terça-feira, 23 de março de 2021

Incorrigíveis, incompetentes e caloteiros!!!



«Desde 1820 que Portugal sempre viveu na iminência de uma morte lenta. A quem anda nervoso, aconselho a leitura de um livro bastante instrutivo, publicado em 1871, de um tal sr. Ferreira Lobo, e que se chama apropriadamente As Confissões dos Ministros de Portugal (1832 a 1871). Em 180 páginas, esses ministros "confessam" três coisas. Primeira que no ano anterior o défice cresceu e se fizeram novas dívidas (algumas delas ruinosas) no mercado interno e no estrangeiro, mas que no ano corrente o governo espera, se não anular, reduzir significativamente o défice e a dívida. Segunda, os ministros declaram que o país "não comporta mais tributos", excepto, como é óbvio, os necessários para "aliviar" os males da Pátria. E, terceira, os ministros prometem "introduzir" em definitivo "princípios de ordem e regularidade" no Orçamento. Perante este descalabro, que de resto continuou até Salazar, havia uma regra: a regra de que era "uma indesculpável cobardia desesperar da salvação". O que não impedia uma certa angústia. Conforme o dia e o acaso, o défice e a dívida oscilavam entre ser e não ser "assustadores" - e, às vezes, chegavam mesmo a ser um abismo "inevitável" ou "insondável". A confiança nos "recursos" de Portugal variava de época para época e o medo dos "resultados fatais" da desordem financeira nunca verdadeiramente desapareceu. Claro que, de quando em quando, Portugal falia ou roçava a falência. Só que não acabava. Ou, se quiserem, acabou às mãos de Salazar.»

Vasco Pulido Valente. in "Público"

O que acabou às mãos de Salazar foi o descalabro e a anarquia.
enquanto foi viva a geração que sofreu com a "libertação" de 1910-26, o Estado Novo manteve-se firme. Quando morreu, desapareceu a memória do abuso, extorsão, violência e ruína!
Pena é que não tenha podido sair no tempo certo, por razões mais do que óbvias, tal como se veio a confirmar!!!

Alexandre Sarmento

sábado, 20 de março de 2021

Aberrações linguísticas, linguarejares!!!

 

Brilhante texto de de Helena Sacadura Cabral, o retrato perfeito da acefalia colectiva que assola este país e o mundo, um mundo que dizem ser desenvolvido e moderno, mas que não passa afinal de um antro, uma feira de vaidades e outras aberrações!!!
Como diria o outro, no português de Gil Vicente ou Bocage, puta que pariu!!!

— Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos "afro-americanos", com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado!
— As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas domésticas" e preparam-se agora para receber a menção de "auxiliares de apoio doméstico".
— De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos" que passaram todos a "auxiliares da acção educativa" e agora são "assistentes operacionais".
— Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por "delegados de informação médica".
— E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".
— O aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez";
— Os gangs étnicos são "grupos de jovens";
— Os operários fizeram-se de repente "colaboradores";
— As fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas" e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".
— O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante.
— Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".
— A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: "Sou mãe solteira..." ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: "Tenho uma família monoparental..." - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade implante.
— Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e "terroristas"; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo".
— Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação", os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável".
— Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)
— As putas passaram a ser "senhoras de alterne".
— Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem.
— E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a "correcção política" e o novo-riquismo linguístico.
Estamos "tramados" com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress.
Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.
Hoje não se fala português... linguareja-se!

(Helena Sacadura Cabral)

sexta-feira, 19 de março de 2021

No tempo do "glorioso fascismo" era assim!!!

 

 António de Oliveira Salazar cumprimenta o presidente americano Dwight D. Eisenhower em Lisboa, 1960 

Corria o ano da graça de 1962. 
A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.

O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão.

Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.


Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.

Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.

Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.

Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".

Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.

Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.

Estoril, 18 de Abril de 2010
Luís Soares de Oliveira





Outros tempos, outra atitude, seriedade, honestidade e uma inabalável imagem daquilo que é um Estado cumpridor das suas obrigações, assim se construiu um regime que deixou marca positiva, interna e externamente, quiçá o único período nos últimos dois séculos em que avançámos social e economicamente, o único período em que convergimos com os países mais desenvolvidos!!!
Bem sei que tocar neste assunto ainda hoje causa amargos de boca aos defensores do actual regime, o regime dos caloteiros e trafulhas, mas, tal como sempre, pauto-me por focar as diferenças entre o antes e depois de Abril, o caso apenas se torna complicado para alguns quando, não consigo vislumbrar aspectos positivos após a fatídica data, pois os resultados estão à vista de todos, corrupção a rodos, um monumental calote por parte do Estado Português e quando a pobreza e exclusão social são hoje imagem deste regime.
Portanto, mais palavras para quê?

Alexandre Sarmento

quinta-feira, 18 de março de 2021

"Acuso", a morte de Humberto Delgado.

 


«Em Janeiro de 1964, realizava-se a II Conferência da Frente Patriótica, e o General [Delgado], agora presente, conseguiu impor a constituição da Junta Revolucionária Portuguesa e do Comando Operacional.

Do que consta das suas resoluções, oferecemos a seguir um extracto. Nelas, proclamava-se a urgência absoluta de produzir a luta a curto prazo. Foram seus signatários os membros da II Conferência da Frente Patriótica, os seus dirigentes, o General Humberto Delgado, o secretário do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal, e o prof. Rui Luís Gomes.

"... Portugal atravessa a MAIOR e MAIS GRAVE crise da sua longa história; a situação económica agravou-se; grandes sacrifícios são impostos à população trabalhadora; as classes médias, os pequenos e médios industriais, os pequenos e médios comerciantes, os pequenos e médios agricultores, pagam pesados impostos; a dependência crescente da economia nacional aos interesses estrangeiros, por concessões negociadas em troca de investimentos e empréstimos que põem em PERIGO a independência nacional e que tomam o aspecto grave da utilização do território português por forças militares de outros países; a conferência... concordou em APRESSAR o processo revolucionário... Para a preparação NO MAIS CURTO PRAZO das condições insurreccionais; a situação do país é EXTREMAMENTE GRAVE; os compromissos aceites pelo governo fascista... põem em PERIGO a independência nacional e o futuro do País".

"(...) Em conclusão, verifica-se que, quer os dirigentes da Frente Portuguesa, quer os da Frente Patriótica, reconhecem nos comunicados e resoluções da I e II Conferências, de que todos foram responsáveis e signatários, a urgência duma acção revolucionária, invocando até razões de salvação nacional e outras de extrema gravidade".

Mas, logo em 27/1/964, em entrevista concedida ao jornal francês L'Humanité, reproduzida no Portugal Democrático n.º 81, de Março, de 64, Álvaro Cunhal declarava não existirem, na realidade, condições para o desencadeamento dessa luta, devendo o Partido prosseguir no seu trabalho de 'catequização' e organização de massas. O Secretário-Geral do PCP traía, assim, a proclamação e as resoluções de que pouco antes fora signatário.

Mas, mesmo à luz dessa traição, alguma coisa continuava errada.

