"A verdade, a decisão, o empreendimento, saem do menor número; o assentimento, a aceitação, da maioria. É às minorias que pertencem a virtude, a audácia, a posse e a concepção." Charles Maurras
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Os Pormenores Ocultados da Guerra Colonial
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
A morte anunciada de Portugal
«Profundo e ambicioso no saber, clássico e claríssimo na exposição, deixa-nos um livro excelente – As Crises e os Homens – e um legado único, a biografia de Salazar, que retrata a personalidade ímpar do estadista e toda a História de uma época.
Com a morte de Salazar abandona as lides do Estado. Eram outros os seus desígnios e por mais respeito que lhe merecesse Marcello Caetano, não esconde a sua preocupação no evoluir da política seguida quanto ao Ultramar, e sintetiza a dado momento: “Com a revolução de Abril de 1974 praticou-se um corte com o passado. Muitas forças procuraram, e acaso algumas procuram, que esse corte, além de drástico, seja absoluto: uma rotura com o passado e não apenas com um certo passado. Foi assim posto em causa o próprio facto nacional, e tentou-se a destruição do homem português na sua dimensão psicológica, sociológica, cultural, histórica, em suma, como homem diferenciado com alicerces próprios, autónomos”.
Durante o curto período de 1970 a 1974 entregou-se afincadamente ao estudo da História orientado pelos valores que constituem o nosso património cultural, espiritual, artístico, e pela defesa intransigente da nossa individualidade política. Como tal foi convidado a participar em congressos, colóquios, reuniões ou simples encontros, ou foi colunista na nossa imprensa, quer a nível nacional quer no plano internacional, dando testemunho do que mais tarde viria a denominar “crepúsculo nacional”, que bem pode preludiar uma noite definitiva, como escreveu em Um Político Confessa-se.
O facto é que o seu vaticínio se torna realidade, e, em 1974, Portugal, “a Nação Peregrina em Terra Alheia”, atinge o seu termo. O resto é do domínio público.
Franco Nogueira, como muitos outros, é então preso por malfeitor, fica incomunicável durante meses, e quando o visito no Hospital de Santa Maria, vítima de um enfarte do miocárdio, rodeado pela mais severa segurança, encontro-o resignado e com bonomia a conversar com os médicos que o escutavam atentamente. Regressa a Caxias e, meses após, inexplicavelmente, é liberto em 13 de Maio de 1976, data que ele nunca esqueceu, principalmente por coincidir com o aniversário da primeira aparição em Fátima.
Pouco depois parte para o exílio, em Londres, onde habita um apartamento em St. James. Como diplomata, ministro e homem público, conquistara verdadeiros admiradores que o acolhem na sua permanência em Londres, embora convidado por outros países, como os Estados Unidos da América. O Clube dos Conservadores abre-lhe as portas, com a particularidade de ser o único estrangeiro que o podia frequentar e convidar pessoas das suas relações. Em Londres deixa amizades. No exílio, sempre com Portugal como preocupação prioritária, estuda e lê, prossegue a biografia de Salazar. Cultiva o humanismo no sentido mais amplo do termo, como me escreve por essa ocasião.
No regresso de Londres, talvez por 1981, dado o seu permanente e constante fervor patriótico, Franco Nogueira vive intensamente o desenrolar dos acontecimentos políticos. Fala-se da nossa adesão à C.E.E., na unidade económica e política da Europa. As elites ou classes bem-pensantes achavam-se no poder, e o povo, a nação, completamente à deriva. Desde 1974, encontrava-se uma sociedade doente, anárquica, negativa, derrotista, sem querer, sem ideal, arrastada por valores fugazes e falsos; os responsáveis, pautados por princípios tendentes a abandonar património material e espiritual, confundem Portugal com tudo o que é alheio a Portugal.»
