quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Demita-se o regime!!!

 



Demita-se o regime!!!


Demissões, é já habitual assistirmos às também já tradicionais demissões quando da gestão de graves crises, especialmente quando há vítimas a lamentar. Na minha modesta opinião, um acto de pura covardia, não consigo esquecer a queda da ponte de Entre-os-Rios no ano de 2001 e a demissão de Jorge Coelho enquanto Ministro das Obras Públicas e Infraestruturas, não consigo esquecer a demissão de Constança Urbano de Sousa em 2017 quando dos fogos que assolaram o país, sobretudo o fogo de Pedrogão, que até hoje tanto quanto sabemos foi um dos eventos mais mortíferos registados em Portugal após o 25 de Abril. Não vale a pena estar a enumerar mais situações idênticas de escusa de responsabilidades por parte de figuras que tinham como responsabilidade, pelos cargos ocupados e pela competência exigida o terem gerido e prevenido os efeitos de eventos adversos, mesmo que fossem de alguma forma imprevisíveis, a obrigação do ocupante de um cargo público é a de em caso de catástrofe ou necessidade de resolução urgente de algo adverso, seria a de coordenar, gerir ou mitigar na medida do possível os efeitos destes acidentes sejam eles de causas naturais ou causados por mão humana.

A pergunta que se impõe é; se os responsáveis pela protecção da população, relembro legitimamente empossados pelo voto deste regime dito democrático, qual a lógica de em situação de crise se demitirem das suas responsabilidades?

Será que ao demitir-se se poderão isentar de responsabilidades e lavar daí as mãos em relação à matéria por si tutelada? Afinal quem é responsável neste país, quem tem por obrigação tomar conta e zelar pela segurança da população, e pior, por que não há responsáveis ou gente com responsabilidades onerada ou obrigada a responder pelas falhas cometidas durante os seus mandatos, os mandatos para o qual foram eleitos e por isso principescamente pagos e com acesso a uma panóplia de mordomias às quais o comum cidadão não ousa sequer pensar.

Sinceramente, e na minha modesta opinião, o problema não reside unicamente nas figuras ligadas ao acto de governação, o caso é mais grave, pois leva-nos a crer que o problema reside mesmo no regime, um regime dito democrático, um regime baseado na vontade popular, um regime dito democrático e legitimado pelo voto popular, um regime que pode muito bem estar legitimado por uma maioria de votantes, mas ao mesmo um regime que não serve de todo a nação nem o país.

Recordo, Portugal recebeu 11 milhões de euros por dia durante 25 anos para reestruturação e infraestruturas, eu pergunto, onde foi aplicado esse dinheiro, é que as obras não estão à vista senão autoestradas, algumas sem grande utilidade e pouco mais, outra questão, todos sabemos que o Estado Português nos endividou em cerca de 300 mil milhões de euros, pergunto mais uma vez, para onde foi tão avultada quantia, onde foi aplicado esse dinheiro? Bem sabemos o estado caótico em que este país se encontra, a precaridade visível em quase todas as instituições tuteladas pelo Estado, a Saúde, está um caos, a Educação é o que sabemos, a Habitação Social não existe ou é de qualidade absolutamente deficiente, os apoios sociais são marginais e indignos, um atentado à sobrevivência dos mais desvalidos, nada, nada se fez verdadeiramente projectado no futuro, não há infraestruturas de qualidade, tudo parece feito de papelão, está à vista de todos, basta uma intempérie, basta algum evento adverso da natureza para nos mostrar o real estado deste país e o trabalho prestado por todos aqueles que geriram os destinos do país nos últimos 50 anos, um estado de irresponsabilidade total, um estado de abandono total, ninguém se interessa. Só falam dos problemas do país quando é tempo de eleições e são pródigos em sacudir a água do capote, em assacar culpas a todos aqueles que os antecederam, mas o busílis da questão reside em que ninguém muda nada, nem vai mudar, ninguém vai contra os interesses instalados, interesses esses que a grande maioria conhece mas não quer apontar, seja por que têm algum interesse, tenham a ver com a sua cor política ou de alguma forma interajam com a sua forma de estar e de viver. Covardia, conivência, compadrio e cumplicidade certamente, estarão na base de tudo, é o regime, é o retrato de um povo que também se isenta de responsabilidades, um povo que reclama, mas quando chega a hora da verdade fica calado e sossegado no seu canto, acomodado, acarneirado e domesticado por razões que nem sempre serão assim tão óbvias, mas tem sobretudo a ver com uma visão do politicamente correcto não criticar os poderes instituídos.