Como aceitar-se que Álvaro Cunhal se tivesse disposto a apresentar-se, publicamente, como um homem de duas caras, traidor das suas próprias resoluções?

Só uma razão de bastante força, ou de interesse bastante, o levaria a isso. Mas o quê?

O plano imediato do Partido Comunista Português consistia, em linhas gerais, em inutilizar, para a acção, o General Humberto Delgado, impedindo-o de levar a cabo a derrubada do fascismo, por forma a que, no interior do país, fossem, ao longo dos anos, criando as condições necessárias à sucessão inevitável da ditadura salazarista, pela cunhalista.

Um tal programa deveria ser levado a efeito com um mínimo de consequências e repercussão. Era, contudo, necessário realizá-lo antes que fosse demasiado tarde; em teoria, antes de 1965, ano em que se realizariam as eleições presidencial e para deputados.

Enquanto o General Humberto Delgado se manteve pelo Brasil, o Partido limitou-se a sabotar, uma após outra, as suas tentativas de promoção de acções armadas, quer elas tivessem o objectivo de criar um clima revolucionário, quer o de produzir a queda do governo salazarista. E foi assim que a revolta de Beja se perdeu, antecipadamente, em Lisboa e Marrocos; que, posteriormente, um elemento ligado ao Partido deu descaminho duma remessa inicial de material de guerra, que o General fizera chegar ao interior para, em consequência do malogro da operação de Beja, aproveitar o clima que dela resultou, por forma a levar ao desenvolvimento dum processo revolucionário; que as grandes manifestações académicas e populares, que se estenderam pelo primeiro semestre de 1962, viriam a quebrar pela acção pacifista dos agentes do Partido, empenhados na defesa das acções legais e semi-legais, que o Povo Português [?] repudiava, por inúteis e revolucionariamente ultrapassadas.

Mas a revolta de Beja, em consequência do clima post-eleitoral de 1961, a envergadura, a frequência e o carácter, das manifestações de 1962, foram o sinal de alarme, quer para o governo, quer para a direcção do Partido. Um e outro, viram no ano eleitoral de 1965 um grave período de crise, no qual poderiam jogar-se forças e circunstâncias, que levassem à queda da ditadura. Daí resultou que, ambos, circunstancialmente irmanados, não hesitariam em conjugar a sua acção contra o General, sem que para tanto fosse necessário qualquer acordo contratual.


Assim, o Partido Comunista Português, através da fachada da Frente Patriótica e a pretexto da formação duma frente unitária, chamou a si, em Janeiro de 1964, o General Humberto Delgado, na intenção de o controlar e de, por qualquer forma, o impedir de preparar convenientemente a acção a desenvolver em 1965.

(...) Recebido com honras de Chefe de Estado e instalado no Palácio Presidencial (Palais du Peuple, Villa 3) Humberto Delgado e Ben Bella habituaram-se a conversar e a passear pelos jardins nas horas de lazer do Presidente. Dessas longas conversas surgiu o oferecimento para uma ajuda concreta à Oposição Portuguesa: convidado a definir-se, o General, dentro da amplitude que perspectivara, apresentou-lhe um plano, que foi aceite sem limitações nem reservas. O Presidente argelino punha, imediatamente, à disposição de Humberto Delgado, fundos, instrutores, instalações, alimentação, armamento e transporte, para um total de 600 homens, a mobilizar pelo General; mais se oferecia para uma ajuda complementar posterior, que poderia incluir o empréstimo de aviões militares.

(...) Demonstrarei que o desastre de Badajoz resultou da conjugação dos esforços da Frente Patriótica e da PIDE, coordenados num longo plano de acção, de conluio com o PC e o "grupo" Mário Soares, objectivamente destinado à eliminação do General.


Demonstrarei que aqueles que o traíram são precisamente os mesmos - todos eles hoje guindados ao Poder, nas altas posições políticas e administrativas deste País devastado - que agora, face à espontaneidade das manifestações do sentimento popular e às homenagens do Povo Português ao seu ídolo morto, se desfazem em elogios à própria vítima.

Depois de a terem traído.

Depois de a terem insultado, vilipendiado.

Depois de terem preparado e perpetrado o seu assassínio.

Mais coerente, apenas Álvaro Cunhal se tem mostrado moderado ao participar nessa farsa ridícula, enquanto Mário Soares, na ânsia de poder ainda prolongá-la, dominá-la para a própria salvação, promete, para próximo, justiça - a SUA JUSTIÇA.

Mário Soares o anunciou: "Soou a hora da Verdade".

No seu discurso televisionado - brevemente, com assustada celeridade - ainda arriscou dois curtíssimos períodos, perdidos num oceano verboso:

"Os Pides começarão a ser julgados. O Julgamento do General Humberto Delgado far-se-á igualmente ainda este ano".

Mortos Amadeu Cabral, Pedro Soares, Arrigo Repeto, Dr. Bisogno, Dr. Robles e Fernando Oneto, poucas ou nenhumas testemunhas restam para acusá-lo. Conta agora com a cobardia humana generalizada neste País. Se algo há em que Cunhal o apoie secreta e tenazmente é na manutenção do silêncio, na ocultação da Verdade sobre o assassínio de Delgado.

Contudo, a Espada de Dâmocles mantém-se suspensa sobre a sua cabeça e as dos seus acólitos do hediondo crime perpetrado a distância.

(...) que melhor expediente de dissimulação pode ter um criminoso na iminência de ser desmascarado, do que imiscuir-se entre os parentes da vítima, transportando o caixão sobre os ombros, carpindo em uníssono sobre a campa, comungando, embora teatralmente, da mesma dor e indignação?

Um actor, um advogado pode fazê-lo - sabe fazê-lo.


Mário Soares insinuou-se, arteiramente, advogado da vítima, infiltrou-se no seu meio - o melhor baluarte contra a suspeita - e multiplicou declarações à imprensa, apontando furiosamente os assassinos da PIDE, exigindo a justa punição.

Mas não bastava. Tornava-se-lhe igualmente imperioso justificar a origem da denúncia que acicatara a matilha pidesca. Só assim poderia sacudir as lamacentas suspeitas que o envolviam, incriminando globalmente com ele todo o seu Movimento.

Era-lhe pois imprescindível indigitar hipotéticos culpados; acusar inocentes; alastrar a Dúvida por mais vasto campo.

Para tal escolheu, por "bodes-expiatórios" Mário de Carvalho, Ernesto Bisogno e Henrique Cerqueira.