António Maria M. Pinheiro Torres («Franco Nogueira e a Unidade Nacional»).
domingo, 27 de setembro de 2026
O fazedor de vazios
António Costa deixa uma economia que se alimenta de duas coisas: turismo e impostos; uma, volátil; a outra, canibal. Sai na semana em que o Presidente do STJ declarou que a corrupção está crescer.
Um dia, quando olharmos para trás, será estranho perceber qual foi o legado de António Costa.
António Costa foi o segundo primeiro-ministro que mais tempo governou no Portugal democrático. Mais tempo do que Sócrates, mais tempo do que Passos, muito mais tempo do que Soares. Durante oito anos, não fez uma reforma. Gabou-se de sentir “calafrios” de cada vez que ouvia a expressão “reformas estruturais”. Conduziu o governo mais rico dos últimos 50 anos em Portugal, consequência do reforço das verbas europeias e do contínuo somar de recordes no arrecadamento fiscal, e não fez nada com o dinheiro. Aumentou o salário mínimo, mas deixou enterrar o médio; distribuiu esmolas, mas só aumentou o número de pobres. Cavaco tinha o CCB e as estradas; Guterres a Expo lançada por Cavaco; Durão os estádios lançados por Guterres; Sócrates as estradas duplicadas e as eólicas; Costa deixa um buraco aqui e um pasto ali, para o aeroporto que nem sequer conseguiu decidir onde fazer.
Durante oito anos, somaram-se os desastres. Na Administração Interna, quando Pedrógão ardeu e o Estado colapsou. Quando nada daquilo alguma vez voltaria a acontecer e, afinal, aconteceu logo em Outubro. Quando agentes do SEF mataram à paulada um cidadão estrangeiro e, a seguir, simplesmente, se desmantelou o SEF. Quando o ministro andou a vender golas anti-fogo que, afinal, eram inflamáveis, e acabou a atropelar um homem na autoestrada e nem saiu do carro. Quando Costa segurou esse ministro contra tudo e todos – até alguém lhe dizer que ia perder as eleições se não o deixasse cair. Porque, durante oito anos, a única coisa que pareceu importar a António Costa foi isto: o poder. Para fazer o quê? Ninguém sabe. Ninguém viu.
Na Defesa, foi o pior ataque. Do embaraçoso roubo das armas de Tancos ao escândalo do secretário de Estado envolvido num caso de corrupção, passando pelos Leopards oferecidos à Ucrânia de que, afinal, só se aproveitavam três e pelo navio da Marinha em que os próprios militares se recusaram a embarcar e que acabaria a avariar em plena missão, meia dúzia de dias depois. Nas infraestruturas, tivemos ministros e adjuntos à pancada. Na economia, um ministro inútil, desmentido pelos seus próprios secretários de Estado.
Durante oito anos, António Costa criou os maiores governos de sempre, entre pastas que não existiram – Economia, Ciência, Cultura, Planeamento, Coesão Territorial (o que quer que isso seja), e outras cujos titulares chegam ao fim envoltos nas maiores suspeitas – Finanças, Infraestruturas, Negócios Estrangeiros. Oito anos em que a única coisa que cresceu foi o PS e os seus tentáculos, estendendo-se ainda mais pelas empresas públicas, pelos órgãos reguladores, por tudo o que mexe, e onde tudo, cada vez mais, em Portugal, depende de uma só coisa: a fidelidade a quem seja, circunstancialmente, líder do Partido Socialista.
Durante oito anos, António Costa tentou, acima de tudo, ser ambíguo. Que as suas palavras pudessem querer dizer o máximo de coisas possíveis, de maneira a nunca se comprometer com nada. Nas vezes em que arriscou não o fazer, foi o fracasso absoluto: nos médicos de família que todos os portugueses iam ter e cada vez menos têm; nos milhares de casas que se ia construir e que nunca saíram da imaginação sabe-se lá de quem. A TAP foi o símbolo do seu reinado: comprou-a de volta para a voltar a vender e nem isso conseguiu levar até ao fim. Pelo caminho, fez o país gastar milhares de milhões de euros e, o que ainda é pior, anos de vida. Para absolutamente nada.
