O CASO DOS BALLETS ROSES
O que é que os traficantes do sexo pretendem?
Angariar sempre clientela em pessoas estrategicamente colocadas para depois daí colher protecção e cumplicidade.
Asseguradas pela chantagem que operava pela nova situação de vulnerabilidade.
Atrair um solteirão mulherengo com a promessa de "carne fresca" era a estratégia.
Essa coisa de se dizer que o Mário Soares andava a defender as pobres raparigas...
Com que bases se faz esta afirmação?
Da mesma forma se poderia supor que ele andava era a defender as patroas...
Ou com maior probabilidade, a engrenagem mundial, que preside a estas actividades e as mantém a funcionar.
Mas não restamos aqui em maré de hipóteses.
Ora vejamos o que é que se terá passado com maior lógica.
Vamos mais atrás.
Como se sabe, a prostituição tinha sido encarada pelo Estado português, como um facto que não se conseguia facilmente atalhar. Nem debelar.
E o Estado tinha as casas e prostitutas, cadastradas e vigiadas pelas autoridades policiais.
Além de controle sanitário, também acontecia que deste modo se evitava um tanto - mas não tudo - a situação de escravidão e chantagem, a que estão sempre sujeitas as raparigas na situação de clandestinidade.
Mas o Estado fechar os olhos a um comércio destes, também não podia colher aplausos.
E falava-se então que um grupo de senhoras católicas, tinham diligenciado - e conseguido - acabar com essa situação.
Houve pessoas que não gostaram disto até apontavam o dedo acusador às "noelistas".
Foram as "noelistas" que queriam acabar com as casas, dizia-se com escárnio e animadversão.
E até as comparavam com aquelas beatas da "Gabriela Cravo e Canela".
Que queriam encerrar o “Bataclã”
Refiro-me ao livro. Não à novela. Esse livro já circulava em Portugal em 1961, pelo menos.
A prostituição, ainda no tempo de Salazar, acabou por ser declarada ilegal.
Muita gente se moveu para isso.
Um deles foi o padre Adriano Botelho, meu professor de R. e Moral e de O.P.A.N. e prior da Igreja de Alcântara.
Outro o Padre Abel Varzim, que é mais um caso bem conhecido, de como a oposição intrigou para o indispor contra o governo e reciprocamente.
Quando a prostituição se ilegalizou o P. Botelho já sem tanto que fazer, foi em missão anti-escravatura-branca para a Argentina, onde proliferavam "las casitas".
E depois de cá se ter proibido a prostituição?
É claro que se sabia que estas coisas não acabam de um dia para o outro.
Por um lado o Estado Português tinha melhores meios do que outros países, para controlar. Mesmo na clandestinidade que doravante iria acontecer.
Tinha as fronteiras relativamente bem controladas.
O serviço de fronteiras, estava a cargo da eficiência da PIDE.
Não se entrava neste país com essa facilidade toda.
O que já dificulta um tanto, o tráfico.
E cá dentro?
O Estado mantinha a vigilância.
E actuava em casos que achava mais graves.
Ora considerava-se grave a prostituição de menores.
Pouca gente se lembra que a maioridade só era atingida aos 21 anos, a menos que os pais emancipassem antes, os filhos.
O que se fazia para efeitos de carta de condução, aos 18 anos.
Ora uma rapariga de 18 anos era considerada menor.
E aí a lei actuava sempre.
Mas para actuar tinha de ter provas, fazer investigação.
Porque normalmente, quando a prostituição passa a ser clandestina, camufla-se bem. E as coisas ficam mais difíceis.
E era investigação que a polícia andava mesmo a fazer.
Não creio que nessa altura se prostituíssem crianças de idades tão tenras, como diz a novela. Aliás seria perigoso para os próprios traficantes.
Mas hoje isso já pode ser visto por quem desce a Avenida da Liberdade, a qualquer hora do dia. Nem precisa de ser à noite.
Ora a justiça andava de olho nessas jovens, ou melhor, nos empresários dessas jovens.
Com essa história da notícia dos "Ballet Rose" na Imprensa estrangeira, procurou desacreditar-se a acção do Estado português e, de certo modo, amarrou-se as mãos à justiça.
Lembremos que o caso andava em processo.
O nosso governo não era conivente. Era adversário.
Por outro lado o "Jeune Afrique", de tendência afro-asiática e comunista, já tinha antes, achado aqui um bom meio de atacar o Estado Português considerado adversário maligno.
E foi este jornal que iniciou a acusação. Eu diria a calúnia.
Foi por ele que o jornalista inglês foi induzido a procurar uma "cacha", "manchete" de sensação.
Ora nós sabemos, e a PIDE sabia ainda melhor (*), que tanto a maçonaria como o PCUS, patrocinam o comércio sexual, para domínio dos povos e colheita de dividendos políticos e económicos.
Envolvendo políticos, têm-nos na mão.