(...) O inquérito à Oposição não se fez. E pululam por aí indivíduos que foram os "donos" da Oposição Tradicional; que, permanentemente, colaboraram com a PIDE. Uns, para eliminarem concorrentes incómodos, como Álvaro Cunhal. O secretário do PCP, sempre que alguém lhe fazia sombra no Comité Central, acusava-o de ladrão e denunciava-o à PIDE - como a Francisco Martins Rodrigues... Outros, por ambição e vaidade pessoal, como Mário Soares, primeira "cimeira" da política nacional, que nunca fez fosse o que fosse contra o regime anterior, desde que para isso tivesse de arriscar a pele, conquanto sempre lograsse manobrar em proveito próprio. O seu papel, como advogado da família Delgado, teve essa finalidade exclusiva. Exilado em São Tomé, fruía de um ordenado de dezenas de contos do Grupo CUF; exilado em Paris, tinha-o do Grupo Bulhosa - dois grupos financeiros ligados ao salazarismo, que nunca pagariam ao "inimigo" do governo fascista, sem o acordo tácito deste.

(...) No seu "Portugal Amordaçado" [Mário Soares] conta-nos que a "a partir de 1965, a vigilância policial que sobre ele se passou a exercer tornou-se verdadeiramente asfixiante. "Os meus telefones e correspondência eram controlados em permanência e por forma grosseira, assim como todos os contactos que tinha e as deslocações que fazia (pág. 540). (...) "A pouco e pouco o círculo policial foi-se apertando e eu tinha a sensação nítida - partilhada aliás por todos os meus amigos - de que o Governo procurava um pretexto, mais ou menos airoso, para me inutilizar a título definitivo (...) o pretexto chegou em fins de 1967, com o rebentar do chamado escândalo sexual ou dos 'Ballets-Rose', caso em que apareceram envolvidas algumas personalidades gradas dos meios financeiros e mundanos portugueses, com a participação, ao que se disse e escreveu, de três membros do Governo de Salazar.


"A primeira vez que ouvi falar no assunto foi em casa dos meus amigos Sofia de Melo Breyner e Francisco Sousa Tavares. O nosso colega Joaquim Pires de Lima, regressado de uma viagem a Paris - e então muito interessado em actividades políticas oposicionistas a levar a efeito entre os meios católicos - apareceu expressamente para nos contar, com grande cópia de pormenores picantes, o que sabia da história, e em cuja revelação pública tivera alguma intervenção como advogado. (...)

"Foi então que me apareceu um jornalista inglês, do Sunday Telegraph, interessado num inquérito sobre o que chamava o caso dos 'ballets rose do Portugal salazarista'. Procurou-me no meu escritório, depois de me ter telefonado a marcar um encontro, e sem qualquer apresentação. Limitou-se a mostrar-me o seu cartão profissional de jornalista inglês. Disse-me que na origem do seu interesse estava o artigo publicado por Jeune Afrique e que, encontrando-se em Portugal há alguns dias, além de outros contactos nos meios jornalísticos e diplomáticos, tentara encontrar em Coimbra o prof. Antunes Varela, sem êxito, tendo apenas conseguido falar com um seu assistente. É claro que eu não sabia nada sobre o caso que lhe pudesse interessar ou que ele já não conhecesse. Em relação aos processos pendentes no Tribunal - objecto principal da sua curiosidade - disse-lhe que não me parecia que ele os pudesse consultar. Em todo o caso, sugeri-lhe que procurasse o advogado Pires de Lima, com intervenção profissional em pelo menos um desses processos, visto que seria ele, melhor do que ninguém, que o poderia informar sobre o que era possível apurar de concreto. Se é que havia alguma coisa mais para saber além do que já toda a gente bem informada conhecia...

"Aproveitando a minha sugestão o jornalista falou do meu próprio escritório para casa do pai do advogado Pires de Lima, onde este vivia. O pai de Pires de Lima, com o mesmo nome, pertencia ao Ministério do Interior onde ocupava, ao tempo, a alta função de director da administração política e civil.

"Só muito mais tarde vim a conhecer o que se passou depois. Na realidade o jornalista nunca falou com o advogado Pires de Lima, mas tão só com o pai deste, que teve o cuidado de não desfazer a confusão que se estabeleceu no espírito do inglês entre os dois. Foi o pai que se recusou a dar ao jornalista quaisquer informações sobre o caso, invocando "razões patrióticas" para a sua recusa! Posto, porém, ao corrente das intenções do jornalista - e porventura com a intenção de ilibar o filho de quaisquer responsabilidades na divulgação do caso, face ao rancor dos poderes constituídos - teria estado na origem da minha prisão posterior, como facilmente deduzi dos interrogatórios que me foram feitos na PIDE.


"O jornalista do Sunday Telegraph, uma vez regressado a Londres, publicou um artigo sobre o caso em que, partindo dos rumores divulgados pela Jeune Afrique, dava conta do que havia conseguido averiguar em Lisboa, e que não ia muito além do que se dizia nos meios sociais, jornalísticos e diplomáticos da capital portuguesa. No dia seguinte à tarde - mal tinha acabado o jornal de chegar a Lisboa! - fui preso, pela PIDE, no meu escritório, com um grande aparato bélico. Embora preso sem mandato de captura nem, como de costume, quaisquer explicações, logo verifiquei, pelos interrogatórios de que era acusado da 'divulgação de notícias falsas, no estrangeiro, susceptíveis de prejudicar o bom nome de Portugal'. Porém, quem não deve, não teme! Encarei minha prisão com perfeita tranquilidade, apesar das ameaças que, desde o início, tentaram comunicar-me.

- "Desta vez o senhor pôs em causa pessoalmente a moralidade do senhor Presidente do Conselho, injúria gravíssima! dizia-me o sub-director da PIDE Sachetti, com os olhos arregalados de horror perante uma tal audácia sacrílega.

"Como é evidente, neguei a acusação que me era feita. Dias depois (como soube mais tarde!) o jornalista do Sunday Telegraph desmentia explicitamente a acusação, escrevendo que eu não tinha sido de nenhuma maneira a "fonte das suas informações". Era verdade!

"Contudo, mantiveram-me preso durante três meses em condições muito duras de rigorosa incomunicabilidade. Fiquei todo o tempo na prisão privativa da PIDE de Caxias, dois meses e meio completamente isolado, numa cela individual, sem qualquer contacto com o exterior e apenas uma visita da Família, uma vez por semana, de um quarto de hora, por detrás de um vidro espesso e sempre na presença de um agente. Aí passei o Natal e o Fim do Ano de 1967, com um frio atroz. Não tinha livros nem, muito menos, jornais. (...)

"(...) Isolado na minha cela, os ecos de toda essa imensa campanha chegavam-me, deformados, através dos interrogatórios do sr. Sachetti. Contudo, dado que o inquérito, no que me dizia respeito, não conduzia a nada - 'isto é um limão que não deita suco!', lamentava-se o sub-director da PIDE quando lia os meus autos de resposta - a polícia tentou a exploração de outros caminhos, prendendo um mês e meio depois, o meu colega Francisco Sousa Tavares e o jornalista Urbano Tavares Rodrigues.

"(...) Como ao cabo de três meses a minha situação prisional se mantivesse inalterável, resolvi pedir a minha Mulher para dizer ao meu advogado - visto que este nunca tinha podido visitar-me, apesar das suas insistências - para requerer o habeas corpus. Na lei portuguesa a providência do habeas corpus é excepcional, hesitando os advogados em a requerer, dadas as penalidades de que são passíveis se o fizerem inconsideradamente. O processo impõe que o Supremo Tribunal de Justiça se pronuncie, num prazo mínimo, sobre a legalidade da prisão.