Mas o mais estranho, o mais inexplicável, foi a bazófia. Durante oito anos, António Costa deixou acumular o que tentou desvalorizar como “casos e casinhos”. Incompetências, mentiras, acusações de corrupção dentro do seu governo, entre pessoas cada vez mais próximas do seu círculo. Se, a princípio, ainda tentou manter a uma distância de segurança a tralha socrática, a dado momento chamou-a, como agora se vê, para dentro do seu próprio gabinete. E apesar de tudo, de todos os avisos, de todo o histórico, continuou a cantar de galo, cada vez mais alto, cada vez mais arrogante, de forma cada vez mais gratuita, por pura e simples exibição da mesma coisa: o poder.
Na semana passada, tentou achincalhar o Presidente, a oposição, o regime, colocando o ministro cuja cabeça há tanto tempo Marcelo pedira a encerrar o debate do Orçamento – e a dar-se ao cinismo supremo de citar essa mesma “sua excelência” Marcelo. Parecia ter tudo sob controlo – mais sob controlo do que nunca. Para cair, afinal, descontroladamente e sem aviso, uma semana depois. Fica, ao menos, uma declaração digna na demissão, e uma das poucas sem ambiguidades que alguma vez logrou fazer.
Oito anos volvidos, deixa Portugal ainda mais dependente dos fundos europeus e os portugueses ainda mais dependentes do Estado. Um Estado que fez engordar de novo para números-recorde e que, no entanto, está mais incapaz do que nunca de cumprir sequer as suas funções essenciais: na Saúde, na Educação, na Defesa, na Justiça. Não conseguiu vender a TAP, não fez o novo aeroporto, não lançou a alta velocidade, não estancou a emigração, afastou investimento, agravou, drasticamente, os problemas no SNS e na habitação.
Nas escolas, os alunos não têm professores e os professores não têm habilitações. Nos hospitais, falta tudo, dos instrumentos mais básicos aos próprios médicos. Na habitação, chegámos ao triste ponto em que um ordenado médio no país não chega sequer para pagar a renda de um apartamento exíguo na capital. António Costa deixa uma economia que se alimenta de duas coisas: turismo e impostos; uma, volátil; a outra, canibal. Sai na semana em que o Presidente do Supremo Tribunal declarou que a corrupção está instalada no país e a crescer, e no mês que o responsável máximo pelo SNS anunciou como “o pior da História”. Não são exageros da imprensa nem da oposição; são os factos.
Para isto, derrubou o líder do seu partido em pleno mandato. Não por questões ideológicas, não por uma divergência de visão para o país, mas porque ganhava por poucos, por “poucochinho”. Para isto, provocou um terramoto na política portuguesa, impedindo, pela primeira vez, que fossem os partidos mais votados pelo povo a formar governo. E com isso deixou aquele que se arrisca a ser o seu verdadeiro legado: a fragmentação da direita e o quase desaparecimento da esquerda. Em suma, o vazio. O desfecho inevitável para um homem cujo grande desígnio para o país, resta agora evidente, era deixá-lo absolutamente na mesma.
E o pior, caro leitor? O pior, receio, é o que vem a seguir.
Alexandre Borges
(Escritor e argumentista)
O Fim Anunciado de Portugal.
Lembram-se, foi uma festa, agora paguem a energia ao preço que o mercado internacional ditar!!!
O mesmo aconteceu com as barragens, que hoje estão na mão dos chineses, e como não podia deixar de ser também fecharam as refinarias.
Mas será que virámos um povo de atrasados mentais?
Acham inteligente termos entregado os sectores estratégicos a estrangeiros ou abandonado a produção nacional?
Estamos na mão de quem, vamos para onde e de quem dependemos?
