sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Guerra de África e a vergonhosa descolonização, a verdade politicamente incorrecta!!!

 



«Relativamente à pergunta colocada sobre se a guerra que travámos em África entre 1961 e 1974, estava militarmente perdida, quando se deu o golpe de estado ocorrido em 25/4/1974, a resposta é não.

Os postulados seguintes - e vou referir apenas os menos falados - servem de suporte a esta afirmação.



"Quando um Exército deixa de querer combater, os militares passam a dizer que a guerra era injusta".
Max Weber


1. O inimigo não conquistou a população.

Neste tipo de guerra a conquista das populações é fundamental, sob pena de quem a desencadeia perder a legitimidade.

Como é que se sabia de que lado é que a população estava? Em 1973 sentia que a população não estava do lado do inimigo.

O General Spínola pediu-me para organizar as comemorações do primeiro 10 de Junho, após o 25 de Abril.

Foram organizadas duas manifestações com o objectivo de apoiar o general e evitar a Descolonização. A palavra de ordem era "Referendo sim, independência não".

Logo se ouviram vozes, na Metrópole dizendo: "e se eles disserem que sim, depois temos que os aturar?!"

Estive a almoçar, na altura, com o então Coronel Lemos Pires e alguns oficiais da sua equipa, no Instituto de Altos Estudos Militares, antes de ele embarcar para Timor, e tentei convencê-lo da necessidade de se fazer um referendo naquele território. Ninguém fez comentários...

Anos mais tarde, Ramos Horta, em entrevista, a propósito do referendo que ia ser feito no âmbito da ONU, disse que não deviam ser apenas colocadas duas perguntas, mas três, sendo a terceira, se a população queria manter-se ligada a Portugal. Sorriu e acrescentou: "não era a minha opção, mas estou convencido que a maioria ia optar por essa terceira hipótese".

Após o regresso do então Major Otelo, de Moçambique, onde tinha participado em negociações, perguntei-lhe, na Messe de Caxias: "então o que vamos fazer em Moçambique?" Respondeu-me, "independência imediata para a Frelimo".

Disse-lhe: "independência, mas tu sabes perfeitamente que eles nem 10% são!"

- "10%", respondeu o Otelo - "nem sete";

- "Mas isso é traição à Pátria";

- "Mas é o que eles querem". E assim terminou a conversa com ele.

Creio que Mário Soares ainda falou ao Samora Machel em fazer um referendo, apenas para o ouvir dizer, "referendo? Mas vocês perderam a guerra" (contado pelo então Major Manuel Monge).

Ora tudo isto prova que ninguém envolvido nas negociações (nem a maioria dos restantes países) queria fazer um referendo pois todos sabiam que o resultado do mesmo, em cada parcela ultramarina, teria como resultado que a maioria da população iria querer manter-se portuguesa.

E se tivéssemos feito o referendo na Metrópole?

2. A guerrilha à medida que ganha força, tende a passar para operações do tipo convencional. Ora "eles" nunca passaram de uma guerrilha ordinária, que nunca dispôs do controlo do Mar ou do Ar.

3. Nunca houve ocupação permanente por parte da guerrilha, de qualquer parte do território. Nós íamos a todo o lado e duas companhias, por norma, chegavam; só não íamos quando não havia interesse militar ou político.

4. Não houve guerrilha urbana, pois nunca tiveram capacidade para tal.

5. Existiam unidades inteiras quase só constituídas por africanos, tendo-se registado casos mínimos de deserção; não se conhecem casos de traição, tão pouco desapareceram armas!

Nós perdemos a guerra, psicologicamente, na retaguarda; o estado moral do IN era muito pior que o nosso - no final da guerra eles queriam quase todos entregar-se.

6. Constituíram-se e auto organizaram-se, desde o início da guerrilha, unidades de voluntários, juntando brancos e negros, para combater a subversão. A primeira foi a Brigada Salazar, em Angola, que até utilizaram armas gentílicas.

7. Não se concebe um território em guerra, com o desenvolvimento económico e social, registado.

A guerrilha era tão fraca que nunca conseguiu travar o desenvolvimento, mesmo nas zonas onde havia operações de contra-subversão.

Uma vez um dirigente da Frelimo que foi à ONU, quando Cabora Bassa estava a ser construída, dizia com indignação, que Portugal estava a fazer o maior crime em África que era conseguir que as populações que não eram portuguesas se sentissem portuguesas.

8. Por exemplo, ainda, a maioria dos cozinheiros das unidades militares, eram autóctones, mas nunca se registou um caso de envenenamento; não há memória de um soldado ter sido assassinado, ou de ter ocorrido um rapto de um familiar de um militar.

Os militares movimentavam-se por todo o lado, à vontade, mesmo nos bairros tidos por mais problemáticos. Nem lhes passava pela cabeça que lhes fizessem mal.

Em conclusão, e face aos exemplos apontados - muitos outros se poderiam dar - não tenho dúvidas em afirmar que a guerra que travámos em África em defesa da soberania dos nossos territórios ultramarinos, à data do 25 de Abril, não estava militarmente perdida».

Coronel José Caçorino Dias (in Humberto Nuno de Oliveira e João José Brandão Ferreira, «Guerra d'África 1961-1974: Estava a Guerra Perdida?»).

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