"José de Magalhães Godinho, o meu advogado, requereu pois o habeas corpus no dia 29 de Fevereiro de 1968 e eu fui posto em liberdade (assim como os meus dois co-arguidos Sousa Tavares e Urbano Tavares Rodrigues) no dia 1 de Março" (págs 541 a 547 de Portugal Amordaçado).

O que é que tudo isso significa, afinal? Mário Soares, sabendo-se sujeito a uma vigilância pessoal "asfixiante"; sabendo "controlados em permanência" os seus telefones; sabendo que o pai Pires de Lima era "Director-Geral do Ministério do Interior» - o Ministério da Polícia; sabendo dos nomes iguais que tinham os Pires de Lima, pai e filho, leva um jornalista inglês recém-chegado, a utilizar o seu telefone permanentemente controlado pela polícia; a ligar para casa do director-geral do Ministério do Interior e a pedir-lhe que lhe faculte dados que permitam a publicação, no estrangeiro, dum artigo escandaloso que atingiria gravemente o Governo. Distraído, o coitadinho Soares esquece-se de avisar o jornalista da posição oficial do pai e do facto de pai e filho terem o mesmo nome; como se esquece de que o seu telefone está sob controlo permanente havia mais de 2 anos. E como o telefone estava de facto controlado, publicado o artigo, Soares vai para a cadeia, desta vez por 3 meses e sem parte dos habituais privilégios, pagar a sua fajardice: meter na cadeia um colega, filho do director-geral do Ministério do Interior, envolvendo-o num escândalo cujas provas ficariam necessariamente na mão da PIDE.


A carreira do Sr. Soares está cheia de "sacanices" - passe o termo - deste género.

Interrogado pela polícia, que desta vez lhe faz sentir as condições a que sistematicamente submete os oposicionistas que com ela não colaboram, denuncia colega e amigo seu - o Dr. Sousa Tavares - que passa a beneficiar também da hospitalidade da PIDE.

Como se vê, neste - como em todos os casos relacionados com o nosso ilustre esteio - o comportamento daquela polícia de má-memória, é, apesar de tudo, bem mais decente que o dele. Poderia continuar, por centenas de páginas mais, a descrever dezenas de casos de flagrante colaboração de elementos mais ou menos destacados da chamada Oposição, com a PIDE».

Henrique Cerqueira («Acuso! Soares, Cunhal, Emídio Guerreiro, Lopes Cardoso na morte de Humberto Delgado», Vol. I).

quarta-feira, 17 de março de 2021

Um mal que já vem de longe!!!




 Grande obra é moldar uma alma! Extraordinária obra é formar um carácter, um indivíduo – um corpo, uma inteligência e uma vontade –, como os precisa para ser grande este pobre País de Portugal!

Pobre e bem pobre! Ouve-se aí dizer a cada passo, nas ruas, nas associações, nas praças públicas, nos artigos dos jornais oposicionistas, porque para os outros isto vai sempre em mar de rosas, que Portugal está decadente, que nós caminhamos para o aniquilamento da nossa nacionalidade. (…) Uns atribuem a nossa decadência às crises políticas, outros ao avanço da ideia republicana, outros aos deputados, outros aos ministros, outros às influências árabes, para não irem mais longe buscar as influências célticas…
Eu também não sei qual é a causa; mas são as ideias que governam e dirigem os povos, e são os grandes homens quem tem as grandes ideias. E nós não temos homens; e não temos homens, porque os não formamos, porque não nos importaram nunca métodos de educação. (…) Tudo se tem reformado, menos aquilo que na realidade o devia ser primeiro – o homem.
Início de todas as reformas, era a ele que devia pensar-se em reformar primeiro, por meio duma sólida e completa educação, abrangendo o seu desenvolvimento físico, a sua formação moral e a sua cultura intelectual. (…) Há necessidade dos portugueses de ontem fazerem da mocidade o glorioso Portugal de amanhã – um Portugal forte, um Portugal instruído, um Portugal moralizado, um Portugal trabalhador e progressivo!

«Conferência» - pronunciada no Liceu de Viseu em 1 de Dezembro de 1909 e publicada no Jornal «A Folha».

Dr. António de Oliveira Salazar

terça-feira, 16 de março de 2021

O PREC e o 28 de Setembro.



Reportando-nos, contudo, à cronologia dos factos mais salientes do 25 de Abril da traição, não deixa de ser curioso referir que o PC evitava hostilizar, na fase quente de Julho-Agosto de 1974, os agrupamentos políticos de centro e de centro direita, já por essa altura com certa implantação a nível nacional, como era o caso dos Partidos da Democracia Cristã, Centro Democrático Social, Liberal e do Progresso. No entanto, não deixava de afirmar posições e uma atitude crítica em relação ao PPD, apontando-o como cúmplice da iniciativa contra-revolucionária que teria sido assumida pelo Prof. Adelino da Palma Carlos.

A popularidade e o prestígio do general Spínola (interna e externamente), e bem assim o seu «peso político», obstavam à conveniência de uma confrontação prematura. Por isso, o PC, continuando a aparentar propósitos francamente cooperantes com o presidente da República e com as demais forças políticas, passou a empenhar-se num processo subterrâneo de actuação que visava a criação de condições propícias ao desencadeamento de uma nova crise que pudesse provocar a ruptura entre o presidente Spínola e o «sector progressista» do MFA, já por então directamente controlado pelos comunistas. Nessa acção solapada, desempenharia papel proeminente o CDE, que se achava afastado da coligação governamental por exigência expressa do general, embora constituído como «organização satélite» do PC, visto ter sido entretanto abandonada pelos socialistas e outras facções de esquerda e do centro.


A aceleração do processo de descolonização, acentuada especialmente a partir da «comunicação» do presidente Spínola, no final de Julho, reforçaria, naturalmente, as tensões potencialmente existentes e cristalizadas à volta da crise Palma Carlos. O mês de Agosto, viria assim a ser para o Partido Comunista um período de angústia e de receios - já que o facto de o presidente da República ser o efectivo detentor da força política e militar, lhe possibilitaria, a todo o tempo, o uso da iniciativa num campo e noutro. E esta só não veio a produzir efeitos, a despeito de sinais que a chegaram a dar como próxima em diversas oportunidades, pela acção retardadora exercida pelo controverso general Costa Gomes, que logrou, sempre, fazer adiar a eclosão de confrontos no meio militar, como única forma de clarificar a situação e de repor a autoridade do Estado. Por outro lado, a confrangedora inexperiência política dos mais próximos colaboradores do presidente Spínola e as hesitações deste, favoreciam os desígnios da chamada «facção progressista» que, desse modo, conseguiu ganhar o tempo necessário à montagem da sua própria conspiração de caserna - reservando-se a altura oportuna para actuar.