E eu pergunto, se o Estado Português não tiver reservas financeiras, acontece o quê aos portugueses?
Continuem a votar neste regime e vão preparando a trouxa para irem todos viver para debaixo da ponte, isso o comum cidadão, pois o político, o autarca ou o gestor público vai continuar a viver como um nababo, tudo à tua custa meu atrasado mental, vota neles, o sistema agradece!!!
Alexandre Sarmento
A Penumbra Planeada
Não há nada mais próprio do nosso tempo do que a insolência de nos tratarem como crianças assustadas, fechadas num quarto escuro onde os adultos projetam sombras terríveis na parede. Vivemos sob o jugo de uma pedagogia incessante e uniformizada, uma espécie de catequese laica que repete, com a insistência monocórdica dos antigos pregoeiros, verdades que não admitem réplica. Dizem-nos, com uma gravidade dominical, que os combustíveis fósseis são a própria encarnação do mal, que o dióxido de carbono — esse gás invisível que alimenta as plantas e que nós próprios expiramos em cada segundo de hesitação — é um veneno absoluto, e que a energia nuclear é uma roleta russa permanente que devia ser banida da memória dos homens.
Toda esta narrativa oficial, difundida com o zelo de quem possui o monopólio da virtude, assenta numa premissa ainda mais perversa: a da escassez. Há anos que nos preparam psicologicamente para a ruptura, que nos ameaçam com o espectro dos apagões e do racionamento, obrigando-nos a olhar para o interruptor da luz com a culpa de quem comete um pecado venial. É uma farsa magistral. Qualquer observador minimamente atento, livre do contágio do pânico consensual, percebe que o mundo não padece de uma falta de energia, mas sim de uma saturação. O que há é um excesso de produção e, acima de tudo, uma obsessão pelo controlo dos canais de distribuição. Ameaça-se com a escuridão não porque falte a matéria-prima, mas porque o medo é o método mais eficaz para ditar o preço da dependência.
Neste grande teatro de sombras, a história oficial gosta de esquecer as suas próprias ramificações incómodas. Quase ninguém se atreve a pronunciar hoje o nome de Nikola Tesla sem o remeter para a excentricidade dos manuais de curiosidades ou para a marca de automóveis que se apropriou do seu apelido. No entanto, foi ele quem vislumbrou a possibilidade de uma energia livre, captada diretamente do magnetismo e da atmosfera terrestre, transmitida sem fios e sem portagens. Aquela ideia — a de uma energia abundante, gratuita e inacessível ao fisco — era o pior pesadelo dos barões do petróleo e dos oligopólios que começavam a desenhar o século XX. Por isso, a promessa da energia livre foi diligentemente apagada do mapa, soterrada sob patentes compradas e silêncios cirúrgicos.
O que nos resta, portanto, é esta programação quotidiana. Aceitamos a tese da nossa própria debilidade e pagamos faturas cada vez mais altas por uma energia que, na verdade, nos rodeia em abundância. Rimo-nos dos teóricos da conspiração para não termos de admitir que a maior de todas as conspirações é a própria realidade que aceitamos sem protesto: a de que o progresso humano deve ser sempre vigiado, racionado e, acima de tudo, faturado.
Teresa Silva
sábado, 26 de setembro de 2026
O Fim do Trabalho e a Ascenção do Homem Dispensável
Quando Jeremy Rifkin publicou The End of Work em 1995, o mundo vivia a euforia da globalização e a infância da internet. A sua tese foi recebida com o cepticismo paternalista reservado aos profetas da desgraça: a promessa da tecnologia, diziam as elites, seria sempre a de libertar o homem do esforço mecânico para o elevar a funções mais nobres. Três décadas depois, a poeira do optimismo assentou, e o que encontramos não é a alvorada de uma era de emancipação, mas sim a confirmação fria do diagnóstico de Rifkin. A automação galopante, a inteligência artificial e a eficiência algorítmica corporativa inauguraram a era da destruição líquida de postos de trabalho, onde a tecnologia já não substitui apenas a força muscular, mas também a própria capacidade cognitiva humana.