É triste assistir a tudo isto, é triste olhar para o número de vítimas, não só as que pereceram, mas também aqueles que viram esfumar-se o esforço do trabalho de toda uma vida, e pior, impunemente, sem haver responsáveis. É este o retrato fiel deste regime ao qual chamam de democracia, uma democracia partidária na qual todos os partidos têm quota parte de responsabilidade, uns por estarem no exercício do poder, outros por estarem na oposição e calarem perante tanta atrocidade cometida contra o bom povo português. Contamos já com 51 anos deste regime dito democrático, a grande questão que poderemos colocar resume-se a isto, onde está a obra de um regime que deveria ter elevado Portugal ao padrão dos países mais desenvolvidos, onde está o fruto uma fortuna de fundos, uns fornecidos pela Comunidade Europeia, mas sobretudo a soma pornográfica subtraída ao povo português na forma de impostos, directos e indirectos?

Portugal não tem futuro enquanto não houver estratégia, projecção a décadas ou séculos, enquanto não houver criteriosa aplicação de fundos sejam eles estruturais ou não, falta um escrutínio criterioso do caminho a seguir, tudo é feito para ontem, tudo é feito para inglês ver, uma farsa, Portugal é hoje um castelo de areia à beira mar plantado. Não posso deixar de frisar, muitas das infraestruturas de qualidade e ainda hoje de referência já vêm do tempo do Estado Novo, quem tiver dúvidas é muito fácil de as resolver, basta sair à rua e ver hospitais, barragens, escolas, liceus, portos, pontes e outras, são na sua grande maioria obras de outro regime. O país é o mesmo, os homens são os mesmos, o que mudou afinal?

Conclusão, mudaram os políticos, mudaram os governantes, antes tínhamos como políticos e governantes uma elite, gente capaz, gente competente, com capacidades reconhecidas e provas dadas, elementos criteriosamente escolhidos, os melhores dos melhores, a nata da sociedade, um escol. Hoje em contrapartida temos como políticos e governantes, verdadeiras criações in vitro das lojas maçónicas e da jotas dos partidos, daí a escolha daqueles que indubitavelmente são os responsáveis pelo estado calamitoso a que chegámos, o nível de incompetência é tal que não há como ocultar os seus resultados, o mais grave é o nível de enraizamento da incompetência no aparelho público neste país. Os partidos são empresas e como tal, nada mais interessa do que o lucro fácil, o assalto à coisa pública e as benesses a que os cargos públicos e políticos dão acesso.

Incompetência criminosa, é esse o grande problema deste país, esqueçam, nenhum partido vai mudar nada, o problema é endémico e reside exactamente na máfia dos partidos, juntando a tudo isso a total ignorância política e não só do povo português, a mistura é explosiva, resta-nos saber para quando a implosão anunciada deste país. Cada um do seu lado, invejas, inimizade, maldade são o catalizador de tudo isto, a nação portuguesa morreu, ou melhor suicidou-se neste frenético espectáculo da democracia partidária, desta republiqueta da nulidade, desta massa amorfa sem rumo tal qual rebanho a caminho do matadouro...e não esqueçam, a culpa além de morrer solteira, vem sempre de trás, ninguém assume as suas responsabilidades. 

Somos incorrigíveis, recusamo-nos a aprender com os erros do passado!!!

Portugal poderia ter sido um grande país e nação, poderia, mas...


Alexandre Sarmento


Demita-se o regime!!!

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