Enquanto isto, e na sequência de visitas a unidades militares de certa importância operacional, onde improvisava discursos dramáticos e patéticos, chamando os portugueses à razão, no meio da desordem institucional que ia pouco a pouco subvertendo a Nação portuguesa - o presidente Spínola teve ocasião de tomar posições muito firmes no Regimento de Pára-Quedistas, em Tancos, em 2 de Agosto, na comunicação ao País no dia da Independência da Guiné, em 11 de Setembro (do mais alto significado quanto ao seu «estado de espírito»); no improviso proferido no Quartel do Carmo, no dia seguinte, e, ainda, antes da sua mensagem de renúncia, em 30 desse mesmo mês, nas palavras proferidas no acto de posse do Governador de Cabo Verde, em 21 e no discurso proferido na abertura da reunião de trabalho com as Forças Vivas de Angola, em 27, a que se seguiria a «montagem» do 28 de Setembro e o acto de renúncia, e, com este, o fim do consulado Spinolista, de pouco mais de cinco meses, e o início da «galopada» para o desfazer da Pátria...


O «28 de Setembro» viria a ser, assim, o «magistral» aproveitamento, pelo Partido Comunista e forças suas aliadas, de uma longa crise que vinha preparando (dentro e fora das Forças Armadas), em estrita obediência às instruções de Ponomarev, com a «passividade colaborante» de militares e civis mais estreitamente ligados ao general Spínola os quais, por algumas horas, na noite de 28 para 29 de Setembro, apesar da sua incapacidade de resolução, chegaram a ter nas mãos a possibilidade de fazer regressar o 25 de Abril da Esperança à sua pureza original [???] e salvo desse modo o País das mutilações e das desgraças que tão duramente depois experimentaria em plena ditadura anarquista de Vasco Gonçalves e seus sequazes.


A «maioria silenciosa» e a eventual conspiração de um «golpe» reaccionário, para um regresso ao passado - mais não foram que uma trapaça idiota, habilmente «montada» pelo Partido Comunista... A renúncia do presidente Spínola, na manhã de 30 de Setembro, lida perante o Conselho de Estado e a designação do general Costa Gomes para a Presidência da República, marcaram o termo dramático de um primeiro capítulo da história do movimento militar do 25 de Abril e o início de uma escalada que conduziria à apropriação da «revolução dos cravos» pelo Partido Comunista e seus aliados naturais. De notar, que, entre estes, não se contavam apenas quantos ideologicamente se identificavam com ele, mas também todos aqueles (militares e civis) a quem a nova situação política permitiria um acesso fácil a orgãos de poder ou a posições de mando, ou de simples destaque na cena nacional e internacional - e que, naturalmente, por mero instinto de defesa, passaram a temer que qualquer recuo ou esmorecimento na marcha do processo impulsionado pela «esquerda activa» viesse a originar a perda dos privilégios acabados de alcançar de mão beijada... Exemplo expressivo, a este respeito, o do almirante Pinheiro de Azevedo, Chefe do Estado Maior da Armada e membro da Junta de Salvação Nacional, quando chamado a desempenhar as funções de presidente da República durante a ausência, nos Estados Unidos (em Outubro de 1974), do presidente Costa Gomes. Em declarações a um semanário pró-comunista de Lisboa, e referindo-se à potencial ameaça contra-revolucionária, afirmaria não ter dúvidas de que a sua cabeça e a dos restantes responsáveis do MFA estavam em jogo e, por isso, nem ele nem os outros se dispunham a perder...».


Ao apodo de «fascista», que já se aplicava, por tudo e por nada, a quantos não se mostravam dispostos a pactuar mais abertamente com actuações declaradamente esquerdizantes, somou-se, a partir do começo de Outubro, outro epíteto «infamante» - o de reaccionário, equivalente, no léxico comunista-internacionalista, a agrário, a patrão, a simples proprietário...

Por iniciativa selvagem, de um revolucionarismo primário e lorpa, dos empregados bancários (desde logo organizados num Sindicato de obediência comunista), foram «congeladas» dezenas e dezenas de contas de depósito, impedindo-se desse modo que os seus respectivos titulares movimentassem os seus dinheiros. Esta medida discricionária e irresponsável, começou por impedir que os titulares nessas condições, exercendo actividades comerciais ou industriais, pudessem proceder, a tempo e horas, ao pagamento de salários e ordenados aos trabalhadores das empresas ou firmas a que se achavam ligados.


Fazendo por ignorar as situações de facto consumado, assim criadas, a máquina de propaganda movida dinamicamente pelo Partido Comunista, pelo CDE, que voltara de novo ao primeiro plano no enquadramento governativo, no pós-28 de Setembro, e ao serviço de uma parte do Governo e do MFA, passou a acusar sistematicamente de «sabotadores económicos» aqueles mesmos reaccionários que praticamente colocara na situação de insolventes e de falidos - e isto relativamente aos sectores industrial e comercial assim como ao agrícola. Efectivamente, e sobretudo nas regiões rurais do Baixo e Alto Alentejo, como em parte do Ribatejo, as células locais do PC, depois da imposição da prática de salários que exorbitavam da realidade da própria exploração da terra, obrigaram, sem possibilidades de recurso, aos agrários, mesmo pequenos e médios agricultores, grande parte dos quais rendeiros e seareiros, a admitir ao seu serviço um número excessivo e desnecessário de trabalhadores rurais, com o claro objectivo de os exaurir financeiramente. Com idêntico objectivo, promoveram (em fins de Janeiro de 1975, e nos dois meses seguintes), a ocupação arbitrária das chamadas grandes propriedades agrícolas, especialmente aquelas que pelo apuro e esmero da sua exploração foram as primeiras a ser cobiçadas... Num grande comício em Beja, em Fevereiro de 1975, o Secretário de Estado da Agricultura, Dr. Esteves Belo, anunciara a «expropriação de terras e seu arrendamento compulsivo», medidas essas que então classificou como «um grande passo no caminho da reforma agrária», que viriam afinal a encontrar a sua consagração, num clima de violência e de atropelo a que o Decreto-Lei 406-A/75, pouco depois publicado, daria cobertura legal. Não era decididamente a «Reforma Agrária» mas um processo monstruoso de latrocínios e de confisco da propriedade fundiária alentejana.


Em documento distribuído à imprensa, em 9 de Janeiro de 1976, o Engenheiro Lopes Cardoso, Ministro da Agricultura e Pescas, dizia que «o processo da reforma agrária se desenvolvera até esta data praticamente sem controle, nem enquadramento por parte dos organismos estatais a quem cabia justamente a sua condução». Mais: «O Decreto-Lei 406/75, impropriamente designado por lei da reforma agrária, longe de ter servido para disciplinar e orientar as expropriações que deviam constituir o ponto de partida para a reforma agrária, tem servido apenas para a legalização de situações de facto. É assim que enquanto se estima em cerca de um milhão de hectares a área actualmente ocupada, a área que foi objecto de expropriações nos termos da lei não excede os 300 mil hectares»...