Sabemos das práticas de patrocínio de "rendez-vous" e chantagem sexual dos serviços secretos, nomeadamente, russos e americanos dessa época.
Por exemplo, o caso Profumo, dirigido pelo KGB.
Ora Mário Soares tinha sido comunista e também maçon.
E parece que chegou a ter estas duas qualidades em simultâneo.
Podemos dar-lhe o benefício da dúvida e abonar a crença de que Mário Soares era idealista e foi manejado pelas "chafaricas" a que pertenceu.
E eu pessoalmente até creio.
Curiosamente, na defesa que lhe fez, Magalhães Godinho, um dos argumentos foi de que O jornalista Briant, sabia através do "Jeune Afrique" e não do Mário.
Segundo o Magalhães Godinho, há esta passagem anedótica:
O jornalista inglês, provavelmente soprado pelo "Jeune Afrique", veio ter com Soares que o remeteu para Pires de Lima, então jovem como ele, Marocas, e filho de uma reputada figura do regime (**).
E veio muito lampeiro bater à porta do Pires de Lima.
- O sr. Dr. Pires de Lima?
- Eu próprio, que deseja?
- Bem há aí umas belas broncas que nos vão render muito...
- Diga então respondeu o P.L.
- É daquele caso dos "Ballet Rose”(***) ...
- Sim, sim...
- E o inglês contou o que sabia ...
Mas o azar foi este. O Pires de Lima que o atendeu era o pai e não o filho que ele procurava. E percebeu logo a jogada.
E telefonou à PIDE a dizer que havia um jornalista inglês envolvido na campanha e que preparava uma peça jornalística...
A PIDE, é claro, que não tinha motivos oficiais para o deter e o artigo saiu logo dois dias depois no pasquim inglês.
Notas :
(*) - Podemos ler no livro "A bem da nação" o depoimento que a esse respeito fez o Antigo inspector, Óscar Cardoso.
(**) - Lembremo-nos de que os jovens filhos-família, eram as peças mais cobiçadas e assediadas pelo "reviralho"
a maçonaria+marxismo).
Temos o Galvão Teles, a filha do Silva Pais, o próprio Jorge Sampaio ...
[06/12, 21:53] Pedro Torres de Castro: -------
O LIVRO
As pessoas que escrevem ou comentam sobre o famigerado caso "Ballet Rose" se lessem a o relatório da defesa que fez o advogado de Mário Soares, José Magalhães Godinho, mudariam de opinião. Veriam que todas as tretas escritas pelo Francisco e pela Felícia ruiriam pela base.
Sem ponta por onde se lhes pegue.
Está num livro que se imprimiu em 25 de Maio de 1974, precisamente um mês, após a implantação da "liberdade".
De título, “Causas que foram Casos” da colecção “Que País?”. Uma edição da Seara Nova.
De notar que J. Magalhães Godinho, advogado que foi de Soares já nessa altura estava naturalmente alinhado no ideário desta figura pública.
Tal como com outros oposicionistas ao regime de então, cuja defesa apresenta nesta obra.
Tais foram, Salgado Zenha, Carneiro Franco, Duarte Vidal e o próprio irmão Vitorino. Entre outros mais.
Mais insuspeito não pode ser…
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O caso dos "Ballet Rose" pelo "Sunday Telegraph". Da iniciativa do próprio "Sunday".
Até o Magalhães Godinho se empenhou por completo, para provar que o Mário Soares, foi um mero peão. Que nem sequer chegou bem a ser peão...
Até argumentou que o Mário Soares com a sua proverbial dificuldade para as línguas estrangeiras não estava em condições de comunicar e informar o jornalista inglês.
E note-se que a imprensa britânica se apoiou no facto de conhecer que a justiça portuguesa andava em cima de uma rede de corrupção de menores.
Nesse tempo, para tal efeito, eram consideradas menores as raparigas de menos de 18 anos.
O processo, em segredo de justiça, estava a andar.
O papel dos "mass-media" britânicos foi insinuar que Salazar tinha abafado o processo por medo do escândalo.
Conclusão
O papel dos "mass-media" britânicos foi insinuar que Salazar tinha abafado o processo por medo do escândalo.
Tempos depois a Imprensa anglo-americana vem com Wiriamu. Da parte USA, foi o Washington Times. Do UK, não tenho agora os dados.
Mas fez tanto eco, e com tanta pontaria...
...foi precisamente uma semana antes da visita de Marcelo à Grã-Bretanha...
As descrições eram horríveis. Os portugueses já suplantavam em barbaridade, essas descrições que conhecemos, de nazis e sovietes ...
Criou-se um estado emocional na Grã-Bretanha contra Portugal.
Com tanta pontaria que o então jovem "Bochechas", que lá estava no UK, se pôs desvairado, aos pinotes, em cima da nossa verde-rubra.
Segundo dizem alguns e contestam outros.
Como sempre, aliás.
Pedro Torres de Castro
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