O grande drama que Rifkin antecipou, e que hoje se tornou a realidade incontornável da economia global, é que o capitalismo moderno atingiu um ponto de viragem histórico: já não precisa de pleno emprego para produzir riqueza. Pela primeira vez na história da humanidade, caminhamos para uma sociedade altamente produtiva que dispensa quase por completo o factor trabalho. A questão que assombra os corredores do poder político e financeiro já não é como integrar os seres humanos no tecido produtivo, ma sim como gerir uma massa populacional que se tornou, para todos os efeitos económicos, absolutamente redundante.
O esvaziamento do trabalho não é apenas uma crise económica; é uma amputação espiritual. Durante séculos, o trabalho foi a âncora que conferia dignidade, propósito e estrutura à vida humana e à organização das comunidades. Retirada essa âncora o que resta à população? Para evitar o colapso social e as revoltas que a escassez e o vazio existencial provocariam, as agendas tecnocráticas desenharam um novo modelo de contenção. A solução já não passa por reabilitar ou educar as massas para uma economia que não tem espaço para elas, mas sim implementar uma ração de subsistência - sob a forma de subsídios estatais permanentes - acoplada a uma oferta de ócio barato, anestesia digital e o "Soma" (*) das substâncias recreativas que inundam as esquinas. O entretenimento fútil, o fluxo infinito de imagens nos ecrãs e a névoa química quotidiana operam como o calmante perfeito para um rebanho humano que aceita a sua irrelevância em troca de uma sobrevivência minimamente confortável.
O drama específico de Portugal é que, perante esta agenda global de submissão financeira e social, os cidadãos encontram-se totalmente indefesos devido à própria arquitetura da Constituição de 1976. Sem círculos uninominais e sem órgãos independentes que travem o centralismo estatal, o regime português transforma-se numa autêntica ditadura dos medíocres, permeável a qualquer agenda transnacional. Quando Bruxelas ou os bancos centrais decidirem acelerar o Euro Digital, a transição forçada da farsa verde ou a distribuição da Renda Básica de Controlo, não haverá em Portugal um tribunal independente ou um Parlamento soberano com força constitucional para resistir. A blindagem partidária da nossa Constituição garante que os peões no poder assinem, sem pestanejar, a certidão de óbito da nossa soberania nacional e individual.
Teresa Silva
(*) Aldous Huxley in "Admirável Mundo Novo"
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Olha-se, Mas Não se Vê
Os sinais continuam a manifestar-se. Todos os dias, a todos os instantes. E, embora sejam tão notórios, tão flagrantes, as massas continuam cegas, ou em negação, e mergulhadas na mais patética ignorância.
O preço dos combustíveis a subir em flecha (para o qual o governo aconselha as pessoas a poupar!), o custo de vida cada vez mais insuportável para uma grande percentagem da população (a quem o governo atira, em cínicos gestos filantrópicos e natalícios, uma esmola!), o serviço nacional de saúde a afundar-se (que o governo constantemente promete melhorar!), os mosquitos largados na capital (com todas as justificações sonantes, menos a verdadeira!). Estes são apenas alguns dos exemplos incontestáveis de que a agenda globalista/elitista/sionista continua a avançar impávida, serena e implacavelmente.
Portugal já não engana ninguém. A destruição paulatina do país é notória. A (in)acção do governo demonstra, sem qualquer equívoco, que o país obedece e implementa a agenda segundo as instruções da elite globalista/sionista. Perdeu, não só a soberania, como também a identidade nacional e cultural, e mergulhou na mais humilhante vassalagem a todos os execráveis do planeta. E as massas, essas, na sua esmagadora maioria mentalmente mutiladas e reprogramadas, ainda acreditam que governos e partidos são a solução, ainda acreditam que a Rússia é o inimigo, que os muçulmanos são todos terroristas, que a Covid existe e que as injecções letais contra o pretenso vírus são vacinas seguras e eficazes, ainda acredita que buzinões e marchas lentas são formas de luta eficientes.