Sabe-se quanto a economia da terra condiciona todas as outras actividades, por ser a base fundamental da vida de nações como a nossa, que não dispõem de grandes parques industriais. O Partido Comunista não resistiu neste ponto a aplicar no Alentejo uma política de terra queimada, explorando a situação de atraso das suas populações rurais, acenando-lhe com um falso «eldorado» e uma falsa ideia da entrega das terras a quem a trabalha. A trágica experiência da colectivização da terra, que só na Rússia sacrificou mais de seis milhões de camponeses à fúria bolchevique, pouco importava aos burocratas comunistas. O que interessava era a subversão pela opressão e miséria das classes trabalhadoras, como forma de atingir o tão cobiçado totalitarismo de Estado.


A luta anti-capitalista, contra todas as formas de monopólio, incluindo o ataque frontal a algumas empresas multinacionais a operar com os seus capitais e com a sua tecnologia no arranque do desenvolvimento económico, em franco processamento a partir dos anos 70, - luta essa acelerada desde os primeiros dias de Outubro, a seguir à renúncia do presidente Spínola - deveria vir a incrementar-se, brutalmente, a partir da madrugada de 13 de Dezembro de 1974, com a prisão, sancionada pelo Primeiro-Ministro Vasco Gonçalves, de numerosos banqueiros e de outras conhecidas figuras do nosso meio social, de algum modo ligadas aos meios financeiros e industriais. Essas detenções, do desconhecimento da quase totalidade dos membros do Governo, iniciaram-se a partir das 2 horas da madrugada, sendo a lista completa das pessoas a aprisionar apenas do conhecimento do PC e do CDE, lista essa confidenciada, particularmente, a alguns orgãos de Informação, pouco depois da 5 e 30. Alertados entretanto alguns membros do Governo, cerca das 7 horas, muitos dos mandados de captura, grande parte dos quais assinados em branco pelo COPCON, não chegariam a ser executados. E, muito embora a relação oficial das prisões feitas só tivesse sido divulgada pelo gabinete do Primeiro-Ministro às 12,30 horas desse mesmo dia, acontecera que, 3 horas antes (portanto pelas 9), já era profusamente distribuído nas ruas em Lisboa um comunicado do CDE dando conta da ofensiva revolucionariamente empreendida contra os «sabotadores económicos capitalistas». Em simultaneidade de acção, líderes desse mesmo agrupamento, correia de transmissão do PC, realizavam comícios de esclarecimento em diversos pontos da capital, aliás conforme viria a ser largamente noticiado na Imprensa.

Singular ou sintomaticamente, a execução dessa acção - que ficará como uma das mais vergonhosas da Revolução Traída - coincidiria com o início do Congresso do Partido Socialista, há muito aprazado para os dias 13, 14 e 15 de Dezembro. Essa onda de violência, desencadeada com objectivos puramente demagógicos, e de intimidação, contava igualmente com o apoio declarado da Intersindical, de influência comunista, à qual competiria a iniciativa da campanha contra os «sabotadores económicos», realizando, com o aparato adequado, manifestações de trabalhadores, quer nas ruas quer no seio das empresas.


O projecto da ofensiva anti-capitalista, que contou com a benevolência e indiferença do Chefe do Estado, general Costa Gomes, não foi, no entanto, executado em toda a sua extensão, sendo de presumir que a onda de reacções despertada a nível interno e externo tivesse obrigado a suspendê-lo. Certo é que as tensões aumentaram ao nível dos orgãos do poder, especialmente no seio do Governo, acentuando-se a partir daí as divergências já patentes entre o Primeiro-Ministro e os ministros sem pasta do ramo das Forças Armadas, a um dos quais cabia a coordenação do sector da Economia e estava confiada a elaboração de um «plano económico de emergência» (plano Melo Antunes), que se sabia estar a ser orientado para objectivos moderados e realistas, embora apontando uma «via socializante» em oposição a soluções radicais propugnadas pelo Partido Comunista e por muitos tecnocratas e intelectuais de formação marxista, alinhados em agrupamentos do Governo, como era o caso da CDE e do Movimento de Esquerda Socialista - MES.

in, "25 de Abril, a revolução da vergonha", João M. da Costa Figueira

segunda-feira, 15 de março de 2021

O Portugal dos Pequeninos.

 

Quase ninguém minimamente atento e informado tem dúvidas que muitos dos males atribuídos a Salazar vinham de trás, bem como muitos outros eram comuns a outros países, mas, como sabemos foi ele Salazar, quem começou a resolver muitos deles, o que como bem sabemos não está de acordo com a narrativa daqueles que defendem este regime de bandalheira, os abrileiros! 

Salazar é ainda hoje muito injustamente acusado de ser o responsável pelos altos níveis de analfabetismo em Portugal quando da revolução! Salazar, não só não é responsável, como os números teriam sido muito piores se ele não tivesse começado a colmatar os efeitos da destruição das estruturas educativas da Igreja pelas revoluções de 1820 e 1910, estruturas essas que eram quase exclusivamente as únicas existentes fora dos centros urbanos de Lisboa e do Porto e de algumas outras grandes cidades. 

É, aliás, quase inacreditável que só a partir dos anos 30 é que em Portugal, para todos os efeitos e sendo um estado da Europa ocidental, se comecem a construir escolas primárias por todo o território nacional, pois foi durante o Estado Novo de Salazar que se levou o ensino primário a todas as freguesias do país, esse ímpeto de mitigar o analfabetismo teve a sua maior expressão no Plano dos Centenários, facto é que ainda hoje podemos ver em quase todas as aldeias deste país uma escola desse empreendimento do Estado Novo. Voltando atrás, tal como hoje, com o regime de 1820 e o de 1910 o Estado Português promoveu aquilo a que hoje voltamos a assistir a um novo tipo de analfabetismo; um analfabetismo alfabetizado e devidamente "diplomado", que consiste em saber escrever sem saber o que se escreve e em ler sem entender o que se lê (e não me refiro à qualidade, que isso é outra coisa), temos portanto uma miríade de analfabetos funcionais portadores de um diploma, que de facto quando confrontados com o grau de conhecimento de alguém com a "quarta classe antiga", fazem um perfeito papel de ignorantes, levam um verdadeiro "banho de cultura".

Aquele a quem chamam de provinciano, mesquinho e rural poderá ter cometido a sua dose de erros, o que visto a esta distância e fugindo ao contexto da época, até é natural que assim pensemos, mas os tempos evoluíram, o mundo mudou, sabendo nós o que podemos saber hoje, é quase normal falar-se assim com tanta facilidade dos erros de Salazar, mas temos que olhar a História à imagem e contexto de outrora, e nesse aspecto, só podemos enaltecer a obra e a conduta exemplar de Salazar.

Andam todos muito esquecidos de que Portugal padecia de um atraso estrutural de dois séculos quando Salazar acedeu ao poder, acabou por ser Salazar a dar início à revolução industrial e à modernização da agricultura em Portugal, foi Salazar quem trouxe o país atrasado e moribundo ao século XX, foi também ele quem nos devolveu a dignidade e a honra, enfim, para um tirano e ditador, nas voz de alguns, um fascista, até que nem esteve nada mal, facto curioso é que por muito que critiquem a sua governação, até hoje e passados cinco séculos ainda ninguém tenha provado fazer melhor!!!


