, aqueles que Camões referiu ao dizer: entre os portugueses, traidores também os houve algumas vezes, a responsabilidade continua a caber aos protagonistas do fascismo e da ditadura, à escumalha da PIDE, aos exploradores monopolistas, aos cabecilhas da União Nacional e a todos os que contribuíram para a manutenção de Salazar no poder. Para outros, eventualmente mais esclarecidos e bem informados, terá sido somente a grande riqueza daquela terra e toda a apetência que provocava nos mais poderosos. Para a grande maioria, apenas interessava sobreviver ao vendaval. Ontem, a luta desenvolveu-se entre os dois "grandes jogadores" dentro dos princípios da estratégia indirecta. Hoje, com o declínio dum deles, a luta desenrola-se entre o petróleo e os diamantes, sacrificando mais uma vez o povo angolano. Salazar, com a sua grande capacidade de análise, quando lhe comunicaram que tinham sido descobertas, em Angola, grandes jazidas de petróleo, terá afirmado "mais uma desgraça se vai abater sobre essa boa gente".
Mas nada disto importava à nova classe dirigente do País no pós-25 de Abril, quando defendiam a imediata e total independência para as colónias, quando sabiam ou deviam saber que estavam colaborando num projecto da entrega da tutela daqueles territórios a um dos jogadores que tinha perdido no terreno, no confronto armado com os portugueses.
Iniciava-se uma página nova da história naquela terra africana, desconhecendo-se quase tudo, mas não restando grandes dúvidas quanto aos seus promotores, uns operando nos bastidores, outros por ambição ou simples protagonismo e, ainda alguns, tão-somente instrumentalizados ou usados (tinham a oportunidade de se tornarem importantes).
Naquela altura só importava gerar a confusão, a anarquia, a agitação que absorvia a atenção dos principais responsáveis pelo poder, eliminando os que tentassem opor-se à nova ordem, deixando assim o terreno livre para que uns tantos, bem poucos, pudessem levar a efeito um dos principais objectivos do 25 de Abril: entregar os novos países, resultantes da independência das províncias ultramarinas, aos senhores do Kremlin».
General Silva Cardoso («ANGOLA: Anatomia de uma Tragédia»).

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