A cada fechar de olhos à iniquidade, a cada desculpar da perversidade, a cada fortalecimento de dogmas e crenças, a cada acto de acreditar na mentira e descartar a verdade, a cada assentimento e seguimento das narrativas e das propagandas, a cada encolher de ombros perante a perfídia, o crime e a corrupção, mais se consolida o ambiente propício para o desenrolar de um sinistro Armagedão orquestrado.
Isabel Conde
Comunismo? Claro, Por Que Não?
Li O Manifesto Comunista de Marx e Engels quando tinha 17 anos e fiquei de castigo por causa disso. Na realidade, tive o castigo por tê-lo lido na aula e depois recebi um sermão por estar interessado no seu conteúdo subversivo e anti-americano, dado pelo director-adjunto enquanto estava de castigo. Os pormenores são irrelevantes. Não o li por ser um fã de Marx, li-o apenas porque sabia que era subversivo. Li Mein Kampf uns anos mais tarde pela mesma razão. Não me tornei fã de Hitler, mas aprendi muito a cerca dele e do nacional-socialismo e, no liceu, depois de ler o Manifesto, aprendi um pouco acerca do comunismo.
Lembro-me de ter ficado impressionado com a famosa frase "De cada um segundo as suas capacidades, para cada um segundo as suas necessidades" (uma citação de Marx, mas de um texto diferente). Na altura, não compreendi as suas implicações. Parecia-me bem, sem ir muito fundo. Parece que somos enganados por esta ideia de "soar bem" quando ouvimos falar pela primeira vez de algo, como CBDCs, UBIs [NdT – Rendimento Básico Universal] ou IDs digitais, "soa muito bem, não é?" Ninguém parece olhar para as implicações – nós olhamos, claro, mas a maioria das ovelhas não.
Sim, que bom, roubar aos ricos e dar aos pobres. Toda a gente adorava o Robin dos Bosques... ele era um dos bons da fita. Toda a gente pensa que quem tem dinheiro o conseguiu roubando aos pobres! Claro que há quem o faça, mas provavelmente não é tão comum num simples país capitalista do velho mundo (pelo menos não directamente), e provavelmente é muito mais comum num país comunista (roubar aos pobres, roubar a toda a gente), e certamente o nome do jogo na próxima economia GloboCap (para usar o termo de C.J. Hopkins). "Um dia não terás nada e serás feliz." Tenho a certeza acerca da primeira parte desta frase, mas não tenho tanta certeza acerca da segunda parte.
Não só o conceito "de cada um de acordo com a sua capacidade, para cada um de acordo com as suas necessidades" simplesmente não funciona, como qualquer sistema baseado em tais coisas está aberto à corrupção. Não vou entrar em pormenores sobre a razão pela qual o comunismo, tal como Marx o propôs, é um sistema derrotado, há muitos livros sobre esse assunto. O que eu quero comentar é por que é que tanta gente não acredita que é um sistema derrotado. Mostrem a um liberal a frase de Marx e aposto que ele dirá: "Claro, por que não?" Pois, claro que gostam da ideia, até o Estado aparecer e começar a cortar a sua opulência e a distribuí-la por aqueles que eles acham que a deviam receber em vez deles, "de acordo com as suas necessidades".
Em primeiro lugar, ninguém (pelo menos aqui na América do Norte) está ainda a sofrer profundamente com a transição para o totalitarismo de tendência comunista. As pessoas pensam que a perda de liberdades é análoga à eliminação das leis de trânsito. Não é. As pessoas dizem: "Bem, eu não tenho problemas em ser um cidadão cumpridor da lei, não preciso de ter o direito de 'fazer o que quiser'". Essa é uma afirmação ingénua. Os direitos que as pessoas perdem num sistema de tipo comunista são um pouco mais severos do que isso.