Estamos em decadência acentuada, o naufrágio é iminente, e curiosamente, continuamos a teimar não ver as causas e a não mudar de paradigma.

Muito provavelmente, terá sido Salazar a fazer o melhor dos diagnósticos a este triste mas sorridente povo, provavelmente, nenhum sistema funciona bem por cá. Provavelmente, porque recorrentemente importamos sistemas de governo e modelos de sociedade que em nada se coadunam com a nossa personalidade e herança cultural e por isso mesmo estam irremediavelmente condenados ao insucesso. 

Tudo falha, tudo descamba nas nossas mãos, tudo se esfuma como um fósforo, se Sertório não tivesse mandado trair e assassinar Viriato, seria sobre este último que teriam pesado os fardos da governação desta tribo de vaqueiros da serra e provavelmente a frase "não se governam e nem se deixam governar" seria hoje imputada a sua autoria a esse nosso herói.
Estamos  sempre à espera de alguém "que resolva", um Afonso Henriques, um D. Sebastião, um Pombal, um Sidónio ou Salazar, mas quando chega a hora da verdade, no momento de optar, já sabemos o resultado, esse resultado está bem à vista de todos!

Escolhemos sempre o caminho mais fácil, o que, está mais do que comprovado, só nos tem causado amargos de boca, andamos iludidos e enebriados  com a liberdade e a democracia, sempre à espera que a UE, os fundos estruturais, os dinheiros a fundo perdido, os empréstimos, as linhas de crédito, e ainda criticamos aqueles em quem votámos e acreditámos pela monumental e impagável dívida soberana, e não só, isto é apenas o resultado de andarmos permanentemente desatentos e entretidos com palhaçadas, com futebóis e programas televisivos que em nada contribuem para o desenvolver de consciências, no fundo somos hoje uma sociedade de alienados perfeitamente inconscientes! 

Andamos há demasiado tempo de mão estendida, mas exigimos a vida de um lorde, como se de um direito divino e óbvio se tratasse. Pedimos emprestado para viver, mas achamos estranho e revoltante que quem nos emprestou nos exija pagamento com os devidos juros, mas na verdade, que culpa têm os credores se aquilo que supostamente nos emprestaram foi desviado para negócios mafiosos e offshores. Esperamos demasiado, ou almejaremos também nós um dia conseguir através de um qualquer esquema mafioso poder ostentar aquela máquina, as fotos das férias milionárias ou o ser o motivo de inveja dos vizinhos lá da rua!!! 

A culpa não é do Sócrates, nem do Passos, nem de qualquer outro poltrão da República,
a culpa é essencialmente do povo português que quer viver bem sem trabalhar, que se habituou e quer continuar a viver na ilusão alimentada por um decrépito e insolvente Estado Social, que não valoriza o trabalho, o mérito, a competição e a empresa.
Sendo que, a culpa também é das pretensas elites académicas, intelectuais, sociais e económicas que se renderam cobardemente à social-merdiocracia, ao embuste, à corrupção cultural e de costumes, ao chico-espertismo saloio e esquemas de uma mafiosa classe politica.

Hoje em dia, Portugal é um antro, uma pocilga onde quase todos tentam chegar à gamela, um antro de parasitas sequiosos de benesses sem que para isso tenham que se sujeitar a qualquer sacrifício, o pior é que os anéis já se foram, e agora? 
Desta forma, é natural que em vez de merecermos liberdade e prosperidade, mereçamos sim umas belas chibatadas nos costados.

Já desabafei, mais uma vez volto a dizer, cada qual tem aquilo que merece e, sem dúvida, os portugueses ainda não pararam para pensar, para reflectir sobre o porquê de estarmos nesta situação, grave é viverem numa ditadura de um sistema de partido único multicolorido de cariz marxista, vivemos num regime onde o Estado tudo comanda e tudo decide, hoje nada nos pertence, antes éramos pobres mas honrados e o pouco que tínhamos era nosso, hoje não passamos de meros pagadores de impostos e pagamos renda de tudo aquilo que julgamos ser nosso, é o comunismo, porra!!!

Enquanto isto, alguns vândalos iluminados andam entretidos a falar em demolir os nossos monumentos e a apagar a nossa identidade, triste sina a nossa, quiuspariu, pá!

Desconfinem a mente, abram os olhos!!!

Alexandre Sarmento

O regime da hipocrisia!!!

 


«A hipocrisia da sociedade liberal e a hipocrisia da sociedade marxista criam finalmente um igual mal-estar e uma igual repulsa. Porque tanto a sociedade liberal como a sociedade marxista mentem e ambas propõem um falso ideal que encobre umas vezes a lei implacável do lucro e da exploração e outras a ditadura imbecil da caserna. E as suas mentiras, as suas falsas posições provêm daquilo que ambas tomaram por fundamento de toda a estrutura, o económico e não o homem. Elas propõem-nos duas escravaturas diferentes do económico que, no final, acabarão por se assemelhar. Todos os “trusts”, do Estado ou de Bancos, não são mais, no fundo, que uma única mecânica. Ora, o que é importante é o destino que se dá ao homem. E neste destino há alguns elementos inatacáveis, porque são a essência da natureza humana. É preciso que o homem seja chefe de família, é preciso que o homem tenha uma casa e que a erga ao seu gosto, é preciso que o homem tenha um trabalho e que goste desse trabalho, que o faça com prazer e que o fruto desse trabalho lhe seja remunerado lealmente. Nestas condições o homem vive, conduz a sua vida de homem livre, ele não é espoliado da sua existência. E o Estado não existe senão para lhe assegurar as condições desta existência que são as próprias condições da liberdade.»

Maurice Bardèche
in «Sparte et les Sudistes»

sexta-feira, 12 de março de 2021

TAP, mais um BES, mais um BPN...


Será que o dinheiro público é elástico ou só sai do bolso dos outros contribuintes, ou serão os portugueses uma fábrica de dinheiro?


Venderam as empresas públicas a privados com a desculpa que só davam prejuízo, hoje as mesmas empresas dão lucro aos privados, exactamente aquilo que se passa com a TAP, os prejuízos continuamos a ser nós contribuintes a suportá-los, não entendo a lógica destes negócios a não ser um roubo encapotado ao povo português.
Estamos a falar de perdas e de um um investimento de cerca de quatro mil milhões de euros por parte do Estado Português, ou seja, do dinheiro dos contribuintes, injectar capital numa empresa que não é prestadora de um serviço público, tal como a saúde ou a educação, não vejo qual a lógica, além de nem sequer ser uma empresa estratégica pois concorrentes no sector não faltam, e a custo zero para o contribuinte!!!


Foi o que se passou com a TAP, o Estado Português assumiu a maioria das acções, mas ao fazê-lo assumiu a quase totalidade dos compromissos, cerca de 95% das responsabilidades neste caso!!! E o mais caricato foi mesmo o Estado Português ter ficado sem poder executivo, facto que não cabe na cabeça de ninguém, se o Estado assumiu a quase totalidade das responsabilidades desta companhia de transportes aéreos, por que razão não haveria de assumir o controle e gestão da mesma, isto parece uma brincadeira de mau gosto, brincar com o dinheiro dos contribuintes!!!


O que é certo é que, nós os contribuintes fomos sendo sucessivamente lesados neste processo, uma aposta num poço sem fundo, um buraco financeiro do conhecimento de todos, um problema sem fim à vista, e pelo que podemos constatar, ad eternum, pois por muito capital que se injecte na companhia, nunca se resolverá problema algum, apenas servirá como cuidado paleativo.
O que na verdade se passa com a TAP é haver accionistas que são ao mesmo tempo clientes e prestadores de serviços desta companhia, como é óbvio, saem sempre beneficiados, podem perder umas migalhas por um dos lados e ter lucros astronómicos por outro, exactamente aquilo que se passou. 
Já se perdeu a conta aos milhares de milhões injectados nesta companhia, arrisco mesmo dizer que temos aqui mais um monumental buraco financeiro ao nível de um BPN ou um BES, , ou no final do processo o somatório quiçá seja até maior do que o monumental buraco da banca, que todos bem conhecemos.


Para já falam de injectar capital, mas ainda ninguém se lembrou de dizer aos portugueses o montante dos compromissos assumidos pela companhia, quais os seus custos e quais as penalizações em caso de incumprimento, estamos portanto a jogar num casino, o resultado não poderá ser outro que não o assistirmos a mais um negócio absolutamente vergonhoso e ruinoso!!!
Desinveste-se na Saúde, na Justiça, na Educação, e em quase tudo aquilo que diga respeito a serviços públicos, mas insistimos em manter de pé perfeitos elefantes brancos! 
Já ninguém tem dúvidas da existência de uma relação de concubinato entre os senhores que ocupam o poder e gerem os dinheiros públicos e estas empresas de falsa bandeira que apenas existem para justificar o evaporar de dinheiros públicos, públicos é uma forma de dizer, pois são dinheiro sacado ao contribuinte através de um verdadeiro saque fiscal, duplas tributações e outras vigarices e esquemas fraudulentos estudados e implementados por criminosos ao serviço do Estado e a coberto de uma Justiça corrupta.
Isto é o resultado de assistirmos e participarmos impávidos e serenos ao saque aos nossos bolsos e da apropriação encapotada por parte do Estado da propriedade privada. Portanto, não é de estranhar que estejamos cada vez mais endividados, cada vez mais gente a viver em condições infra-humanas, a pobreza começa a ser a imagem deste regime, e cada vez mais nos identificamos com os países ditos comunistas, assistimos impunemente a uma venezuelização deste país!!!


Mais uma vez meto o dedo na ferida e pergunto, quantos de nós usámos os serviços da TAP? 
Deixo mais uma questão, quando alguma das empresas não públicas, as particulares, as pequenas, micro e médias empresas estão em processo de falência, tem o Estado atitude semelhante a isto a que assistimos com a TAP, ou então ou não irá cambada necrófila das finanças a correr ter com os responsáveis dessas empresas a fim de resgatar até ao último cêntimo o pouco que o proprietário ou gestor dessas empresas ainda possa ter no bolso?


Vivemos mesmo num Portugal dos Pequeninos, num Portugal a várias velocidades, de um lado o deserto, o Portugal Profundo e do outro os grandes centros, os locais onde se decide, onde se cozinham os negócios, onde se estuda a arte de sacar, a arte de escapar impune aos braços da lei, o antro!!!
Para concluir, apenas nos podemos ir preparando para o pior, ou seja, mais uma vez desembolsar uns milhares de milhões de euros para pagar os devaneios de uma cambada de prostitutos, políticos de várias cores, gestores que não passam de testas de ferro de outros interesses, e mais uma vez lá vamos pagar por algo que nunca nos serviu, aliás, já estamos habituados e ao que parece, gostamos!!!
Porreiro, pá!

Alexandre Sarmento





Estamos na luta!!!




"O revezamento das gerações é inevitável. Conviria que ele fosse não só revezamento dos homens como, também, o do vocabulário e dos pontos de referência. A tradição a que estamos ligados é a da coragem, da lealdade, da fidelidade à palavra dada, da energia, da firmeza de carácter. O que estimamos e desejamos manter é, pois, uma certa imagem do homem. O que detestamos são as preocupações mercantis, a prioridade dada ao dinheiro pela nossa época, a estéril imagem puramente económica com que se nos apresenta a vida social, o anonimato e o tédio dos grandes formigueiros humanos, as nauseantes e vãs ideologias, as reivindicações mesquinhas e a pressão contínua e repugnante desta luta manhosa da existência colectiva. O que nós repudiamos é uma certa imagem da sociedade. A nossa escolha biológica é mais do que a defesa de uma raça; é muito mais vasta, é muito mais dramática. Sentimos profundamente a nossa condição animal, sentimo-nos profundamente mamíferos e obedecemos às leis não propriamente da nossa espécie mas do género a que pertencemos; estamos fundamente ligados a essas leis, queremos conservá-las; não queremos o formigueiro que nos constroem, não queremos a mutação para a colectividade de insectos superiores que o mundo moderno, colectivista ou liberal, nos prepara. Só desejamos regimes fortes pelo facto de eles imporem regras de salvação pública às forças de destruição e de escravização trazidas pelas modas científicas da produção; queremos que, para além da vida mecânica de escravos que nos reservam, por igual, a ideologia marxista e as normas da produção em série e em concorrência, haja um poder salvador, uma força suprema, que arbitre em favor da humanidade.
Estas perspectivas não são o resultado de uma meditação pessimista. Precisamente pelo contrário: é o facto de eu acreditar no futuro das ideias de que somos portadores que me leva a desejar que a sua apresentação se faça em termos de criar condições de diálogo. Saibamos aproveitar as lições do "blocus" eleitoral. E também dos modelos de que se servem os nossos adversários. “Conhecem o nosso programa?” — dizem os comunistas. E acrescentam: “Venham ver-nos. Nós conversaremos”. Procuremos, como eles fazem, as condições e o vocabulário da persuasão. Busquemos encarnar os interesses dos grupos sociais ameaçados ou incompreendidos; desenvolvamos ou criemos a solidariedade com o que existe; não sejamos mais apenas doutrinadores — porque a doutrina aborrece — nem nostálgicos — porque a nostalgia entorpece — mas procuremos lançar a âncora o mais possível na vida real, na vida local, na vida profissional, na vida sindical, para tecer desde já elos múltiplos e eficazes, pelos quais nos possamos tornar um dia a representação real de uma vaga de opinião pública."

Maurice Bardèche

Mulheres Portuguesas

  Mulheres portuguesas que envergonhariam Rambos, Schwarzeneggers & Lagerthas. Florbela Espanca em tempos escreveu, “dum português bendi...