É importante notar que aquilo para que estamos a ser conduzidos não é o comunismo de Marx, Lenine ou Mao. Trata-se de um novo tipo. Não sei exactamente qual, mas é diferente. Um novo sistema de "colectivização" pode não ter, pelo menos de início, nenhuma das opressões estereotipadas do "comunismo" em que todos pensam quando pensam em comunismo. E sim, muitas pessoas podem ser tolerantes com ele, mais uma vez, pelo menos durante algum tempo. Pensem no 1984 de Orwell e depois comparem esse estado sombrio com o Admirável Mundo Novo de Huxley, ou até com o Fahrenheit 451 de Bradbury. 1984 é um exemplo da condição de "fim de linha" de uma cultura oprimida.
Em 1984, a doença estava profundamente instalada e o parasita do comunismo/totalitarismo está prestes a destruir o seu hospedeiro. Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451 são exemplos de culturas ainda na fase inicial de uma estrutura que está a sugar a alma das pessoas, mas o hospedeiro (as pessoas) ainda não morreu. O que todos têm em comum, contudo, assim como o que há em comum com a distopia actual, é o controlo central das massas. Isto é agora conseguido de forma diferente – a obsessão pelo telemóvel, o controlo dos meios de comunicação, as redes sociais, o rótulo de desinformação sobre tudo o que é contrário à narrativa. É claro que os velhos pilares da propaganda e da censura do discurso ainda fazem parte de tudo isto, mas, mais uma vez, tudo tem um toque ligeiramente diferente.
O objectivo do parasita é manter o hospedeiro vivo o máximo de tempo possível para poder beneficiar dele. Certamente, no nosso caso, as massas podem ser eliminadas e mantidas suficientemente doentes para serem complacentes e facilmente manipuláveis, mas, como diz Schwab, a intenção é manter feliz o que resta de nós ... ou assim esperam, pelo menos até que estejam muito bem instalados na "nova" cultura.
O estilo de comunismo que se abateu sobre nós (e temos de arranjar uma palavra melhor, agora que já tem a intenção de criar comunidade) foi concebido para nos sugar apenas o suficiente para que não saibamos que estamos a ser privados de vida. Os perpetradores não sabem nada sobre a alma; por conseguinte, não se importam com ela. Perderemos a nossa alma mais depressa do que perderemos o nosso corpo em consequência desta drenagem lenta.
Ficaremos deprimidos, desanimados, pouco enérgicos, pouco afectuosos, ansiosos, bem como uma litania de outras doenças mentais. Embora a intenção dos nossos donos seja manter o nosso corpo no limite do funcionamento (a menos que sejamos um dos infelizes (ou afortunados?) a ser eliminados) para lhes devolver o que eles querem, mais cedo ou mais tarde colapsaremos internamente. A alma morrerá de fome. Já estamos a ver isso, pelo menos NÓS estamos, as pessoas mais afectadas por este estilo de matança dos Skeksis não estão conscientes da causa do seu desespero – e esta percepção só agora está a chegar a elas.
Vai demorar muito tempo até que as pessoas se apercebam do que está a acontecer. O que é que vai ser preciso? Vai ser preciso ser impedido de viajar internacionalmente? Ou ser impedido de viajar de cidade em cidade, ou mesmo dentro da própria cidade? Ou serão essas restrições envoltas no pretexto comum de que "é para o vosso próprio bem"? Será que as pessoas se aperceberão desta opressão quando já não puderem usar o dinheiro à sua vontade? Ou quando forem impedidas de comprar certos artigos que querem porque ultrapassaram a sua quota? Ou será que se aperceberão quando o aquecimento ou o ar condicionado da sua casa for ajustado para além da sua vontade? Ou será que também vão ver isso como "para benefício de todos, devido aos perigos das alterações climáticas"? Será que vão finalmente reparar quando forem presas por terem mencionado, na fila do supermercado, que não estavam satisfeitos com a subida do preço das alfaces e que culpavam o actual governo pela inflação?
É difícil dizer quando é que vão reparar, se é que alguma vez vão reparar, que algo não está bem na forma como o mundo está a ser gerido. Neste momento, é tudo "para o bem da humanidade e do planeta". Culparão pela sua depressão, ansiedade e pela profunda sensação de impotência que sentem, quase tudo o que não seja a verdadeira razão – que a sua alma está a ser corroída pelo próprio sistema que prometeu cuidar deles.
Todd Hayen, PhD, RP
29/11/2023
Via, Isabel Conde.
A SOCIEDADE DO ESPECTÁCULO
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“Onde o mundo real se converte em simples imagens, essas simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espectáculo, como tendência para “fazer ver” por diferentes mediações especializadas o mundo que já não é directamente apreensível, encontra normalmente na vista o sentido humano privilegiado que noutras épocas foi o tacto; o sentido mais abstracto, e o mais mistificável, corresponde à abstracção generalizada da sociedade actual. Mas o espectáculo não é identificável com o simples olhar, mesmo combinado com o ouvido. Ele é o que escapa à actividade dos homens, à reconsideração e à correcção da sua obra. É o contrário do diálogo. Onde quer que haja “representação” independente, o espectáculo reconstitui-se.
(...)
A alienação do espectador em proveito do objecto contemplado (que é o resultado da sua própria actividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo. A exterioridade do espectáculo em relação ao homem activo revela-se no facto de os seus próprios gestos já não serem seus, mas de um outro que lhos representa. Eis porque o espectador não se sente em casa em nenhum lugar, porque o espectáculo está em toda a parte.”
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— GUY DEBORD (28 de Dezembro de 1931 – 30 de Novembro de 1994), escritor, cineasta, pensador e teórico libertário francês, in “A Sociedade do Espectáculo”, Antígona, 2012.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Portugueses Vivem em Permanente Representação
Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo. A reserva e a modéstia que parecem constituir a nossa segunda natureza escondem na maioria de nós uma vontade de exibição que toca as raias da paranóia, exibição trágica, não aquela desinibida, que é característica de sociedades em que o abismo entre o que se é e o que se deve parecer não atinge o grau patológico que existe entre nós.
Os Portugueses não convivem entre si, como uma lenda tenaz o proclama, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mútuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe...
Eduardo Lourenço, in 'Labirinto da Saudade - Repensar Portugal (1978)'
Foto de Alfredo Cunha
Ainda sobre a Mitra.
Errado, o Estado Novo de Salazar não fechava os indesejáveis, muito menos na Mitra.
O Estado Novo com as suas políticas verdadeiramente sociais e de protecção aos mais desfavorecidos, dava-lhes um tecto, cuidados de saúde, alimentação e um tratamento condigno, humano e em muitos casos, especialmente dos mais jovens preparava-os para a vida, dava-lhes ferramentas e conhecimentos que lhes permitissem ser reintegrados na sociedade.
Deixo-vos o texto de uma amiga sobre o assunto, texto esse que subscrevo na íntegra, escusam de tentar denegrir o excelente trabalho prestado à nação pelos competentes e sérios membros que arduamente trabalharam com o Doutor Salazar. Estes pobres incompetentes e corruptos do novo regime deveriam ter aprendido alguma coisa com os políticos e governantes do passado, mas a falta de valores é de tal forma notória que só lhes podemos imputar a morte de um Portugal que outrora foi grande e onde os portugueses eram tratados com a dignidade que merecem!!!
Os Pormenores Ocultados da Guerra Colonial
«(...) Muitos dos temas tratados versavam questões de estratégia internacional de um mundo cada vez mais global, outros eram o reflexo da ...
